3. BİYODİZEL ÜRETİMİ
3.2 Biyodizel Üretim Yöntemi
Este trabalho se desenvolveu com o foco de analisar e tentar compreender como seria a ação da junção dos conhecimentos da Educação Física, com os elementos do Circo Social na Educação não formal e se está junção oferece uma opção de atuação aos professores de Educação Física. Desta forma refletimos como se desenvolveu esta ação através das investigações com crianças e adolescentes em uma Escola Estadual e dois locais de uma instituição social do município de Bauru.
No decorrer da investigação foram analisadas as dificuldades e falhas que surgiram pelo caminho, que conduziram a algumas mudanças. Mesmo diante destas dificuldades não desistimos no meio do caminho, continuamos buscando compreender quais os desafios existentes no objetivo desta pesquisa. Após estes sete meses de realização das investigações, mesmo com as dificuldades, houve também os momentos de alegria e, estes com certeza foram muito maiores.
Ao refletirmos sobre o decorrer deste trabalho, é possível obter uma pequena compreensão de como deve ser esta ação através Circo Social. Mesmo a pesquisa se desenvolvendo em abrigos de acolhimento, que possui uma leitura diferente de um projeto social, compreendemos ser muito importante trabalhar as ações na perspectiva da Educação não formal. Foi possível também perceber uma pequena fração da complexidade existente nos abrigos de acolhimento, onde os adolescentes ali inseridos não são o problema, mas sim o contexto histórico das marcas que eles carregam que torna o cenário complexo.
Infelizmente por falta de tempo não tivemos como obter uma devolutiva por parte dos adolescentes, sobre as atividades e passeios realizados nos encontros. Mas acreditamos que algumas imagens destes encontros, nos mostram os momentos de alegria, diversão e prazer para eles. Podendo assim desenvolver um trabalho de longo prazo que possibilite um maior aprofundamento para esta pesquisa.
Para finalizar podemos dizer que o Circo Social através dos saberes circenses, é uma ótima possibilidade de ação na Educação não formal, pois possibilita através de seus elementos se conhecer e conhecer ao outro, desenvolver a autoestima, trazer a sensação de alegria e prazer, aprimorar as interações e
despertar a infância. Para os adolescentes desta pesquisa, aos quais muitas vezes tiveram a infância roubada e que carregam as marcas de exclusão e abandono, estas ações realizadas trouxeram a possibilidade de momentos de alegria. Portanto, entendemos que, como responsabilidade social que nós professores de Educação Física temos, podemos e devemos olhar para este campo de atuação com olhares e desejos de contribuir na transformação social que muitos esperam.
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ANEXOS
ANEXO A - NOTAS DE CAMPO
1º Conjunto de Notas – 16/05/2015 – Escola Estadual
Inicia-se o Projeto Cultural de Artes Circenses numa Escola Estadual de nível inicial do Ensino Fundamental, localizado no Bairro Jardim America, no município de Bauru. Em dezembro antes das férias foi realizado contato com a coordenadora do Programa Escola da Família, para realização deste projeto após o retorno das férias. Mas por problemas pessoais e falta de organização demorou para iniciar. Em abril retornei o contato com a coordenadora, pedi desculpa por ter me ausentado muito tempo e reapresentei o projeto para ser iniciado no mês de maio. Como nas outras vezes, ela mostrou apoio à realização deste projeto junto ao Programa Escola da Família.
Neste dia apresentei para coordenadora o cartaz (Figura 1) feito para divulgação do Projeto Cultural de Artes Circenses e ela propôs de passar durante a semana nas salas de aula apresentando o cartaz e falando do projeto, depois ela iria fixar o cartaz nas paredes verdes do pátio da escola.
Na quadra os meninos estavam jogando futebol, pedi para jogar com eles e descobri que tinham entre 7 e 17 anos, a maioria estava descalço e alguns sem camiseta, foram receptíveis e nos momentos que eu ficava de próximo falava com eles a respeito do projeto de circo que iria iniciar. Depois fui para o pátio da escola, que tinha mesa de tênis e de pebolim, tinha uns meninos jogando e joguei com eles, também, aproveitei para falar sobre o projeto, mas percebi que alguns ouviam e poucos prestavam atenção. Faltando alguns minutos para a escola fechar (o programa encerra às 17h) dois garotos de aproximadamente 10 anos, que estavam no tênis de mesa começaram a se agredir com socos, eu e outro adolescente que estava próximo separamos a briga. A universitária que fica como monitora no Programa comentou que um destes meninos sempre arruma confusão quando aparece.
Estudantes de psicologia de uma faculdade da cidade estavam fazendo estágio no Programa Escola da Família, eles ajudam a fazer os cartazes da escola e levam atividades de desenho e pintura. Alem destes tem uma universitária que recebe bolsa de estudo do governo e está ali todo sábado monitorando nas atividades.
2ª Conjunto de Notas – 23/05/2015 – Escola Estadual
Cheguei à escola e fui recepcionado pela coordenadora, ela logo me disse:
“as crianças estão te esperando”, isto aconteceu devido a um pequeno atraso de 5
minutos que eu tive, e que será corrigido. Mas no pátio percebi que não havia nenhuma criança me esperando. Tinha alguns meninos na quadra jogando futebol e outros no pátio jogando pebolim e tênis de mesa, também tinha algumas meninas juntos com os estagiários fazendo atividade de desenho e pintura sobre o tema família, mas um grupo me esperando para realizar as atividades de circo não.
Comecei a chamar os meninos, mas eles não paravam de chutar a bola, tanto na quadra como na mesa de pebolim, senti certo desconhecimento e desinteresse
do projeto de circo, perguntei para os que disseram estudar ali se eles estavam sabendo do projeto, alguns disseram que sim e outros não, talvez pelo motivo de terem faltado. Com isto entendi que precisaria reforçar a divulgação do projeto.
Por causa das mesas de jogos e o futebol na quadra, eu tive bastante dificuldade pra conseguir reunir um grupo para iniciar o projeto, eu não queria e nem posso chegar interrompendo o jogo deles, falei também com as meninas que estavam na pintura com os estagiários, mas não quiseram. Depois de aproximadamente uma hora e meia consegui reunir seis meninos e uma menina, e sentamos numa roda no chão do pátio pra iniciar o projeto. De inicio falei sobre mim e expliquei o que é o projeto que estava convidando eles a participarem, depois pedi para eles se apresentarem, falando o nome, idade, onde estuda, qual o time que torce e qual a cor favorita.
Na nossa roda de conversa, descobri que quase todos eram irmãos. Eles se apresentaram, ainda que um pouco tímidos, com as características propostas e eu também, depois propus um desafio de falar as características do amigo a direita, foi um momento onde eles deram muitas risadas e também alguns assopravam para o amigo, mas todos acertaram, pois que o grupo já se conhecia, mas tiveram oportunidade de conhecer outras características. Depois propus outro desafio, o jogo dos nomes utilizando uma bola de malabares, ali apresentei a bola pra eles e falei um pouco do malabares. O jogo era em roda e tinha que falar o nome do amigo e lançar a bola, depois dificultou acrescentando mais uma bola, tinha que falar o nome e lançar antes de receber a segunda, neste tiveram um pouco mais de dificuldade. Mas treinamos o reflexo e pude observa-los nos lançamentos. Depois fizemos a brincadeira Escravos de Jó, alguns conheciam a musica, mas não conseguimos completar uma rodada inteira da musica. Neste momento, dois adolescentes que estavam na quadra se aproximaram e quis brincar, um deles tinha falado que não iria participar quando convidado, pedi para se apresentarem para turma, mas todos ali já se conheciam.
Para finalizar o encontro pedi para fazerem um desenho ou escrever aquilo que conheciam sobre o circo e como eles veem o circo. Neste momento eles se reuniram numa mesa do pátio e começaram a fazer seus desenhos (Figura 3) com os lápis da escola, apenas um não desenhou, pois disse não saber desenhar, mas ele escreveu algumas coisas. Teve um momento que fui ao banheiro e quando voltei na mesa, um dos que chegaram depois tinha ido embora sem terminar seu desenho. No final entreguei uma ficha de inscrição para eles levarem para casa e pedirem ao responsável para assinar. Encerramos aproximadamente às 16h 45, ultrapassando o horário proposto, isto aconteceu devido à demora que teve em reuni-los no começo. Infelizmente não conseguimos realizar uma roda de conversa sobre os desenhos produzidos, que foram sete no total (Anexo ”G”).
3º Conjunto de Notas – 28/05/2015 – Divulgação do Projeto
Nesta quinta-feira fui à escola para reforçar a divulgação do projeto de Artes Circenses, pois no 2º encontro conforme relatado, percebeu-se esta necessidade devido aos poucos participantes presentes. Passei em todas as turmas desde o 1º ano ao 5º ano e utilizei o cartaz feito para a divulgação, expliquei o que era o projeto e que aconteceria no Programa Escola da Família, falei sobre as modalidades do circo, sobre o horário e outras informações. Infelizmente percebi os alunos engessados, tentei animar os momentos que entrei nas salas e talvez devesse ter usado a roupa de palhaço como pensei, pois, eles não tinham reações e como se não pudessem alegrar se. Após passar em todas as salas, já próximo ao horário de
ir embora, acompanhei a saída dos alunos e percebi que a maioria vai embora de ônibus que o governo oferece, tinha 4 ônibus. Entende-se, portanto que muitos alunos moram longe da escola, podendo ser este um dos motivos pelo qual tinha poucos participantes no programa Escola da Família e consequentemente no projeto. No período da tarde, retornei na escola e passei novamente em todas as salas divulgando o projeto. No entanto, foi um dia chuvoso nos dois períodos e com isto poucos alunos foram para a escola.
4º Conjunto de Notas – 30/05/2015 – Escola Estadual
Cheguei à escola às 13h 40min, a coordenadora não estava presente, no lugar dela estava o vice-diretor da escola. Apresentei-me e pedi se teria como pegar alguns materiais na sala de Educação Física para iniciar o projeto. As atividades iniciaram às 14h 45, novamente atrasado e somente três meninos da semana passada estavam juntos neste dia, sendo que dois não puderam ficar, pois iriam sair com a mãe, eles contaram ter deixado a ficha de inscrição no bolso, a mãe lavou a roupa e perderam as fichas, o outro tinha esquecido e saiu correndo para buscar. Todas estas coisas contribuíram no atraso, enquanto isto tentava atrair novos participantes para o projeto. Cheguei a levar a perna de pau para chamar a atenção, alguns da quadra ficaram agitados e queria andar, coloquei em alguns e aproveitei para falar sobre a dificuldade e a necessidade de compreender o processo de aprendizagem de cada modalidade do circo.
Quando o menino retornou me disse que a mãe errou na hora de preencher a ficha e que jogou fora, ele ficou com olhar triste, disse para não se importar e que entregaria outra. Com os materiais já separados na quadra (bambolês, bolas e dois cestos) iniciamos as atividades, pois os meninos que lá estavam jogando futebol tinham ido embora. Neste dia teve quatro novos participantes. Quando fomos iniciar a atividade proposta, chegaram outros meninos para jogar futebol, expliquei que estávamos ali para realizar o projeto e que poderíamos dividir a quadra, percebi que não gostaram muito, um deles disse: “só acerta a bola neles”, chamei a atenção, pois estávamos respeitando espaço deles e deveriam respeitar o nosso. Realizamos a atividade Bola ao Cesto Cooperativo, foram colocados os bambolês em linha reta e eles tinham que lançar a bola de malabares para o amigo no bambolê da frente até chegar ao ultimo que iria arremessar no cesto, este jogo é sugestão do livro JOGANDO COM O CIRCO, Bortoleto (2011). Foram realizadas algumas variações de lançamento, estas variações foram propostas por eles e apenas algumas eu sugeri. Depois iríamos iniciar o Jogo de Travessia no gramado ao lado da quadra, pois amortece o impacto da queda, no entanto, começou a chover e com isto cancelei a atividade. No meio disto tudo um dos meninos foi embora, pois disse que estava com dor na perna.
Fomos para o pátio e mostrei o desenho da semana passada para eles, falamos um pouco sobre a Lira, pois estava registrada em dois desenhos, expliquei que é uma modalidade acrobática aérea. Os novos participantes pediram para desenhar também e os estavam no encontro anterior quiseram desenhar novamente, percebi que eles acrescentaram novos elementos do circo no desenho. Conversamos no final sobre o projeto e algumas coisas que aconteceram, algo que eu trouxe para a roda de conversa foi sobre a forma como devemos tratar o próximo, pois teve alguns momentos que um deles ficou nervoso com os que estavam de fora e acabou sendo agressivo, percebi que ele queria proteger e cuidar do projeto, mas acabou repelindo os outros. Ao final do encontro falamos sobre a possibilidade de confeccionar os objetos dos malabares, analisamos os desenhos e eles disseram ter
gostado da atividade na quadra, por fim, pedi para eles pensarem em um nome para o nosso projeto e depois entreguei as fichas de inscrição. Neste dia realizaram um
total de quatro desenhos (Anexo “G”).
5º Conjunto de Notas – 06/06/2015 – Escola Estadual
Cheguei à escola 13h 45min. percebi que a escola estava muito calma e silenciosa, a coordenadora estava na sala da direção e avisou que não tinha nenhuma criança na escola. Realmente foi cenário que encontrei, fui ao pátio e só tinha as mesas e a quadra deserta, ela comentou que talvez possa ter sido devido o feriado prolongado de Corpus Crist que aconteceu neste final de semana.
Fiquei na escola até às 15h e neste período não tinha aparecido nenhuma criança. Conversando com a universitária ela comentou que de manhã apareceram alguns, mas poucos e que já tinham ido embora, ela acredita que deve ser por causa do período de pipa, pois ela mora ali próxima e viu os meninos na rua soltando pipa. Neste dia eu tinha um compromisso e precisava sair um pouco mais cedo, como não tinha aparecido ninguém, fui embora às 15h.
6º Conjunto de Notas – 13/06/2015 – Escola Estadual
Cheguei à escola 13h 40min. Novamente percebi que a escola estava calma. No pátio conversei com duas únicas meninas que ali estavam, tinham 10 e 9 anos, eram irmãs, vestidas com roupa simples, que estudavam ali na escola e moravam na comunidade do Jardim Europa. As convidei para participarem do projeto, mas percebi a menor abatida e desanimada, ela disse que estava dor de cabeça e queria ir embora, sua irmã maior não queria, pois preferia ficar na escola e se interessou pelo projeto, mas a orientei levar a irmã para casa devido à dor de cabeça. Ela disse que voltava e realmente depois de aproximadamente 1h ela retornou e realizei o projeto somente com ela, fizemos algumas atividades de manipulação, ela disse que queria treinar equilíbrio, mostrei as formas de equilibrar objetos (bolinha, bastão, clave), depois ela vivenciou e criou novas formas. Algo que deve ser destacado foi o interesse que a menina mostrou, pois realmente retornou como tinha dito. Depois realizamos atividade de malabares utilizando os tules ela participou do que estava sendo proposto, mas tinha maior interesse na manipulação com equilíbrio, ao invés de lançamentos. No final gravei áudio de uma conversa que tivemos, perguntei se ela já tinha do ido ao circo e o que sentiu, ela disse que sim e que se sentiu assustada porque “era pequeno por fora e grande por dentro”.
Conversando com a universitária, ela me avisou que um dos participantes tinha aparecido na semana passada à escola, para entregar a ficha de inscrição, ele chegou depois das 15h30min, eu já tinha ido embora devido ao compromisso que tinha.
Nestes últimos encontros percebi a dificuldade que tinha para reunir os meninos e assim juntos construirmos um tempo de aprendizado das artes circense.