• Sonuç bulunamadı

A Documentação tem ainda configurado agendas de pesquisa e de ensino na Europa, em especial, na França, na Espanha e em Portugal (ORTEGA, 2009a). Mas tal área

tem passado por hesitações em termos de expressão gráfica, segundo López Yepes (2006, p. 40), tanto no termo quanto nas definições: Informations-und Documentationswissenschaft,

Information Science e Informatika para citar algumas.

A imprecisão terminológica de termos como documentação e informação ocorreu com intensidade em muitos países. Na Espanha, o termo Ciencias de la Documentación é usado no sentido de “conjunto das disciplinas documentárias que estudam e executam os diversos aspectos do processo documentário.” (LÓPEZ YEPES, 1995 apud ORTEGA, 2009a, p. 13). Em outros países, a variação ocorre do seguinte modo: em Portugal, Ciências

Documentais; e na França, Sciences de la Information et de la Documentation e Sciences de la Information et de la Communication. Embora aproximações possam existir, correspondên-

cias exatas não existem.

Esse emaranhado de definições nos leva ao segundo momento da constituição da Documentação: a polêmica entre bibliotecários e documentalistas. Loosjes, pesquisador holandês estudado por Moreiro González (1998) e por López Yepes (1981; 2006), em forma de quadro esquemático, apresenta suas ideias, de modo a agrupar e harmonizar os dois tipos de definições: (1) relacionadas à Biblioteconomia; e (2) não relacionadas à Biblioteconomia. As definições do grupo (2) são subdivididas em três segmentos: a) Documentação na perspetiva da Biblioteconomia; b) Biblioteconomia e Documentação vistas em paralelo; e c) Documentação sobreposta à Biblioteconomia.

A partir desses segmentos, o conceito integrador de Otlet de Documentação, vista como “[...] dinamizadora da informação guardada nos depósitos documentais [...]” (LÓPEZ YEPES, 2006, p. 40), foi fragmentado pela polêmica entre Biblioteconomia e Docu- mentação, a qual é vista, em tempos recentes, em perspetivas biblioteconômica, documentária e informativa, observa López Yepes (1995; 2006).

Na perspetiva biblioteconômica, a Documentação, afirmam autores como Shera (1980) e Bradford (1961, p. 69), é prolongamento, complemento ou aspecto do trabalho bi- bliotecário: "Biblioteconomia em tom maior" (SHERA, 1980, p. 98), em que o documentalista corresponde a um bibliotecário especializado. Shera conclui que “[...] a biblioteconomia es- pecializada e a documentação têm raiz comum e que as divergências foram em grande parte um acidente histórico, cujos resultados foram intensificados pelas diferenças termino- lógicas, e não em espécie.” (1952, p. 193-194).

A perspetiva documentária corresponde aos dois segmentos restantes do estudo de Loosjes (1973 apud LÓPEZ YEPES, 2006): de um lado, o paralelismo da Biblioteconomia e a Documentação, as quais têm o mesmo objeto de estudo, mas o abordam por caminhos diferentes – Coblan e Ditmas são os representantes mais importantes deste segmento; e do

outro lado, a Documentação sobreposta à Biblioteconomia – Briet (1951), representante deste segmento, argumenta que a Documentação é o nível mais alto da intermediação da pesquisa porque ela tem uma abrangência mais ampla que as práticas ocorridas nas instituições documentárias: “arquivista, bibliotecário, conservador de coleção, o documenta- lista é tudo ao mesmo tempo” (BRIET, 1951, p. 20).

A perspetiva informativa, inicialmente traçada por Loosjes em 1973, é ampliada por López Yepes (1995; 2006). Em sua análise, o autor espanhol acrescenta aspectos relativos às seguintes temáticas: Recuperação da Informação (Information Retrieval), Ciência da Informação (Information Science) e Gestão da Informação (Information

Management).

O conceito de Recuperação da Informação é apresentado conforme estabelecido por Mooers, ou seja, o resultado da busca de informações, especificadas por temas, em estoque documental, considerando a comunicação humana e o fluxo do conhecimento transmitido. Vickery, que deu continuidade ao trabalho de Mooers, completa afirmando que a busca documentária “[...] limita-se à operação pela qual os documentos são escolhidos no estoque a pedido do usuário.” (1962 apud LÓPEZ YEPES, 2006, p. 50, tradução nossa), ou seja, busca é operação e recuperação implica em comunicação.

O conceito de Ciência da Informação, prossegue López Yepes (2006), nasceu nos Estados Unidos a partir de atividades e de iniciativas de organizações como a American

Documentation Institute (ADI32) e o Georgia Institute of Technology. Este Instituto promoveu conferências nos anos de 1961 e 1962, momentos em que se destacaram os estudos sobre a distinção entre o especialista da informação (Information Technology) e o cientista da informação (Information Science), e foi apresentada a primeira definição de Ciência da Informação (TAYLOR, 1966 apud LÓPEZ YEPES, 2006).

Nessa perspetiva, López Yepes (2006) cita a clássica definição de Ciência da In- formação enunciada por Borko, em 1968, que vê a Biblioteconomia e a Documentação co- mo aspectos aplicados da Ciência da Informação.

Ciência da Informação é a disciplina que investiga as propriedades e o com-

portamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os sentidos de seu processamento para otimizar sua acessibilidade e uso. Ela se preo- cupa com o corpo de conhecimentos relativos à origem, coleta, organização, estocagem, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e uso de informação. (BORKO, 1968, p. 3, tradução nossa).

A definição de Borko é interdisciplinar e integradora porque "[...] abrange as es-

32 Posteriormente a ADI foi renomeada deste modo: em 1968, ASIS (American Society for Information Sci-

truturas e os meios de difusão da informação habituais e os processos específicos como o bibliotecário e o documentário" (LÓPEZ YEPES, 2006, p. 52, tradução nossa). Nesse as- pecto, Borko, afirma López Yepes (2006), é o primeiro autor que fixa o conceito de Ciência da Documentação no campo da Ciência da Informação, especialmente nos aspectos rela- tivos à Recuperação da Informação.

Finalizamos a perspetiva informativa citando os estudos relativos à temática de Gestão da Informação. O advento dessa disciplina, relata o estudioso espanhol, influenciou a denominação de organizações, reformulou programas de estudos acadêmicos e fez cres- cer o bosque terminológico e conceitual da Documentação (LÓPEZ YEPES, 1995, p. 189).

López Yepes observa que o termo ‘Gestão da Informação’ é divergente, porque se presta a: “a) nomear a Ciência da Informação; b) designar processos de direção e coor- denação dos processos informativos em organizações, e c) designar os processos de admi- nistração econômica, de pessoal, de avaliação etc.” (LÓPEZ YEPES, 2006, p. 57, tradução nossa).

Sob esse aspecto, o autor espanhol questiona o modo como o termo é usado, não o significado do termo em si que acaba sendo aquele do uso. Então, falta esclarecer o conceito de Gestão da informação de modo a tornar o seu uso mais preciso.

Benzer Belgeler