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6. MARKET SEPET ANALİZİ UYGULAMASI

6.4. Birliktelik Kuralları ile İlişkilerin Belirlenmesi

[...]analisando e acompanhando a história e formação da Fanfarra [...] vê-se que ela se mostra cheia de ritmos e estilos musicais, fruto da junção de várias manifestações da cultura brasileira, especialmente as nordestinas [...]”.(SANTOS, Alexandre, 2016)

Outra categoria que inclui associada às suas práticas a percussão no contexto coletivo, trata-se das Fanfarras - agrupamentos musicais espalhados em grande número por todos os municípios cearenses, e que utilizam em suas atividades instrumentos melódicos simples- Pífaros, Liras150, Cornetas151, Escaletas152, além de instrumentos de metais - Saxofones, Trombones, Trompetes entre outros, sendo estes conduzidos pela forte cadência de diversos membranofones, entre estes: Bumbos, Caixas e Quadritons153.

Difere-se das Bandas Marciais e das Bandas de Música - (filarmônicas) por apresentar durante seus desfiles várias coreografias (evoluções), sendo estas desenvolvidas por meio do próprio conjunto de músicos ou através do corpo coreográfico - responsável pelas balizas e movimentações dentro do coletivo.

A Banda de Fanfarra, segundo Almeida (2010), pode ser encontrada sob a divisão de três categorias. Estas, irão diferir-se quanto à presença e/ou à ausência de instrumentos

150 Liras: instrumento percussivo comum em bandas de fanfarras. Apresenta teclas dispostas como as de um piano, porém, sendo de metal. É tocado tanto horizontal (com duas baquetas) quanto na vertical (com apenas uma baqueta). Assemelha-se ao xilofone.

151 Cornetas: aerofone da família dos metais, cuja sonoridade produzida provém da vibração dos lábios do instrumentista sobre o bocal do instrumento. Pode ser encontrada com ou sem pistos.

152 Escaletas: aerofone de palhetas livres, com funcionamento semelhante ao acordeão. Possui um teclado parecido com o do piano, porém em tamanho reduzido. Toca-se soprando-a através de um tubo, pressionando as teclas simultaneamente.

percussivos, assim como as coreografias dentro do conjunto. Tomamos portanto, as devidas modalidades de Fanfarra: Fanfarra Tradicional, Fanfarra Marcial e Fanfarra Melódica.

Fanfarra Tradicional: Trata-se de um conjunto musical que apresenta em sua constituição instrumentos percussivos sem altura definida154, sendo estes conhecidos como: Bumbos, Caixas, Pratos e Quadritons. Nesta modalidade, apenas é permitido como instrumentos de sopro as cornetas e os cornetões, dispensando-se o uso dos instrumentos de pistos155 ou gatilhos156. É a única modalidade de Fanfarra em que os músicos não executam evoluções, ficando estas a cargo do corpo coreográfico.

Fanfarra Marcial: categoria que pode abranger os mesmos instrumentos da modalidade anterior, entretanto, difere-se com relação às coreografias, podendo os músicos executarem apenas marchas sincronizadas.

Fanfarra Melódica: Esta última subdivisão caracteriza-se pela união de duas classes de instrumentos percussivos: os de altura definida157 - compostos por: Xilofones158, Campanas159, Tímpanos160, Marimbas161 entre outros, e os de altura indefinida162 - constituídos por: Surdos, Caixas, Pratos e diversos outros instrumentos. Aqui, há a utilização de instrumentos de sopro com recurso de gatilhos e de pistos, e quanto às suas coreografias, estas podem ocorrer por meio de todo o conjunto da fanfarra, acontecendo tanto entre o corpo musical, quanto pelo corpo coreográfico, ou seja, a evolução acontece simultaneamente.

Algumas Bandas de Fanfarras no Ceará vêm apresentando criações e musicalidades inovadoras em suas apresentações, não se limitando apenas ao ritmo tradicional da Marcha Cívica163 - como muito é empregado nos desfiles alusivos às datas solenes do calendário nacional. “Esses grupos, crescentemente, têm se apresentado em ambientes cobertos, com novos tipos de música e performances, aplicando-se não apenas como bandas de marcha, mas, sim, como bandas de show” (SANTOS,Catherine, 2017, p. 29). Diante disso, “[...] os ritmos

154 Altura definida: sons que correspondem às notas musicais, podendo ser identificados quanto à sua altura sonora. São emitidos de instrumentos melódicos, harmônicos e de alguns instrumentos de percussão sinfônica. A maioria dos instrumentos percussivos não possuem altura definida, sendo por isso chamados “indefinidos”. 155 Pisto: ferramenta que modifica o percurso do sopro no instrumento.

156 Gatilho: ferramenta que realiza a mesma função do pisto em outros instrumentos de sopro, porém, modificando o timbre e a afinação sonora quando acionado pelo instrumentista.

157 Op. cit.

158 Xilofones: idiofone que consiste em várias lâminas de madeira dispostas numa escala cromática. É tocado por baquetas.

159 Campanas: idiofone de percussão. É basicamente um sino utilizado como instrumento em orquestras.

160 Tímpanos: instrumento percussivo membranofone com som de altura determinada, muito utilizado em orquestras sinfônicas. É constituído por no mínimo dois tambores de grandes dimensões e sonoridade grave. 161 Marimbas: instrumento composto por lâminas de metal, em escalas graduadas onde se tira o som por meio de baquetas.

162 Altura indefinida: que não emitem notas musicais de altura regular, ou seja, definidas, identificáveis. 163 Marcha cívica: marcha harmônica, pequeno grupo de acordes que se reproduz simetricamente por intervalos iguais, ascendentes ou descendentes, e que pode ser unitonal ou modulante.

e batuques africanos, o molejo dos caboclos e a harmonia europeia, tornaram-se partes essenciais dos arranjos e composições da [fanfarra], assim como também a influência de outros gêneros como o forró, xote, xaxado, baião, samba, reggae [...]” (SANTOS, Alexandre, 2016, p. 95).

A gênese das Fanfarras no Brasil remete-se, segundo Vicente Salles apud Santos, Catherine (2017, p. 28) ao período de nossa colonização, especificamente no ano de 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro. Esta trouxe consigo as primeiras formações musicais, ou seja, bandas militares arcaicas cuja configuração instrumental era composta por instrumentos de sopro, percussão e madeira164. Tais agrupamentos participavam na época de vários momentos cívicos e solenes, voltados para festas oficiais da corte imperial luso-brasileira. Apesar das Fanfarras estarem ligadas historicamente a estas bandas iniciais de origem europeia, percebe-se uma forte tradição oriunda da cultura afro-brasileira, pois havia a participação de nossos afrodescendentes como instrumentistas. Estes, mesmo escravizados durante o período colonial, e já atuando pelas antigas irmandades165, integravam estes agrupamentos militares, os quais também eram compostos pelos músicos europeus.

No Estado do Ceará, esta formação musical surgiu em meados dos anos de 1854, a partir de acordos estabelecidos entre a corte real portuguesa e a polícia militar. Tal iniciativa, efetuada por D. João VI, condizia com a proposta de ampliação destes grupos nos regimentos militares em torno do Estado, o que culminou com o surgimento da Banda de Música Major Xavier Torras - (Banda da Polícia Militar), que veio a ser referência para o desenvolvimento de diversos agrupamentos musicais pelo Ceará. Cabe ressaltar que mesmo este agrupamento sendo o mais antigo do Estado, ainda encontra-se em plena atividade musical.

A banda foi denominada, Banda de Música Major Xavier Torras que é a mais antiga do Estado, criada em 1854 pela resolução nº 683, de 28 de outubro, sancionada pelo então presidente da província Padre Vicente Pires de Matos. Sua denominação é uma homenagem a um dos comandantes da Polícia Militar que prestou apoio e incentivos amplos a esse grupo. (ALMEIDA, 2010, p. 47)

Segundo Santos, Alexandre (2016), embasado em dados de outros autores como Almeida (2008) e Rocha (2015), estima-se que no Ceará haja atualmente um número de cerca de 201 Bandas de Fanfarras ,distribuídas entre 184 municípios cearenses. Pela complexidade de abrangência deste elevado número de agrupamentos, e pela grande extensão em termos de laudas que este tópico alcançaria, optamos desta vez por não mapear estes grupos, mas sabe-

164 Madeira: subdivisão dos instrumentos de sopro. Apresenta extensão sonora menor que as dos metais. Refere- se à forma de execução e não ao material que é produzido. Muitas das “madeiras” são de plástico ou metal. 165 Op. cit.

se que somente na região caririense do Ceará - (formada por 27 municípios) - existem em média 19 destas Bandas, fato que demonstra o alcance cultural que esta categoria musical vem conquistando no Estado.

Muitas destas Fanfarras atuam com um elevado número de participantes em sua formação, distribuídos entre as alas: coreográfica e musical. Tomemos como exemplo a Fanfarra Moreira de Sousa, conhecida popularmente por “FANMOSA”, que atua na cidade de Juazeiro do Norte-CE com cerca de 300 integrantes, entre estes, crianças e adolescentes.

Nestes agrupamentos, ocorrem constantes aprendizagens, onde o ensino de música é a mola motriz para o desencadeamento de um processo formativo musical e humano. A percussão coletiva, com alguns instrumentos de origem afro, ocupa um espaço de legitimação entre os outros instrumentos de origem europeia, sendo preponderantes para a execução de um repertório que condiz com nossa própria cultura. Uma cultura afrocearense.

As Fanfarras contribuem, portanto, para despertar entre os próprios praticantes, um capital cultural que favorece a aquisição de novos conhecimentos, sendo estes atrelados às influências da cultura afro-brasileira - intrinsecamente conectada ao repertório musical destes grupos, que se apropriam de diversos ritmos como: Maracatu, Frevo166, Samba-Reggae, presentes majoritariamente em Estados como Pernambuco e Bahia. Tais ritmos são reapropriados entre as Fanfarras cearenses - que trazem na cadência forte de seus tambores uma marca registrada de nossa afro ancestralidade.

Contudo, percebemos que este movimento “fanfarrístico” no Ceará vem se destacando como um espaço cultural imbuído de sentidos e valores, constituído de um novo repertório percussivo que não se limita exclusivamente às marchas cívicas, tão comuns em um desfile militar. Seus tambores trazem no compasso de seus ritmos afro-brasileiros uma autêntica musicalidade, que misturada ao som de instrumentos melódicos e de performances sincronizadas, colaboram para que esta manifestação venha também a ser considerada um patrimônio simbólico e imaterial do povo cearense.

166 Frevo: ritmo predominante do Estado de Pernambuco. Baseia-se na fusão de gêneros como marcha, maxixe, dobrado e polca.

Imagem 9 - Fanfarra Moreira de Sousa – FANMOSA Desfile em Alusão aos 104 anos de emancipação

política da cidade de Juazeiro do Norte-Ce Imagem 10 - Desfiles de Fanfarras em Quixadá - CE

Fonte: André Costa Fonte: Cleumio Pinto

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