5. BULGULAR
5.1 Birinci Alt Probleme Ait Bulgular
No Brasil são comuns turnos de 12 horas noturnas de trabalho. Existem controvérsias em relação à duração da rornada de trabalho e suas repercussões (DUCHON, 1993; ROSA 1995; SMITH et al , 1998). DUCHON e ROSA em suas publicações apresentam resultados que contraindicam os turnos de 12 horas diárias de trabalho. Entretanto, SMITH e colaboradores, declaram que não se pode presumir que 12 horas diárias de trabalho tenham um impacto negativo sobre a saúde. Porém, estes autores, não descartam que há necessidade de serem avaliados os impactos das exigências do trabalho, especialmente físicos, e outros efeitos que possam exacerbar os efeitos das cargas do trabalho, horas extras, exposição crônica a turnos prolongados.
ESTRYN=BEHAR et al. (1978), realizaram estudo envolvendo 120 mulheres profissionais de enfermagem de hospitais públicos em Paris, e constataram entre as profissionais do turno noturno, uma redução da duração de sono diurno nos dias de trabalho. A realização de atividades domésticas levava à fragmentação do sono
diurno e atraso na hora de dormir após o plantão noturno, implicando em uma menor duração total do sono, mesmo nos dias de folga, nos quais o período de sono noturno era mais extenso.
Estudo de WILKINSON et al. (1989), avaliaram o estado de alerta de estagiários de enfermagem durante noites de trabalho. Esta população teve seu controle emocional diminuído e reações em que se configuravam o despreparo em simples tarefas, que foram avaliadas e registradas através de anotações de desempenho durante a rornada de trabalho. Formaram=se diferentes grupos com escalas de turnos diferentes. No primeiro grupo com turno noturno fixo, o desempenho caiu do primeiro para o sétimo dia da semana de trabalho noturno, devido à progressiva privação de sono. Outro grupo trabalhou durante as noites por três meses, em turnos permanentes de 3 ou 4 noites de trabalho seguidas por 3 dias de folga por semana. O desempenho inicial diminuiu somente a partir da 45ª noite de trabalho e retornou ao normal na 90ª noite de trabalho. Em ambos os sistemas houve uma variação individual considerável, no sentido de ter ou não capacidade de sustentar o desempenho durante o trabalho noturno.
ESCRIBÁ (1992), em pesquisa realizada runto a 606 mulheres e 367 homens enfermeiros, selecionados aleatoriamente em hospitais públicos de Valência, Espanha, mostrou que para ambos os gêneros, o trabalho em turnos conduz a uma redução na duração de sono (a duração média do sono foi reduzida em duas horas em noites de trabalho seguidas e por 30 minutos em turnos rodiziantes, quando comparadas à duração do sono nos dias de descanso).
Em estudo com 678 enfermeiras de um hospital norte=americano, GOLD (1992) relatou haver um maior risco de acidentes, com causas relacionadas a cochilo ou à sonolência durante o plantão ou ao volante, na ida ou retorno ao trabalho.
NIEDHAMMER et al. (1994), estudaram uma população de 469 profissionais de enfermagem de seis hospitais públicos da França. Avaliou=se durante 10 anos (de 1980 a 1990) a relação entre o turno de trabalho e qualidade de sono na população
feminina. Os resultados mostraram que os profissionais de enfermagem tiveram, no primeiro ano do estudo (1980) mais distúrbios de sono em escalas alternadas, incluindo as noites de trabalho. Não houve associação entre trabalho em turnos e qualidade do sono nas medidas feitas em 1985 e 1990. O mesmo estudo apontou em 1985 uma queda na incidência dos distúrbios de sono após a transferência de algumas enfermeiras para o turno diurno. A ausência da associação entre escalas de trabalho e a qualidade do sono em 1985 e 1990 podem ser explicadas pelo fato dos profissionais de enfermagem que continuaram no trabalho em turnos, estarem adaptados a ele (efeito do trabalhador sadio).
CHAVES (1994) estudou algumas características individuais no arustamento e no enfrentamento do estresse causado pelo trabalho no turno noturno. A autora avaliou entre enfermeiros: traço de ansiedade, padrão de comportamento para o estresse, tipo de “coping”, idade, tempo de formado, tempo de trabalho noturno, preferência do dia para o desempenho das atividades, traços de adormecer e despertar e disposição para atividade. Após as análises a autora concluiu que o estresse do turno noturno é causado, entre outros, por uma interação de fatores ligados ao sono e às relações sociais.
Enfermeiros de UTI que trabalham em turnos de 12 horas, mostraram, além dos vários distúrbios de sono e gastrintestinais, uma incidência alta de acidentes e incidentes automobilísticos, enquanto estão se dirigindo do trabalho para casa, tornando=se assim um risco em potencial à saúde publica (NOVAK & AUVIL= NOVAK, 1996).
Estudo realizado por MENEZES (1996) com enfermeiras de um hospital público de Salvador, Bahia, mostrou que a auto=avaliação referida de saúde das profissionais, trabalhadoras noturnas, quando comparada às dos turnos diurnos, com ou sem experiência prévia de turno noturno, apresentou taxas de prevalência mais elevadas de sintomas e problemas de saúde, classicamente associadas ao trabalho noturno, tais como: alteração da qualidade de sono, distúrbios digestivos e sintomas de fadiga. Os resultados ainda mostraram uma associação entre a baixa qualidade de
sono e a exposição ao trabalho noturno entre mulheres de 30 a 49 anos, as casadas e aquelas com filhos pequenos, além daquelas profissionais que apesar de terem apenas um emprego haviam realizado um mínimo de cinco plantões em um período de quinze dias.
FISCHER et al (2002a), estudando enfermeiras e auxiliares de enfermagem de um hospital público de São Paulo, apresentaram resultados que confirmam os efeitos negativos da exposição dos trabalhadores ao trabalho em turnos não diurnos. Além do turno noturno de trabalho ser um fator de estresse citado, as doenças mais referidas pelos trabalhadores foram as músculo=esqueléticas e o distúrbio emocional leve, (que inclui depressão leve, ansiedade e insônia).
FISCHER et al (2002b) estudando enfermeiros e auxiliares de enfermagem, avaliaram a percepção da duração e qualidade dos episódios de sono nos dias de trabalho e de descanso, bem como dos níveis de alerta durante os turnos diurnos e noturnos de 12 horas de trabalho. Comparadas as durações dos episódios de sono, foram detectadas diferenças significativas entre sono diurno e noturno. A qualidade dos episódios de sono diurno após as noites de trabalho foi percebida como pior do que a qualidade dos episódios de sono noturno. Foram encontradas diferenças significativas na percepção dos estados de alerta em três momentos diferentes do turno da noite. Os níveis percebidos de alerta à noite tornavam=se piores à medida que aumentava o número de horas de trabalho. Isso é um indicativo de que a sonolência no trabalho noturno se faz presente e pode prerudicar seriamente tanto trabalhadores quanto os pacientes que estão aos seus cuidados.
BORGES & FISCHER (2003), estudando enfermeiros e auxiliares de enfermagem de um hospital universitário da cidade de São Paulo, observam que ao longo do turno noturno de 12 horas ocorre uma queda significante dos níveis de alerta referidos. Também foram detectadas diferenças significantes nos níveis de alerta quando os trabalhadores eram divididos em grupos, levando=se em conta o tempo de vigília.
FISCHER (2003), comparou trabalhadores da área de enfermagem e trabalhadores petroquímicos. Apesar dos trabalhadores realizarem tarefas bastante distintas, os resultados das avaliações de sono e alerta foram semelhantes: os trabalhadores após turnos noturnos apresentaram sono mais curto do que após outros turnos, comparados consigo mesmos e/ou com seus colegas de turnos diurnos. É enfatizada a importância da escala em turnos, assim como da organização do trabalho, para auxiliar os trabalhadores a manterem sua saúde, bem=estar e segurança no trabalho.
Em estudo realizado em cinco países por TEPAS et al (2004), os resultados dão evidente respaldo à proposição geral de que há diferenças consideráveis da percepção de bem=estar entre os trabalhadores dos diversos países. Além disso, a percepção de cansaço físico e cansaço mental ao final da rornada de trabalho é maior entre os profissionais do período noturno. Difere entre os países, a percepção do cansaço físico ao final da rornada de trabalho, a maneira e o grau do impacto do turno noturno para os profissionais de saúde.
KAGEYAMA et al, 2005, associou o hábito de fumar a insônia em enfermeiras raponesas. O autor sugere que é possível que fumar sera uma contramedida adotada pelas trabalhadoras contra a sonolência, ou que o tabaco atue farmacologicamente causando distúrbios de sono nesta população. O autor chama atenção para a necessidade de mais estudos entre a relação do hábito de fumar e da sonolência em trabalhadores em turnos.
FOCHSEN et al, 2006, em estudo de coorte, realizado com enfermeiras americanas, relacionou o débito crônico de sono, das enfermeiras que trabalhavam em turnos noturnos, com um risco maior de aparecimento de doenças.