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BÖLÜM 3: TÂRİH-İ EDEBİYÂT-I OSMÂNİYYE’NİN İNCELENMESİ …

3.2. Târih-i Edebiyât-ı Osmâniyye

3.2.3.1. Birinci Bölüm - Bazı Mütalaât

Para contextualizar brevemente o período anterior ao que será estudado, lembramos que o nascimento do compêndio escolar no Brasil, segundo Bittencourt (1993, p. 79), deu-se com a chegada da família real portuguesa e com “a impressão Régia, órgão oficial criado em 1808, que tinha como um de seus objetivos o auxílio à expansão e melhoria dos materiais para a educação pública”. Os primeiros manuais oficializados por D. João VI foram publicados pela Imprensa Régia, em 1817, entre eles a primeira obra de Geografia escolar, a Chorografia Brasílica, do padre Manuel Aires de Casal, considerado um livro fundador da Geografia escolar18 brasileira, por sistematizar o conhecimento em formato escolar (PRADO JÚNIOR, 1979, pp. 159-179). Esse livro reflete o padrão da cosmografia, sem incorporar outras influências europeias importantes para época, como o trabalho de Carl Ritter e Alexander Von Humboldt.

Já em 1824, na obra Compendio de Geografia Universal, de Bazílio Quaresma Torreão (1824)19, encontramos conteúdo a respeito da África. O livro divide o conteúdo abordado sobre a África em seis partes, com base numa divisão física do mapa do continente, que recebe as seguintes denominações: “[África] do Norte, a Leste, a Oeste, ao Centro e Ilhas D’Africa e Africa” (TORREÃO, 1824, p. 251-298). Seguindo essas divisões, o autor faz descrições, catalogações, apresenta dados, limites, versa sobre religião, topografia, clima e características dos habitantes. No decorrer da obra, encontramos 11 tabelas, que eram as imagens da época, versando a respeito do território africano, onde estão denominadas as “Partes da África, Estados, Províncias e Capitães”.

As características do livro de Torreão (1824) demonstram que se faziam divisões do território africano similares aos modelos europeus posteriores. São influências advindas em particular do pensamento alemão do século XVIII. Entre seus representantes, citamos três autores significativos: primeiro Immanuel Kant, que ensinou Geografia física na Universidade de Königsberg; em seguida os já citados Humboldt e Ritter, que trabalharam na Universidade

18 Como já registrado, estamos embasados em Rocha (2010), segundo o qual nesse período prevalecia a

influência dos manuais franceses, modelo depois incorporado no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro.

19 De acordo com o prefácio da obra, Bazílio Quaresma Torreão era pernambucano de origem, foi professor de

História e Geografia em alguns colégios. Abandonou a carreira do magistério e tornou-se um político influente no Nordeste, chegando ao cargo de deputado no ano de 1838. Foi presidente da província do Rio Grande do Norte entre os anos de 1833 e 1836. A capa destaca os seguintes dizeres: “Impresso L. Thompson, na Officina Portugueza 19 Great, St Helens, Bishospsgate Street. Sob os aupicios de J. A. d’Oliveira, negociante estabelecido em Pernambuco.

de Berlim, renovando os conceitos e métodos da Geografia, como demonstrou Moraes (1981, p. 59-74). Seus estudos relacionavam o trabalho de gabinete ao trabalho de campo, passando pelo conhecimento do lugar, do ar livre, dos fenômenos particulares, das observações e interconexões, das diferenças ligadas ao aspecto enciclopédico qualitativo da época. Uma Geografia que teve forte impacto nos livros escolares com concepções descritivas e enumerativas, mantendo o modelo de catálogo. Isso significa que a proposta do modelo baseado na caracterização dos fatos vigorava nos conteúdos dos compêndios.

Essa proposta teve afirmação no ensino em 1838, com a fundação do Colégio Pedro II, que se tornou exemplo para as demais escolas no território brasileiro. A Geografia escolar desenvolvida na instituição legitimou a proposta que vinha sendo utilizada nos diversos estudos, sejam aqueles que abordavam os objetos da Terra, sejam os que faziam catalogações, descrições, enumerações. Os compêndios apresentavam uma Geografia escolar, no século XIX, sem grandes mudanças, até porque a prática da época era de reprodução dos conteúdos. A consolidação da Geografia como disciplina acadêmica ocorreu apenas na década de trinta do século XX, conforme discutiremos ao longo desta tese.

No que concerne à produção das obras escolares, sua impressão era feita pelo Estado imperial e por pequenas tipografias. Os temas das publicações dos manuais escolares eram diversos, passando por Geografia, Matemática, História e Língua Portuguesa. O mercado privado caracterizava-se pela presença de pequenas tipografias, para dar maior visibilidade às publicações escolares, na medida em que a produção estatal não atingia parcela da população, que vinha crescendo. O aumento do número de autores e editoras não corresponde a mudanças no conteúdo escolar da disciplina Geografia, fato que discutiremos posteriormente, mas deixa claro que a Geografia escolar vinha tomando força e abrindo caminhos para a Geografia acadêmica, que até então, como disciplina, não havia sido instituída nas faculdades. Com o aumento da publicação das obras escolares, o controle passou a ser feito por um conjunto de pessoas escolhidas pelo Estado, que usavam um carimbo para indicar se o livro poderia ou não circular nas mãos das crianças, jovens e adolescentes dos bancos escolares. As autoridades sabiam da importância do livro didático e impedi-los poderia se um erro, pois isso estimularia os professores a escolherem seus materiais didáticos, favoráveis ou contrários ao governo. Com o aumento do número de editores, a saída era nivelar e controlar o ensino, o que já era um plano dos tempos do imperador. O fato de poder selecionar os conteúdos de Geografia dos compêndios facilitaria e unificaria sua difusão em todo o território nacional.

Em 1850 existiram diversas obras escolares, como a do professor Thomaz Pompeu de Souza Brasil, que lecionou História e Geografia no Lyceu do Ceará, tendo também sido membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e sócio-correspondente da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro20.

Em 1884 foi publicada a obra de Eugenio de Barros Raja Gabaglia, intitulada Terra Ilustrada. Geographia Universal: Physica, Etnographica, Politica, Economica das cinco partes do mundo21. Nessa obra, o estudo do continente africano é feito em duas partes, segundo princípios de Geografia física e humana (GABAGLIA, 1884, pp. 415-489). Cada uma das partes está dividida em sete subseções, sob os seguintes títulos: “Situação e divisões”, “Partes da Terra”, “Orografia”, “Hidrographia”, “Clima”, “Produções naturais”. Merece destaque a riqueza iconográfica da obra, o que para a época era considerado dificílimo. Entre suas representações iconográficas, encontramos cinco mapas da África, um mapa-múndi e outros mais específicos, 14 desenhos representando cidades, a fauna e a flora. Encontramos ainda no livro divisões políticas acompanhadas de apêndices históricos dos Estados, também denominados impérios, com conteúdos descritivos apresentando as possessões territoriais europeias no continente, o que denominamos anexações territoriais. Assim, podemos afirmar que os compêndios citados – Torreão, 1824; Brasil, 1850; e Gabaglia, 1884 – fizeram parte do plano de ensino para a oficialização das primeiras cátedras de Geografia no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, e a construção de instrumentos de pesquisa a respeito da Geografia escolar até então era um atributo eminentemente do campo da educação.

A leitura dos compêndios presentes no Catálogo do Museu Escolar Nacional do Rio de Janeiro de 188522 revela a existência de um número significativo de editoras, das quais três se destacavam: Garnier, Laemmert e a Nicolau Alves, cada uma com sua particularidade e nicho de leitores, entre os quais o público escolar. As pequenas tipografias eram as responsáveis pela publicação das principais obras didáticas nacionais no decorrer do século XIX, apesar de todas as dificuldades de infraestrutura, mão de obra, equipamentos e acesso ao papel. Fato que está relacionado as mudanças de diferentes aspectos no Brasil.

20 Para maiores informações, ver Souza Neto (1997, p. 17), que estudou o senador Pompeu. Este foi “padre,

advogado, professor de História e Geografia”, como também era responsável pela publicação de Compêndios de Geografia Geral e do Brasil no Liceu do Ceará”, assim, era um “aristocrata da burocracia, intelectual liberal [...] organizador do pensamento de setores que representava, geógrafo por necessidade de classe e devotado pesquisador” (SOUZA NETO, 1997, p. 28).

21 Dois anos antes, em 1882, foi publicado o livro Geographia Physica de A. Geikie. Rio de Janeiro: Laemmert e

Cia.

22 A respeito dessa referência ver Revista Pedagógica. Rio de Janeiro, 1883, p. 376. Dessa obra constam outras

Benzer Belgeler