4. BULGULAR VE YORUMLAR
4.1 Birinci Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar
De acordo com Silvia Ferabolli (2009), Israel já demonstrara a sua superioridade militar no Oriente Médio após a captura de vários territórios na Guerra dos Seis Dias em 1967. Isto foi, de certa forma, a vitória estratégica dos EUA na região. A superioridade do equipamento militar estadunidense e daquele produzido pelas indústrias militares israelenses era visível sobre o material bélico soviético utilizado pelos exércitos árabes causavam um mal-estar crescente entre o governo egípcio e a URSS (FERABOLLI, 2009).
A situação interna no Egito parecia influenciar o Oriente Médio, pois tropas egípcias estavam estacionadas no Iêmen apoiando grupos locais. Isso desagradava à Arábia Saudita, aliada dos EUA na região. A retirada destas tropas egípcias ocorreu com a promessa de ajuda financeira do país do norte da África. Novamente, havia sido conquistada uma vitória política dos EUA na região sem envolvimento direto de suas tropas. A morte de Nasser e a ascensão do grupo de Anuar Saddat, considerado mais à direita, desta forma pró-EUA, levou à expulsão dos conselheiros soviéticos em 1972. A queda do prestígio do armamento soviético era proporcional ao aumento da influência estadunidense, o que ficou evidente com a nova derrota
dos árabes na guerra de 1973. Apesar disso, algumas unidades do Exército Egípcio passavam a enfrentar as Forças Terrestres de Israel com equipamento estadunidense (FERABOLLI, 2009).
As derrotas árabes trariam consequências para o mercado internacional em função da retaliação dos produtores de petróleo da região como forma de manifestação à política israelense em não devolver os territórios capturados na guerra de 1967. Dessa forma, a Declaração do Kuwait de 17 de outubro de 1973 decretava embargo de petróleo aos aliados de Israel. Nessa discussão interna no mundo árabe, abrigada na OPEP, a Arábia Saudita, melhor aliada árabe dos EUA na região, tomou a frente do bloco. O motivo da ação saudita era evitar que algum outro país hostil ao Ocidente o fizesse. Alguns governos do Oriente Médio eram conhecidos na URSS por serem clientes do material bélico soviético e fomentadores da causa palestina como os governos do Iraque, Síria e Líbia, com a Argélia colocando-se como a alternativa no norte da África (FERABOLLI, 2009).
As discussões, que levaram a redação final de um manifesto, apresentavam propostas bastante ameaçadoras aos interesses estadunidenses na região. Os governos do Iraque, Síria e Líbia propuseram a nacionalização das empresas de petróleo dos EUA no mundo árabe. O Kuwait, tradicional aliado britânico e estadunidense no Oriente Médio, propunha ações mais brandas como a retirada do dinheiro árabe de bancos estadunidenses, enquanto a Arábia Saudita, que procurava não afrontar diretamente seu aliado norte-americano e não perder apoio árabe, afirmava que tão somente o embargo já seria uma medida suficiente. A proposta saudita foi acatada. Dessa forma, os países membros árabes da OPEP reduziram em 5% a produção de petróleo até o momento em que Israel abandonasse os territórios ocupados (FERABOLLI, 2009).
Os prejuízos causados pelo embargo foram sentidos em países como Portugal, Holanda e África do Sul, que apoiavam abertamente o governo israelense. Os EUA, por sua vez, foi um dos países afetados pelo embargo, porém, como resposta aos árabes, enviou uma ajuda adicional de US$ 2,2 bilhões em armamentos para Israel. As consequências do embargo foram efêmeras, pois, em 1974, os países árabes membros da OPEP decidiram levantar de forma incondicional e definitiva a suspensão de enviar petróleo aos aliados israelenses, como EUA e países da Europa Ocidental. A ação coordenada do mundo árabe
contra seus inimigos falhara sem atingir os objetivos: a devolução dos territórios ocupados por Israel e a restauração do direito dos palestinos (FERABOLLI, 2009).
A entrada em definitivo dos EUA no Oriente Médio foi alcançada por Henry Kissinger, quando trouxe o Egito à condição de aliado estadunidense, impedindo que houvesse outra derrota das Forças Armadas Egípcias para os israelenses. Conquistou-se a retirada definitiva da presença soviética do Egito e a colocação da Arábia Saudita como o principal aliado árabe de Washington na margem à direita do Canal de Suez. As consequências do plano do político estadunidense foram perceptíveis nas tratativas dos Acordos de Camp David, selando a paz entre Israel e Egito, em 1978. Tal acordo foi assinado em 26 de março de 1979 (FERABOLLI, 2009).
O mercado de armas no Oriente Médio ainda atraía os soviéticos, pois a Síria e Líbia, além do Iraque, eram clientes bastante importantes da URSS. Havia, entretanto, a forte presença estadunidense no Irã monárquico, que se mantinha em estado de beligerância com o Iraque. As crescentes perspectivas de guerra entre os dois países abriam um mercado bastante favorável para outros fornecedores de material bélico, diferentes daqueles tradicionais. Entre 1975 e 1979, o período de maior ameaça de conflito interestatal na região, a Arábia Saudita recebeu US$ 2,8 bilhões de dólares em armas dos EUA, a fim de assegurar a manutenção e segurança dos campos de petróleo e o livre trâmite do insumo para o ocidente (FERABOLLI, 2009).
Esse cenário colocaria Brasil e Argentina em contatos com os governos iraquiano e iraniano, principalmente após a vitória da revolução islâmica que destitui o Xá Reza Pahlevi, aliado do ocidente e de Israel. A chegada dos novos fornecedores de armas respondia também por um desejo há muito alentado pelos países da região, como forma de enfrentar Israel de igual para igual: o acesso à tecnologia nuclear. Esse diferencial fez com que Brasil e Argentina conquistassem um lugar de destaque entre os fornecedores de armas no Oriente Médio no final da década de 1970 e praticamente por toda a década de 1980, quando ocorreu a Guerra Irã-Iraque (1980-88).
3.2 O ORIENTE MÉDIO COMO FORNECEDOR DE PETRÓLEO: UM DOS