3.2. UYGULAMA VE BULGULAR
3.2.4. Birim Kök Testi Sonuçları
No campo da psicologia analítica da religião, Jung dedica parte de sua obra Psicologia da Religião Ocidental e Oriental (1971/1988) ao estudo das relações existentes entre a psicoterapia analítica e a direção espiritual, principalmente, em dois capítulos distintos: Relações entre a psicoterapia e direção espiritual (pp. 329- 350) e Psicanálise e direção espiritual (pp. 351-366). Ele começou a se interessar pela interface entre psicologia e religião quando constatou, por meio de sua experiência clínica, que:
“De todos os meus pacientes que tinham ultrapassado o meio da vida, isto é, que contavam mais de trinta e cinco anos, não houve um só, cujo problema mais profundo não fosse o da atitude religiosa. Aliás, todos estavam doentes, em última análise, por terem perdido aquilo que as religiões vivas ofereciam em todos os tempos, a seus adeptos, e nenhum se curou realmente, sem ter readquirido uma atitude religiosa própria, o que, evidentemente, nada tinha a ver com a questão de confissão (credo religioso) ou com a pertença a uma determinada igreja” (Jung, 1988, p. 336)
Para Jung (1971/2004) não são os dogmas e credos religiosos, mas, sim, a atitude religiosa que transforma as pessoas. Na sua compreensão, os indivíduos precisam encontrar fé, esperança e amor para continuarem vivendo porque são estes os sentimentos que promovem integridade (Jung, 1971/1988). Neste contexto, ele ressalta a importância do diretor espiritual como aquele que facilita o processo de individuação de quem procura por ajuda existencial e espiritual.
O processo de individuação pode ser descrito como um tornar-se si mesmo: “a individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo” (Jung 1934/2002, p. 49). Jung acredita que existe no homem uma disposição natural para o crescimento. Este crescimento, considerado natural e necessário para a existência, é um processo de individuação, relacionado à integração total do indivíduo, como o
“tornar-se um consigo mesmo e, ao mesmo tempo, com a humanidade toda em que também nos incluímos” (Jung 1971/2004).
O conceito de individuação, subjacente à psicoterapia analítica, está presente, para Jung, na proposta da direção espiritual vivenciada pela religião cristã (Jung 1971/1988). A procura por ajuda espiritual abre a possibilidade de proporcionar às pessoas o crescimento espiritual e humano. A direção espiritual, à luz dos conhecimentos da psicologia analítica, propicia ao indivíduo uma autorreflexão íntima, facilitada pela atitude acolhedora do diretor:
“A direção espiritual só pode ser exercida no silêncio fecundo de um diálogo íntimo, favorecido pela atmosfera benéfica de uma confiança sem reservas. É por meio da direção espiritual que a alma deve agir sobre a alma, e é por esta razão que se devem abrir muitas portas que estão a impedir o acesso ao que há de mais íntimo no indivíduo” (p. 354)
Jung (1971/1988) afirma que a prática da direção espiritual deve se edificar sobre dois pilares: o diálogo e a confiança. Apenas nesse contexto, o diretor espiritual tem acesso ao mundo fenomênico do indivíduo que procura sua ajuda. Neste sentido, a direção espiritual guarda semelhanças com relação à psicoterapia.
Ao abordar as diferenças existentes entre as duas modalidades de ajuda, Jung (1971/1988) enfatiza que, enquanto a pessoa busca, na figura do psicoterapeuta, a possibilidade de ampliar a sua percepção acerca de seus problemas e dificuldades, colocando-se diante deles, ela espera do diretor espiritual uma solução religiosa para seus problemas:
“Com efeito, ela (a psicoterapia) coloca o paciente face a face com seu problema vital e, consequentemente, também com certas questões graves e decisivas, que até então procurava evitar, porque sentia instintivamente que não tinha uma resposta satisfatória e adequada para essas questões (...) Do diretor espiritual ele espera mais do que isso, ele espera uma solução religiosa” (p. 354-355)
Cabe ao diretor espiritual agir como um facilitador do discernimento da pessoa que procura por ajuda espiritual. Da pessoa, por sua vez, é esperado que esteja disposta a se colocar em espírito de autocrítica a respeito de sua própria vida, com o objetivo de se esforçar para alcançar a superação de si mesma (Jung, 1971/1988).
A partir dos pressupostos junguianos acerca da direção espiritual como instrumento facilitador do processo de individuação, Santos e Ramón (2007)
realizaram uma pesquisa qualitativa, utilizando a metodologia fenomenológica, a fim de compreender quais os aspectos do desenvolvimento psicológico que a direção espiritual propicia às pessoas que buscam este tipo de ajuda junto a padres- conselheiros. Analisando relatos e entrevistas com jovens que estavam sob direção espiritual, concluíram que os resultados “apontam a eficácia dessa prática religiosa no campo do desenvolvimento e ajustamento humanos, assim como assinalam seu efeito para a vivência de uma religiosidade mais solidamente humana” (p. 85).
O estudo indica mudanças de condutas nas seguintes áreas: autoconhecimento, autoestima, sexualidade e afetividade, relacionamento interpessoal e vivência do Sagrado, o que confirma a hipótese junguiana de que a direção espiritual ajuda a integrar as forças que norteiam o desenvolvimento humano no processo de individuação.
Por fim, os autores ressaltam:
“a corajosa defesa de Jung (1971/1988) no campo científico da psicologia moderna – tendo sido educado sob dogmas rígidos e sectários por um pai, pastor protestante que perdeu sua fé – da primazia das práticas religiosas católicas, em particular, a da confissão/direção espiritual, por elas ajudarem a integrar e vivenciar melhor as forças arquetípicas que dirigem o desenvolvimento humano e garantem a saúde mental” (Santos e Ramón, 2007, p. 92)
É neste sentido que, para a psicologia analítica da religião e, em especial para Jung, a prática religiosa espiritual cristã, ao levar em consideração o escutar e o interrogar, pode ultrapassar os limites do universo religioso, culminando em crescimento humano psíquicoafetivo, aproximando-se da proposta e da vivência de individuação.