Apesar dos avanços verificados nas técnicas de reabilitação de áreas impactadas por projetos de mineração nos últimos quarenta anos, muitos sítios mineiros podem tornar-se áreas contaminadas alguns anos após o encerramento do
9) Custos de reabilitação de áreas com passivo ambiental
Devem-se prever recursos para a execução dos trabalhos de reabilitação pendentes ou incompletos, associados com áreas de subsidência, bem como para a reabilitação de antigas áreas de lavra (a céu aberto ou aberturas subterrâneas). Normalmente, esses custos são mais elevados que os verificados quando se opera com o processo de reabilitação progressiva das áreas, tão logo elas sejam liberadas pela equipe de produção. 10) Tapumes Colocação de cerca no entorno da área reabilitada ou
em processo de reabilitação, para restringir o acesso de pessoas e animais, como parte dos processos de monitoramento e manutenção de áreas perigosas, ou para a reposição das características necessárias à criação de gado, por exemplo.
11) Cobertura, com gramíneas, de áreas onde a vegetação e a camada de solo foram removidas
Remodelamento topográfico, reposição da camada de solo, plantio de gramíneas e leguminosas, nas áreas onde, por alguma razão, a vegetação foi removida, como aquelas onde ocorreu a demolição de edifícios, remoção de rodovias e ou linhas férreas, dentre outras. 12) Drenagem das
águas pluviais e obras para controle de erosão
Execução da rede de drenagem e de obras para controle da erosão, realizadas para a proteção das áreas reabilitadas. As águas superficiais correntes devem ser desviadas das áreas reabilitadas. 13) Manutenção e
Monitoramento Elaboração de um programa sistemático demonitoramento e manutenção das áreas reabilitadas. Em média, a cada dois ou três anos, faz-se necessário que se realize a manutenção dessas áreas, para se detectar a instalação de algum processo erosivo ou o surgimento de alguma fonte de poluição. O programa deve incluir o replantio da cobertura vegetal, controle de erosão e monitoramento contínuo dos parâmetros previamente selecionados.
14) Custo de
gerenciamento O custo da equipe de monitoramento e manutençãodeve ser incluído nos custos do processo de fechamento. Usualmente, para uma mina típica, necessita-se de uma equipe com três funcionários especializados para o primeiro ano, e apenas um funcionário para os dois anos seguintes.
71 processo de reabilitação e retirada da empresa de mineração.
O desencadeamento de processos de degradação e de contaminação de antigas áreas mineradas, quando os processos de descomissionamento e reabilitação do sítio já foram considerados completos por todos os agentes envolvidos, é questão de grande impacto ambiental, social e econômico. Nesses casos, normalmente, os depósitos financeiros exigidos como garantia da execução das medidas acordadas já foram recuperados pelo minerador, e emitiu-se o respectivo certificado de liberação da responsabilidade pelo monitoramento e manutenção do sítio.
Um dos processos mais importantes e frequentemente reportados é a geração de águas ácidas no interior de minas abandonadas, depósitos de estéril e barragens de rejeitos, como resultado da oxidação de material contendo pirita. O fenômeno é conhecido como Drenagem Ácida de Mina (DAM) e Drenagem Ácida de Rocha (DAR), e reconhecido por muitos cientistas ambientais como a maior questão ambiental contemporânea ainda a ser completamente solucionada.
O plano de fechamento de empreendimento de mineração, além de prever os possíveis impactos e riscos ambientais do empreendimento, durante a sua vida útil e no fechamento, e de estabelecer as medidas necessárias para reduzir os eventuais riscos advindos de potenciais fontes de contaminação; além de garantir a minimização dos passivos ambientais, dos efeitos socioeconômicos negativos decorrentes do fechamento da mina; além de garantir que a área torne-se estável dos pontos de vista físico, químico e biológico, reintegrando-se aos contextos local e regional, deve apresentar um plano de gestão do sítio durante certo intervalo de tempo, após o encerramento dos processos de descomissionamento e reabilitação. Na maioria dos casos, faz-se necessário algum nível de monitoramento e manutenção das áreas reabilitadas. Em alguns casos (como naqueles em que ocorre a geração de drenagem ácida), poderá haver necessidade da implantação de um programa de monitoramento e manutenção a longo prazo (SCALES, 1991).
Esse plano deverá abordar, inclusive, a proposta de zoneamento de uso da área minerada, dividindo-a em setores, e estabelecendo restrições e aptidões de uso para os meios físico, biológico e antrópico, em cada um deles. Através de uma matriz de critérios técnicos de aptidões e restrições, que poderá envolver aspectos como avaliação legal, risco geotécnico, morfologia, potencial de ocupação, hidrogeologia e relevância ecológica, dentre outros, far-se-á o estabelecimento da aptidão para usos intensivos, extensivos e de conservação dos diversos setores (BRASIL MINERAL, 2003). O plano de monitoramento das áreas reabilitadas será elaborado levando em consideração as aptidões de uso e as restrições identificadas para cada setor.
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A exigência de que as empresas de mineração apresentem planos para o monitoramento e manutenção das áreas recuperadas no período pós-mineração é relativamente recente, datando dos últimos vinte anos. Através dela, estende-se a responsabilidade das empresas de mineração aos danos potenciais futuros que poderão resultar das suas operações, e estabelece-se o conceito de que, idealmente, os rendimentos presentes e futuros decorrentes da operação da mina deverão pagar, também, pelos passivos originados dessa operação, tanto por aqueles originados no passado, quanto pelos que venham se manifestar no futuro.
A avaliação do passivo ambiental potencial é componente importante na estimativa de custos das medidas necessárias para se atingir os objetivos do fechamento de uma mina com sucesso e se concretizar a transferência da custódia do sítio reabilitado.
Entretanto, essa avaliação é, no mínimo, parcialmente subjetiva, pois envolve a previsão das condições da mina no futuro. A qualidade da água, por exemplo, pode encontrar-se hoje dentro dos limites de qualidade permitidos e, posteriormente, tornar-se inaceitável, devido ao início do processo de geração de águas ácidas. Os depósitos de estéril e as barragens de rejeitos tornam-se alterações perpétuas do ambiente, e deve-se ter em consideração o potencial de deterioração dessas estruturas, devido a processos como terremotos, erosão, infiltrações, inundações, mudanças climáticas, colapso de serviços subterrâneos, intrusões de plantas e animais. O planejamento financeiro deverá prever o gerenciamento do programa de monitoramento e manutenção. Entretanto, em muitos planos de fechamento, essas etapas são omitidas ou subestimadas. A consequência é que os custos de fechamento calculados não refletem a realidade, e o ônus financeiro dessa etapa recai sobre a empresa de mineração quando o fluxo de caixa está em declínio ou negativo. Nessa hipótese, dá-se, frequentemente, a transferência desse ônus ao governo ou a outra terceira parte, dependendo do que estabelecer a legislação específica governamental. O programa de monitoramento ajudará a estabelecer a frequência das inspeções periódicas e a programar as ações de manutenção necessárias, e deverá ter continuidade até que se demonstre que não há impactos inaceitáveis originando- se a partir do sítio, como consequência das antigas operações de lavra e beneficiamento do minério (WAGGITT & MCQUADE, 1994; BRODIE, 1998).
Havendo a exigência da apresentação de garantias financeiras que suportem o plano de fechamento, caso a empresa de mineração torne-se insolvente, elas devem ser suficientes para cobrir a fase de monitoramento e manutenção planejada.
73 Dependendo da legislação específica local, poderá haver devolução parcial dessas
garantias, à medida que o programa de monitoramento demonstre que os riscos de possíveis potenciais impactos ambientais sejam reduzidos e aceitáveis (WAGGITT & MCQUADE, 1994; DA ROSA, 1999).
A proposta de um plano de monitoramento realiza-se com vistas a garantir que não se produzam novas situações (ou que se repitam situações anteriores) de falta de segurança ou de impactos ambientais. O programa de monitoramento deve abranger o gerenciamento, as operações, a manutenção e os métodos de registro das informações para todas as estruturas que, após a recuperação das áreas impactadas, permaneçam no local; a estabilidade física e química das áreas reabilitadas e as condições ambientais do sítio, de modo a que se alcancem as condições necessárias para a implantação dos usos pós-mineração acordados.
A manutenção da estabilidade física implica a estabilidade de taludes, para evitar escorregamentos catastróficos; a proteção contra a erosão eólica e de água e o transporte de material particulado e sedimentos a jusante; a estabilidade de pilhas de estéril, barragens de rejeito, taludes de estradas e outras estruturas. A manutenção da estabilidade química refere-se à contenção de substâncias químicas que representem perigo de contaminação, evitando que elas sejam introduzidas no meio ambiente (TORRENS & QUESADA, 2000; OLIVEIRA JÚNIOR, 2001; OLIVEIRA JÚNIOR & SÁNCHES, 2002).
A contaminação dos solos e águas (superficiais e subterrâneas) por substâncias químicas constitui a forma mais comum de contaminação das áreas abrangidas por projetos de mineração. As pilhas de material estéril, de minérios lixiviados, e as bacias para contenção de rejeitos estão entre as principais fontes de contaminação ambiental. O termo manutenção designa os cuidados necessários que algumas áreas da mina desativada necessitarão, exigindo monitoramento constante por um determinado período de tempo, que pode variar desde alguns meses até vários anos, ou tornar-se perpétuo (OLIVEIRA JÚNIOR, 2001; OLIVEIRA JÚNIOR & SÁNCHEZ, 2002).
O programa de manutenção deve prever medidas de segurança do público interno e externo, assim como a manutenção e segurança dos ativos da empresa de mineração. A manutenção da segurança pública implica a adoção de medidas que restrinjam o acesso de pessoas estranhas às instalações da empresa e as mantenham distantes de áreas que potencializem as probabilidades da ocorrência de acidentes, tais como acessos ao subsolo, cavas inundadas e áreas contaminadas com produtos
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químicos. A manutenção dos ativos da empresa visa preservá-los durante o processo de descomissionamento, evitando a redução do valor recuperável em caso de venda para terceiros ou garantindo que estejam em condições de uso, nos casos de reaproveitamento em outras unidades da mesma empresa; a conservação das estruturas que permanecerão no local, como as instalações de valor histórico e ou arqueológico, assim como a manutenção da documentação referente à história do sítio e do projeto de mineração; a manutenção das instalações necessárias ao tratamento de efluentes, visando à neutralização de soluções ácidas e à precipitação de metais.
A manutenção planejada de áreas impactadas por projetos de mineração exige, além das medidas anteriormente enumeradas, que delas se remova tudo aquilo que possa causar danos à saúde humana ou ao ambiente, como depósitos de resíduos tóxicos ou sucatas de qualquer espécie. Outra medida que se faz necessária, principalmente quando se trata de áreas próximas aos centros urbanos, é a implantação de um programa de vigilância, com o objetivo de impedir que nelas se instalem usos pós-mineração desordenados que intensifiquem os processos de degradação ambiental e social da antiga área de mineração e região circunvizinha (LUZ & DAMASCENO, 1996; BITAR, 1997; BITAR & CHAVES, 1997; BITAR, 2000).
3.3.4 PÓS-FECHAMENTO
O pós-fechamento tem início no momento em que a propriedade mineira está pronta para reassumir seus papéis social e ambiental, com a implantação do uso pós-mineração previamente definido. Na legislação dos países selecionados para o estudo, o processo de fechamento será considerado concluído com a emissão do certificado, pelos órgãos ambientais, atestando que o sítio foi fechado com sucesso e liberando o minerador das responsabilidades advindas de danos ambientais futuros que atinjam o sítio recuperado.
A declaração do encerramento do processo de fechamento do empreendimento mineiro significa a aceitação, por todas as partes envolvidas nos processos de produção e fechamento, de que todas as etapas previstas no plano de fechamento aprovado foram vencidas a contento, todas as ações preventivas, corretivas e ou mitigadoras de qualquer dano ambiental foram implantadas com resultados avaliados como satisfatórios; significa, ainda, a aceitação de que as comunidades
75 atingidas pelo projeto encontram-se estabilizadas e apresentam as condições
econômicas, sociais e culturais mínimas necessárias à continuidade de suas existências, e, portanto, a área recuperada pode ser entregue a terceiros para reutilização, de acordo com critérios de zoneamento e atividades afins previamente discutidos e consensualmente aceitos.
A avaliação de que todos os objetivos do fechamento foram atingidos é feita através da aplicação do conjunto de critérios de fechamento previamente estabelecido e aprovado pelos órgãos reguladores da mineração, bem como por aqueles encarregados da proteção ao meio ambiente. A decisão final sobre a conclusão do fechamento é responsabilidade dos órgãos reguladores da mineração. Nos países onde o tema encontra-se suficientemente regulamentado, há a tendência entre os órgãos governamentais para se exigir a realização de auditorias do plano de fechamento, conduzidas pelos próprios operadores dos empreendimentos mineiros. Nesses casos, o titular dos direitos de lavra e das obrigações deles decorrentes deve produzir um relatório final, demonstrando a conformidade entre os resultados obtidos e as condições acordadas no plano de fechamento. Em muitos casos, exige- se que esses relatórios sejam analisados e avaliados por entidades independentes e, ainda, que se submetam a uma auditoria final, realizada pela agência reguladora, para certificar-se de que todas as obrigações foram enfrentadas com resultados satisfatórios. Os órgãos reguladores, por sua vez, podem buscar o parecer especializado de outras agências e/ ou de consultores independentes, e fazer exigências ao titular para a fiel, completa e satisfatória implantação do plano de fechamento.