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O Programa de História Universal da Escola Normal de São Paulo produzido pelo Professor José Estácio Correa de Sá e Benevides foi proposto para ser ensinado aos alunos do 3º ano do curso de formação de professores

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Este autor Consiglieri Pedroso ( 1851- 1910), foi um político, historiador, etnógrafo, ensaísta, escritor, professor e diretor do Curso Superior de Letras de Portugal, foi militante republicano, foi deputado às Cortes da Monarquia, eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa, foi um dos introdutores da antropologia em Portugal, estudando os mitos, tradições e superstições populares, atividades em que era um típico letrado do último quartel do século XIX, profundamente imbuído de valores humanistas e revelando-se um ensaísta brilhante. Sua obra de História Universal diferia assim das obras mais utilizadas no Brasil.

para as escolas elementares. Conforme apresentado anteriormente, dividia espaço com História do Brasil e História Sagrada, ocupando papel de menor destaque quando comparado a História do Brasil, pois apresentava menos tópicos de conteúdos expressos e que deveriam ser ensinados nas aulas.

Do total de 53 tópicos, nos quais cada um apresenta um tema da História que deve ser ensinado nas aulas, História Universal representou apenas 14 temas o que significa dizer que seus conteúdos foram bastante simplificados quando comparados aos programas do secundário do Colégio D. Pedro II, neste o ensino de História Universal ocupa papel de destaque contando com 73 temas a serem tratados nas aulas.

Nos tópicos de conteúdos do Programa de História Universal de 1888 constava a seguinte sequencia de matéria:

1. Objeto da História: seus métodos e divisões; fontes históricas.

2. Elementos modificadores da História. Antiguidade do Homem.

3. Egito: história política e Civilização do Egito.

4. Assíria e Babilônia. Fenícia: Civilização.

5. Israel, Arias e Pérsia. China: Civilização

6. Grécia: Política e Civilização

7. Roma: historio política de Roma. Cartago. Fim do Império do

Ocidente.

8. História política. Idade Média: Fatos principais.

9. História Moderna: Fatos principais, Civilização.

10. História Contemporânea: Revolução e reações políticas.

11. Constituição de novas nações.

12. Unificação de nacionalidades.

13. Civilização da Idade Contemporânea.

14. Quadro cronológico da História Universal.

Pelo programa apresentado, uma concepção de História Universal estava se transformando, uma vez que os pressupostos dessa História, cujo princípio se conciliava com os da Igreja Católica, se transformavam em uma História da Civilização que se constituía por intermédio de intelectuais franceses, em especial, Charles Seignobos (Histoire de la Civilisation). Mas

Benevides era também leitor de Max Weber (autor de História Universal que chegou a ser adotado no colégio Pedro II por João Ribeiro, conforme programa de 1892), autores que também estavam empenhados em compreender a sociedade considerada civilizada, conceito que então passava a ser fundamental para a compreensão das sociedades. Para o programa da Escola Normal de São Paulo ao final do século XIX a influência maior, no entanto, estava vinculada aos princípios da obra de Victor Duruy (também presente nos programas do Pedro II nesse período) cuja maior inovação foi a de introduzir o conceito de história contemporânea, iniciada pela Revolução Francesa.

A bibliografia de referência apresentada em seu livro escolar Lições da História da Civilisação, cuja 1ª edição foi de 1903, deve ter sido praticamente a mesma para a confecção da proposta curricular da década de 1880 assim, como a base para a organização de suas aulas. Assim, é possível identificar uma proposta que visava conciliar uma história de caráter mais científica (incluindo uma parte sobre a história concebida como sciencia) com “leis, segurança nos métodos, certeza dos resultados, e até o próprio desinteresse” (Benevides, 1903, p.3) a uma história cuja civilização , com base na organização das nações cuja “ligação” se fará “pela restauração do reino social de Cristo.”( Benevides, idem, p. 238).

Esta tendência em conciliar uma história de caráter científico sem perder a gênese de uma moral católica parece ser a tônica do professor Benevides. Dentre o círculo que frequentava, ou que se relacionava na vida profissional, estava o influente cônego Valois de Castro, professor de história do curso anexo à faculdade de Direito e posteriormente também professor do Ginásio São Paulo e que, de maneira aparentemente contraditória teve grande prestigio na vida educacional republicana de São Paulo, mesmo sendo um padre, defensor de uma formação moral católica no sistema educacional. Benevides parece se encaixar essa tendência um republicano católico, e daí a presença, sem grandes conflitos, de uma História Sagrada como integrante do programa para a formação dos futuros professores das escolas elementares.

Os conteúdos propostos para História Sagrada no Programa da Escola Normal de São Paulo em 1888 seguem a seguinte sequência:

2. Criação do mundo: Cosmogomia da bíblia e das ciências.

3. Dilúvio : Noé, dispersão dos homens.

4. Terceira época: Abraão, Issac e Jacó.

5. História de José, de Moises.

6. Governo dos juízes.

7. Reinado de Saul, de David, de Salomão.

8. As 10 tribos. Reinos de Israel e de Judá. .

9. Os profetas Elias, Eliseu e Jonas. História de Tobias e Judite.

10. Os judeus cativos em Babilônia. História de Ester.

11. Últimos acontecimentos que precederam a vinda do Messias.

12. Nascimento do Messias sua Infância.

13. Vida pública de Jesus.

14. História dos apóstolos. Conclusão.

Benzer Belgeler