V. UYGULAMALI JEOMORFOLOJİ
5.1.2.3.4. Birikinti Koni ve Yelpazeleri
A história contida em cada processo judicial não é apenas do indivíduo que busca ou é forçado a buscar o serviço da justiça, mas também dos profissionais que nela atuam. Por tais motivos, a estratégia de pesquisa no acervo judiciário fornece base para uma generalização científica, elegendo casos práticos que explicitem o fenômeno sob condições diferentes e o estudo de caso é uma das metodologias mais adequadas a este propósito.
A coleta de dados se realiza em situações cotidianas, sem os limites controlados de um experimento laboratorial ou da estrutura de um questionário. Assim, em um estudo de caso, há que se integrar os acontecimentos reais e cotidianos à linha de investigação traçada no projeto de pesquisa.
Uma das vantagens do estudo de caso, e que se incorpora à Teoria das Representações Sociais, é que se interpretam as informações à medida que estão sendo coletadas, verificando-se conjuntamente se as fontes de informação são contraditórias e necessitam de outras fontes. As inferências do pesquisador são realizadas sobre algo que já ocorreu, sendo as evidências do caso questionadas e delimitadas por ele.
Cabe salientar que a significação que os indivíduos atribuem a sua realidade é expressa através da linguagem, sendo tal significação a representação social, que é produzida coletivamente pela sociedade. A representação social como processo de assimilação da realidade pelo indivíduo, integrada as suas experiências, seus valores e suas informações, determina as relações que se estabelecem entre ele e o meio social. A partir desta representação é que os indivíduos explicam e afirmam sua realidade e a interação com os outros, constituindo formas de fazeres e saberes, compondo o profissional.
As representações sociais como referencial teórico para esta pesquisa traçam importantes desafios para a compreensão das práticas discursivas construídas no contexto judiciário relativos aos crimes sexuais contra a criança.
Os discursos jurídicos e sociais revelam as significações construídas pelo profissional que interroga, julga ou analisa a criança-vítima em um processo judicial, envolvendo ainda a representação social de sexualidade construída culturalmente. As atividades podem ser automáticas e sem reflexão interferindo diretamente na percepção da realidade e levando o profissional a se familiarizar com conceitos e valores, bem como a perceber o mundo apenas em sua aparência, já que a significação prática das coisas se apresenta como própria delas, independente da vontade humana. O profissional da área jurídica não está isento de tal postura, principalmente pela grande demanda de trabalho e pela rigidez exigida quanto ao cumprimento de prazos.
Sob este prisma, foi realizada a análise dos discursos dos profissionais, expressos nas manifestações escritas e procedimentos judiciais junto à criança e contidos nos autos processuais consultados referentes ao abuso sexual infantil. Os processos judiciais contêm os casos que foram consultados, oferecendo elementos reais e fidedignos à pesquisa, bem como detalhes particularizados.
A investigação de estudo de caso encontra muitas variáveis já que se baseia em distintas fontes de evidências, sendo necessário convergir os dados. Como estratégia de pesquisa é uma metodologia abrangente, podendo incluir tanto estudo de casos únicos, quanto de casos múltiplos, que são duas modalidades.
No estudo de casos múltiplos cada caso é tratado de forma particular, podendo ocorrer resultados similares ou contraditórios. Conforme demonstra Yin (2005), as melhores chances de se fazer um bom estudo estão relacionadas aos casos múltiplos, mesmo que seja um estudo de caso “de dois casos”, já que as conclusões analíticas independentes que surgem de dois casos são mais contundentes do que aquelas que surgem de apenas um caso. Portanto, o mesmo estudo pode conter mais de um caso único, o que o define como um estudo de casos múltiplos e onde cada caso contribui para o desenvolvimento global da investigação.
O estudo de casos múltiplos segue a lógica da “replicação”, o que é diferente da lógica da “amostragem”, pois conforme Yin (2005, p.69) “cada caso deve ser cuidadosamente selecionado de forma a prever resultados semelhantes (uma replicação literal) ou produzir resultados contrastantes apenas por razões previsíveis (uma replicação
teórica)”. O importante é que todos os casos se mostrem previsíveis para que forneçam uma base convincente para o conjunto global da pesquisa.
Necessário se faz o desenvolvimento de uma estrutura teórica bem fundamentada, que exponha as condições prováveis de se encontrar o fenômeno que foi estudado, que seria a replicação literal, assim como as condições nas quais não haja a probabilidade de se encontrar tal fenômeno, que seria a replicação teórica. A partir da estrutura teórica, haverá a possibilidade de generalização para casos novos, como também para a análise de casos cruzados.
Cada estudo de caso em particular consiste em um estudo “completo”, no qual se procuram evidências convergentes com respeito aos fatos e às conclusões para o caso; acredita-se, assim, que as conclusões de cada caso sejam as informações que necessitam de replicação por outros casos individuais (YIN, 2005, p.71).
Em função da lógica de replicação e não de amostragem utilizada, o número de casos necessários ou suficientes para o estudo são irrelevantes, desde que tomados os devidos cuidados para que o pesquisador não se mostre seletivo ao relatar seus dados na tentativa de adaptá-los as suas idéias preconcebidas.
Tal apontamento justifica a escolha na presente pesquisa de 02 dos 51 casos referentes aos processos judiciais que foram consultados, uma vez que os casos exemplares oferecem elementos que podem ser generalizados para os demais. O estudo de caso pode se basear em muitas fontes de evidências, como por exemplo, as mais comumente utilizadas: documentação, registros em arquivos, entrevistas, observação direta e observação participante. No presente trabalho, foram utilizadas as fontes de evidências provindas dos processos judiciais e jurisprudências, que se constituem como documentos, e da prática profissional exercida dentro da instituição judiciária, classificada como observação participante.
A utilização de documentação tem a função de corroborar e valorizar as evidências provindas de outras fontes, como a observação participante e direta. Entretanto, como alerta Yin (2005), se deve considerar que as evidências documentais refletem a comunicação entre pessoas que estão tentando alcançar outros objetivos, não podendo o pesquisador desprezar tal dado.
A observação participante refere-se ao pesquisador que participa dos eventos que estão sendo estudados e está inserido no cotidiano da instituição ou nos grupos sociais. Esta modalidade oferece ao pesquisador a capacidade de perceber a realidade de alguém que está dentro do estudo de caso, de um ponto de vista interno e não externo. Portanto, o
pesquisador é ativo na investigação e deve ter o cuidado de não induzir ou sugestionar-se na busca dos resultados, sendo necessário o equilíbrio diante das oportunidades criadas ou ofertadas.
O trabalho como Psicóloga Judiciária oportunizou a participação nos processos judiciais consultados, tanto no contato com a vítima e sua família, quanto no conhecimento dos procedimentos utilizados pelos demais profissionais envolvidos nos casos. A rotina do trabalho no ambiente forense ofereceu as condições para a observação dos fenômenos que envolvem o abuso sexual infantil nas investigações policiais e judiciárias, desde a entrevista com a vítima e seus familiares até o contato pessoal com outros profissionais e a participação em audiências.
Os registros das observações foram constantes, visto a determinação judicial de apresentação de relatório de Avaliação Psicológica nos processos. Assim, a observação do profissional que participa dos procedimentos a que o caso foi submetido cuida dos detalhes que auxiliarão na análise e que, possivelmente, influenciarão nos discursos dos envolvidos, efetivando a observação participante.
A interação com os demais profissionais também compõe a observação participante, uma vez que diferentes saberes se aliam ou se opõem no transcurso de uma ação judicial, facilitando ou impedindo a expressividade daquele que é avaliado. Além da tarefa profissional desempenhada, a necessidade de maior conhecimento sobre o abuso sexual infantil e o testemunho da criança foi propulsora para a utilização da observação participante, ampliando o foco de atenção para todos os envolvidos, isto é, vítimas, famílias, profissionais e a própria atuação profissional.
Estar inserida na problemática estudada trouxe oportunidades que extrapolaram o intuito do conhecimento, gerando a modificação da ação profissional em benefício do atendimento e compreensão da criança-vítima, pois à medida que as interrogações e descobertas surgiam não foi possível permanecer indiferente a elas.
A importância da utilização de mais de uma fonte de evidências oferece credibilidade à pesquisa, já que as informações foram corroboradas. A organização e documentação dos dados também foram relevantes para oferecer confiabilidade ao trabalho, destacando do caso suas principais características, gerando um banco de dados para uma inspeção independente.
As proposições teóricas, juntamente com as revisões feitas na literatura utilizada orientaram a análise do estudo de caso, respondendo a questões do tipo “como” e “por
que”. A abordagem descritiva do caso também auxiliou na organização da análise, identificando causas e conseqüências da problemática estudada.