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Bireysel Performans Standartlarına Dayalı Yaklaşım:

O conceito de transferência foi elaborado por Freud (1912) para designar o vínculo que se estabelece exclusivamente nas relações humanas, especialmente naquelas que se configuram como um processo no qual o agente depende de um parceiro mais experiente (por exemplo, um analista, um orientar de pós-graduação) para ter sucesso. Manifesta-se, mais comumente, pela percepção de um afeto desproporcional voltado ao parceiro mais experiente, por parte do menos experiente.

No texto “Algumas reflexões sobre a psicologia escolar”, inclusive, Freud (1914) fez referência ao que está em jogo nessa relação. Segundo o autor, os alunos transferem para seus mestres o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente da infância e depois começam a tratá-los como tratavam seus pais em casa.

A principal característica da transferência é ser mais fundamentada na dimensão fantasmática do sujeito do que na realidade empírica. Isso porque, nessa perspectiva, quem tem menos experiência supõe que o outro tem o saber que lhe falta, as chaves de sua vida. O vínculo amoroso é estabelecido e sustentado pela suposição de que o outro, no caso o analista, ou o orientador, sabe o que o analisando deseja. É nessa suposição de saber que se sustenta toda demanda de amor.

O conceito de transferência foi formulado por Freud no texto “Estudos sobre a histeria” (1893-95), escrito em parceria com Breuer. Nessa época, o psicanalista definia o fenômeno como reedições do passado, em que havia uma substituição de uma pessoa anterior pela pessoa do analista. Freud destacava o caráter ambivalente da transferência: ora era um obstáculo ao tratamento, ora era a via pela qual uma mudança de posição poderia ocorrer.

Era um obstáculo porque a relação com o parceiro mais experiente fazia com que o sujeito, inconscientemente, recordasse reminiscências infantis conflitantes. Por outro lado, entendia-se que era pela transferência que os processos inconscientes se apresentavam e apontavam para os conflitos psíquicos do sujeito; já que ela revelava a constituição do sujeito e seu desejo. Assim, o manejo do analista seria justamente sopesar essas “duas faces da mesma moeda” e buscar transformar os obstáculos decorrentes da transferência em algo a ser utilizado como parte fundamental do processo de análise.

Lacan (1951), no início de sua elaboração, considerou a transferência como uma atualização do inconsciente. Sua função seria tirar o sujeito das amarras da realidade empírica e abrir-lhe novas possibilidades. A transferência, portanto, tem a função de abrir para o sujeito a possibilidade de entrada em outra cena. Nessa concepção, a interpretação da transferência seria “Nada além de preencher com um engodo o vazio desse ponto morto. Mas esse engodo é útil, pois, mesmo enganador, reativa o processo” (LACAN, 1951, p. 225). O analista faria a passagem para outra cena por meio de manobras para levar o sujeito a sair do senso comum, colocando em cena o objeto a, o non sense.

No Seminário XI (1964), Lacan afirmou que a pré-condição para a transferência é o sujeito falar, pois durante a fala é possível que o saber inconsciente seja posto na cena da enunciação. O analista então seria aquele que interpreta o saber inconsciente. Lacan nomeou como Sujeito Suposto Saber (S.s.S) a categoria lógica que denomina a articulação dos fenômenos da transferência. Para o autor, o S.s.S. seria o pivô da transferência. Na situação de análise, o paciente supõe um saber no analista sobre a causa de seu sofrimento psíquico. “Desde que haja em algum lugar o sujeito suposto saber, há transferência” (LACAN, 1964, p. 220).

Lacan (1964) classificou o amor de transferência como aquele vinculado ao cumprimento da lei. Nessa concepção, o amor permaneceria enquanto durasse a esperança de que o parceiro sabe o que lhe satisfaz. Essa relação de dependência do outro é vista por Lacan como nefasta, por isso, ele defende que é preciso ir além, de modo que não haja essa dependência com relação ao que o outro diz.

Como colocado por Riolfi (2011c, p. 108), na perspectiva lacaniana, é de um “esgotamento da crença nas palavras” que se pode surgir um amor fora do limite da lei. Nessa concepção, pensando no campo educacional, entendemos que quando o pesquisador desiste de usar as velhas gastas palavras, com as quais ele se identificava ao pautar suas ações, passa a inventar outras que se aproximam muito mais do modo como decidiu viver a vida.

Ao analisar a relação pedagógica entre orientador e orientando nos dias de hoje, Claudia Riolfi (2011c, p. 108), a partir das articulações feitas por Lacan no Seminário XI (1964), indagou-se se “é possível pensar em um amor que transcenda aos limites da lei edípica”? A partir de uma cuidadosa retomada histórica de como o conceito de transferência foi elaborado ao longo de toda obra de Freud e, posteriormente, de Lacan, a pesquisadora tomou como objeto de análise os manejos realizados por um orientador

para levar sua orientanda a sair de uma posição de estagnação e queixa para uma de implicação e trabalho.

A autora concluiu que “não é de qualquer amor que vale a pena ler a relação pedagógica globalizada e nela atuar. Ressignificar o próprio conceito de amor, portanto, é condição necessária para podermos continuar a amar para poder trabalhar” (RIOLFI, 2011c, p. 111). Trata-se, então, de descolar o orientando de uma posição idealizante e mendicante frente ao parceiro mais experiente para outra de implicação com o trabalho. Como também demonstraram outros trabalhos (FACHINETTO, 2012; IGREJA, 2012) que focalizaram a relação pedagógica entre orientador e orientando na universidade, houve deslocamento de posição subjetiva quando a relação entre orientando e orientador foi sustentada pela transferência de trabalho (LACAN, 1964b), conceito que abordaremos na próxima seção.

3.2.1 A transferência de trabalho, via discurso do analista

O termo transferência de trabalho apareceu pela primeira vez na “Ata de fundação” da Escola da Causa Freudiana (LACAN, 1964b). No contexto de sua elaboração, transferência de trabalho foi o nome dado por Lacan à força que mantém vivo o interesse pelo estudo e pela pesquisa em psicanálise, mesmo quando o trabalho clínico, pautado no manejo da transferência analítica, já foi concluído. Trata-se do amor que gera a vontade de trabalhar juntos.

Lacan elaborou o termo em contexto de transmissão da psicanálise, referindo-se à formação de analistas. Contudo, esse termo pode ser lido sempre quando, dentro de uma relação de parceria, é dado privilégio aos aspectos que podem levar os parceiros a alterarem a sua relação com o saber, vindo a colocá-lo em primeiro plano.

Nessa visada, o termo está intrinsicamente sustentado pela estrutura do discurso do analista. É na medida em que o parceiro mais experiente não preenche a demanda que lhe é feita, e coloca o não-saber como agente da relação, que o outro poderá ver-se convocado a implicar-se no trabalho a ser realizado.

Pensando no foco desta tese, que são efeitos causados pelas intervenções do professor orientador no percurso de formação de pesquisadores, entendemos que só há

esses efeitos na medida em que a relação entre orientador e orientando priorizar a transferência de trabalho. Isso porque, para que transformações subjetivas ocorram, é necessário que: a) o orientando inclua a demanda de amor na parceria com seu professor; b) o professor saiba manejar essa demanda, deixando espaço para que o orientando se implique em cada uma das intervenções feitas; e c) o orientando subjetive as intervenções trabalhando para o desenvolvimento de sua pesquisa.

Uma relação de parceria que se sustente pela transferência de trabalho provoca deslocamentos da posição do orientando frente à sua escrita (IGREJA, 2012). Assim sendo, consideramos que a intervenção sustentada nesse tipo de laço social, diferente de um mero ato de intervir no conteúdo, correção técnica do professor/orientador, pode promover uma ressignificação da escrita do orientando e a sua subsequente responsabilização pelo trabalho.

Para sustentar a transferência de trabalho tanto o orientador quanto o pesquisador não podem estar fechados narcisicamente na posição de quem detém o saber. Para que haja “giros” na formação do pesquisador, de modo que ele se implique subjetivamente na construção de sua elaboração, o orientador precisa transmitir o próprio amor pelo trabalho, tal como iremos discorrer no próximo capítulo.

Para dar a ver de que modo a transferência de trabalho pode levar o orientando a transformações ao longo de ser percurso, selecionamos um recorte de uma das cinco colunas que formavam uma tabela com o cronograma das atividades a serem realizadas, pela informante Bridget Jones, até a data da qualificação. O cronograma, elaborado durante uma das reuniões de orientação, marca a passagem dos meses de agosto a dezembro de 2005, sendo que a data sugerida pelo orientador para exame de qualificação foi 8/2/2006.

Agosto

- escrever o capítulo 5; - scannear todas as imagens que serão utilizadas para compor a tese.

Entrega: 26/08/2005.

- Trabalhar a noção de eu ideal e ideal de eu.

- Texto base: Psicologia das massas e análise do eu, em especial capítulo 7. - Envio da resenha: 19/08/2005.

Apresentação: uma pequena página

Parte I: Dissertação com buracos. Evidentemente não vai a conclusão! Os demais capítulos devem estar montados, com pequenas sinopses do que será quando ficar pronto. Se o trabalho vai ter 100 páginas, a parte 1 terá 60.

Parte II: relatório de créditos e demais trabalhos.

A leitura desse cronograma mostra-nos que ele contém orientações pontuais e diretivas, dirigidas mês a mês. Ao analisá-lo, vemos que podem ser divididas em:

1) Orientações técnicas: são aquelas identificadas pelo uso dos verbos no

Benzer Belgeler