2. Literatür Taraması
2.4. Etik İklim Ve Etik Tutum Algısı
2.4.2. Bireysel Etik ve Meslek Etiği
Quando consultamos a obra de Lambertini, Chansons et instruments. Resignements
pour l'étude du folk-lore Portugais214, de 1902, encontramos a seguinte consideração acerca dos instrumentos tradicionais tocados na região do Algarve:
“ La ronca qu'on appelle adúfo dans la province de l'Algarve, oú ele est également connue, consiste en un vieux pot don't l'ouverture est couverte par une peau de lapin, solidement attachée par des ficelles au bord du récipient; on perce 214Lambertini, Michel’Angelo. Chansons et instruments. Reseignements pour L’etude du Folk-Lore Portugais.
un trou au milieu de la peau et on y frotte un petit batôn enduit de cire, ce qui produit, personne n'en doutera, une sonorité, dont le charme est assez restreint.”
Esta ronca ou adufo é igualmente mencionada na obra de Ernesto Veiga de Oliveira,
Instrumentos Musicais Populares Portugueses. O autor chama a atenção para um
documento importante de 1901, de Francisco Xavier Athayde (ou Ataíde) de Oliveira
215, onde menciona os adufes de Loulé, cuja constituição consta de uma cana solta que
gira num buraco aberto a meio da pele. Ora, dos vários nomes que a ronca (cuica) adquiriu na colónia Brasileira, adufo foi um deles, na região de Alagoas216. Apenas se
poderá especular acerca desta transferência uma vez que há igualmente indícios de outras possíveis influências como as africanas, onde a ronca (sarronca, zabumba, cuica etc.) faz parte do instrumentário popular da maioria dos países. É aliás em África, num país do Golfo da Guiné, o Benim, que voltamos a encontrar um instrumento percutivo aparentado fisicamente ao adufe ou pandeiro quadrado. É utilizado numa celebração de nome Burrinha pelo povo agudá com estreitas familiaridades com o Bumba-meu-Boi do Nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí), onde este instrumento igualmente foi tocado no passado. Segundo os investigadores, haveria óbvia proximidade entre o Brasil e a Costa
dos Escravos de que o actual Benim fazia parte, e por isso, a musicalidade brasileira
está presente igualmente nesta celebração da Burrinha (em forma de boi)217, que partilha
igualmente de vestígios da língua portuguesa nos cânticos que acompanha. Na pouca informação que dispomos, apenas podemos concluir que é tocada por homens, uma vez que a imagem o mostra218, não podendo afirmar se é igualmente tocado por mulheres.
Voltando a terras do Brasil, encontramos a tradição quase apagada do uso do adufe ou
adufo, ligada a terras do Nordeste ao Bumba-meu-boi, como já referimos, mas mais
recentemente, esta celebração foi migrada para o estado do Amazonas, onde é conhecido como Boi-Bumbá, e onde não temos informação se ainda preserva o uso do
215Oliveira, Ernesto Veiga, Instrumentos... Op. Cit. p.282 citando: “festas populares, Natal, Ano Novo, Reis”, A
Tradição, Ano III, Serpa, junho 1901, pp.89-90
216 Consultar as obras: Oliveira, Ernesto veiga, Instrumentos... Op. Cit, e “Dicionário de percussão - Google Livros” 217“Cultura da burrinha sobrevive há mais de 200 anos | BBC Brasil | BBC World Service”, n.d.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030214_agudas9cs.shtml. 218 Consultar em anexo o QUADRO IV
adufe ou adufo. Segundo o Dicionário de Percussão de Mário D. Frungillo219, o adufe é
geralmente seguro com uma mão e tocado com uma baqueta ou com a mão livre, e possui entre uma a quatro cordas presas ao aro junto a uma das peles. É usada na dança do Fandango220, típica dos estados do Paraná e São Paulo; a membrana antigamente seria de cutia ou cachorro-do-mangue. É ainda utilizado nos festejos da Santa Cruz e na Folia dos Reis. Constatámos ainda que poderá estar igualmente relacionado com o passado da capoeira, onde faria parte dos instrumentos comuns do povo, uma vez que é mencionado em diversos sítios da internet sobre o tema.221
Em território de domínio espanhol222, encontramos o adufe na Guatemala e no México.
Neste último pertence à cultura Huasteca, chama-se tambor Huasteco, e é tocado com uma baqueta e acompanhado de uma flauta de dois orifícios. Na Guatemala, chama-se
adufe, mas temos pouquíssima informação, apenas que estará ligada à música Maya- Quiches, surgindo no Baile de las Canastras e no Rabinal Achi.223
O Norte de África, embora seja o potencial ponto de entrada do adufe na península Ibérica e sendo terra de acolhimento após as expulsões do séc. XV, não demonstra marcas das gentes migradas islâmicas e judias, neste caso sefarditas, tocadoras do adufe ou pandeiro medieval. Este facto é realçado pela investigadora Judith Cohen224, que se
dedicou às tradições judaicas ibéricas femininas. A particularidade indicia que, embora
219Obra consultada em linha: “Dicionário de percussão - Google Livros” Op. Cit.
220“Bem vindo ao Museu Vivo do Fandango.”, n.d. http://www.museuvivodofandango.com.br /main/home.htm. 221 Incluimos esta ideia de que o adufe estaria igualmente ligado à prática da capoeira no passado, uma vez que esta
relação surge em sítios em linha sobre a especialidade como: “Officina Affro do Maranhão - Brasil”, n.d. http://officinaaffro.sites.uol.com.br/instrumentos.html#q9, e “História da Capoeira”, n.d. http://www.capoeiramartins.com.br/cordel /index.php?option=com_content&view=article&id=8&Itemid=8. Embora seja uma afirmação com carência de bases mais sólidas, achamos que poderia ser uma hipótese interessante para um estudo posterior.
222 A título de curiosidade, na primeira metade do séc. XVI Frei Pedro Aguado, deixou escrito na Recompilacion Historica, que na Columbia e Venezuela usavam “... cestillo echo a la manera de adufe esquinado”, editado pela Real Academia de la Lengua. Conf. Molina, Mauricio, Frame Drums... Op. Cit.
223“Smithsonian Folkways - Music of the Maya-Quiches of Guatemala: The Rabinal Achi and Baile de las Canastas - Various Artists”, n.d. http://www.folkways.si.edu/albumdetails.aspx?itemid=715. E “Maya Achi marimba music in Guatemala - Google Livros”
haja testemunhos de que as comunidades judaicas os tocassem durante as esperas para o exílio, possivelmente, ou a tradição da imigração não se fixou, ou o uso do adufe não seria tão marcado. Mas esta questão precisaria de uma investigação a nível dos restantes locais onde a cultura sefardita se fixou, uma vez que o Norte de África para a maioria foi apenas um local de passagem e não de fixação.
Há, no entanto, vestígios sim, mas do antigo duff, pequeno que ainda é utilizado em Marrocos, quer na cultura popular tocado por homens e judaico (não sefardita) tocado por mulheres.
Em relação aos restantes territórios pertencentes ao domínio português durante o período colonial, não obtivemos informações, mas certamente haverá vestígios provavelmente nos territórios a Oriente. Aí este instrumento poderá ter revisitado locais onde ancestralmente foi utilizado, mostrando o quanto os fenómenos culturais podem desenhar percursos elípticos ao longo da História, e obrigá-la a ser constantemente repensada.