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Bireylerin Besin Tüketim Sıklıkları, Enerji ve Besin ögesi ile Besin Gruplarının Tüketim Miktarlarına İlişkin Bulguların

5. TARTIŞMA

5.2. Bireylerin Besin Tüketim Sıklıkları, Enerji ve Besin ögesi ile Besin Gruplarının Tüketim Miktarlarına İlişkin Bulguların

Não temos uma cultura de esporte na escola e nem universitário. Temos um grande celeiro de atletas, mas todos formados em clubes. Em outros países, a escola é um diferencial. É da quantidade que se tira a qualidade (Rosicleia Campos, ex-judoca e atual técnica da seleção brasileira de judô feminino19).

Temos no Brasil um paradoxo: a Caixa e o Ministério do Esporte estão investindo no trabalho de formação em alguns clubes e cidades, mas, na mesma proporção, o Ministério da Educação está acabando com a educação física na escola. O número de aulas está diminuindo e agora elas podem ser até teóricas. Secretarias estaduais de Esporte ajudam atletas com bolsas, mas secretarias de Educação acabam com incentivos para que o professor treine o atleta nas escolas. O COB organiza os campeonatos juvenis e escolares, mas o número de estudantes que as escolas inscrevem tem caído. (Aristides Junqueira, técnico de atletismo20).

É corriqueiro – em cada novo ciclo olímpico – a circulação de projetos para a Educação Física, para o esporte educacional e, igualmente, para escola. Em tempos de megaeventos vocalizam-se, com alguma frequência, as referências de que da escola se deve carrear os novos talentos esportivos que o país precisa (como fica nítido nos discursos em destaque). Para isso, tomam-na como a base do alto rendimento. Tal produção semântica é regada, sobretudo, pelo desejo de projetar o Brasil como uma das potências olímpicas – aspecto que justificaria a iniciação esportiva, a detecção de talentos e, também, o treinamento de crianças e jovens em idade escolar no próprio ambiente escolar.

No Brasil, críticas a tais premissas são rechaçados e colocados à prova a partir das experiências de outros países que, supostamente, adotariam tal modelo. Seguindo a lógica de importar o conjunto de experiências ‗exitosas‘ de países que assumem a dianteira na corrida olímpica, a opinião pública – formada pela mídia – pressiona no sentido de qualificar/melhorar os resultados da participação brasileira nos Jogos Olímpicos – o que inclui a instrumentalização da escola, da Educação Física e dos programas de esporte educacional em geral.

Dessa maneira, situar o esporte educacional na atual agenda esportiva brasileira constitui elemento fundamental para desvelar os contornos e formatação adquiridos em função dos ‗novos‘ arranjos dados às políticas esportivas. Exercício que requer – inicialmente – um esforço para apanhar as implicações da participação brasileira nas Olímpiadas de

19 Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140724_esporte_olimpico_cc. Acesso em:

02 Nov. 2014.

20 Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140724_esporte_olimpico_cc. Acesso em:

Sydney, em 2000, mesmo porque ela se estabelece como um marco importante e fundamental, já que implica desdobramentos significativos no conjunto de políticas dedicadas à dimensão educacional do esporte.

Assim, naquele ano, existia a expectativa de que o Brasil superasse aquilo que, até então, era a sua melhor participação nos Jogos Olímpicos. Entretanto, o pífio resultado alcançado21 pela delegação brasileira frustrou o país. O que permitiu – a diversos setores da sociedade – questionar os motivos para aquele resultado. Dessa forma, de um lado, o ‗vexame‘ olímpico do Brasil em Sydney reacendeu a retórica de que a falta de formação e de esporte de base eram os responsáveis pelo fracasso (SOUZA Jr., 2006). De outro, criou a expectativa de intervenção do Estado, já que havia a necessidade ―inconteste‖ de combater os aspectos que fragilizavam o esporte nacional.

Desse caldo, um dos desdobramentos foi a convocação e instalação de uma Câmara Setorial de Esporte – um fórum de debates – com a finalidade de formular a Política Nacional do Esporte. Tal Câmara Setorial foi formada por quatro grupos temáticos, a saber: a) esporte de base; b) desenvolvimento do esporte; c) esporte de rendimento; e d) esporte para portadores de deficiência (ASSIS DE OLIVEIRA, 2009).

O resultado da combinação desses dois elementos – ‗vexame‘ de Sydney e instalação da Câmara Setorial – foi a criação de programas de esporte educacional e o processo de revisão da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tornando a Educação Física obrigatória na Educação Básica.

Em síntese o que se observou foi ―[...] um movimento de revalorização das práticas esportivas nas escolas, seja por meio da disciplina curricular Educação Física, seja por meio de programas específicos, ou ainda com a retomada das competições estudantis‖ (ASSIS DE OLIVEIRA, 2009, p. 09).

É dessa ―ninhada‖ o ―Programa Esporte na Escola‖ – uma política da área social do governo FHC – que carregava a propaganda de que o ‗esporte‘ e a ‗educação‘ formaria uma dupla campeã. Havia, nele, a promessa de atender 36 milhões de estudantes de escolas públicas, bem como a alterações na infraestrutura esportiva das instituições de ensino, a fim de viabilizar o acesso ao esporte (BRACHT; ALMEIDA, 2013).

O exame atento e criterioso a este conjunto de medidas permite identificar – antes mesmo da chegada do PT à presidência e, também, os megaeventos esportivos ao país – um processo de aproximação e reedição dos discursos e práticas que colocam ao esporte

21 Em Atlanta, 1996, o país ficou em 25º lugar no quadro geral de medalhas, já em 2000 ocupou-se o 52º lugar:

educacional/Educação Física/escola a função de projeção e/ou identificação de talentos esportivos necessários ao desenvolvimento do alto rendimento. Muito embora, esse movimento ganhe impulso com a agenda dos megaeventos.

As eleições de 2002, como se sabe, elege Lula presidente e [consequentemente] pavimenta a chegada do PT e sua coalizão à Presidência da República. O novo governo buscou [inicialmente] acomodar a base aliada, criando [para isso] novas estruturas normativo- organizacionais. Um exemplo, nesse sentido, foi o Ministério do Esporte – um órgão responsável pela gestão, formulação e implantação de políticas voltadas ao setor.

As primeiras iniciativas do governo [liderado pelo PT] foram no sentido – pelo menos no discurso oficial – de democratizar as práticas esportivas a todos os alunos da Educação Básica, tomando o esporte a partir do preceito constitucional que o define como direito, como foi o caso do Programa Segundo Tempo. Muito embora, agregado a essa compreensão estivesse a ideia de combate às drogas e à violência, de formação integral, de prevenção de doenças, entre outras (SILVA; SILVEIRA; ÁVILA, 2007).

Nesse direcionamento, seu público-alvo foi eleito segundo critérios de vulnerabilidade e exposição a riscos pessoais e sociais – segundo os indicadores oficiais. Mediado, portanto, pelo ideário que baliza o processo de inclusão/exclusão social (OLIVEIRA; SILVA, 2007).

O incremento chega quando os megaeventos participam [como princípio organizador/norteador] da agenda esportiva brasileira. A III CNE reflete bem essa guinada, sobretudo por meio do Plano Decenal de Esporte e Lazer (PDEL). Flausino (2013) argumenta que no PDEL os megaeventos tornaram-se a prioridade. Para o qual o objetivo principal é a promoção do esporte de rendimento a fim de projetar o Brasil como potência esportiva mundial. Para isso o documento elege como uma das metas:

Ficar entre os 10 melhores colocados nas olimpíadas 2016 e entre os 5 melhores colocados nas paraolimpíadas 2016, e entre os 50 melhores nas surdo-olimpíadas 2013 e 2017; ficar entre os 03 melhores colocados nos Jogos Pan-americanos de 2011 e entre os 02 melhores em 2015 e ficar entre os 5 melhores nos jogos Pan- americanos de surdos 2011 e 2015 [...] (BRASIL, 2010, p. 01).

Não obstante, a materialização deste objetivo supõe a instrumentalização do esporte educacional e da própria Educação Física – reeditando (no documento) o discurso da pirâmide esportiva, sobretudo na linha estratégica ‗Esporte de Alto Rendimento‘. Há, portanto, uma série de passagens no documento que indicam a pirâmide esportiva, os destaques a seguir são emblemáticos:

a) Implantar uma política pública que priorize o esporte, da base ao alto

rendimento, no âmbito Municipal, Regional, Estadual e Nacional, desenvolvendo a prática de um maior número de modalidades olímpicas, para- olímpicas, não-olímpicas, paradesportivos e surdo-olímpicos;

b) Garantir, ampliar e fiscalizar as parcerias entre Instituições de Ensino Superior (IES), escolas, clubes, academias, entidades, ONGs, associações e outros espaços de prática esportiva e os governos federal, estadual e municipal, garantindo recursos financeiros para detecção de talentos e prática do esporte e paradesporto e desporto de surdo de formação continuada e permanente e de rendimento, aproveitando o corpo técnico, espaços e equipamentos nos momentos em que habitualmente são pouco utilizados;

c) Restaurar as bases, que são as escolas e as instituições de ensino superior, provendo-as de equipamentos adequados, reformando sua estrutura física, qualificando os profissionais de educação física e estimulando os pais a participar das escolas juntamente com os adolescentes, para possibilitar o

desenvolvimento do esporte e do paradesporto e desporto de surdo de rendimento na infância e na adolescência;

d) Desenvolvimento do esporte de alto rendimento em diferentes níveis escolares;

e) Otimizar o esporte de rendimento em IES públicas e privadas, dando prosseguimento ao processo de formação;

f) Potencializar, transformar os centros de Educação Física das IES Públicas e

Privadas em centros de excelência de esporte de alto rendimento, utilizando a estrutura física e a massa crítica, os laboratórios multidisciplinares que deverão receber novos equipamentos destinados ao desenvolvimento de atletas de alto

rendimento.

g) Criação de uma estrutura política esportiva padronizada desde as escolas até

os centros de excelência, ampliando o centro de pesquisa do Esporte de Alto Rendimento, bem como escolas para formação de técnicos esportivos nas diversas modalidades, com graduação em Educação Física;

h) Integração entre Esporte e Educação, em todos os níveis de governo, para que a formação esportiva seja obrigatória (BRASIL, 2010, p. 01, grifos do autor). Frente aos aspectos aludidos, o PDEL reescreve um discurso a algum tempo presente na Educação Física brasileira, qual seja: a retomada da ideia de pirâmide esportiva, subordinando, mais uma vez, o esporte educacional/Educação Física e a escola àquilo que é de interesse do setor esportivo stricto sensu ―[...] tornando perceptível o corte, já denunciado, da perda do projeto político-pedagógico da Educação Física para o esporte de rendimento. Em outras palavras, a subordinação da Educação Física à política esportiva‖ (BRACHT; ALMEIDA, 2003, p. 94). Argumentos ratificados na passagem a seguir:

O governo trabalha para garantir o legado material, com construção das instalações olímpicas, e, ainda, consolidar o acesso da população à prática esportiva, com equipamentos de qualidade. Um dos grandes legados olímpicos será a consolidação da Rede Nacional de Treinamento. Na base da pirâmide está a grande massa de crianças e jovens brasileiros cujos talentos são identificados em clubes, programas sociais [...] que tem a missão de promover a iniciação esportiva (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 201322).

22 Informação produzida e publicada pelo Ministério do Esporte. Disponível em:

http://www.esporte.gov.br/index.php/fique-por-dentro/67-lista-fique-por-dentro/45549-governo-federal-trabalha- de-forma-articulada-para-construir-o-legado-esportivo-do-rio-2016. Acesso em: 16 mar. 2014.