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7.3. Bireylerin Sağlıkla İlgili Yaşam Kalitesinin Değerlendirilmes

tino, porem, é também fruto da vontade e da inteligência hu­

manas.

Há c

e

rt

a ambigüidade entre a postura sositivista, que

tende a valorizar o determinismo, e o essaço da ação solítica

no pensamento de Maurras.

62 LÚCIA LIFPI OLIVEIRA

Os caSOS históricos devem ser analisados com o objetivo de organizar um quadro científico, e é o uso da razão sobre a experiência coletiva que permite o estabelecimento de leis gerais. Por outro lado, Maurras está interessado em um conhecimento comprometido. Segundo ele, a história, além de transmitir princípios e ensinamentos, mostra o que deve ser evitado: "A tradição não significa a transmissão de tudo, mas daquilo que

é bom e verdadeiro" (Wilson,

1968,

p.

370).

Maurras acredita na existência de momentos onde a liberda­ de pode aparecer, e nos quais os acontecimentos podem tomar esta ou aquela direção. Seu estudo da história, entretanto, não se detém na vontade individual, mas sim na luta entre a ordem e o caos. Seu principal objetivo é descobrir os fatqres que fi­ zeram e farão o triunfo da civilização e da ordem (Wilson,

1 968,

pp.

374-5).

A Ação Francesa tinha como principal inimigo o Estado liberal e burguês, erigido sobre a filosofia dos direitos naturais . Por sua vez, o socialismo, corporificado no sindicalismo revo­ lucionário, também objetivava destruir o Estado burguês. Ztern­

hel!

( 1 978)

aponta as aproximações entre a Ação Francesa e o

socialismo. Ambos tinham em comum o mesmo inimigo. Quando, sob a intluência de Jaures, o Partido Socialista acei­ tou as regras do jogo democrático, o sindicalismo recusou esta postura e assumiu a liderança da tradição revolucionária. A Ação Francesa também pretendia manter a tradição revolucio­ nária, ainda que se esteja falando de revoluções diferentes.

Os grandes nomes da Ação Francesa (Vaugeois, León de Montesquiou, Valois, Maurras) se voltaram para as antigas formulações de Barres, referidas a uma proposta de "socia­ lismo nacionalista", buscando uma proposta gue permitisse sua penetração junto às classes trabalhadoras. E preciso notar que Barres não adere à Ação Francesa por considerar seus postulados abstratos e anti-históricos. Para ele, a tradição francesa deve incluir a Revolução e todos os episódios da vida

política do século

XIX.

Esta tradição indivisa não era respei­

tada pela Ação Francesa. Barres passa de um nacionalismo romântico e revolucionário para um nacionalismo conservador.

Na primeira década do século

XX,

a Ação Francesa acompa­

nhava com atenção a evolução do movimento operário, sobretu­ do através de Georges Valois, seu especialista nesse setor.

A análise da aproximação entre setores da Ação Francesa e do movimento operário é uma das contribuições mais ricas de

DECADÊNCIA E SALVAÇÁO 63

Zternhell, já que a maioria dos autores destaca apenas a influên­ cia desta organização do meio intelectual. Para Wilson

(1968),

por exemplos a Ação Francesa reúne um grupo de escritores ocupados em demonstrar teoricamente, através de argumentos históricos, uma doutrina política. Em seu apelos atrai católicoss monarquistass anti-semitass e, em maior escalas estudantes e intelectuais (p.

365).

Sua penetração é enormes chegando mesmo a exercer um domínio sobre o horizonte político dos intelectuais franceses.

Sem negar este importante papel, Zternhell mostra o outro lado do nacionalismo integrals ou sejas sua conexão com o sindicalismo revolucionário. Se anteriormente, ao tempo do ca­ so Dreyfuss o proletariado organizado somou suas forças para defender a Repúblicas agoras sob o governo Clemenceaus re­ cusava-se a participar do jogo eleitoral.

q

s sindicatoss sob a in­ fluência de Sorel, recusavam a democracia e a consideravam

um perigo para o proletariado (Ztembell,

2978,

p.

364).

A nova esquerdas ou sejas o sindicalismo revolucionário, pretendia separar o proletariado dos partidos de esquerda.

A nova direita, ou seja, o nacionalismo integrals assim co­

rno a nova esquerda, não tinha como meta participar da vida políticas se por esta se entende participar de eleições e obter cadeiras no Parlamento. A crítica ao individualismo e à econo­ mia liberal aproximava homens da direita e da esquerda, ainda que seus objetivos últimos fossem distintos.

Para Valois, a relação com o operariado era da maior importância, pois daria origem a uma aliança das forças Con­ trárias à democracia e ao regime capitalista. Em eu livro La

monarchie et la classe

ouvnere,

define o movimento sindica­ lista como aquele capaz de criar agrupamentos profissionais, base de apoio da monarquia tradicional. Por isso ele chama o sindicalismo revolucionário de "movimento tradicionalista"s representando o sindicalismo Um elemento fundamental na cria­ ção de uma nação orgânica.

Para a Ação Francesas o sindicalismo revolucionário re­ cusa somente o Estado burguês. Tão logo este seja destruído, o sindicalismo reconhecerá a necessidade de um outro poder or­ ganizado. O primordial é a criação de uma frente contra a Re­ pública e a criação de uma nova ordem socials na qual o tra­ balho não seja considerado uma mercadoria. O corporativismo reaparece como Um sistema anti-individualista de organização do trabalhos permitindo a integração do proletariado e a harmonia

64 LÚCIA LIPPI OUVEIRA

entre as classes

sob

a guarda da autoridade do Estado (Ztem­

hel!,

1978,

p.

385).

A adesão ao corporativismo, associando-o à monarquia, não era a única tendência existente no interior da Ação Fran­ cesa. Vários grupos procuravam criar uma linha de pensamen­ to própria e, através de revistas, pretendiam influenciar tanto o público interno quanto o externo.

O movimento nacionalista que antecedeu a Primeira

Guerra incorporou aqueles setores do movimento operário que defendiam a ação direta da classe operária, ou seja, a inde­ pendência do movimento operário frente aos partidos políticos.

A melhor formulação deste setor da Ação Francesa foi o Círculo Proudhon responsável pela formulação da mais elabora­ da ideologia do socialismo nacionalista. Sob inspiração de Prou­ dhon e influência de Sorel, o círculo procurou encontrar os pontos de contato entre o nacionalismo e o socialismo autêntico,

isto é, ó sindicalismo. Fundado em 191 1 , o Círculo Proudhon,

divulgava suas idéias através de Les Cahiers du CercJe Proudhon e tinha como principais responsáveis dois giscípulos de Sorel: Georges Valois, que se tomou fascista, e Edouard Berth, que

aderiu ao comunismo em

1920.

Sorel tomou-se adepto do nacionalismo entre

1910

e

1913,

sem contudo ter se tomado monarquista. Ele acreditava que o "mito" do nacionalismo poderia revitalizar a nação e produzir urna renovação total da sociedade. Em sua visão apocalíptica da política, desejava uma mudança total da sociedade, ameaça­ da pela decadência. Sorel se toma um moralista, obcecado em

salvar o mundo da decadência (Rolh,

1963, 1%7;

Talmon,

1970)

e para ele o materialismo e a democracia corrompiam igualmente a burguesia e o proletariado.

A passagem de Sorel pelo marxismo serviu para levá-lo a considerar somente a burguesia como decadente. O proletaria­

do poderia vir a criar novos valores e instaurar urna sociedade

com uma nova moralidade. Daí ser necessário isolar os traba­ lhadores do mundo corrupto, representado pelos políticos burgue­

ses e pelos intelectuais. O movimento sindicalista poderia ser

um ricorso' na história. Somente uma revolução, feita pelo sin-

5 Rícorso é o movimento salvador. que persegue fins sublimes. Seu protó­ tipo é o cristianismo primitivo. A idéia de que somente a revolução pode produzir uma nova moral advém de leituras que Sorel faz de Viro (Rolh,

1%3. p. 220; 1967, p. 32). A questão do ricorso ou do risorgimento é discu­

DECADÊNCIA E SALVAÇÃO 65

dicalismo, poderia criar uma nova moral, um novo sistema de

valores e as instituições correspondentes. Seus artigos a favor do sindicalismo revolucionário foram publicados na revista

Mouvement Socia1isI<' e reunidos em

1906

no livro Réflections sur la vio1ence.

Segundo Roth, o sindicalismo, a exemplo do cristianis­

mo primitivo, é motivado por um "mito revolucionário" . O

mito expressa as crenças mais profundas de um grupo, enquan­

to as ideologias náo passam de racionalizações dos mitos. O

proletariado tem como mito, como crença, a "greve geral" , capaz de destruir a sociedade burguesa. O sindicalismo revolu­

cionário é comandado por uma elite capaz de ações heróicas.

Sua técnica

é

a violência, entendida como recusa a qualquer

compromisso que o afaste da revolução total.

O lado revolucionário do "nacionalismo integral" e do sin­

dicalismo permitiu a aproximação de Sorel com a Ação Fran­

cesa. Esse movimento de aproximação foi fortemente influencia­

do pelo aparecimento, em

1910,

do livro de Charles Péguy,

Jeanne

d'Are.

Sorel sentiu na fusão

das idéias cristãs

com as

patrióticas a oportunidade de renovação da França. O naciona­

lismo passava a ser o mito que salvaria a França de diferentes

perigos - os judeus, os protestantes, os maçons, a República,

a democracia e o Parlamento.

Depois de um período de aproximação, Sorel acabou

rompendo com o nacionalismo integral e com a Ação Francesa

(Rolh,

1%3,

p.

213).

Para ele, os intelectuais do movimento

estavam mais interessados em falar da e escrever sobre

a

revolu­

ção do que em fazê-la. Os teóricos

mo

narqui

s

ta

s

ignoravam,

na prática, o proletariado.

Em

1918,

empolgado com a Revolução Bolchevique,

converte-se a esta revolução, vendo-a como um ricorso. Ela se­

ria

capaz de salvar o proletariado, pois se encontrava sob o

impacto de um mito social e nacional, sob o comando de uma elite revolucionária, e estava criando um novo regime. Quando o fascismo italiano começou a se fortalecer, Sorel viu este movimento como uma outra alternativa - assim como fora a

Revolução Bolchevique - para o ricors!'.

Os intelectuais Maurice Barrês, Edouard Drumont, Paul Déroulêde, Charles Maurras e Georg Sorel construíram um pen­ samento que, de um lado, atualizava a tradição francesa repre­ sentada por Michelet, Renan, Taine, Proudhon, Comte, e de ou­ tro, refletia sobre o momento político produzindo urna ideologia

66 LÚCIA LIPPI OLIVEIRA

nacionalista capaz de orientar a ação em tempos de crise ao

Benzer Belgeler