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3. GEREÇ ve YÖNTEM

4.1. Bireyler ve Değerlendirme Sonuçları

A mais jovem do grupo é Maria do Carmo165, 47 anos. Nasceu em Mundo Novo, comunidade rural do município de Janaúba e se mudou com a família para Barra do Dengoso aos dez anos. Cursou até a segunda série do ensino fundamental quando criança, mas interrompeu os estudos aos 13 anos para trabalhar em lavouras da região, quando o pai faleceu. Só reiniciou os estudos depois de casada, em 1981, em um curso de Educação de Jovens e Adultos equivalente ao primeiro segmento do ensino fundamental (1ª a 4ª série) e atualmente cursa o primeiro ano do ensino médio. Casou-se aos dezenove anos, o esposo não concluiu as séries iniciais do ensino fundamental. Possui seis filhos, quatro homens e duas mulheres, sendo que os quatro mais velhos concluíram o ensino médio e moram em outras

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cidades e os dois mais novos estão cursando esse nível de ensino e moram em Barra do Dengoso.

Dentre os cinco sujeitos cujas trajetórias são estudadas, é a única que aprendeu a ler e escrever quando criança e se lembrou de brincadeiras e de se divertir durante a infância e adolescência. Tal fato pode estar relacionado ao período em que a entrevistada chegou à comunidade. Além de ser a mais nova, em média vinte anos mais nova que os demais sujeitos, ela foi morar em Barra do Dengoso em 1970, com dez anos, quando havia mais moradores e crianças com quem podia brincar. Além disso, a casa de seus pais ficava no centro da comunidade e sua mãe era uma benzedeira famosa. Por outro lado, Maria do Carmo casou-se com 19 anos (as outras entrevistadas se casaram com 14 ou 15 anos) de modo que, de fato, viveu sua adolescência, sem se preocupar em cuidar de uma casa e de filhos, e teve outro namorado antes de se casar. Embora suas lembranças sejam muito marcadas pelo trabalho árduo desde muito cedo, ela também traz as lembranças das brincadeiras, das festas e da experiência de escolarização.

Informou que, na década de 1970 quando chegou à comunidade, já havia salas de aula que funcionavam em depósitos cedidos por moradores. Chegou a estudar por algum tempo, embora declare que tenha aprendido pouca coisa. Aos 15 anos começou a participar das celebrações do culto dominical na comunidade, sob a coordenação do senhor Tomaz Soares. Nessa época, 1975, iniciou sua participação mais efetiva como leitora durante as celebrações e, posteriormente, como dirigente. Em 1981, reiniciou os estudos no PEI e, com isso, conquistou certificado equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental em um ritmo exaustivo: estava casada e tinha um filho, trabalhava diariamente em lavouras da região, cuidava da casa, do filho e do esposo e, à noite, ia para a escola. Para isso, contou com o apoio da mãe que ajudava a cuidar do filho pequeno.

Após a conclusão do curso em 1982, atuou como professora no MOBRAL por seis meses e, no segundo semestre do mesmo ano, assumiu por três meses uma turma de terceira série. Em 1998, passou por um processo seletivo e assumiu o cargo de agente de saúde do Programa Saúde da Família na comunidade. Apesar das longas distâncias percorridas a pé ou de bicicleta, ela lamenta ter perdido o emprego por motivação política. A cada perda do emprego, de professora ou de agente de saúde, voltava e ainda volta a trabalhar em lavouras da região, onde é

sempre disputada entre os empregadores. No início deste ano de 2009, retornou à atividade de agente de saúde da comunidade e estava empenhada em refazer os cadastros dos moradores.

Em 2001, tornou-se ministra da eucaristia e passou a acumular as funções de coordenadora local da Igreja Católica, membro do conselho comunitário e catequista. Além de ser identificada como rezadeira, principalmente na igreja, também fazia benzeções aliadas ao trabalho como agente de saúde, quando julgava esse tipo de intervenção o mais indicado. Demonstra grande desenvoltura para ler em público, lê com fluência textos com diferentes graus de complexidade e faz comentários sobre os textos bíblicos lidos durante as celebrações do culto. São interpretações muito coerentes, que reportam a outros textos bíblicos, relacionando- os com situações vividas cotidianamente. Disse que o fato de desde muito nova ler muito na igreja a ajudou a ter um bom desempenho na escola, principalmente nas habilidades relacionadas a leitura e compreensão.

Usa a escrita em várias situações cotidianas, tanto as atividades pessoais, escolares quanto às relacionadas à Igreja. Em relação às anotações pessoais166, utiliza uma agenda, de 2005, dada por um de seus filhos, como um grande caderno de anotações gerais e referentes ao trabalho. Também escreve cartas, bilhetes, mensagens em cartões. Além dessas escritas pessoais, possui dois textos de circulação mais ampla: um foi publicado no folheto que a comunidade assina para as celebrações, em que conta sua história de atuação como dirigente em uma comunidade rural e os desafios que encontrava no desempenho de suas atribuições; o outro, um cordel sobre sua história de vida, resultou de um trabalho escolar realizado em 2005, quando voltou a cursar o ensino fundamental em uma turma de EJA167. Na ocasião, alguns dos textos produzidos foram selecionados e editados de forma artesanal, com encadernação em espiral, e distribuídos entre os alunos, pais e funcionários da escola. Quanto ao universo escolar, realiza as atividades solicitadas e mantém seus cadernos organizados. As escritas referentes à Igreja são feitas em cadernos de anotações dos cursos de formação que faz em MM= * 1 H1 , " 5 " " J 3 ( H ! /2 " " " ! MH ! A 0 . ! ! * # ' . ! / " * < "

função de sua atuação como ministra da eucaristia e dirigente leiga; controle financeiro e prestação de contas referentes a créditos e débitos resultantes de ofertas espontâneas, leilões e outras doações.

Fatores diversos como o fato de ter iniciado o contato com escrita desde muito cedo, durante o processo de escolarização e, especialmente, as atividades religiosas168 e profissionais assumidas que demandavam maior proficiência em leitura e escrita, favoreceram a relação mais íntima que demonstra ter com a escrita. Atualmente, ela cursa o segundo ano do ensino médio e pretende fazer um curso de enfermagem. O desejo de fazer um curso superior tem sido uma grande motivação para continuar estudando. Ela investiu também na formação dos seis filhos, quatro homens e duas mulheres: os quatro mais velhos já concluíram o ensino médio e os dois mais novos estão finalizando essa etapa de escolarização, um no terceiro ano e a filha mais nova no primeiro ano.

Por fim, vale destacar a voracidade de Maria do Carmo como leitora. Ela possui mais de 150 livros, incluindo catecismos e hinários católicos, livros didáticos, literários e de medicina popular, além de algumas revistas e diversas apostilas de cursos que faz. Esses materiais são sublinhados ou circulados com lápis coloridos ou canetas e/ou destacados com setas ou chaves, marcações diversas que indicam leitura e releitura, conforme poderá ser verificado mais adiante nas tabelas sobre materiais de leitura e marcas de leitura dos sujeitos estudados.

Benzer Belgeler