3. GELİR VE KURUMLAR VERGİSİ KANUNUNA GÖRE AR-GE
3.5. Gelir Vergisi Kanunu ve Kurumlar Vergisi Kanunu Uygulamasına Göre Ar-
3.5.4. Birden Fazla Yılda Devam Eden ve Gayrimaddi Hakka Yönelik Olmadan
De acordo com Worthington (1998), o perdão surge após a ocorrência de uma mágoa ou violação de caráter físico ou psicológico. Ao ser ofendida, uma pessoa desenvolve defesas psicológicas para se proteger de novas violações, podendo utilizar estratégias como o isolamento ou o ataque. Essa reação provoca um prejuízo na relação entre ofensor e ofendido. No caso de relações íntimas ou familiares, essa conduta tende a criar um processo onde novas ofensas surgem, aumentando a dificuldade em superar a mágoa.
As relações familiares e próximas apresentam, ainda, uma característica importante na resolução de conflitos: a paciência. Segundo Worthington (1998), é essa característica que permite que os conflitos sejam resolvidos com mais facilidade dentro da relação. No entanto, quando se inicia o processo de ofensas repetidas, e as ofensas se acumulam sem resolução, a paciência dá lugar a outro sentimento, denominado pelo autor de unforgiveness ou ausência de disposição para perdoar.
A ausência de disposição para o perdão consiste na combinação de fatores como o ressentimento, a amargura, a hostilidade e a raiva, que se desenvolvem após a ocorrência de uma ofensa e podem motivar desejos de retaliação ou evitação contra o agente da mágoa (Wade, Worthington & Mayer, 2005). Enquanto a paciência ajuda na resiliência e impede que a mágoa provoque danos profundos no indivíduo, a ausência de disposição para o perdão afeta diretamente nos três elementos do amor interpessoal: a paixão, a intimidade e o compromisso. De acordo com Worthington (1998), o perdão permite a restauração do amor que foi corrompido pela ofensa, promovendo a regeneração emocional.
Berry, Worthington, Parrot, O’Connor e Wade (2001) apresentam outro conceito importante neste modelo: forgivingness ou disposição para perdoar. Esses autores afirmam que a disposição para perdoar é uma tendência para perdoar transgressões, que existe em cada indivíduo de maneira estável ao longo do tempo e através das situações. De acordo com eles, existem estudos que mostram uma associação negativa entre a disposição para perdoar com características individuais como raiva de traço, ressentimento crônico e hostilidade, além de uma relação positiva entre essa disposição e sentimentos como compaixão, confiança, empatia ou simpatia pelo ofensor.
A disposição para perdoar é um conceito importante, especialmente para compreender quais os elementos que podem facilitar a ocorrência do perdão. Nesse sentido, o estudo de Exline, Baumeister, Zell, Kraft e Witvliet (2008) apresenta o perdão a partir de uma noção de identidade, e analisa dois elementos que podem se relacionar com a disposição para o perdão. Esses autores realizaram sete estudos para investigar se a vítima, ao reconhecer sua própria capacidade de cometer uma ofensa, amenizaria os seus julgamentos sobre o ofensor e facilitaria o perdão. De acordo com os autores, essa percepção, denominada de “capacidade pessoal”, pode predizer o perdão através de três mecanismos: a redução da percepção sobre a gravidade da ofensa, o surgimento da compreensão empática sobre a ofensa e o desenvolvimento de um sentimento de similaridade. O primeiro estudo dos autores buscou comparar se as ofensas perdoadas se associavam com um maior senso de capacidade pessoal quando comparadas com ofensas não perdoadas. Para isso, o estudo contou com um total de 263 participantes, sendo 148 estudantes universitários que participaram da pesquisa pessoalmente e 115 pessoas que responderam ao estudo pela internet. Cada participante deveria relembrar duas situações, uma na qual sofreram uma ofensa e perdoaram seu ofensor e outra na qual a ofensa não foi perdoada. Após descrever as duas situações,
eles responderam um questionário com itens que investigavam o grau de perdão e o grau de percepção da capacidade de cometer uma ofensa semelhante. As análises confirmaram a hipótese da relação do perdão com a capacidade pessoal, mesmo no caso das ofensas não perdoadas. Ou seja, mesmo as pessoas que indicaram não ter perdoado a ofensa apresentaram uma maior aceitação do perdão quando se percebiam capazes de cometer uma ofensa semelhante à apresentada pela situação hipotética.
O segundo estudo de Exline et al. (2008) examinou o poder preditivo da capacidade pessoal para o perdão quando outros preditores indicados pela literatura são controlados. Nesse estudo, foram controlados os efeitos do nível de compromisso na relação entre vítima e ofensor e a existência do pedido de desculpas, além de variáveis individuais. O objetivo dos autores foi assegurar que a relação entre a capacidade pessoal e o perdão, encontrada no primeiro estudo, não foi influenciada por essas variáveis intervenientes. Para tanto, 218 participantes responderam questões sobre uma situação pessoal onde haviam sido vítimas de alguma ofensa e responderam um questionário. Os itens respondidos por eles buscavam identificar o nível de proximidade com o ofensor antes da ofensa, a existência de um pedido de desculpas, arrependimento ou tentativa de reparar o erro por parte do ofensor, motivações de evitação e vingança sobre o ofensor, a percepção sobre a capacidade pessoal de cometer uma ofensa semelhante, percepção de similaridade com o ofensor, compreensão empática, hostilidade e emoções positivas. Como resultados, a capacidade pessoal correlacionou- se negativamente com a “ausência” de perdão e positivamente com a existência do pedido de desculpas. Em outras palavras, a possibilidade de perdoar aumenta quando a pessoa ofendida reconhece ser capaz de cometer uma ofensa semelhante à que ela sofreu. Quando as variáveis nível de proximidade com o ofensor e pedido de desculpas foram controladas, a capacidade pessoal permaneceu tendo um efeito significativo no
perdão. No que se refere aos três elementos mediadores dessa relação, a capacidade pessoal se relacionou positivamente com a baixa gravidade da ofensa, a alta percepção de similaridade com o ofensor e a alta compreensão empática. Dessa forma, o estudo confirmou a hipótese dos autores sobre a influência no perdão de perceber-se capaz de cometer uma ofensa semelhante à que sofreu, amenizando o impacto da mágoa na vítima.
No terceiro estudo, Exline et al. (2008) voltaram-se para o perdão intergrupal, interessados em conhecer as respostas dos americanos sobre o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Os autores esperavam que as pessoas considerassem perdoar mais os terroristas do ataque à medida que elas percebessem o governo americano como capaz de cometer uma ação semelhante. Nesse sentido, 186 estudantes universitários americanos responderam um questionário um mês após a ocorrência do atentado, na mesma época em que o governo americano iniciou os ataques de retaliação no Afeganistão. Os itens desse questionário tratavam sobre as ações desejadas contra os ofensores ou a nação que causou o ataque, motivação para a vingança e benevolência sobre os terroristas e a percepção sobre a capacidade do governo americano de cometer ações similares contra as pessoas ou a nação afegã. Os resultados confirmaram a hipótese dos autores indicando que os participantes reportaram mais atitudes de perdão quando acreditavam que o governo americano é capaz de cometer um atentado semelhante àquele sofrido no dia 11 de setembro.
Os quatro últimos estudos dos autores buscaram comparar diferentes métodos experimentais na avaliação da capacidade pessoal. Os estudos 4 e 5 utilizaram situações hipotéticas de ofensa, e solicitavam que os participantes adotassem a perspectiva da vítima e que relembrassem uma ofensa semelhante que eles tenham cometido. Os resultados desses dois estudos indicaram que a reflexão sobre ter cometido uma ofensa
de tipo e gravidade semelhantes à situação apresentada amenizou os julgamentos sobre a ofensa e sobre o ofensor. O sexto estudo replicou as condições dos estudos 4 e 5, sendo que em relação a situações reais, obtendo os mesmos resultados: quanto maior a percepção de capacidade de cometer uma ofensa, ou de relembrar ofensas já cometidas, maior a facilidade para perdoar. Finalmente, o último estudo examinou efeitos de ordem nas questões apresentadas aos participantes. Esse estudo contou com 155 pessoas, que foram divididas em dois grupos: um que respondeu aos itens de capacidade pessoal e empatia antes da medida de motivação para vingança e outro que respondeu a esses itens na ordem inversa. O objetivo dos autores foi investigar se o fato de responder perguntas sobre a capacidade pessoal e a empatia influenciaria na redução da motivação para vingança. As análises de comparação dos dois grupos confirmaram essa hipótese (Exline et al. 2008).
Assim, o modelo de Worthington, apesar de ser complementar ao modelo de McCullough, discute o perdão a partir de elementos diferentes. Esse autor apresenta sentimentos como a humildade e a paciência como auxiliares na decisão de perdoar e indica a existência de uma condição que dificulta o perdão: a ausência de perdão causada por ofensas repetidas. Além dessas especificidades do modelo, Worthington distingue dois tipos de perdão, que vão se diferenciar na maneira como as emoções são envolvidas no processo.