Na Zona Sul de Teresina, assim como na Zona Leste, encontra-se o maior número de áreas verdes intituladas de parques e unidades de vegetação cadastradas na Prefeitura Municipal, totalizando treze, visualizados no Mapa 4.
Mapa 4 - Localização dos parques da Zona Sul da cidade de Teresina
Fonte: MIRANDA, D. de S., 2013. Organizado pela autora.
Pela análise do mapa 4, pode-se perceber que existe uma importante concentração de áreas verdes intituladas de parques ambientais, totalizando 13 parques.
Uma vez realizada a localização dos parques naturais urbanos e para maior compreensão, evitando descrições desnecessárias e objetivando sintetizar a informação, a seguir serão expostos em quadro sinóptico a localização geográfica e os dados referentes a cada parque da Zona Sul de Teresina.
Assim, no quadro 2 estão a localização, a área aproximada e ano de implantação ou de criação dos 13 parques. Saliente-se que a criação depende de ato legislativo, enquanto a implantação depende unicamente de disposição da área.
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Quadro 2 - Parques da zona Sul de Teresina
PARQUE
AMBIENTAL/BOSQUE LOCALIZAÇÃO/ÁREA APROXIMADA IMPLANTAÇÃO/CRIAÇÃO
a) P.A. Sete Estrelas Loteamento sete estrelas,
rua 17; área 0,75 ha. Foi implantado no ano 2003; sem norma de criação. b) P.A. Porto Alegre Conjunto residencial Porto
Alegre entre as Quadras D2/E2 e Rua da Galeria; área 2,57 ha.
Foi implantado há mais de 15 anos; sem norma de criação.
c) P.A. Porto Alegre I Entre as Ruas Barcarena, Conselho, Amparo, Malta no Conjunto Porto Alegre I; área 0,66 ha.
Foi implantado no ano 2003; sem norma de criação.
d) P.A. da Prainha Avenida Maranhão, em
frente ao Centro Administra- tivo, no Bairro São Pedro; área 2,24 ha.
Foi criado pela lei municipal n. 2.600, de 02 de dezembro de 1997.
e) Bosque da Polícia Federal II
Entre o Restaurante Chão de Estrela e a Companhia do Corpo de Bombeiros, no Bairro S Pedro; área 1,43 ha.
Foi inaugurado em 25 de fevereiro de 2010; sem norma de criação.
f) P.A. do Angelim Bairro homônimo, próximo ao Conjunto Residencial Dignidade; área aproximada de 0,90 ha.
Sem data de implantação; sem norma de criação.
g) P.A. Santa Clara Bairro homônimo, próximo ao Centro Pastoral da Igreja Santa Clara; área 1,31 ha.
Foi implantado no ano 2002; sem norma de criação.
h) P.A. Haroldo Vaz Bairro Promorar, entre as Ruas Cacique e Mucuripe; área 0,28 ha.
Sem data de implantação; sem norma de criação.
i) P.A. dos Cerrados Margens da BR 316 no km
12; área 3,91ha. Foi implantado em 2009; sem norma de criação. j) P.A. da Macaúba Bairro de mesmo nome, no
cruzamento da Rua 21 de Abril com a Rua Quintino Bocaiúva; área 0,88 ha.
Foi implantado há mais de 10 anos; sem norma de criação.
k) P.A. da Quadra 144 Nas divisas do Bairro Promorar e Parque Piauí, na Av. Walfrido Salmito; área 0,36 ha.
foi implantado há mais de 10 anos; sem norma de criação. l) P.A. Boa Vista Bairro S. Antônio entre as
Ruas Camarões com Dois Irmãos; área 1,91 ha.
Foi inaugurado no dia 12 de fevereiro de 2000; sem norma de criação.
m) P.A. do Rio Poti Avenida Celso Pinheiro, no Bairro Parque Rodoviário; área 2,28 ha.
Sem data de implantação; sem norma de criação.
145 Pelo que foi verificado nas visitas, percebe-se que a presença de degradação nos parques da Zona Sul de Teresina é flagrante, podendo ser visualizada pela presença de poluição do solo, da água e, em alguns parques, do ar. Do levantamento de dados primários, foi gerada a matriz apresentada no quadro 3, sintetizando as informações obtidas.
Quadro 3 – Presença de degradação nos Parques da Zona Sul de Teresina
Disp o si çã o in a d e q u a d a d e r e sí d u o s só li d o s La n ça m e n to d e e fl u e n tes sem tra ta m e n to a d e q u a d o P o lu iç ã o H íd ri ca P o lu iç ã o V isu a l F o co s d e Q u e im a d a s D e sm a ta m e n to D e ter io ra çã o d e e q u ip a m e n to s e p a trim ô n io p ú b li co E ro sã o U so d e so rd e n a d o d o so lo C a ça p re d a tó ri a A tro p e la m e n to d e a n im a is si lvest re s Z O N A S UL
P.A. Porto Alegre P.A. Porto Alegre I P. A. Sete Estrela P.A. Cerrados P.A. Santa Clara P.A. Haroldo Vaz P.A. da Prainha P.A. Boa Vista P.A. Angelim P.A. da Quadra 144 P.A. da Macaúba P.A. do Rio Poti P. A. Polícia Federal II
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora. Legenda:
Muito Significativo Ausência
Significativo P. A. Parque Ambiental
Pouco Significativo
Para melhor visualizar e demonstrar os resultados obtidos, mais adiante, apresentam-se os gráficos gerados a partir da compreensão dos visitantes e de moradores do entorno das unidades consideradas, colhidos através de questionários
146 aplicados nos parques ou nas proximidades desses, quando não havia visitantes no momento da aplicação dos questionários (APÊNDICE 2).
No que diz respeito à caracterização por gênero e idade dos entrevistados, pode-se observar que 56% dos entrevistados foram do sexo feminino e quanto à faixa etária, 68,18% eram adultos. Todos os questionários (100%) foram aplicados na área de influência direta dos parques, pois, como antes frisado, não foi encontrado nenhum visitante, apenas moradores do entorno, conforme se pode observar pelo gráfico 1:
Gráfico 1 – Perfil dos entrevistados nos parques da zona Sul de Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
Quando se questionou se os entrevistados costumavam visitar os parques, 61,12% responderam que não, o que representa um baixo índice de frequência, (GRÁFICO 2) e justifica o fato de não terem sido encontrados visitantes durante a aplicação dos questionários, apesar de ser num final de semana, quando a maioria da população não exerce labor fora de casa. A explicação para a baixa frequência nos parques será visualizada quando for analisado o gráfico 4. Assim, apesar da zona Sul da cidade de Teresina apresentar uma grande concentração de áreas verdes, estas não são frequentadas pela população.
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Gráfico 2 – Nível de frequência de visitação nos parques da zona Sul de
Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
Ao se perguntar qual o principal atrativo dos parques, as porcentagens foram as seguintes: 32% afirmaram que visitam o parque em virtude da prática de esporte e do lazer. A resposta “atrativos naturais” veio em primeiro lugar com 48% das respostas. Observou-se também que quanto mais disponibilidade de elementos de infraestrutura o Parque apresenta, maior sua visitação (GRÁFICO 3).
Gráfico 3 – Motivo da frequência de visitação nos parques da zona Sul de
Teresina
148 Se o principal motivo que leva as pessoas a frequentar os parques são os atrativos naturais, o principal fator que inibe a frequência é a ausência de infraestrutura. Assim a falta de infraestrutura local foi citada em 48,78% dos questionários. A insegurança ficou em segundo lugar, com 39,02% das respostas. Outros fatores apontados correspondem a 12,19% (GRÁFICO 4).
Gráfico 4 – Fatores que inibem a frequência nos parques da zona sul de
Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
De acordo com a maioria dos entrevistados, nunca presenciaram ou não é realizada nenhuma atividade educacional ou recreativa nos parques (GRÁFICO 5).
Gráfico 5 – Atividades educativas nos parques da zona Sul de Teresina
149 A maioria dos entrevistados considerou que os parques inseguros e ambientes favoráveis a práticas de condutas delitivas, devido à falta de manutenção, fiscalização, iluminação e abandono. Muitos manifestaram durante a aplicação dos questionários que os parques são frequentemente usados para prática de delitos como consumo de drogas ilícitas, prática de sexo e encontro de gangues (GRÁFICO 6).
Gráfico 6 – Avaliação da Sensação de Segurança dos parques da zona
Sul de Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
Outra questão abordada consistiu na avaliação realizada pelos visitantes e moradores em relação aos recursos naturais da área. Apesar dos focos de degradação encontrados em todos os parques, a abundância da cobertura de vegetação e a variedade de espécies, que vão desde pequenos exemplares exóticos para ornamentação até representantes nativos de grande porte, são reconhecidos pelos entrevistados como fator positivo. Percebe-se, pois, quão importante para a população do entorno é a existência de áreas verdes preservadas.
Assim, 56% dos entrevistados reconhecem que a área é bem arborizada. No entanto, necessitam de melhores estruturas, fiscalização, limpeza e manutenção. Em contrapartida 36,36% consideram as áreas degradadas. Inconsistentemente,
150 ainda existem pessoas, uma minoria de 7,57%, que consideram os locais em estudo bem preservados (GRÁFICO 7).
Gráfico 7 – Avaliação dos Recursos naturais presentes nos parques da
zona Sul de Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
A última questão abordada foi a importância que as pessoas entrevistadas atribuem aos parques, ou seja, se reconhecem as áreas como locais que podem oferecer variadas funções, de que as mesmas podem desfrutar.
A função de lazer e bem estar é facilmente reconhecida em 71,2% das respostas. O contato e a preservação dos elementos da natureza também foram considerados, receberam 18,18% das respostas. Já sobre o conforto climático a quantidade das respostas foi bem inferior com apenas 10,60% das respostas, nível baixo, talvez porque as pessoas não saibam dos benefícios climáticos que traz a vegetação a um determinado lugar (GRÁFICO 8).
É importante, pois, fazer uma comparação com o gráfico 7, onde os entrevistados responderam positivamente quanto aos benefícios dos parques no quesito arborização, mas não associam a presença dessas áreas à melhora do clima urbano. Tal característica foi observada não apena nos questionários aplicados nos parques da zona sul, mas em todas as demais zonas.
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Gráfico 8 – Avaliação da importância dos parques da zona Sul de
Teresina
Fonte: Dados da pesquisa, 2013. Elaborado pela autora.
Dessa forma, a consciência da preservação da natureza e o conhecimento da função da melhoria climática (papel primordial na capital de Teresina que registra elevadas temperaturas o ano todo) deveriam ser mais trabalhados, incentivados e divulgados para, consequentemente, diminuir os focos de degradação ambiental observado. Esse seria um desafio a ser alcançado em longo prazo e que requereria a participação de muitos dos entes envolvidos na questão urbana e climática; teria que ser um trabalho muito bem planejado de educação e conscientização massivo no qual caberia a participação das escolas, universidades, órgãos da prefeitura e do estado, entidades prestadoras de serviços, mídia, associações de bairros, ONGs, empresas e outros agentes.