3. BİOREAKTÖR DEPOLAMA ALANLAR
3.3 Bioreaktör ve Konvansiyonel Depolama Alanlarının Karşılaştırılması
Edgar Morin falando sobre essa necessidade de elas se ligarem umas às outras diz sobre o que pensa acerca da interdisciplinaridade. Interdisciplinaridade pode indicar, por um lado, encontro de disciplinas que marcam seus territórios, ainda que dispostas a conversas. “Ela pode também querer dizer troca e cooperação e, desse modo, transformar-se em algo orgânico.”198 Ainda de alguma forma, concordando com os dizeres de Morin sobre o termo,
um outro grande sistematizador sobre o assunto é o físico Basarab Nicolescu.
Nicolescu explica que o surgimento dos termos pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade emergiram pela necessidade de se situarem em laços entre as diferentes disciplinas, e assim as define: “A pluridisciplinaridade diz respeito ao estudo de um objeto de uma mesma e única disciplina por várias disciplinas ao mesmo tempo. [...] A abordagem pluridisciplinar ultrapassa as disciplinas, mas sua finalidade continua inscrita na estrutura da pesquisa disciplinar”.199 E apresenta suas idéias sobre interdisciplinaridade:
A interdisciplinaridade tem uma ambição diferente daquela da pluridisciplinaridade. Ela diz respeito à transferência de métodos de uma disciplina para outra. Podemos distinguir três graus de interdisciplinaridade:
196 ALMEIDA, C. de; CARVALHO, E.A (Org.). Edgar Morin. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. Trad. Edgar de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez, 2002. p. 37
197 MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 7 edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p. 105
198 ALMEIDA, C. de; CARVALHO, E.A (Org.). Edgar Morin. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. Trad. Edgar de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez, 2002. p. 48
a) um grau de aplicação. Por exemplo, os métodos da física nuclear transferidos para a medicina levam ao aparecimento de novos tratamentos para o câncer; b) um grau epistemológico. Por exemplo, a transferência de métodos da lógica formal para o campo do direito produz análises interessantes na epistemologia do direito; c) um grau de geração de novas disciplinas. Por exemplo, a transferência dos métodos da matemática para o campo da física gerou a física-matemática; os da física de partículas para a astrofísica, a cosmologia quântica; os da matemática para os fenômenos meteorológicos ou para os da bolsa, a teoria do caos; os da informática para a arte, a arte informática. Como a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade ultrapassa as disciplinas, mas sua finalidade também permanece inscrita na pesquisa disciplinar. Pelo seu terceiro grau, a interdisciplinaridade chega a contribuir para o big-bang disciplinar.200
O autor distingue três graus, diversos e complementares, da interdisciplinaridade e chama de big-bang uma grande explosão que acontece no interior das disciplinas, promovendo sua multiplicação por meio da pesquisa científica. Está claro e evidente que Nicolescu concorda com Morin sobre a “troca e cooperação” entre as disciplinas.
E mais: Nicolescu entende que esta explosão disciplinar nutre a complexidade, ao mesmo tempo em que é nutrida por ela. Como mostra o quadro abaixo, onde a interação entre Física, Biologia, Ciências da Computação e Química, fizeram surgir a Nanotecnologia.
200 Id., ibid. 1999 p. 45-46
Figura 1
Fato que não ocorre na multidisciplinaridade, pois, não existe relação e nem cooperação entre as disciplinas. “O fato é que o multidisciplinar evoca basicamente um aspecto quantitativo, numérico, sem que haja um nexo necessário entre as abordagens, assim como entre os diferentes profissionais.”201 Ou ainda no dizer de Zabala que afirma:
“[...] multidisciplinaridade é a organização de conteúdos mais tradicional. Os conteúdos escolares apresentam-se por matérias independentes umas das outras. As cadeiras ou disciplinas são propostas simultaneamente sem que se manifestem explicitamente as relações que possam existir entre elas.”202
Figura 2
201 COIMBRA, José de Ávila Aguiar. Considerações sobre a interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade em Ciências Ambientais. http://www.ambiente.gov.ar/infotecaea/descargas/philippi01.pdf. p. 57. acesso: 05/01/2012.
Porém, é necessário esclarecer algo que parece até óbvio demais: para que haja a interdisciplinaridade, é necessário que haja a multidisciplinaridade. Sobre o termo interdisciplinaridade, Japiassú assim se expressa:
A interdisciplinaridade é um método de pesquisa e de ensino suscetível de fazer com que duas ou mais disciplinas interajam entre si, esta interação podendo ir da simples comunicação das idéias até a integração mútua dos conceitos, da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização da pesquisa.203
Observa-se no caso da Interdisciplinaridade, que existe cooperação e diálogo entre as disciplinas. Veja a figura abaixo [figura 3]
Figura 3
Ampliando um pouco mais o conceito de Interdisciplinaridade, Coimbra vai assim dizer:
O interdisciplinar consiste num tema, objeto ou abordagem em que duas ou mais disciplina intencionalmente estabelecem nexos e vínculos entre si para alcançar um conhecimento mais abrangente, ao mesmo tempo
203 JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4º Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. p.109
diversificado e unificado. Verifica-se nesses casos a busca de um entendimento comum (ou simplesmente partilhado) e o envolvimento direto dos interlocutores.204
Em seu livro Ciência com consciência, Morin critica a fragmentação dos fenômenos, responsável pela manutenção de um paradigma reducionista vigente que impede a concepção da unidade. O autor reflete sobre a interdisciplinaridade:
É por isso que se diz cada vez mais: “Façamos interdisciplinaridade”. Mas a interdisciplinaridade controla tanto as disciplinas como a ONU controla as nações. Cada disciplina pretende primeiro fazer reconhecer sua soberania territorial, e, à custa de algumas magras trocas, as fronteiras confirmam-se em vez de se desmoronarem. Portanto, é preciso ir mais longe, e aqui aparece o termo “transdisciplinaridade”.205
A fim de atribuir um contorno mais preciso sobre os termos, Edgar Morin nos alerta que a interdisciplinaridade valoriza a perspectiva dos postulados disciplinares individuais e fechados nelas mesmas. Confirma ainda a questão de as fronteiras ainda existirem. Ainda confirmando a questão das fronteiras, embora dentro de um contexto animador, as fronteiras subsistem na interdisciplinaridade. Claudio Ribeiro, falando sobre a importância do fazer teológico dialogando com a filosofia assim diz: “Nesse sentido, o teólogo e a teóloga, sem perder sua própria epistemologia, ganham em substancialidade por viver sempre “na fronteira” entre a teologia e a filosofia [...]” 206
Entretanto, o teólogo faça alusão às fronteiras, existe um fundamento reflexivo para a ampliação da abertura teológica na interdisciplinaridade em diálogo e troca com a filosofia. Ribeiro assim explicita:
Em sentido similar está a imaginação filosófica. Ela dota o teólogo e a teóloga de uma capacidade pura para combinar categorias, para efetuar abstrações em termos concretos e para utilizar diferentes possibilidades
204 COIMBRA, José de Ávila Aguiar. Considerações sobre a interdisciplinaridade. In: Interdisciplinaridade em Ciências Ambientais. http://www.ambiente.gov.ar/infotecaea/descargas/philippi01.pdf. p. 58. acesso: 05/01/2012.
205 MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 6ª edição, 2002. p. 135
206 RIBEIRO, Claudio de Oliveira. Teologia e ciências humanas: um casamento perfeito? In: Revista Caminhando v. 14, n. 2, p. 132, jul/dez. 2009
conceituais. Portanto, a perspectiva interdisciplinar e a pluralidade, por suposto, são elementos fundamentais para a reflexão teológica.207
Dentro do aspecto da importância da interdisciplinaridade, digo em relação de troca e interação com a filosofia, parceira sempre presente da construtividade teológica durante os séculos, o teólogo Afonso Ligório afirma:
Assim o teólogo sempre terá na filosofia uma bem-vinda parceira de percurso que se revela na arte de questionar as traduções feitas, seja com base na reconhecida complexidade do real traduzido (ênfase propriamente científica), seja a partir da evidente limitação de nossos mecanismos cognitivo-linguísticos (ênfase psicoantropológica).208
É evidente que esta pesquisa aponta para o transdisciplinar, quando se trata da abordagens sobre o fazer teológico. Porém, reconhecemos outro fato importante: para que haja a transdisciplinaridade, é necessário que haja a interdisciplinaridade.