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4.BİLGİ TEKNOLOJİLERİNİN GELİŞİMİ SÜRECİNDE OFİS BİNALARINI OLUŞTURAN TEMEL UNSURLARIN DEĞİŞİMİNİN İNCELENMESİ

4.1. Ofis Binaları Kabuk Sistemler

A cidade e o campo eram duas realidades ligadas como uma roda. As comunidades camponesas eram os pontos múltiplos no fim dos raios da roda, os quais tinham conexão com o eixo, estando, assim, em constante inter-relação.

A formação do Estado despótico se dá pela concentração da riqueza e do poder nas mãos de certos indivíduos que se destacam e se diferenciam sob

300 David Noel Freedman, The Anchor Bible Dictionary, vol. 1, p. 1031-1042. 301 Milton Schwantes, A terra não pode suportar suas palavras, p. 18.

determinadas condições (fertilidade do solo, chuva, comércio ou saque). Por conta disso, certos grupos se desligam da produção dos itens essenciais para a sobrevivência tal como comida e roupa, iniciando, dessa forma, as classes sociais.

Essa classe procura extrair de qualquer forma os produtos essenciais dos grupos produtores, seja por meio da coerção ou persuasão ou alguma mistura dos dois; o termo técnico para isso é extração. Com a concentração da riqueza e poder, surgem chefes e cidades, e quando a extração dos itens essenciais se torna mais complexa e requer alguma forma de defesa para tal riqueza, surgem a cidade e o Estado e seus governantes, seja um rei déspota ou tirano.

Em consequência disso, muitos concluem que a concentração de poder na mão de chefes ou de um pequeno grupo é o desenvolvimento do Estado. Em outras palavras, a classe exploradora é o mesmo que o Estado. No entanto, isso é um equívoco, porquanto o Estado não é a mesma coisa que a cidade, nem, de fato, é a mesma coisa que os chefes ou tiranos e seu pequeno grupo de exploradores. Antes, o Estado surge no conflito entre a estratificação social, entre este grupo e a comunidade camponesa.302

Na sociedade tributária israelita predomina a coexistência contratual e muitas vezes conflitiva entre a estrutura do mundo camponês, base da sociedade comunitária, e uma estrutura estatal, concentrada nas cidades fortificadas que constituía a minoria dentro daquela sociedade.

Para a estrutura estatal, de fato, o importante era a apropriação de um tributo como pagamento ou compensação por supostos ou reais serviços prestados à coletividade. Estabelece-se uma relação de contrato com as comunidades, arrecadando-se tributos em troca de grandes trabalhos econômicos, do serviço religioso ou da organização da defesa contra inimigos externos.

Nessa relação de contrato, a tribo se dispõe a garantir o sustento da estrutura estatal fornecendo-lhe parte de seu excedente de produção. Todavia, permanece inalterada a base produtiva; a organização do trabalho e a propriedade real dos meios de produção continuam em sua forma coletiva.

O contrato baseia-se numa reciprocidade entre ambos os implicados, sendo desnecessário o emprego de arbitrariedade enquanto perdurar esse espírito; há, porém, uma expectativa de uso de arbitrariedade no sistema, no caso de rompimento por uma das partes, seja pelo abuso da apropriação do excedente, o que põe em

perigo a comunidade aldeã, seja pela tentativa de sabotagem da organização dos grandes trabalhos ou pela apropriação do meio de produção e negação do tributo, o que põe em risco o poder central.303

A relação contratual da minoria dominante com a base produtiva deriva, aos poucos, numa relação obrigatória. A minoria dominante cria uma relação de exploração.304 Com o tempo, o tributo recebido pela minoria a título de serviços

prestados vai se transformando em obrigações que não encontram oposição. A minoria dominante passa a explorar a maioria produtora através do tributo.

À medida que os centros urbanos ampliavam suas fronteiras, à medida que reivindicavam um luxo maior, aumentavam a tributação, exigindo mais, organizando melhor a entrega para abranger todos os produtores, diversificando as formas de arrecadação, enfim, justificando-a através da religião.305 A apropriação do excedente pela via do tributo vai garantir a manutenção do aparato, ocasionando assim uma contradição entre campo e cidade.306

As realizações de grandes obras (palácios, túmulos, santuários, templos ou obras de irrigação) comandadas pelo poder central terão influência na economia, uma vez que ocasionarão um sistema de importação de matérias primas necessárias a tais empreendimentos, o que só será possível mediante a troca por excedente de produtos locais, bem como vai deslocar massas produtoras (campo) para o emprego nas referidas obras.307

As novas relações sociais que se estabelecem mostram uma divisão do trabalho bem mais acentuada do que a divisão existente no modo de produção tribal. Elas se desenvolvem numa contradição também cada vez mais acentuada. Verifica-se a existência de “classes” sociais e de grupos distintos dentro destas; por isso, pode-se descrevê-la como uma sociedade conflitiva, sendo que o conflito principal manifesta- se na oposição campo-cidade.308

Dentro da oposição pode ser encontrada uma imensa variedade de tipos de trabalho. Havia, no Antigo Oriente Próximo, distinção entre aqueles que possuíam os

303 François Houtart, Religião e modos de produção pré-capitalista, p. 62.

304 M. Godelier, Hipóteses sobre a natureza e as leis de evolução do modo de produção asiático, p. 73;

também V. G. Childe, A revolução urbana, em Jaime Pinsky (org.), Modos de produção na Antiguidade, São Paulo, Global, 1986, p. 25-59.

305 Milton Schwantes, Carlos Mesters, Profeta: saudade e esperança, São Leopoldo, CEBI, 2005, p.

14-15.

306 Idem, p. 19.

307 V. G. Childe, A revolução urbana, p. 43-45.

meios de produção (representantes do governo e profissionais religiosos na cidade); aqueles que possuíam e produziam (membros da comunidade aldeã); aqueles que não possuíam, mais produziam (escravos, trabalhadores diaristas, trabalhadores de corveia, etc).

Esse relacionamento era constituído pela existência de um pequeno número de centros imperiais, tais como Assíria, Egito e Babilônia. Entre a comunidade camponesa e o centro imperial, a cidade agia como mediadora e exploradora intermediária.309

Dois foram os pilares de sustentação em torno do qual o Estado emergiu: o exército regular e a religião. O exército detinha o poder e tinha a função de controlar o cumprimento da entrega de tributo em casos de resistência do campesinato. A religião passou a ser aperfeiçoada como aparato ideológico do Estado com a função de legitimar a tributação. Os “bens espirituais” eram elementos que faziam parte da relação de troca entre o poder central e as comunidades aldeãs; de certa forma era um regulador da contradição.

Como permanece na sociedade tributária o tipo de explicação dado à ação das forças sobrenaturais, de modo muito semelhante às sociedades tribais, há necessidade de meios religiosos para aplacar a fúria dessas forças; a diferença é que o poder central será o fornecedor das condições a tal serviço (sacrifícios, culto etc.), através de um aparato cultual provido de especialistas nessas funções, para onde irão as comunidades aldeãs a fim de salvaguardar sua vida (produção agrícola, rebanhos, saúde etc.).

O Estado, por via dessas duas forças, assegura o controle da sociedade tributária reprimindo todo o foco de resistência que possa surgir no momento em que a maioria produtora toma consciência da relação de exploração. As características esboçadas do modo de produção tributário são características do modo de produção típico do Estado tributário na monarquia israelita.