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14 Bilimsel araştırma raporu hazırlama – kaynak gösterimi ve etik kurallar 15 Final sınavı

Discutimos, até este ponto, um caso clínico em que o emprego dos conceitos psicanalíticos, estimados por essa autora, culminou na reanimação psíquica da paciente Marina. Na ocasião da entrevista, pergunto à Marie-Christine Laznik em que casos não são necessários ou não se aplicam os manejos clínicos para uma reanimação psíquica. Sua opinião é clara quanto às especificidades próprias da clínica de bebês autistas em oposição ao manejo de bebês psicóticos ou autistas maiores.

O trabalho com crianças psicóticas não pode ser beneficiado pelo manejo em reanimação psíquica uma vez que o tempo da alienação já foi muito bem alcançado por estes pacientes. A questão da psicose envolve outra problemática, a da desalienação, muitas vezes impossibilitada pelo laço patológico estabelecido entre mãe e bebê no início da vida. Em casos como esse, segundo a entrevistada, a escuta apurada dos fantasmas familiares acompanhada de intervenções calculadas que promovam a descolagem significante e a autonomia das partes envolvidas são os manejos mais adequados. “O manejo de reanimação psíquica não faz sentido na psicose [...]. O problema dele [bebê que vai se tornar psicótico] é que ele não se desaliena [...]. Deixo de fora todo o campo das psicoses.” (ANEXO B, p. 5). Intervenções pautadas na exploração da musicalidade da voz e na prosódia do manhês, podem desencadear nos pequenos pacientes em risco de evolução psicótica, assim como em autistas maiores, reações contraprodutivas, de acordo com a autora.

depressivo de dez meses acompanhado em análise, por períodos intermitentes, até nove anos de idade. A qualidade do cuidado recebido por David é descontinuo e variável, consequência dos episódios maníacos depressivos da mãe, que ora apresentava-se saudável e implicada no

holding do seu bebê, ora em grave estado melancólico, que ocasionava internações

prolongadas para cuidados psiquiátricos.

Durante os períodos de internação da mãe, David conta com os cuidados do pai que se esforça para criá-lo, mesmo confuso sobre qual função exercer, a materna ou a paterna. Nesta análise, fica evidente que a noção de reanimação psíquica não foi utilizada, pois ao iniciar o tratamento, David já apresentava sinal de alienação ao desejo materno. Laznik não faz menção a uma formação psicótica neste caso. Fala de um sintoma fóbico presente em David, justo nos momentos em que sua mãe retornava das hospitalizações psiquiátricas.

O que aparece, neste caso, é um bebê sensível às oscilações de humor da mãe que sofre a cada vez que é abandonado por ela: “Assim, a falta de resposta da mãe é vivida como perda de amor, como abandono, o que só pode suscitar hostilidade em relação a ela”. (LAZNIK, 2004). A recusa ao contato é interpretada como uma reação defensiva que vai se organizar de forma obsessiva no futuro, como mostra a evolução desta análise. A citação a seguir ilustra a adequação de David à posição de alienação em relação ao desejo materno, além de nos remeter a um aspecto peculiar do manejo de reanimação psíquica apontado por Laznik em certo momento da entrevista:

David estabelece rapidamente uma transferência com a terapeuta [atendimento conjunto], participa de maneira ativa. Em sintonia, chora quando a mãe diz coisas tristes, chega até a vomitar quando evoca cenas que a magoam. Sorri com coisas alegres e quando ela decide cantar, o bebê a acompanha. (LAZNIK, 2004, p. 120/ grifos do autor).

Este, conta dez meses quando é tomado em atendimento psicanalítico, idade considerada já avançada e que exige, segundo a autora, formas diferenciadas de intervenção, principalmente por não se tratar de uma evolução autística. Um bebê de poucos meses vivencia os conflitos familiares de forma mais primitiva, por isto responde melhor a manejos que visem construir um invólucro pulsional que organizem imaginariamente o Real do seu pequeno corpo. Devemos considerar que um bebê de dez meses fora de risco autístico e sem comprometimentos neurológicos constatados possui de antemão um funcionamento psíquico que o permite ouvir aos significantes e decifrar os elementos do mundo de forma mais elaborada.

do autismo em que há a alienação por um lado, e o sintoma depressivo do bebê por outro, o que nos dá indícios de uma capacidade sublimatória desejável, e por consequência, de uma subjetividade em emergência: “A partir daí, não se passa mais no corpo, há sublimação”. (ANEXO B, p. 5).

Laznik desencoraja a aplicação da noção de reanimação psíquica em casos de análise de crianças autistas maiores e explica, na entrevista, a razão:

Tenho a impressão que toda a excitação em uma criança autista maior desencadeia um estado maníaco, que é absolutamente inoperante [...]. Continuo a pensar que o que deve ser feito com crianças maiores é o que proponho no livro O rumo à palavra... A meta do trabalho com autistas maiores não é a de reanimação psíquica, é de escuta e de baixar as tensões. (ANEXO B, p. 5).

Ao finalizar seu processo de análise, David, aos nove anos, era capaz de lidar com as traumáticas experiências de abandono, repetidas vezes vivenciadas em sua infância. Este trabalho permitiu ao David introjetar uma boa função materna, assim como ser interditado pelo pai que, por sua vez, foi reposicionado no Édipo, através das intervenções da analista.

Laznik (2004) faz um apanhado dessa análise apontando para a relevância do trabalho de intervenção precoce e ao mesmo tempo, questionando-se sobre os destinos da análise de uma criança pequena.

A riqueza fantasmática de que continua dando provas pode decerto ser posta em relação com o trabalho que fez quando bebê. Mas não teria ele também contribuído, pela importância que deu à relação mãe-bebê, para colocá-lo numa situação de responsabilização demasiado pesada para uma criança? (LAZNIK, 2004, p. 131).

Como pudemos observar em relação ao caso descrito anteriormente, trata-se de uma abordagem outra, em que a instauração do terceiro tempo do circuito pulsional já estava posta desde o início, em que a mãe, mesmo que de forma intermitente, foi capaz de investir minimamente em seu bebê, e onde não se fez necessário aumentar o nível de excitação de David através da prosódia da voz da terapeuta ou da mãe, pois este já podia ser facilmente capturado, não pela musicalidade, mas pelo conteúdo do discurso materno, reagindo a ele de maneira sincrônica.

Laznik assume a possibilidade de leituras polissêmicas sobre esse caso. O que apreendemos é que a aposta da autora num manejo de separação mãe-bebê e de responsabilização, consequência da ação da castração, possibilitaram ao David bascular da

direção de uma organização obsessiva. Outra curiosidade introduzida por esta análise clínica trata da abertura para a possibilidade de considerarmos que o bebê, apoiado na transferência, possa ter provocado uma reanimação psíquica na mãe melancólica.

É necessário esclarecer, entretanto, que tal descolamento da aplicação da noção de reanimação psíquica não é explicitamente considerado por Laznik, contudo, emerge nas entrelinhas de uma fala sobre o trabalho com crianças psicóticas e autistas maiores, mas que nos parece aplicável ao caso David, mesmo que este não se enquadre nas categorias referidas: “Não é você [o analista] que está fazendo reanimação psíquica. De certa forma, é a criança que está”. (ANEXO B, p. 5).