A proposta de cuidado para a pessoa com diabetes foi organizada contemplando-se quatro elementos do MAC (Figura 7), a saber: apoio à pessoa com diabetes para o autocuidado; estruturação de linha de cuidado para a pessoa com diabetes mellitus, sistema de informação clínica sobre a pessoa com diabetes mellitus e apoio à decisão clínica sobre a pessoa com diabetes mellitus. A seleção por meio desses quatro elementos leva em consideração as recomendações propostas em recente avaliação do Modelo de Atenção
Crônica, em que as evidências sugerem que as práticas sejam redesenhadas de acordo com as diversas doenças crônicas, considerando-se as especificidades de cada local de cuidado(72).
Figura 7: Modelo de gestão do cuidado para a pessoa com diabetes na atenção especializada do HULW/UFPB, adaptado a partir do Modelo de Atenção Crônica.
Assim, para que a gestão de atenção a pessoa com diabetes mellitus no Ambulatório de Endocrinologia do Hospital Universitário tenha uma assistência de enfermagem planejada para alcançar resultados positivos nas interações produtivas entre enfermeiro e cliente, foram propostas algumas mudanças nos respectivos elementos selecionados.
No elemento apoio à pessoa com diabetes para o autocuidado, a identificação das necessidades humanas básicas que subsidiarão as mudanças para o apoio ao autocuidado será obtida por meio da utilização das três primeiras etapas do processo de enfermagem sugeridas na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta: histórico de enfermagem (identificação dos problemas); diagnóstico de enfermagem (identificação das necessidades do ser humano); e plano assistencial (determinação da assistência de enfermagem mediante o diagnóstico de enfermagem).
Esse direcionamento tem por base a definição da enfermagem em sua teoria, que é a ciência e a arte de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, de torná-lo independente dessa assistência, quando possível, pelo ensino do autocuidado, bem como de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração com outros profissionais(71). Nesse contexto, acredita-se que, realizando-se tais mudanças, é possível sensibilizar as pessoas com diabetes de que precisam fazer algumas alterações em seu estilo de vida, capacitá-las a problematizar sobre sua condição, a não se acomodar e a fazê-las acreditar que podem mudar sua realidade. Essas mudanças no estilo de vida caracterizam-se por comportamentos de autocuidado, como a atividade física, a alimentação saudável, a monitorização da glicemia, a medicação, a resolução de problemas, o enfrentamento saudável e a redução de riscos.
No segundo elemento, a estruturação da linha de cuidado para a pessoa com diabetes mellitus é direcionada para que haja uma integração entre os pontos de cuidado que dão suporte à pessoa com diabetes no referido hospital, a saber: laboratórios; consultas especializadas (cardiologia, odontologia, psicologia, educador físico, fisioterapia, psicologia, cirurgião vascular) e equipe multiprofissional (médicos endocrinologistas, enfermeiros especialistas, nutricionistas), articulando-se de forma interdisciplinar, para que a estrutura dessa estação da atenção especializada possibilite o fluxo dessa clientela nos demais níveis de atenção à saúde de forma mais eficiente e eficaz, para que as complicações advindas dessa doença sejam minimizadas.
O terceiro elemento - o sistema de informação clínica para a pessoa com diabetes mellitus - deve ser direcionado para a organização dos dados da clientela a partir da consulta de enfermagem. Para isso, deve-se empregar como sistema de informação em enfermagem a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®), a fim de documentar os cuidados de enfermagem, que facilita a comunicação dos enfermeiros dos setores do referido hospital. Essas informações podem ser utilizadas no planejamento e na gestão dos cuidados de enfermagem. A escolha pela CIPE® deve-se ao fato de essa ser uma terminologia que
representa a prática de enfermagem em nível mundial, permitindo a obtenção de dados para serem inseridos nos sistemas de informação em saúde.
O quarto elemento é o apoio à decisão clínica sobre a pessoa com diabetes, que será direcionado com a aplicação do processo de enfermagem no atendimento a essa clientela, especificamente nas etapas do diagnóstico e planejamento da assistência de enfermagem, subsidiado pelo Subconjunto Terminológico da CIPE® para pessoas com diabetes mellitus na atenção especializada, considerando-se sua finalidade de servir como instrumento de referência para a documentação e para a reflexão da prática de enfermagem, sem, no entanto, substituir o julgamento clínico do enfermeiro. Nesse elemento, a associação entre o Subconjunto da CIPE® e a Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta será constituída pela organização dos enunciados dos diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem por necessidade humana, para apoiar a implementação do processo de enfermagem em suas diversas etapas.
Diante do exposto, pode-se afirmar que as implicações da inserção de uma teoria de Enfermagem no Modelo de Atenção Crônica pode trazer resultados positivos, uma vez que se possibilita alcançar um cuidado efetivo, individualizado, de acordo com as necessidades da pessoa diabética(73).
Reiterando-se os dados acima, atrelados ao fato de que o Modelo de Atenção Crônica deve ser utilizado por todos os membros da equipe de saúde, sua aplicabilidade pela Enfermagem, a partir de uma teoria de Enfermagem, poderá fomentar novos conhecimentos no aperfeiçoamento da profissão na atenção aos cuidados crônicos, porquanto as teorias de Enfermagem foram concebidas com o intuito de organizar e sistematizar as questões que permeiam as atividades profissionais e gerar conhecimentos que as apoiem e subsidiem a própria prática(74).
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