ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1.2 Türkiye’de Bilişim Teknolojileri Eğitimi
2.1.2.1 Bilgisayar ve Öğretim Teknolojileri Eğitimi
2.1.2.1.1 Bilgisayar ve Öğretim Teknolojileri Eğitimi Programının Amacı
O espaço social, “espaço de posições distintas e coexistentes” (BOURDIEU, 1996, p. 18), possibilita apreender o mundo social que tem por princípio a diferenciação, e expressar sua característica relacional. Os seres aparentes:
(...) existem e subsistem na e pela diferença, isto é, enquanto ocupam posições relativas em um espaço de relações que, ainda que invisível e sempre difícil de expressar empiricamente, é a realidade mais real (ens realissimum, como dizia a escolástica) e o princípio real dos comportamentos dos indivíduos e dos grupos. (BOURDIEU, 1996, p.48-49, destaques do autor).
As diferenças sociais não têm sentido em si mesmas, mas ganham significação na estrutura hierárquica que está em constante mudança. Porém, mesmo que os conteúdos mudem, a diferença implícita na hierarquia e na dominação tende a permanecer intacta (VALLE, 2007, p. 124).
A estrutura do espaço social, espaço de posições sociais, não é imutável. Ela permite analisar a dinâmica de conservação e transformação da estrutura de distribuição de propriedades (BOURDIEU, 1996, p. 50). O espaço social global é descrito por Bourdieu como sinônimo de campo:
(...) ao mesmo tempo, como um campo de forças, cuja necessidade se impõe aos agentes que nele se encontram envolvidos, e como um campo de lutas, no interior do qual os agentes se enfrentam, com meios e fins diferenciados conforme sua posição na estrutura do campo de forças, contribuindo assim para a conservação ou a transformação de sua estrutura (BOURDIEU, 1996, p. 50).
Os campos são universos sociais relativamente autônomos, constituídos a partir da diferenciação progressiva do mundo social. Nas sociedades antigas, as condutas eram indiferenciadas: econômicas, religiosas, estéticas ao mesmo tempo, mas, com a evolução das sociedades, surgem “universos sociais” dotados de leis próprias, com certa autonomia, como os campos da arte, econômico, científico etc. (BOURDIEU, 1996, p. 147). Cada campo encerra interesses específicos – conhecimento e reconhecimento, categorias de percepção, sistemas de classificação, esquemas cognitivos – resultantes da incorporação de estruturas objetivas do campo, “da estrutura de distribuição do capital no campo considerado” (BOURDIEU, 1996, p. 149).
O campo constitui um espaço onde as posições dos agentes são relativamente fixadas. A estrutura do campo social é “definida em cada momento pela estrutura da distribuição de capital e dos ganhos característicos dos diferentes campos particulares” (BOURDIEU, 2001b, p. 149-150).
Entretanto, apesar da relativa autonomia dos campos, Bourdieu destaca que há uma tendência de o campo econômico impor sua estrutura aos demais:
(...) se cada campo tem a sua lógica própria e a sua hierarquia própria, a hierarquia que se estabelece entre as espécies de capital e a ligação estatística existente entre os diferentes haveres fazem com que o campo econômico tenda a impor a sua estrutura aos outros campos (BOURDIEU, 2001b, p. 135).
A primazia do campo econômico é atribuída principalmente à produção de novos discursos pelo Estado, que, sob a ideologia neoliberal, reduz a política econômica à política monetária e redefine as relações entre os diferentes campos em benefício do campo econômico. O campo escolar também tende a ser estruturado pela lógica do campo econômico, mas isso não significa sua total mercantilização. Segundo Bourdieu, o campo escolar é orientado para a reprodução e submetido a forças externas (BOURDIEU, 2004b, p. 58-59).
Na Escola Técnica pesquisada, a lógica do capital econômico tem se revelado presente na organização escolar. Além de permear as mediações entre alunos e empresas, através dos estágios, as unidades escolares vinculadas ao Centro Tecnológico Paula Souza são submetidas anualmente a avaliações que enfatizam a qualidade, a eficiência, a eficácia, plasmada em padrões empresariais, reunidos no Sistema de Avaliação Institucional (SAI). Diante disso, Ana Maria Corrêa (2005, p. 234-235) assevera que:
(...) ao se conclamar a unidade de ensino a ter um padrão de excelência dentro de uma visão empresarial, deixa-se de lado que a visão empresarial, hoje, passa a adotar um modelo de gestão que identifica a satisfação dos trabalhadores no local de trabalho com o aumento da produtividade. Neste caso, reafirmamos que as Diretrizes Curriculares Nacionais revestem-se de um conteúdo pragmático e funcional que propõe a educação de qualidade, a escola de qualidade e os alunos imbuídos de qualidade e de idealismo profissional, originada na retórica neoliberal de qualidade total das práticas escolares, como se estas não se processassem em condições conjunturais adversas.
De maneira geral, entendemos o campo social como um espaço de conflito em que os dominantes procuram assegurar sua condição de dominação. A dominação tem legitimidade porque é dissimulada enquanto tal, ou seja, é simbólica. Assim, o campo pode ser definido como um espaço de produção simbólica no qual os agentes estão em luta para inculcar categorias de (di)visão do mundo. Busca-se, deste modo, produzir o consenso social, o senso comum.
No tocante à temática do estudo que desenvolvemos, nos questionamos se o discurso da qualificação, que atualmente tem angariado forças a partir da designação competências, tem desempenhado um papel de produção do senso comum. O depoimento de um aluno por nós entrevistado sugere a interiorização deste discurso e a incessante corrida para obter um espaço no mercado de trabalho:
(...) se você tem um curso já tem um grau a mais. A pessoa vai falar ‘ah esse aqui estudou um pouco a mais’. Só que a gente já sabe que tem outro que estudou mais ainda, então se a gente parar, na hora que tiver a vaga o outro lá que já fez uns três, quatro curso. Quanto mais estudar mais chance de melhorar tanto a situação da gente e também a vida profissional (Sidnei, 34 anos, aluno de eletrotécnica).
Sob a máxima de que a qualificação, por si só, gera mais oportunidades de ascensão social e, conseqüentemente, o esforço individual é condição única para o êxito, dissimula-se o contexto de precarização dos empregos e são ignoradas as diferenças de oportunidades, geradas pelas desigualdades de posição social e reeditadas nas trajetórias.