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Belgede BİLİŞİM TEKNOLOJİLERİ (sayfa 34-54)

Entre as principais interpretações sobre a Revolução de 30 era corrente na literatura a assertiva de que aquele movimento promoveu um processo de ruptura no status quo da Primeira República, principalmente ao colocar em xeque a hegemonia e o acordo político

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ainda pertinente ao quadro da herança colonial, forçando uma mudança nos arranjos político-

institucionais. Neste caso, o período colocava novos interesses e atores num mesmo locus

político, exigindo um diálogo inédito de forças sociais em estágio de ebulição. Neste caso, o ambiente de 1930 podia ser considerado como ―momento nevrálgico em que as forças ligadas à herança colonial potencializam seu movimento descendente enquanto as forças do moderno [cresciam] vertiginosamente‖ (CEPÊDA, 2008, p. 03)21

. Seria uma ruptura vertical, semelhante a um divisor de águas, por onde a estrutura sócio-política em (re)formulação encontrou (ou teve que enfrentar) inovadores segmento de modernização em suas instituições. A concepção de ruptura/nova solução ou até mesmo de mudança/novos arranjos demonstrava que com a Revolução de 30 a burguesia cafeeira perdia hegemonia dentro do poder central e a partir de então, mudanças modernizantes atuariam na ação do Estado. As características das rupturas jurídicas e políticas estabelecidas se encontravam na reavaliação do federalismo (de tipo descentralizado, inicialmente) para uma nova concepção, onde a centralização agiria com a finalidade de preservar a unidade da federação (que ganhava autonomia no complexo contexto nacional), e que, desenvolvia-se numa perspectiva mais intervencionista do Estado nas relações políticas, econômicas e sociais. O Estado brasileiro, como reflexo da ruptura, também passaria a ser elemento básico no processo de industrialização, e nesse sentido, atingiria uma posição privilegiada para mudar as relações entre o poder estatal e os trabalhadores22.

Por outro lado, também se encontrava a perspectiva de uma mudança na direção política – e não necessariamente de ruptura, posto que,

[...] a convergência de forças heterogêneas que fazem a ‗revolução‘ torna-se possível porque o que se joga em 30, o que está em crise, não é a dominação

oligárquica, mas a confederação oligárquica, através da crise de uma dada

forma de Estado que era sua expressão política em plano nacional – e de uma forma de Estado com a qual praticamente se confundia o sistema político. O que se contesta, em síntese, é a oligarquia enquanto elite dirigente e não enquanto

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Luiz Werneck Vianna, por exemplo, observava que um Estado bonapartista conduziria as relações sociais, cumprindo o papel de guardião dos interesses da burguesia, incapaz de se impor hegemonicamente; isso consistiria uma revolução pelo alto, mas sempre uma revolução, isto é, uma ruptura, esclarecia Borges (2001, p. 174).

22 Weffort (1968) e Fausto (1987) encontrariam na tese do ―Estado de compromisso‖ a resposta política que permitiria a Vargas coordenar o processo político pós-ruptura. O Estado de compromisso aconteceria porque nenhum dos grupos participantes podia oferecer ao Estado as bases de sua legitimidade, assim, Vargas estabelecia o poder do Estado como instituição, agindo como uma categoria decisiva na sociedade brasileira. Em que pese essa observação pensa-se que a concepção de um ―Estado de compromisso‖ acabava sendo ineficiente para ancorar o processo como um todo, posto que, se efetivamente havia um Estado de compromisso, o compromisso deveria ter se mantido no pós Constituição de 1934, o que não aconteceu.

46 classe dominante. É a tanto que, a meu ver, se reduz em 30 a ‗crise da oligarquia‘ (MARTINS, 1982, p. 678)23.

Segundo Borges (2001, p. 178), Martins, ao negar a existência de ruptura, observava um processo iniciado na década de 20 e que somente se encerraria em 1937, ―com inclusão seletiva de novos grupos sociais à vida política, e de novos atores ao poder, [interpretando] que somente em 1937 se fecharia um processo [...] que resolve questões colocadas desde a década de 20‖.

Em que pese essas duas visões relatadas – realçando assim, a segunda visão de simples reacomodação entre elites, não seria crível afirmar que as duas interpretações podem exercer o papel de se sobrepor uma a outra, e no mínimo, por duas razões: a) primeiro, por se constatar que, na prática, havia crise na oligarquia, representada pela alteração do poder dominante em 1930, com o rompimento do pacto da oligarquia estabelecido com a política dos governadores, e b) segundo, porque a Revolução de 1930, ao deixar um importante legado direto ao Governo Provisório, acabaria por forjar uma agenda de reformulação na arquitetura do Estado-Nação.

Em relação ao primeiro motivo, se durante a Primeira República o setor da oligarquia paulista e mineira controlava as decisões do Poder Central, haja vista o pleno funcionamento da política dos governadores, o que se observou no pós-30 foi novamente o poder oligárquico no poder central, mas naquele momento, sendo exercido pelo ex-presidente do Estado de Rio Grande do Sul com o apoio das oligarquias dissidentes que, no pré-30, estavam relativamente excluídas da esfera de tomada de decisão24. Já em relação ao segundo motivo, o legado deixado à União Federal pela Revolução de 30 era o de ser ator mais que político, devendo promover uma nova arquitetura política (institucional) para o país, ou seja, o de efetivar uma mudança significativa na função do Estado pós-revolução.

Se não havia necessariamente uma ruptura no plano político (eis que a acomodação de interesses simplesmente acontecia com a alteração das elites), ocorria uma ruptura na

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Martins trabalha com a tese de que os principais ideais revolucionários de 1930 somente atingiram seus resultados com o Estado Novo; daí, a afirmação de que as mudanças operaram-se sem rupturas ou substituição de classes no poder. Para comprovar sua tese, o autor, afirma que: ―demonstram os fatos de que (1) o Estado Novo pôde ser implantado praticamente sem resistências e (2) a ditadura de Vargas pôde ser exercida sem que houvesse sequer a necessidade de serem criados novos instrumentos de mediação política, como seria o caso de um partido único. Se o primeiro fato sugere uma convergência básica de interesses quanto à implantação do regime autoritário de 37, o segundo indica que haviam sido mantidas intactas as estruturas de dominação‖ (MARTINS, 1982, p. 681).

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Faoro (2001, p. 769) afirmara que ―a óptica dos homens que ocupam o Catete, a 3 de novembro de 1930, será adversa ao esquema da política dos governadores, mas se compreende dentro de suas coordenadas mentais‖.

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ressignificação da função do Estado, justificando, nestes termos, a expressão de que a Revolução correspondeu a um processo político inovador.

Ao adentrar no estudo sistematizado da Revolução, esse processo também canalizava novas distensões de continuidades e descontinuidades, tanto no campo relacionado ao governante x governado quanto o relacionado às fragmentações das elites dominantes (GOMES, 1980). A exteriorização deste modelo tornava-se evidente quando no campo das elites que promoveram a Revolução também se integraram no mesmo grupo da Aliança Liberal outras oligarquias e os tenentes. Ou ainda, quando conflitos entre capital e trabalho resultavam num processo de regulamentação trabalhista.

Disparidades marcantes, como a relação governante e governado, oligarcas e tenentes, demonstraram que a Revolução de 30, embora não tivesse alterado a relação de dominação no poder central em relação as elites, eis que ela se mantinha (e nesse sentido, não haveria uma ruptura), ―houve uma transformação das fórmulas políticas para permitir a incorporação de setores que não participavam anteriormente do pacto‖ (CARDOSO, 1982, p. 708).

Talvez, o exemplo mais nítido desta alteração de posturas ocorreria com a base de apoio da Revolução que era

[...] representada por todas as forças sociais das regiões em dissidência e pelas classes médias dos grandes centros urbanos. O proletariado tem no episódio revolucionário uma ―presença difusa‖ [...]. Entretanto, há indicações de que a massa operária simpatizava com os revolucionários, como se verifica por algumas manifestações – por exemplo, a adesão de operários do Brás ao cortejo de Getúlio quando o candidato visita São Paulo [...]. O êxito da Revolução dependeu em essência do papel desempenhado pelos militares, mas o Exército não atuou como uma força homogênea, cuja iniciativa é determinada, hierarquicamente, a partir da cúpula. O setor militar mais dinâmico na articulação do movimento, representado pelos ‗tenentes‘, encontra-se, a rigor, fora do aparelho militar do Estado [...]. (FAUSTO, 1987, p. 102).

No exato momento em que rupturas e mudanças políticas (ou ainda continuidades/descontinuidades) representavam o significado da Revolução de 30, novas transformações acabariam por canalizar uma nova postura do Estado – isto é, uma intervenção direcionada devido à centralização política.

Essas transformações se apresentaram, na década de 1930, como eclosão de uma crise institucionalizada, que não só abriria espaço para a modernização da República como um todo, mas que se deveria atentar ao momento em que novas transições na área econômica ocorriam: seja pelo processo da industrialização, que de certa forma, requer prioridade e um

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reposicionamento da economia cafeeira que, embora tenha sofrido os efeitos da crise de 1929, ainda continuava rendendo lucros ao país, como revelavam os dados censitários da produção nacional no pós-30 (FAUSTO, 1987).

Esse processo, em especial, decorrente do reposicionamento da economia também refletia a tese de Furtado (1982), ao afirmar que no início do decênio de 30, o centro dinâmico da economia brasileira se deslocava do mercado externo para o interno. Nas palavras do autor, ―a acumulação, a transformação do aparelho produtivo, isso que se chama desenvolvimento econômico passa a realizar-se em função do mercado interno‖ (FURTADO, 1982, p. 712).

Dentro desta relação compreendia-se que não seria possível analisar o caso brasileiro da década de 1930 sem que o Estado estivesse presente na condução do processo de agenda (política, econômica e também social) pós-revolução: primeiro, porque o Estado passava por uma reestruturação e, portanto, precisava de autonomia e legitimidade para forjar a agenda de re-institucionalização; segundo, porque os agentes político-sociais da dominação desse poder, muitas vezes, se apropriavam do aparelho do Estado para imporem seus próprios interesses.

As dificuldades enfrentadas pelo Governo Provisório na pós-revolução de 30 serão apresentadas, de forma mais específica, no próximo tópico.

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