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2. KURAMSAL TEMELLER

2.3. Bilgisayar Destekli Öğretim

A construção da identidade profissional docente é um processo individual, demorado, contínuo, complexo e exigente, como afirmam Heck e Williams (1984), “não se torna professor de repente, tornar-se professor é um processo que continua ao longo da carreira profissional” (citado por Jacinto, 2003, p. 59). Este processo de construção identitário, tido também como dinâmico, pois a todo o momento o docente está sujeito a encontros entre o eu (pessoal) e o outro (social), implica tempo para profundas reflexões críticas e assimilações de tudo o que foi apreendido em contexto social.

De acordo com Dubar (1991, citado por Gomes, 2008), na construção da identidade surgem dois processos distintos: o autobiográfico e o relacional. O primeiro relaciona-se com a dimensão individual, ou seja, com as crenças, conceções, valores e com as representações que o docente, enquanto pessoa constrói sobre si mesmo. O segundo, com a dimensão social e coletiva onde este desempenha diversos papéis sociais, interage e estabelece relações com o outro, nos mais diversos grupos sociais onde se insere (familiar, religioso, escolar, entre outros). Desta forma, afirmamos que a identidade não é algo inato, mas um produto da socialização, isto é, dependente do outro. É um processo que se encontra em constante mutação e é através deste que o

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docente estará a formar-se profissionalmente, uma vez que a dimensão social e profissional são indissociáveis. Como afirma Teixeira (1995, citado por Jacinto, 1995), o docente é “um ser aberto à relação com os outros seres, encontrando nessa relação o sentido da sua própria existência” (p.59). Estas relações/interações são, sem dúvida, o coração do crescimento profissional.

1.1.2 A identidade profissional e pessoal

“Quando não me conheço a mim mesmo, não posso conhecer os meus alunos, vê- los-ei através de um vidro escuro, na sombra da minha vida que não foi analisada – e, quando não os posso ver claramente, não os posso ensinar bem. Quando não me conheço a mim mesmo, não posso conhecer a minha disciplina – não nos níveis profundos que estão alicerçados no significado pessoal.” (Palmer, 1998, citado por Day, 2004, p.87)

O docente, como pessoa única que é, transmite muito de si e da sua personalidade no ato de ensinar. Por esta razão a identidade pessoal e profissional são consideradas inseparáveis, como confirma Moita (1995, citado por Jacinto, 1995),“a identidade pessoal e a identidade profissional são indissociáveis, uma vez que a primeira resulta precisamente dum “sistema de múltiplas identidades e encontra a sua riqueza na organização dinâmica dessa diversidade”” (p.59).

A práxis docente é fortemente influenciada pela maneira como o docente edifica a sua identidade pessoal e profissional, sendo esta, como verificamos anteriormente, um processo ininterrupto influenciado pelas conceções pessoais, sociais e profissionais que o docente vai absorvendo e filtrando para construir-se e edificar-se (Nóvoa et al, 1995). Ele é a pessoa, una e única e, de acordo com Nias (1991, citado por Nóvoa, 2002), uma parte importante da pessoa é o professor, por isso, torna-se indispensável “(re)encontrar espaços de interação entre as dimensões pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriarem-se dos seus processos de formação e darem-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida” (p.57).

O docente não nasce docente. O saber é construído ativamente no decorrer do seu percurso de vida, não por aglomeração de cursos, habilidades ou saberes, mas através de um árduo trabalho crítico-reflexivo sobre tudo o que ocorre nas suas intervenções pedagógicas e igualmente através de uma (re)construção contínua da identidade pessoal (Idem ibidem, 2002). Desta forma é imprescindível o

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educador/professor conhecer-se a si mesmo, tendo assim uma imagem coerente do seu “eu”. Ter um sentido de identidade global, sabendo comportar-se e adaptar-se em cada e toda a situação. Os momentos de retrospeção sobre o seu percurso pessoal e profissional são também essenciais para uma melhor perceção do “eu”, pois são “momentos em que cada um produz a “sua” vida, o que no caso dos professores é também produzir a “sua” profissão” (Idem ibidem, p.58).

Percebemos então, que a identidade é tudo aquilo que o docente carrega na sua “mochila de vida”, ou seja, a sua biografia pessoal, cultural, social e profissional, que vai se modificando ao longo dos tempos e das circunstâncias.

1.1.3 O docente investigador e reflexivo

Refletir é uma característica exclusivamente humana. O ato de refletir conscientemente é essencial e indispensável ao homem, pois é através da reflexão que ele poderá voltar-se sobre si mesmo e autoanalisar as suas ações, visando um constante desenvolvimento pessoal e profissional. Como afirma Dewey (1933, citado por Mazai, s.d.) o ato reflexivo “converte uma ação puramente apetitiva, cega e impulsiva, em ação inteligente”. (s.p)

A prática docente exige ao profissional da educação uma constante postura reflexiva e investigativa. Para que o docente consiga fazer a diferença positiva no contexto escolar onde se insere, espera-se que este pesquise e reflita de forma crítica e consciente sobre tudo o que faz, sobre a sua práxis, de forma contínua. De acordo com Nóvoa (1995), o bom professor é aquele que questiona constantemente tudo o que o rodeia, o contexto onde está inserido. Analisa e investiga os melhores caminhos a seguir, de acordo com as problemáticas encontradas, visando a mudança da instituição escolar. A investigação e a reflexão gerem conhecimento. Como afirma Ponte (2002):

A investigação sobre a sua prática é, por consequência, um processo fundamental de construção do conhecimento sobre essa mesma prática e, portanto, uma actividade de grande valor para o desenvolvimento profissional dos professores que nela se envolvem activamente. E, para além dos professores envolvidos, também as instituições educativas a que eles pertencem podem beneficiar fortemente pelo facto dos seus membros se envolverem neste tipo de actividade, reformulando as suas formas de trabalho, a sua cultura institucional, o seu relacionamento com o exterior e até os seus próprios objectivos (p. 3).

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Os professores que delegam tais obrigações e que dão lugar à preguiça intelectual, inibidora de uma prática reflexiva, jamais se tornarão profissionais reflexivos (Perrenoud, 2002, citado por Colares, Gonçalves, Colares & Leão, 2011) e profissionais completos.

Deste modo, podemos afirmar que a prática reflexiva e investigativa é imperativa no trabalho docente, pois para além de melhorar as intervenções pedagógicas futuras, aumentando a qualidade educativa, será também vantajoso para o progressivo desenvolvimento profissional do docente.

1.1.4 O docente orientador e mediador de aprendizagens

À luz da perspetiva construtivista é impensável a existência de um professor transmissor de conteúdos, onde a aprendizagem ocorre verticalmente, ou seja, de um nível superior (professor) para um nível inferior (alunos). Pelo contrário, este professor e este tipo de educação devem dar lugar a um espaço onde exista comunicação, transmissão e debate de ideias entre pares, alunos e professor. No fundo, onde a aprendizagem se realize ao mesmo nível (horizontalmente) e onde o professor permaneça em segundo plano. Segundo Fonseca (1998, citado por Guedes, 2009), o professor construtivista é apenas o “andaime” que sustenta o processo de construção do saber, pressupondo que a criança é quem deverá apreender o conhecimento (p.22).

A criança é um ser ativo, pensante e como tal, tem capacidades para construir as suas próprias estruturas cognitivas, sem ser necessário haver exposição de conteúdos. É neste sentido que o professor construtivista entra em ação, na medida em que é ele quem disponibiliza as ferramentas e as condições necessárias para que a criança questione, investigue, reflita e construa assim o seu próprio saber. O professor é tido aqui apenas como a alavanca do conhecimento, uma vez que nas suas intervenções deverá proporcionar momentos baseados na curiosidade e no questionamento, sendo a gestão da aprendizagem da responsabilidade da criança. Como afirma Marques (1997):

(…) os melhores métodos de ensino são os que estimulam a actividade do aluno e o seu envolvimento nos processos de descoberta. O professor deve criar um ambiente e atmosfera nas quais os alunos sejam activos e iniciem as suas actividades (…) deve dar tempo necessário para a realização das tarefas e proporcionar os materiais adequados e encorajar os alunos a encontrarem, por si próprios, as respostas, a partir das suas actividades (p. 37).

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De forma a tornar as aprendizagens mais significativas é fundamental também que o docente consiga identificar os interesses e carências do seu grupo de crianças e, a partir daí, garantir uma práxis diferenciada para que os alunos consigam expandir os seus conhecimentos e esbater as suas dificuldades (Tomlinson, 2008).

1.2 Contributo de alguns teóricos para a prática docente