• Sonuç bulunamadı

Bilgisayarınızı ve bilgilerinizi koruma

No dicionário Aurélio (FERREIRA, 2010) a expressão coordenar está assim definida: “dispor segundo certa ordem ou método, organizar, arranjar, ligar, ajuntar por coordenação.”

34

Com o intuito de tentar definir quem é esse profissional e refletir sobre qual a sua função na creche, tomei como ponto de partida uma pesquisa realizada pelas autoras Placco, Almeida e Souza (2011), sobre coordenador pedagógico. Esta pesquisa visava identificar e analisar os processos de coordenação em cursos em escolas de diferentes regiões brasileiras.

Com a finalidade de se compreender como surgiu esta função, faz-se necessário um breve resgate na legislação educacional do nosso país no que se refere à coordenação pedagógica. Segundo as autoras (PLACCO; ALMEIDA; SOUZA, 2011) a coordenação pedagógica surgiu através da Lei da Reforma Universitária (Lei nº 5540/1968), que instituiu as habilitações do curso de pedagogia- entre as quais a de supervisor escolar.

Ainda segundo as autoras, a maioria dos estados, em decorrência da promulgação da Lei 5692/1971, instituiu a figura de um profissional comprometido com a ação supervisora, com diferentes denominações: supervisor escolar, pedagogo, orientador pedagógico, coordenador pedagógico, professor coordenador etc.

A pesquisa realizada por Placco, Almeida e Souza (2011) revela que nos últimos dez anos, nas redes pesquisadas15, esta função foi estabelecida em todas as escolas e as atribuições inerentes a ela são as mais diversas. As autoras constataram que:

As atribuições desses profissionais, definidas pelas legislações estaduais e/ou municipais são muitas, envolvendo desde a liderança do projeto político pedagógico até funções administrativas de assessoramento da direção, mas, sobretudo, atividades relativas ao funcionamento pedagógico da escola e de apoio aos professores, tais como: avaliação dos resultados dos alunos, diagnóstico da situação ensino e aprendizagem, supervisão e organização das ações pedagógicas cotidianas (frequência de alunos e professores), andamento do planejamento de aulas (conteúdos ensinados), planejamento das avaliações, organização dos conselhos de classe, organização das avaliações externas, material necessário para as aulas, e reuniões pedagógicas, atendimento dos pais, etc, além da formação continuada dos professores. (PLACCO; ALMEIDA; SOUZA, 2011, p. 761).

A partir dos dados desta pesquisa pode-se afirmar que o grande número de ações inerentes à função do coordenador pedagógico pode, de certa forma, ocasionar um movimento de tensão no que diz respeito à construção de sua

15A pesquisa (PLACCO; ALMEIDA; SOUZA, 2011) investigou a coordenação pedagógica em redes

estaduais e municipais das cinco regiões brasileiras, com base de dados colhidos em São Paulo (SP), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Goiânia (GO) e Natal (RN).

35

identidade. Fica o coordenador pedagógico procurando encontrar-se; dividido entre o que lhe é atribuído e o que ele reconhece como suas atribuições.

A este respeito Placco, Almeida e Souza (2011, p. 762) escrevem:

A identidade é definida, então, como processo de construção, imbricado com o contexto, com a história individual e social do sujeito, em que se articulam “atos de atribuição” (do outro para si) e de pertença (de si para o outro), em um movimento tensionado, contínuo e permanente.

Neste movimento de tentar esclarecer qual a função estruturante do coordenador pedagógico no desenvolvimento da prática pedagógica na escola, encontrei em Geglio (2010, p. 118) a seguinte afirmação: “É ele quem, num espírito de parceria e coletividade, conduz o processo, participa, discute, ouve e partilha responsabilidades com os professores, indica ações, enfim, exerce uma posição natural de liderança, de autoridade.”

Placco (2003, p. 55-57) corrobora com Geglio (2010) ao afirmar que o coordenador pedagógico é na escola o profissional que precisa estar atento a fim de indicar caminhos, propor a superação de obstáculos, e, principalmente “cuidar da formação e do desenvolvimento profissional dos professores.” Deste modo “ele deve questionar-se continuamente sobre sua própria ação formadora.”

Amado e Monteiro (2012, p. 4) também elegem, dentre as diversas funções do coordenador pedagógico, a de articular, junto à direção escolar, “redes de aprendizagem que instalem e sustentem” processos de formação de professores. Este processo de articulação deve envolver também os diversos segmentos da escola e é esta ação que, segundo as autoras, vai dar sustentação e efetivar o projeto político pedagógico.

As autoras reconhecem que para assumir as muitas funções e, principalmente a formação continuada de professores caberá ao coordenador pedagógico construir uma relação de confiança com esses sujeitos e a escola precisará reestruturar-se, organizar-se.

Percebe-se até aqui que o papel do coordenador pedagógico no contexto escolar vem sendo alvo de discussões e redefinições. Compreende-se que o coordenador pedagógico é o profissional que, dentro das instituições de educação está permanentemente envolvido na coordenação dos trabalhos dos grupos, na relação com as pessoas, na organização de espaços e/ou materiais.

36

Nesta empreitada, cabe ao coordenador pedagógico avaliar-se e reavaliar-se com frequência a fim de que possa manter com a escola uma relação harmoniosa, aberta, um diálogo franco, constante, permanente.

Zen (2012, p. 9) descreve as escolas como um espaço de aperfeiçoamento profissional, “[...] uma comunidade de aprendizagem, que aprende e se qualifica permanentemente através da reflexão.” Neste cenário, vislumbramos um conjunto de competências atribuídas ao coordenador pedagógico, mas é preciso compreender que este não é um sujeito que sabe todas as coisas; portanto, precisará também estar em formação permanente assim como os professores.

Fica claro que a tarefa do coordenador pedagógico é principalmente assegurar a qualidade do processo educativo oferecido à população. Nas creches, essa tarefa não é diferente. Mas Saitta (1998) argumenta que, devido à recente presença dessas “figuras profissionais” nessas instituições, faz-se necessário um discurso esclarecedor em relação ao seu papel.

A autora tenta definir o papel da coordenação pedagógica na creche atribuindo-lhe três competências, quais sejam: a organização global do serviço (espaços, atividades, materiais e pessoal), a elaboração de pesquisas interdisciplinares (a partir das necessidades das crianças e utilização dos espaços, assim como análise dos momentos da rotina) e a organização da formação permanente dos educadores (conhecimento psicopedagógico sobre a primeira infância, análise das temáticas inerentes à infância, capacidade de construir um projeto educacional etc.).

37

Benzer Belgeler