• Sonuç bulunamadı

2. SUNUCU İŞLETİM SİSTEMİ AYARLARI VE YÖNETİMİ

2.2. Çalışan Sunucuları Yönetme

2.2.2. Bilgisayarım (My Computer) Konsolu

O artigo 475 do Código de Processo Civil estabelece que “Está sujeito ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença” proferida contra a União, o Estado, o Município, o Distrito Federal, e a respectivas autarquias e fundações de direito público. O inciso II desse mesmo dispositivo estabelece ainda a remessa necessária em casos de acolhimento de embargos à execução, total ou parcial, de dívida ativa da Fazenda Pública.

Segundo Nelson Nery Jr. a remessa necessária é uma medida tradicional no direito brasileiro, sem qualquer correspondente no direito comparado308. A remessa necessária, também conhecida como recurso ex-officio sempre foi objeto de constante análise sobre sua efetiva natureza jurídica.

Atualmente, pacificado o entendimento no sentido de que não se trata de um recurso propriamente dito, haja vista a divergência de princípios que o rege e as características que lhe são peculiares. No caso, não tem natureza jurídica de recurso porque, por exemplo, não se faz presente a dialeticidade, a voluntariedade, requisitos, dentre outros, essenciais na sistemática recursal309.

308 NERY JUNIOR, Nelson, Teoria Geral dos Recursos, 6ª ed., São Paulo, RT, p. 76.

309 Ainda sobre o tema, pertinentes as considerações de Nelson Nery Jr. “O recurso para ser considerado

A remessa necessária sempre foi muito criticada. Não obstante, na mesma reforma que levou à adequação dos embargos infringentes, foram inseridas novas disposições no caput do artigo 475, mantendo-se, portanto, o instituto. É interessante destacar que as demais disposições do artigo 475, em especial, a partir da letra “a”, não têm qualquer relação com a remessa necessária, estando inclusive inserida em outro capítulo do código.

Em relação ao tema em análise, o entendimento majoritário da doutrina310-311-312 e da jurisprudência313 sempre foi (tem sido) no sentido de se admitir os embargos infringentes contra decisão proferida em caso de remessa necessária314. O

não se encontra descrita no CPC como recurso (como era, erroneamente, tratada no CPC/39 822), falta-lhe a tipicidade, pois os recursos são enumerados na lei em numerus clausus” (NERY JUNIOR, Nelson, Teoria Geral

dos Recursos, 6ª ed., São Paulo, 2004, RT, p. 77).

310 Luiz Rodrigues Wambier e Teresa Arruda Alvim Wambier, em relação ao tema, posicionam-se: “Ainda

sobre a hipótese de cabimento dos embargos infringentes, cumpre salientar que, embora se tenha antes dito que o duplo grau necessário não se consubstancia em recurso, deve-se considerar serem cabíveis os embargos infringentes quando de remessa obrigatória se tratar” (WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim, Breves Comentários à 2ª fase da reforma do Código de Processo Civil, São Paulo, RT, 2002, p. 135)

311 Para Ernane Fidélis dos Santos “O reexame obrigatório não é recurso. Neste caso, se a parte foi vencida

em primeira instância e não recorreu, conformou-se com a sentença. Mas, se vencedora, passou a ser vencida por maioria de votos, pode embargar porque o interesse nasceu com o julgamento. A jurisprudência, contudo, é discrepante, neste particular, e a tendência parece ser a de se admitirem embargos infringentes, no reexame necessário, sempre que houver voto vencido e a sentença houver sido reformada (art. 530).” (SANTOS, Ernane Fidélis dos, Manual de direito processual civil, 11. ed., vol. 1, São Paulo, Saraiva, 674).

312 ASSIS, Araken de, Admissibilidade dos embargos Infringentes em Reexame Necessário”, in NERY

JUNIOR, Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (Coord), Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e

de outras formas de impugnação às decisões judiciais”, São Paulo: RT, 2001, p. 133/134.

313 Perante o Superior Tribunal de Justiça existem decisões em ambos sentidos. Em acórdão relatado pelo

Ministro Gilson Dipp, constou o seguinte destaque na emenda: “I – Consoante já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, não são cabíveis embargos infringentes contra decisão proferida, por maioria, em remessa necessária” (RESP 402.970/RS). Em sentido oposto, destaca-se o acórdão relatado pelo Ministro Francisco Falcão onde constou o seguinte destaque na ementa: “IV – No julgamento do Recurso Especial nº485.743/ES, relatado pelo Eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (DJ de 02/02/2004), a Egrégia Primeira Turma desta Corte firmou entendimento no sentido de que são cabíveis Embargos Infringentes contra decisão não unânime proferida em sede de remessa ex officio” (RESP 705.982/RS). Nessa mesma linha, foi o entendimento no julgamento do RESP 604.538/PR.

O Supremo Tribunal, antes da criação do Superior Tribunal de Justiça, admitia os embargos infringentes em casos de remessa necessária (RE 113.741/RS). Em outros casos, o entendimento foi no mesmo sentido (RTJ 94/801 e 91/1079). O extinto TFR, inclusive, sumulou entendimento no sentido da admissão dos infringentes: Súmula 77 do TFR “Cabem embargos infringentes a acórdão não-unânime proferido em remessa ex officio (CPC475)”

314 Segundo Barbosa Moreira, razões de ordem sistemática autorizam a utilização dos embargos

infringentes em casos de remessa necessária: “Embora não se identifique com a apelação, nem constitua tecnicamente recurso, no sistema do Código, razões de ordem sistemática justificam a admissão dos embargos infringentes contra acórdãos que por maioria de votos no reexame da causa ex vi legis (art. 475)” (BARBOSA

argumento para justificar essa posição é que a remessa necessária tem, efetivamente, a eficácia de um recurso de apelação315.

Ao se reconhecer essa “eficácia”, não significa dizer que se reconhecem as mesmas características inerentes aos recursos. Prevalece o quanto acima disposto acerca da natureza jurídica da remessa necessária, mas reconhece-se, por conta do resultado que a mesma traz, a similaridade com o resultado que é alcançado somente com o recurso de apelação.

Em sentido contrário, milita o entendimento de que por não ser a remessa necessária efetivamente um recurso, não haveria que se falar em cabimento de embargos infringentes316. Se a regra do artigo 530 é expressa e delimita as hipóteses de apelação e ação rescisória, não sendo a remessa necessária uma apelação propriamente dita, não seria possível, em caso de divergência, a interposição de recurso com o fito de fazer prevalecer o voto minoritário317.

Apesar de reconhecer a existência de argumentos em prol da tese da inadmissão de embargos infringentes em casos de remessa necessária, parece-nos que realmente deva prevalecer o entendimento majoritário no sentido da aceitação do

MOREIRA, José Carlos, Comentários ao Código de Processo Civil, 13ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 2006, vol. V, p. 530)

315 Como bem pondera Sergio Shimura “Embora não seja tecnicamente recurso, tem o mesmo

procedimento e eficácia da apelação” SHIMURA, Sérgio Seiji, Embargos infringentes e seu novo perfil – Lei 10352/2001, in NERY JUNIOR, Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (Coord). Aspectos polêmicos e

atuais dos recursos cíveis de acordo com a Lei 10.352/2001, São Paulo: RT, 2002, 5 série, p. 506.

316 Para Bernardo Pimentel Souza não tem sentido se admitir os embargos infringentes em casos de

remessa necessária. No seu entender “Fixada a premissa de que o instituto do artigo 475 não tem natureza recursal, já é possível solucionar o problema do cabimento dos embargos infringentes contra acórdão não unânime proferido em remessa obrigatória. Ainda que muito respeitável o entendimento em prol do cabimento, a resposta negativa parece ser a melhor, pois a remessa obrigatória não pode ser confundida com o recurso de apelação, e o artigo 530 não inclui o reexame necessário entre as hipóteses de cabimento dos embargos infringentes” (SOUZA, Bernardo Pimentel, Introdução aos recurso cíveis e à ação rescisória, São Paulo, 2007, 4ª Edição, Saraiva, p. 360). Referido autor, destaca o posicionamento de Hermann Roenick no mesmo sentido,

317 O Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento dos embargos de divergência nº 168.837/RJ,

concluiu pela impossibilidade de processamento de embargos infringentes em casos de remessa necessária, sob o fundamento de que deve ser feita uma interpretação restritiva do instituto.

recurso nessas hipóteses. Se o resultado final do recurso ex-officio poderá culminar com a reforma da decisão proferida em primeiro grau, não há qualquer justificativa à inserção de obstáculos aos infringentes.

Como bem aborda Flávio Cheim Jorge, o julgamento do recurso ex-

officio ocorre “da mesma forma que a apelação”318. Ou seja, apesar das características

diversas e as peculiaridades no processamento do recurso/devolutividade da matéria para o órgão julgador, deve-se levar em conta o resultado final para se concluir pela admissão dos infringentes.

Ao se optar pela impossibilidade da utilização dos infringentes, poder-se- ia chegar numa situação absurda, onde seria até mais interessante ao ente publico deixar de interpor recurso de apelação319-320 para, caso reformada a decisão, a parte contrária não ter como recorrer da decisão do Tribunal321.

318 Flávio Cheim Jorge, ao analisar o posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em alguns

casos, inadmitindo os infringentes em remessa necessária, é enfático: “esse entendimento não deve prevalecer. Apesar de a remessa não ser considerada um recurso, o seu procedimento, ou propriamente, o seu julgamento, se dá da mesma forma que a apelação. Através da remessa necessária, o Tribunal tem um amplo poder de reexaminar a causa, podendo, perfeitamente, por exemplo, reformar, por maioria, a sentença que era contrária à Fazenda Pública”. (JORGE, Flávio Cheim, Embargos infringente: uma visão atual, in NERY JUNIOR, Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (Coord). Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis de acordo com a

Lei 9.756/98, São Paulo: RT, 1999, p. 290).

319 Nesse caso, por evidente, optando pelo processamento da remessa necessária, com a devolução para o

Tribunal de toda a matéria em discussão.

320 Leonardo José Carneiro da Cunha utiliza o argumento que levou à edição da Súmula 45 do STJ que

veda a reformatio in pejus na remessa necessária para justificar o cabimento dos infringentes em caso de julgamento por maioria: “Essa mesma premissa deveria servir de fundamento para se permitir o cabimento dos embargos infringentes do julgamento, não unânime, da remessa obrigatória. Isso porque, da mesma forma que sucede no julgamento da apelação, ao decidir o reexame necessário o tribunal reanalisa a sentença, proferindo nova decisão que irá substituí-la (CPC, art. 512), sem poder agravar a situação da Fazenda Pública. Nesse caso, havendo divergência, não há para não se permitir os embargos infringentes”. (CUNHA, Leonardo José Carneiro da, Inovações no Processo Civil, Comentários às Leis 10.352 e 10.358/2001, 1. ed, São Paulo: Dialética, 2002, p. 117).

321 Nelson Rodrigues Netto aborda bem essa hipótese: “Ora, não havendo apelação, os autos subirão ao

Tribunal da mesma forma, ex vi do artigo 475, inciso I. Não se admitindo os embargos infringentes, por hipótese, e vindo a sentença a ser reformada por maioria de votos, acabar-se-ia concluindo que teria sido mais interessante à União se não tivesse apelado, o que não se coaduna com uma interpretação lógica e racional do ordenamento processual” (RODRIGUES NETTO, Nelson, Recursos no processo civil, São Paulo, 2004, Dialética, p. 138).

Diante desse cenário, apesar da remessa necessária não ser efetivamente um recurso, pode-se concluir pelo cabimento dos embargos infringentes sempre que houve reforma, por maioria de votos, nos casos elencados no artigo 475 do Código de Processo Civil.

Benzer Belgeler