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Bilginin Problematik Durumu

Belgede İdea bilgisinin kritiği (sayfa 75-89)

BÖLÜM 2: İDEA BİLGİSİNİN KRİTİĞİ

2.2. Bilginin Problematik Durumu

No capítulo anterior ficou demonstrado como a característica dos direitos se vincula diretamente ao modelo de Estado de direito no qual se desenvolvem. Aqui veremos que no Estado social os direitos denominados de segunda geração agregam características sociais, de ordem coletiva, e se coadunam com um Estado intervencionista e promotor de políticas públicas.

A segunda dimensão de direitos vem como resposta à intolerância e à passividade do Estado. As pessoas passam a exigir prestações positivas que melhorem suas condições de vida. Desabrocha então o dirigismo contratual. Este significa a maior interferência do Estado nas relações jurídicas firmadas a fim de assegurar maior igualdade de condições na pactuação da força de trabalho. Dessa maneira, o dirigismo busca amenizar a desproporcionalidade de forças dos indivíduos e revisita a aplicação pura da autonomia da vontade.

O contexto histórico que propiciou o surgimento dos direitos humanos de segunda geração é, de forma remota, a Revolução Industrial européia no século XIX. Diante de condições de trabalho precárias os trabalhadores começam a organizar e a demandar normas de proteção ao trabalho e de assistência social.

Por isso que os direitos dessa geração são de índole social, cultural, econômica e coletiva. Do mesmo gênero, temos o Pacto Internacional sobre direitos Econômicos, Sociais e Culturais, as recomendações da Organização Internacional do trabalho (OIT), bem como as Constituições mexicana e alemã, já referidas.

Os direitos humanos de segunda geração são típicos do Estado social em que há a mudança dos ordenamentos jurídicos, numa franca tendência à constitucionalização. Eles correspondem ao lema da igualdade, têm como ator principal o grupo e como pano de fundo o Estado social, que deixa de lado a passividade liberal e passa a ter um papel ativo na sociedade140.

Os direitos dessa natureza não surgiram com inicial e total aceitação por parte do Estado. Foi necessário um período de transição para que se afirmassem a existência e a importância desses direitos, razão pela qual surgiram desprovidos de instrumentos jurídicos que lhe assegurassem eficácia imediata.

Esse período de baixa normatividade ou de eficácia duvidosa se deu pelo fato de exigirem do Estado prestações materiais. Ocorre que os Estados nem sempre conseguiam efetivá-los por exigüidade, carência ou limitação essencial de meios e recursos. Por isso que em muitas Constituições os direitos de segunda geração foram remetidos à esfera programática141.

O Estado social se caracteriza por ser promocional e intervencionista. Também pelo fato de os cidadãos dele exigirem uma posição ativa de realização dos direitos trabalhistas e assistenciais. Por isso que os direitos de segunda geração têm natureza promocional. Eles ultrapassam a barreira da liberdade, forma de um típico do Estado liberal e assumem tais direitos feições de igualdade substancial de um típico Estado social.

140 LENZA, Pedro. As transformações do Estado e a multiplicação dos direitos. In: Teoria Geral da Ação Civil

Pública. 2.ed. rev. ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 28.

Da mesma forma, os direitos fundamentais desse período adquirem feição promocional. Porém, não obstante detenham essa característica promocional mais forte não abandonam seu aspecto de garantias negativas. Ou seja, tanto o Estado quanto os particulares continuam tendo o dever de não ofender direitos fundamentais de segunda geração142.

Manoel Gonçalves Ferreira Filho situa a origem dos direitos de segunda geração na Constituição francesa de 1848, relatando que nelas estão garantidos direitos dos trabalhadores à educação.

Não há dúvida, entretanto, que o principal documento da evolução dos direitos fundamentais para a consagração dos direitos econômicos e sociais foi a Constituição francesa de 1848. Esse 1848 foi na Europa um ano de graves conflitos, de revoluções, uma das quais foi a que derrubou na França a monarquia orleanista. Ora, um elemento importante nesses movimentos, e particularmente no que ocorreu em Paris, foi a atuação dos trabalhadores e dos desempregados. A conotação social da revolução que levou à segunda república é nítida. A constituição então elaborada, promulgada em 4 de novembro, é precedida de um preâmbulo e contém um capítulo no qual se enunciam os direitos por ela garantidos143.

Como visto, os direitos humanos de segunda geração são conquistas da reivindicação popular, notadamente dos trabalhadores e seus sindicatos. São direitos típicos de um Estado promocional que se preocupa com a questão social e implementa direitos econômicos, sociais e culturais. Além disso, enquanto direitos fundamentais servem de barreira à autonomia privada, que deve agora ser balizada pelos princípios constitucionais, notadamente a dignidade da pessoa humana.

142 FACHIN, Luiz Edson; RUZYK Carlos Eduardo P. Direitos fundamentais, dignidade da pessoa humana e o novo Código Civil: uma análise crítica. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos

fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 100.

143 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Direitos humanos fundamentais. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 45-46.

O viés promocional dos direitos de segunda geração significa novo tratamento da igualdade, que passa a ser concebida sob o aspecto substancial. Tais direitos se diferem dos direitos de primeira geração na medida em que demandam atuação positiva do Estado. Para tanto, para efetivar os direitos de segunda geração é preciso que o Estado sofra adequações notadamente sob a perspectiva de sua atuação gerencial que deve:

a) regulamentar por lei a prestação e o gozo de tais direitos na sua extensão, forma e requisitos, o que pressupõe opções políticas;

b) destinar recursos para o custeio da atuação do Estado em tais áreas, o que pressupõe sua viabilidade econômica e financeira;

c) contar com a eficiência da Administração na execução dos respectivos programas, o que pressupõe a priorização da área social144.

Enfim, as transformações ocorridas na concepção de objetividade e de valores, propiciadas pelo advento do Estado social, fez com que os princípios da igualdade e da liberdade tomassem um novo sentido. Eles deixam de ser direitos de defesa contra atos arbitrários do Estado e adquirem uma dimensão promocional a exigir a atuação efetiva do Estado.

Como visto mais uma vez, as transformações históricas da sociedade e da economia determinam diretamente mudanças no pensamento filosófico, cultural, na ciência do direito e na ciência jurídica.

Da mesma maneira caminham os direitos do homem. Para Bobbio constituem uma classe variável como a história desses últimos séculos demonstra suficientemente. De fato, o rol dos direitos do homem se modificou e continua a se modificar. E também continuam as transformações das condições históricas, dos interesses das classes no poder e dos meios disponíveis para a realização dos mesmos.

144 PAULSEN, Leandro. A eficácia dos direitos fundamentais sociais. N. 01, março 2003. Porto Alegre: AJUFERGS, 2003, p. 3.

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