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Bilgi Toplumu ve Eğitim

1.1. Kuramsal Bağlam

1.1.2 Bilgi Toplumu

1.1.2.7 Bilgi Toplumu ve Eğitim

Evandro Fiorin

Arlete Maria Francisco

Cristina Maria Perissinotto Baron Hélio Hirao

Faculdade de Ciências e Tecnologia, Unesp, Presidente Prudente, Unesp, SP, Brasil [email protected]

Apresentação

Nas últimas décadas, o avanço tecnológico na área da informática possibilitou novas formas de representação e de elaboração do projeto arquitetônico e urbanístico. A cons-

tituição dos chamados Fab Labs1 que designam plataformas de prototipagem rápida –

constituídos há menos de uma década nos Estados Unidos para pesquisas e que, mais recentemente, se instituíram na Europa como “Fab Labs Acadêmicos” – são uma aposta para “democratizar” o acesso à vanguarda de uma nova revolução industrial, um terreno fértil para a inovação (EYCHENNE; NEVES, 2013).

Em 2013, por meio do projeto “Inovação dos métodos de ensino e aprendizagem nos processos criativos de arquitetura e urbanismo” contemplado pelo Programa de Melhoria do Ensino de Graduação, promovido pela Pró Reitoria de Graduação, o Curso de Arquite- tura e Urbanismo da FCT-Unesp adquiriu diversos equipamentos para a constituição de um “Fab Lab Acadêmico”.

Entretanto, a operação desses equipamentos, apesar de ser intuitiva e dinamizada pelo livre processo criativo dos discentes (a ser incentivada pelos docentes), precisa ser delineada, também, por novos métodos de ensino-aprendizagem, sobretudo em projeto de arquitetura e urbanismo. O perfil do professor de projeto não pode mais ser entendido como o projetista de escritório, que faz da sala de aula um braço de sua prática profissio-

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nal; nem daquele perfil de docente politicamente engajado que sobrepõe o tempo da pes- quisa ao do projeto, mas cujo resultado nunca sai do papel. O “novo professor” é, sobre- tudo, um pesquisador-educador e seu local de trabalho é junto dos laboratórios, dos grupos de pesquisa, dos escritórios-modelo e dos núcleos de extensão, o que possibilita garantir um retorno à comunidade do conhecimento que se produz na Universidade (VE- LOSO; ELALI, 2003).

Com o advento da informática, houve uma grande revolução nos processos de re- presentação e apresentação dos projetos arquitetônicos e urbanos, sobretudo pela possi- bilidade de vislumbrá-los terminados, antes mesmo de serem construídos, seja por meio de belas imagens renderizadas na tela do computador ou por meio de protótipos elabo- rados nas impressoras 3D. Há, entretanto, uma confusão entre representação e produção de informação.

Na maioria das vezes, programas como o Autocad2 apenas substituem a prancheta,

deixando de serem entendidos, sobretudo, como possibilidades de constituir uma nova linguagem. Nesse sentido, muitos projetos de edifícios tendem a ser, inoportunamente, mascarados por imagens em 3D, enquanto não passam de propostas convencionais que impedem enxergar a crescente pobreza criativa dos últimos tempos.

Todavia, não podemos dizer que a representação por computador exclui o processo criativo, muito pelo contrário. Pouco a pouco, a computação gráfica vem deixando de ser uma ferramenta meramente ilustrativa para tornar-se um instrumento do processo de criação, ideia que pode ser cabalmente expressa em alguns trabalhos, tal como o do ar- quiteto americano Peter Eisenman. Além disso, os novos softwares de imagens e de pro- totipagem podem auxiliar na restauração de edifícios antigos, redesenhando-os e simu- lando, por exemplo, as suas condições estruturais, como no caso da Catedral da Sagrada Família, em Barcelona, projetada por Antoni Gaudí, no final do século XIX. Graças às projeções em CAD/CAM, os estudos incompletos do arquiteto catalão estão sendo termi- nados (FLORIO, 1997).

Nesses termos, o advento da informática na arquitetura, urbanismo e patrimônio edificado tem seus ganhos porque circunscreve uma possibilidade de transferência tec- nológica de outras matrizes científicas para o campo das ciências sociais aplicadas, como é o exemplo das novas modelagens obtidas por meio do CATIA – programa usado pela in-

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Créditos

dústria aeronáutica para construir aviões e utilizado pelo estúdio do arquiteto Frank O. Gehry. Esse canadense radicado nos Estados Unidos se apropriou deste recurso eletrônico para projetar, calcular e conseguir formas inusitadas em três dimensões, desde projetos mais simples, como o de uma escultura erguida em uma praia de Barcelona (1992), até um dos marcos da arquitetura mundial do final do século XX: o Museu Guggenheim de Bilbao (1997), na Espanha (FIORIN, 2000).

Desde então, assistimos a uma avalanche de novos projetos e obras que agora “pu- pulam” pela world wide web, em imagens virtualizadas – e já são poucos os arquitetos que estão fora da internet. Todos procuram divulgar web-sites contendo seus principais pro- jetos, cada vez mais miraculosos e impalpáveis do ponto de vista do que acreditamos ser o cerne da disciplina, ou seja, a própria construção. Esse distanciamento é cada vez mais comum (vide alguns projetos do arquiteto Marcos Novak – apenas virtualmente factíveis) e, apesar de gerar informação nova, tem, como risco, fazer da tarefa do arquiteto um mero instrumento de comunicação. Talvez, os maiores reflexos dessa tendência sejam os con- cursos de arquitetura e os projetos encomendados aos arquitetos do star system, já que poucos deles saem do papel, reduzidos às imagens dos softwares hiper-realistas, ou a uma arquitetura e urbanismo puramente publicitários (FIORIN, 2009).

Nessa perspectiva, surgiu o projeto da visita docente à Escuela Técnica Superior de

Arquitectura de Sevilla, da Universidad de Sevilla, em Sevilha, Espanha, ocorrida no perío-

do de 02 a 09 de maio de 2015, fruto do Edital Visita Docente/2014 proposto pela Pró- -Reitoria de Graduação da Unesp, com o objetivo de conhecer e compreender novos mé- todos de ensino-aprendizagem em projeto de arquitetura e urbanismo, capazes de incentivar a criatividade dos discentes, mas também, capacitá-los à inovação consciente em projetos de arquitetura e urbanismo e patrimônio, os quais sejam exequíveis e aptos a transformar a nossa complexa realidade no Brasil.

A escolha da Universidad de Sevilla (US) para a realização da visita foi devido ao fato desta despontar nas áreas de fabricação digital, projeto de arquitetura e urbanismo e patri mônio e, também, pela existência de um convênio firmado entre as instituições Unesp-US (Processo AREX 00200/104/01/2011), o que facilitou o intercâmbio.

O projeto foi coordenado pelo Prof. Dr. Evandro Fiorin e teve, como colaboradores: Profa. Dra. Arlete Maria Francisco, Profa. Dra. Cristina Maria Perissinotto Baron e Prof. Dr. Hélio Hirao do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FCT-Unesp, câmpus de Presiden- te Prudente; Prof. Dr. Samir Hernandes Tenório Gomes do Curso de Arquitetura e Urba-

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