3. ARAŞTIRMA BULGULARI
3.1. Bileşiklerin Yapı Analizleri
3.1.1. Bileşik 7’nin Yapı Analizi
A admirável ordem matemática, que deslumbrou físicos e metafísicos na modernidade, não é algo positivo, mas um “sistema de negatividades181” que “exprimem uma deficiência do
querer182” e que foi criado concomitantemente à extensão no espaço pela inversão de um
movimento original,183por uma interrupção ou diminuição da realidade positiva, psicológica,
espiritual. Esse movimento original é o movimento criador, é a marcha avante da espiritualidade184cuja distensão culminou no espaço185. A complicação da ordem matemática
não cria, mas é ela própria criada pela distração da potência criadora, pelo relaxamento do inextenso em extensão, da liberdade em necessidade186. Já o esforço da vida, a ordem “do vital
e do voluntário” em oposição à ordem “do inerte e do automático, é “aquilo que subsiste do movimento direto no movimento invertido, uma realidade que se faz através daquela que se
desfaz.”187
178 BERGSON. L´évolution créatrice Introdução, p. IX 179Ibid. Introdução, p. X
180Ibid. Introdução, p. IX 181Ibid. p.209
182Ibid. p.210 183Ibid. p.211
184“ si l'on entend pas spiritualité une marche em avant à des creátions toujours nouvelles, à des conclusions
incommensurables avec les prémisses et indeterminables par rapport à elles, on devra dire d'une representation qui se meut parmi des rapports de determination nécessaire, à travers de premisses qui contiennent par avance leur conclusion, qu'elle suit la diretion inverse, celle de la matérialité.” (Ibid. p.213)
185Ibid. p.213 186Ibid. p.218-219 187Ibid.p.225
Está claro que, ao refutar a tese de que a faculdade de conhecer abrange a totalidade da experiência, Bergson aponta para um tipo de “conhecimento” que está no cerne de sua cosmologia e que não é meramente intelectual ou racional. Esse “conhecimento” é a intuição, que aqui aparece não simplesmente como método filosófico, mas como tensão ou esforço por meio do qual a intelectualidade se reinsere na forma de existência mais vasta e mais alta que a gerou188. Essa forma de existência “mais vasta e mais alta” é a espiritualidade, em contraposição
à materialidade e à intelectualidade.189O caminho para atingi-la é o caminho da introspecção,
da circunspecção, da interiorização:
Concentremo-nos, portanto, sobre aquilo que nós temos de mais afastado do exterior e menos penetrado de intelectualidade. Procuremos, no mais profundo de nós mesmos, o ponto onde nos sentimos mais interiores à nossa própria vida. É na duração pura que nós mergulharemos então. Uma duração onde o passado, sempre em marcha, se avoluma incessantemente de um passado sempre novo190.
O acesso àquela forma mais alta de vida da qual saíram o intelecto e a matéria, pressupõe um salto, um mergulho no próprio ser, no eu profundo, cujo conteúdo é estranho à lógica habitual, ao meio racional com o qual já estamos habituados. A superação da inteligência sugerida por Bergson não advém, portanto, de uma inteligência que especula sobre si mesma, mas de uma vontade que absorve em si o pensamento, de um espírito que volta sobre si a sobra de atenção que começou por dedicar à matéria e, dilatando-se, bate-se contra as bordas do inconsciente que busca iluminar. Diante dos fatos biológicos que apresentam a evolução da vida, Bergson troca as tentativas tradicionais de compreensão, baseadas em esquemas matemáticos, por aproximações de ordem psicológica: “Quem busca a coincidência com a duração deve se pôr no ponto de vista do todo; quem se põe no ponto de vista do todo, se põe em face da duração e porque a duração é de essência psicológica, o esquema da totalidade é de origem psicológica.191”
A possibilidade de um esforço desse gênero é demonstrada, segundo Bergson, pela “existência, no homem, de uma faculdade estética ao lado da percepção normal.192” O artista
188“Intellectualité et matérialité se seraient constituèes, dans le détail, par adpatation recíproque. L'une et l'autre
dériveraient d'une forme d'existence plus vaste et plus haute.” Ibid.p.188
189“Au fond de la 'spiritualité' d'une part, de la 'materialité' avec l'intellectualité de l'autre, il y aurait donc deux
processus de direction opposée, et l'on passerait du premier au second par voie d'inversion, peut-être même de simple interruption” (Ibid. p. 202)
190Ibid. p. 201
191 GOUHIER, Henri. Bergson et le christ des évangiles. p.60 192 BERGSON. L'évolution créatrice. p.178
tenta apreender não apenas os traços dos seres vivos, justapostos uns aos outros, mas sim a intenção da vida, e o faz “se colocando no interior do objeto por uma espécie de simpatia, abaixando, por um esforço de intuição, a barreira que o espaço interpõe entre ele e seu modelo.193” Mas enquanto a intuição estética apreende apenas o individual, a intuição filosófica
concebida e aplicada por Bergson tomaria por objeto a vida em geral.194 Essa intuição, mesmo
permanecendo uma “nebulosidade vaga”, orientará a filosofia que, ciente dos limites da inteligência para a compreensão da vida, terá uma sugestão daquilo que pode fazer para alargá- la.
Para quebrar o círculo vicioso do raciocínio é preciso mergulhar no “oceano de vida” que nos banha e do qual haurimos a própria força para agir e para refletir. É preciso dar um salto, assumir os riscos de uma intuição que é também um “esforço doloroso195”, uma vez que
viola bruscamente a natureza, pondo a inteligência na direção inversa da sua inclinação natural. Esse esforço de intuição só pode ser sustentado por alguns instantes, instantes esses que serão suficientes ou para a construção de um sistema filosófico ou para a renovação da própria filosofia, que buscará constituir-se como desenvolvimento metodológico pautado pela intuição à qual se vincula e não como estrutura conceitual que a solidifica e sufoca. A experiência apontada por Bergson no âmago da sua cosmologia é, pois, a da coincidência da consciência com o seu princípio196, é a reinserção do “nosso ser em nosso querer e nosso querer ele próprio
na impulsão que ele prolonga”197. A intuição que nos fará “engendrar a inteligência198” é uma
visão do espírito, não uma visão do intelecto:
Ensaiemos ver não mais com os olhos apenas da inteligência, que só apreende o já feito e que olha de fora, mas com o espírito, ou seja, com esta faculdade de ver que é imanente à faculdade de agir e que jorra, de certo modo, da torção do querer sobre ele mesmo199
Já vimos que intuir é pensar em duração, ou seja, colocar-se no dinâmico e não no estático. A intuição do vital põe o filósofo no gesto criador200, no movimento direto, na realidade que se
193Ibid. p. 178
194 BERGSON. L'évolution créatrice p. 178 195Ibid. p.238
196Ibid. p.238 197Ibid. p.240
198“ Mais l'instinct et intelligence se détachent l'un et l'autre […] sur un fond unique, qu'on pourrait appeler, faulte
d'un meilleur mot, la Conscience em géneral, et qui doit être coextensive à la vie universelle. Par là nous faisons entrevoir la possibilité d'engendrer l 'intelligence, em partan de la conscience qui l'enveloppe” (ibid. p.187)
199 Ibid. p. 251 200 Ibid. p. 248
faz. Não há, pois, “coisa” que cria ou “coisa” criada. O que há é o movimento direito (que é espírito) e o movimento invertido (que devém matéria): “não há coisas, há apenas ações201”.
Assim é, segundo Bergson, em nosso planeta e assim deve ser, pondera o filósofo, em todos os outros202, pois – como o mostra a observação das nebulosas em vias de formação - “o universo
não está feito, mas faz-se incessantemente. Cresce indefinidamente, sem dúvida, pela adjunção de mundos novos.203” Todo esse dinamismo universal teria um centro “de onde jorrariam os
mundos como os foguetes de um imenso buquê.204”. Esse centro, desde que seja tomado não
como coisa, mas como “continuidade de jorro”, pode ser chamado Deus que, “assim definido, nada tem de já pronto; é vida incessante, ação, liberdade”205.