3. ARAŞTIRMA YÖNTEMİ
3.2. Bibliyometri ve Bibliyometrik Analiz
Finalmente, em 2 de janeiro de 1920, atendendo às expectativas da comunidade médico-sanitarista, foi aprovada pelo Congresso Nacional, a lei nº 3.897, referente a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública – DNSP, subordinado ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Ao DNSP foram
designados: os serviços de higiene no Distrito Federal abrangendo a profilaxia geral e específica das doenças transmissíveis; os serviços sanitários dos portos marítimos e fluviais; a profilaxia rural no Distrito Federal, nos estados e no território do Acre; o estudo da natureza, etiologia, tratamento e profilaxia das doenças transmissíveis; o fornecimento de soros, vacinas e de outros produtos destinados ao combate de epidemias em quaisquer regiões do país; o fornecimento de medicamentos oficiais; exame químico de gêneros alimentícios de procedência nacional ou estrangeira; a inspeção médica de imigrantes e outros passageiros com destino aos portos da República; a assistência aos morféticos (leprosos) e aos doentes que deveriam ser isolados, no Distrito Federal; organização e publicação de estatísticas sanitárias; o serviço de fiscalização dos esgotos e construção de novas redes no Distrito Federal; a fiscalização de produtos farmacêuticos, vacinas e outros produtos biológicos expostos à venda; e a organização do Código Sanitário que a ser submetido à aprovação do Congresso Nacional.120
O novo código sanitário (1920) deu maiores poderes ao governo federal para intervir nos estados. Em poucos meses, onze estados haviam firmado acordos com o governo central para a criação de postos de profilaxia no interior. Sete estados eram da região norte e nordeste. Em 1922, perto de 100 postos de saúde estavam operando, além dos postos abertos pela International Health Commission da Fundação Rockefeller.121
Como podemos verificar as atividades do DNSP não ficaram restritas ao Distrito Federal, como era a característica inicial da Diretoria Geral de Saúde Pública. Apesar de alguns serviços terem sido direcionados para o atendimento a outras regiões do país, foi mantida a sua posição de não interferir nas questões de saúde pública das unidades da federação, conforme definido na Constituição de 1891. No entanto, as ações voltadas para as endemias e as epidemias passaram a ser coordenadas pelo DNSP. Deve-se notar, também, que ao apoiar o combate às
119 HOCHMAN, 1998, p. 80.
120 Lei nº 3.987, de 2 de janeiro de 1920 – Publicação Original – Portal Câmara dos Deputados.
Disponível em: <www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1920-1929/lei-3987-2-janeiro-1920-570495- publicacaooriginal-93627-pl.html>. Acesso em: 26 ago. 2013.
epidemias em qualquer região do país, o Governo Federal demonstrou preocupação com a interdependência social entre as unidades da federação.
Os serviços atribuídos ao DNSP foram distribuídos por três diretorias, com funções bem definidas: Diretoria dos Serviços Sanitários Terrestres na Capital Federal; Diretoria de Defesa Sanitária Marítima e Fluvial; e Diretoria do Saneamento e Profilaxia Rural. Cabe ressaltar que a esta última, estavam subordinados os serviços relacionados à profilaxia e ao combate das endemias rurais nos estados, as epidemias em qualquer região do país, bem como a promoção de acordos entre os governos estaduais e municipais com o objetivo de facilitar tais ações.122
A criação do Departamento Nacional de Saúde Pública foi um marco divisor nas políticas de saúde pública no Brasil, pois a Diretoria Geral de Saúde Pública e a Liga Pró-saneamento perderam a sua função e foram extintas. A partir de 1920, a centralização da saúde se tornaria cada vez mais efetiva possibilitando uma melhor distribuição dos recursos existentes. Em 1923, os intelectuais participantes da extinta Liga Pró-saneamento fundaram a Sociedade Brasileira de Higiene, que serviu como base de apoio à atuação do DNSP. O estabelecimento de convênios entre o Governo Federal e a Fundação Rockfeller permitiu ampliar a atuação nas endemias do interior do Brasil, como ocorreu com a febre amarela.123
Para Castro Santos a década de 1920 foi o período de maior politização do movimento sanitário brasileiro, uma vez que as políticas de saúde se aproximaram ao que havia sido idealizado por seus defensores, como Belisário Pena e Monteiro Lobato, onde os olhares se voltaram para os sertões. Porém, no período pós-1930 o movimento sanitarista perdeu o vigor apresentado durante os últimos 15 a 10 anos anteriores ao fim da Primeira República. A entrada do Governo Vargas direcionou o
121 CASTRO SANTOS, Luiz Antônio de. O pensamento sanitarista na Primeira República: uma
ideologia de construção da nacionalidade. Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v.28, n.2, p.193-210, 1985. p. 12.
122 Lei nº 3.987, de 2 de janeiro de 1920 – Publicação Original – Portal Câmara dos Deputados.
Disponível em: <www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1920-1929/lei-3987-2-janeiro-1920-570495- publicacaooriginal-93627-pl.html>. Acesso em: 26 ago. 2013.
123 Para discussão detalhada sobre o período 1920-1930 ver: COSTA, 1986, p.99-116 e HOCHMAN,
combate às endemias para o atendimento das necessidades de atividades econômicas, como foi o caso do saneamento da área que seria explorada no vale do Rio Doce. Mesmo assim, as bases lançadas pelo movimento sanitário dos anos 20 permaneceram após a Revolução de 1930.124
Doenças – como a lepra, a tuberculose e as venéreas – que até aquele momento não estavam sendo adequadamente consideradas como verdadeiros problemas nacionais, passaram a receber o necessário destaque dentro da estrutura de saúde. Para orientar ações neste campo, foram instituídas pelo regulamento do DNSP as Inspetorias de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, e a de Profilaxia da Tuberculose. A primeira delas ficou subordinada diretamente a Diretoria Geral do DNSP, com abrangência em todo o país, e a segunda ficou subordinada à Diretoria dos Serviços Sanitários do Distrito Federal com abrangência, restrita ao Distrito Federal.125