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Considerando que durante a infância há uma constante busca pelas relações (pessoas, objetos, ambiente), é por meio da manipulação, da interação, da curiosidade, do conhecimento do mundo que a cerca que a criança constrói aprendizagens e desenvolve-se, não há como negligenciar também a importância da organização de um ambiente adequado para seu desenvolvimento nas instituições dedicadas à infância.

[...] a organização da sala de aula tem influência sobre os usuários determinando em parte o modo como professores e alunos sentem, pensam e se comportam. Desta forma, um planejamento cuidadoso do ambiente físico é parte integrante de um bom manejo do ensino em sala de aula. (CARVALHO; RUBIANO, 2008, p. 107-108).

Assim, é preciso que as crianças possam explorar, criar, manipular, elaborar perguntas e hipóteses, iniciando a produção de suas próprias teorias. Como afirmam Horn (2004) e Barbosa (2007), trabalhar com essa faixa etária requer como tarefa fundamental a organização dos espaços internos e externos da escola. Nas escolas italianas,

A fim de agir como um educador para a criança, o ambiente precisa ser flexível; deve passar por uma modificação freqüente pelas crianças e pelos professores a fim de permanecer atualizado e sensível às suas necessidades de serem protagonistas na construção de seu conhecimento. Tudo o que cerca as pessoas na escola e o que usam – os objetos, os materiais, as estruturas – não são vistos como elementos cognitivos passivos, mas, ao contrário, como elementos que condicionam e são condicionados pelas ações dos indivíduos que agem nela. (GANDINI, 1999, p.157).

Os objetos de uma sala de aula, “dependendo de como estiverem organizados, irão constituir um determinado ambiente de aprendizagem que condicionará necessariamente a dinâmica de trabalho e as aprendizagens que são possíveis nesse cenário” (FORNEIRO, 1998, p.237, grifo do autor). O espaço faz parte de um currículo

invisível e silencioso – ou seja, a criança apreende e internaliza seus significados. A forma como o mobiliário é organizado, por exemplo, pode ser um motivador de encontros e ocupação de pequenos grupos para brincadeiras e realização de diferentes propostas ou, pelo contrário, pode restringir a circulação das crianças e, dessa forma, dificultar a relação e trocas entre elas. Para Carvalho e Rubiano,

(Em uma sala de aula organizada de forma tradicional) indiretamente a disposição das carteiras envia mensagens aos alunos sobre a expectativa que se tem em relação aos seus comportamentos, ou seja, é esperada a não-ocorrência de interação entre eles, aquela disposição foi provavelmente planejada para inibir a discussão entre os estudantes. (CARVALHO; RUBIANO, 2008, p.108).

É no cenário da escola que acontece o conjunto de relações pedagógicas que pode, conforme Kishimoto (2001), ampliar ou restringir um ambiente educativo. A forma de organização das salas de aula deve possibilitar diferentes experiências nos variados aspectos – corporal, afetivo, social e cognitivo –, que permitam a expressão das diferentes linguagens da criança (BARBOSA, 2007).

O ambiente deve ser preparado de forma a provocar novas aprendizagens e interações, o que implica flexibilidade na organização no decorrer do ano, pois as crianças crescem, mudam seus interesses e necessidades: esses aspectos devem ser previstos pelos educadores. As possibilidades de encontro com outras crianças, de diferentes faixas etárias, nesse momento, também se revelam, conforme descrito por Sekkel e Gozzi,

[...] muito proveitosas, tanto para as mais velhas quanto para as mais novas que experenciam e aprendem a articular seus diferentes pontos de vista e interesses, nas relações umas com as outras. Além disso, no contato com parceiros mais experientes, as crianças são capazes de realizar ações que estão além de sua capacidade real. (Dutoit, 1999) (SEKKEL; GOZZI, 2003, p.20).

Carvalho e Rubiano (2008, p. 110-111) citam o trabalho de David & Weinstein (1987) que apresenta a ideia de que os ambientes pensados e construídos para receber crianças deveriam preocupar-se com cinco questões relacionadas à promoção do desenvolvimento infantil: promover a identidade pessoal – uma vez que os indivíduos estão inseridos em um contexto histórico-cultural, é recomendável que as crianças possam ter “seus próprios objetos, personalizar o espaço e, sempre que possível, participar nas decisões sobre a organização do mesmo;” promover o desenvolvimento

da competência – o ambiente deve ser planejado, para que as crianças tenham autonomia na realização de atividades rotineiras, como beber água, acender ou apagar as luzes, acesso a brinquedos e materiais; promover oportunidades para crescimento, que envolvem a realização de movimentos corporais diversos, como andar, correr, subir, descer, pular, engatinhar, entre outros, e estimulação dos sentidos por meio da experimentação das variações sensoriais presentes na natureza – “[...] tem sido recomendado prioritariamente o desenvolvimento de atividades em espaços abertos. E espaços internos, especialmente os destinados à crianças pequenas, devem se abrir sempre que possível, para áreas externas cobertas e não não-cobertas”; promover a sensação de segurança e confiança, que possibilita à criança explorar o ambiente; promover oportunidades para contato social e privacidade, variando as áreas para isolamento, momentos de pequenos e grandes grupos.

Para as autoras,

[...] a criança participa ativamente em seu desenvolvimento através de suas relações com o ambiente, especialmente pelas suas interações com adultos e demais crianças (coetâneas ou mais velhas), dentro de um contexto sócio-histórico específico. Ela explora, descobre e inicia ações em seu ambiente: seleciona parceiros, objetos, equipamentos e áreas para a realização de atividades, mudando o ambiente através de seus comportamentos. (CARVALHO; RUBIANO, 2008, p.116-117).

Entretanto, salientam também a influência que os ambientes exercem no comportamento infantil e como declaram os objetivos e as expectativas de desenvolvimento infantil dos adultos que os organizam.

Machado (2008, p.40) destaca a necessidade do planejamento e avaliação do espaço institucional da Educação Infantil, uma vez que ele é um espaço de socialização da criança que estará “permanentemente, realizando atividades em grupo. Neste sentido, a instituição educativa constitui-se, potencialmente, de um espaço possibilitador de uma variedade muito maior de experiências interativas para as crianças.” Assim, o adulto tem grande responsabilidade na promoção das interações por meio da organização dos espaços para as crianças.

4.2 Em busca de um paralelo: a abordagem de Reggio e suas relações com as

Benzer Belgeler