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BİRİM H4.2: Onaylanan 1/1000 ölçekli

Belgede 2021 YILI PERFORMANS PROGRAMI (sayfa 101-106)

TABLO-5 FAALİYETLERDEN SORUMLU HARCAMA BİRİMLERİNE İLİŞKİN TABLO

BİRİM H4.2: Onaylanan 1/1000 ölçekli

Denominamos como sujeitos da pesquisa um grupo formado por sete ex-normalistas e uma ex-professora da Escola Normal Regional Nossa Senhora do Carmo, com faixa etária entre 67 e 96 anos. Todas exerceram o magistério e encontram-se aposentadas. Seis, dentre as sete ex-normalistas, são radicadas na cidade de Belo Jardim – a sétima está na cidade de Recife.

O seleto grupo de professoras, ex-normalistas da Escola Nossa Senhora do Carmo, era formado, em sua maioria, pelos ex-alunos e alunas do Instituto São Luiz, considerado, à época, como a melhor instituição de ensino da cidade, sendo a única opção privada. Essa referência credenciara seus proprietários à abertura da Escola Normal, salvaguardados pelo poder público municipal e sob as bênçãos da igreja matriz local. O ingresso no curso normal era feito após aprovação no exame de admissão, quando se iniciava o curso para habilitar-se como regente do ensino primário ainda muito jovem.

As informações orais foram nos conduzindo ao grupo de entrevistadas. A ausência de registro ou cadastro dos discentes que trouxesse esse tipo de referência ficou fora do nosso alcance. O pequeno porte da cidade de Belo Jardim facilitou nosso acesso às fontes orais. A maioria das entrevistadas ainda mora na mesma área em que morava na época de normalista.

As residências delas mantêm-se muito próximas – exceto uma delas que mora em outra cidade. Ainda hoje dividem lembranças, sentam-se para relembrar passagens da vida de normalistas, utilizam-se, às vezes, das lembranças umas das outras para completar o quebra-cabeça dos eventos lembrados. Assim, o conteúdo das lembranças individuais torna-se a memória do grupo ou da instituição (Bossi, 2010).

As casas das ex-normalistas e da ex-professora da Escola Normal foram atenciosamente abertas às nossas indagações. Seus arquivos e depoimentos nos foram confiados. Entregaram à história a confiança na sua capacidade de representar o passado.

O resgate das reminiscências do curso normal, da vida familiar, das práticas religiosas, do cotidiano da cidade, do jeito de professora foram-nos apresentados por meio dos arquivos selecionados, dos eventos destacados, da percepção sobre os novos arranjos promovidos na cidade à época, de um mapa afetivo e das suas relações com um tempo vivido e com o presente. Para Ricoeur (2007), essa dinâmica garante-se graças à abertura de um rico acervo memorialístico que ainda não foi tragado pelo esquecimento nem sepultado nele.

Nossas interlocuções com os sujeitos da pesquisa foram acompanhadas pela exposição de fotografias, documentos escritos e não escritos, marcados pela passagem do tempo. A memória individual, de propriedade das ex-normalistas, auxiliava na composição da memória coletiva sobre a Escola Normal Regional Nossa Senhora do Carmo.

A emoção da narrativa colocava o passado bem presente. As lembranças eram nostálgicas; os testemunhos, emocionados; e, entre lembranças e esquecimentos, havia imagens, livros, convites de formatura, álbuns de fotografias, vestido de formatura, hino da escola e diplomas. Todos guardados, cuidadosamente, em meio às lembranças, ilustrando nossas conversas, fazendo o passado quase presente. São os objetos biográficos, pois envelhecem com seu possuidor e se incorporam à sua vida. Cada um representa uma experiência vivida (Bossi, 1994).

Aqui registramos a contribuição de Pollack (1986) para este trabalho no que se refere à política do silêncio. O autor toma como referência a pesquisa empreendida com sobreviventes

do Nazismo. Nesse estudo, ele destaca a categoria “memória coletiva” e dedica a ela uma

ampla discussão sobre a necessidade dada, após longos períodos de silenciamentos, à necessidade de inscrever as lembranças contra o esquecimento, sob o risco do desaparecimento dos acontecimentos testemunhados.

Em meio às conversas, foi-nos apresentado um vestido de formatura. Guardado com bastante zelo, mantinha a alvura e a arte originais. O ato narrado, do qual se tornara objeto biográfico, derivava-se das lembranças de um dia glorioso: o dia da formatura. Ei-lo exposto a seguir:

Figura 06 - Vestido de formatura de Conceição Lima Fonte: Arquivo pessoal de Bernardina S. Araujo de Sousa

As presenças das ausências, possibilitadas pelas lembranças (Ricoeur, 2007), ofereciam as narrativas uma ideia de realidade presente. As lembranças vinham sempre

acompanhadas de expressões do tipo: “ali era a calçada da escola, onde ficávamos conversando no recreio”, “naquele pátio havia árvores, brincávamos embaixo delas”.

Depoimentos que representam uma busca sobre o que não mais existe. Os preconceitos com o passado e a urgência por uma estética de cidade nova demoliram parte expressiva dessa paisagem.

As narrativas apresentam o dia de formatura das normalistas como um dia festivo para parte da cidade, pois as solenidades demandadas pelo evento movimentavam o centro dos acontecimentos. A cidade, a Igreja, a Escola Normal e as famílias congraçavam-se em júbilo e

regozijo para homenagear as novas professoras. Significativa parcela do público jovem em idade escolar ficava à margem dos acontecimentos da Escola Normal, costurados na centralidade da cidade. As flores menos refinadas estavam destinadas às atividades do campo, à limpeza das casas, à costura e ao preparo dos doces e extratos nas fábricas de beneficiamento de frutas.

A fotografia apresentada a seguir, da primeira formatura da Escola Normal de Belo Jardim, ajuda-nos a utilizar a ilustração, dada a partir da fotografia, como importante elemento de fixação da memória, ao mesmo tempo em que se afirma como espaço de propagação da realidade. Destacando a relevância da fotografia no trabalho acadêmico, sendo utilizada como fonte iconográfica ou ilustração. Sobre essa abordagem, Kossoy (2007) contribui com a discussão, a partir do entendimento, de que essa fonte representa uma incursão pelo fragmento da realidade que a mesma congela nos permitindo perceber o evento a partir de um objeto imagem (2007).

As turmas de concluintes não eram numerosas, segundo relatos; apenas a primeira terminou com um número considerável de alunos. Um convite de uma formatura, realizada em 15 de dezembro de 1956, exposto a seguir, apresenta apenas oito formandas.

Figura 07 – Convite da Festa de Formatura (Turma 1956) Fonte: Acervo particular de Maria da Conceição de Lima.

Figura 08 – Festa de Formatura (Turma 1956) Fonte: Arquivo pessoal de Maria da Conceição Lima.

O documento verbal e o não verbal, acima expostos, também são tradutores do desejo de um determinado grupo social em criar sua própria representação de escola e de cidade. Assim, os resíduos do passado são traduzidos nas peças do convite e da fotografia e transferem para o texto a imagem dessas representações. As gravuras ganham forma e assumem um status de texto, em meio às conversas. As lembranças nomeiam s personagens que ilustram a fotografia, fatos do dia da formatura são rememorados, os vestidos, os discursos e a valsa tomam formam de presente. A fotografia ganha vida dando vida ao passado.

No capítulo a seguir, estaremos analisando a educação no contexto do Brasil- República, e os conteúdos da modernidade, oferendo destaque às tensões estabelecidas e polarizadas entre a aclamação do novo e a manutenção do velho, terão nas fontes escolhidas seu lugar de exposição.

3. A educação republicana e a invenção do urbano na década de 1950:

Belgede 2021 YILI PERFORMANS PROGRAMI (sayfa 101-106)

Benzer Belgeler