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SYSTEMIC LUPUS ERYTHEMATOSUS SUMMARY

BİLGİLENDİRİLMİŞ GÖNÜLLÜ OLUR FORMU

Ainda a respeito da regulação partidária nas eleições proporcionais, Braga, Veiga e Miríade (2009) defendem que – como, no Brasil, o número de candidatos não chega a superar o número de vagas nas listas partidárias, isto é, o processo de seleção não é competitivo – a verdadeira competição, no interior das organizações partidárias, se dá exatamente pelo apoio partidário ou, para ser mais preciso, ―na

distribuição de recursos de campanha‖ (Braga, Veiga e Miríade, 2009, p. 125). E, desta forma:

Vale ainda lembrar que no Brasil o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral é distribuído para os partidos que dividem o tempo de exposição na TV entre os seus candidatos. Nota-se que alguns candidatos são privilegiados com mais tempo do que outros, e quem define tal distribuição são os líderes partidários. (Braga, 2008, p. 125)

Mancini (1996) alerta para importância dos padrões de regulação das campanhas eleitorais em cada sistema político. A regulação, no caso brasileiro, se dá exatamente a partir da proibição do uso da propaganda eleitoral paga, e por meio da cessão do tempo de TV aos partidos e não aos candidatos. Ames (2003), que qualifica as normas que regulam a campanha eleitoral brasileira como ―permissivas‖ e ―restritivas‖ (e cita o HGPE como exemplo de restrição), ilustra bem os possíveis efeitos do monopólio partidário sobre o uso da televisão. Conforme o autor, o tempo de TV, no Brasil, ―é distribuído pelos partidos de acordo com a importância da disputa de que participa o candidato, de modo que centenas deles somente são contemplados com alguns segundos por semana‖ (Ames,2003 ,p.64).

O fato de a legislação eleitoral brasileira, especificamente a Lei nº 9.504/9732 (que regula diretamente as eleições), vedar a propaganda paga e ceder o tempo de TV aos partidos e não aos candidatos, torna, assim, as organizações partidárias altamente relevantes, para não dizer indispensáveis, na conformação das estratégias de uso do HGPE nas campanhas proporcionais. Isto é, ―o modelo de propaganda eleitoral na televisão favorece os partidos políticos simplesmente porque os torna intermediários indispensáveis das campanhas através do rádio e da televisão‖ (Albuquerque, 2005, p. 30). E o tempo de TV figura, nesse contexto, como um recurso escasso a ser distribuído conforme o interesse da direção partidária.

Sendo assim, o HGPE vem sendo, nos últimos anos, alvo de análise por parte da bibliografia especializada pelo fato de ele ser um possível instrumento de controle

32 Lei 9.504/97 - Art. 44. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão restringe-se ao horário gratuito

partidário da competição eleitoral nas proporcionais (Schmitt et. al., 1999; Albuquerque et. al., 2008). Alguns trabalhos chegam a defender que partir dele se tem ―a chance de observar e descrever de maneira relativamente simplificada o que em qualquer outro sistema político-eleitoral seria extremamente difícil, e mesmo custoso, de ser estudado: a dinâmica da competição eleitoral.‖ (Schmitt et. al., 1999). Para isso, Schmitt et. al. (1999) propõem alguns indicadores para análise da importância dos partidos na campanha eleitoral pela televisão:

A importância dos partidos na campanha eleitoral pode ser avaliada segundo dois conjuntos de indicadores. O primeiro destina-se a medir a divisão do tempo entre os partidos, e também a relação entre os critérios de distribuição do tempo e o seu retorno eleitoral; o segundo, a produção de imagens partidárias no HGPE. (Schmitt et al., 1999)

Schmitt et. al. (1999), em seu estudo, sustenta uma conclusão ―forte‖ de que o horário eleitoral constitui-se em uma espécie de ―ordenamento informal‖ dos candidatos. Tal conclusão é extraída da análise da correlação entre o tempo de exposição no HGPE e a votação de candidatos a deputado federal e a vereador, no Rio de Janeiro, nas eleições de 1994 e 1996. Para os autores, a robustez desta correlação sugere "a configuração de um sistema no qual estão presentes não apenas candidatos isolados, envolvidos exclusivamente com a promoção de suas reputações individuais, mas partidos que atuam como agentes efetivos na definição dos resultados eleitorais.‖ (Schmitt et. al., 1999). Isto é, o HGPE configura-se, nesse caso, como um instrumento efetivo de controle do desempenho dos candidatos na arena eleitoral pelas direções partidárias.

Apesar de a eficácia eleitoral do HGPE ainda ser muito questionada33 – no que concerne ao tempo de TV garantir, de fato, a eleição de determinado candidato – isso não evidencia, necessariamente, que ele não cumpra algum papel de relevância na eleição proporcional34. Além disso, a exposição diferenciada de candidatos no HGPE é um indício de hierarquização da lista pelas direções

33Cabe destacar, por exemplo, os trabalhos recentes de Albuquerque et. al. (2008) e Albuquerque

(2010).

34 Esse ponto será discutido, de forma mais detida, no último capítulo, que trata do HGPE a deputado

partidárias. Mesmo que ―mais tempo de TV‖ não implique, necessariamente, em um melhor desempenho nas urnas.

O HGPE é um espaço eminentemente partidário. Se o candidato ali tem um maior destaque, alguma ―importância‖, para utilizar um termo de Albuquerque (2010), ele possui para a organização partidária. Assim, mesmo que o HGPE não garanta, por sua falta de eficácia eleitoral, a lista informal, ele pode dar acesso aos

candidatos que supostamente são priorizados pelos partidos. Nesse caso, pode se

considerar que ―do mesmo modo que há o conceito de partidos relevantes (isto é, os que realmente contam) na arena legislativa, há candidatos efetivos, relevantes na arena eleitoral‖ (Klein, 2007, p. 66), pode-se vislumbrar como cada partido lida com a competição eleitoral.

A idéia de uma a priorização partidária dos candidatos, em eleições proporcionais, vai claramente de encontro à noção de Mainwaring (1991) de que, no Brasil, ―os partidos sempre-cabe-mais-um não fazem muito esforço para ajudar alguns candidatos mais do que outros, nem têm muitas condições de fazê-lo‖ (Mainwaring, 1991, p. 47). E permite problematizar o juízo do autor de que os líderes partidários ―podem oferecer concessões significativas ao autorizarem um jogo livre nas eleições proporcionais‖ (Mainwaring, 1991, p. 47).

Albuquerque (2010) – utilizando o conceito de ―incentivos seletivos‖35 proposto por Panebianco (2005) – lança, por exemplo, uma hipótese nova de que, para além da ―racionalidade eleitoral‖ (isto é, da ―projeção‖ de desempenho de cada candidato), ―a distribuição do tempo no HGPE tem como principal propósito atender às demandas de poder internas ao partido, oferecendo (…) ―incentivos seletivos‖ para as lideranças de acordo com a sua importância (isto é, cota de poder, no partido)‖ (Albuquerque, 2010, p. 6-7).

35 Conforme Panebianco (2005), os incentivos seletivos são, geralmente, incentivos de status, poder,

material, distribuídos desigualmente pelo partido. E eles se diferenciam dos incentivos coletivos que são ―benefícios ou promessas de benefícios que a organização deve distribuir igualmente entre todos os participantes‖ (Panebianco, 2005, p. 17).

Para Carneiro (2009), no entanto, é a partir da "projeção" mesmo do desempenho individual dos candidatos36que ―as listas são confeccionadas com uma espécie de ordenamento interno desconhecido dos eleitores.‖ (Carneiro, 2009, p. 140). Isto é, os partidos focariam as campanhas em ―candidatos prioritários” (chamados de ―puxadores de legenda‖ ou ―cabeça de chapa‖), o que acabaria por atrair a atenção do eleitor para esses nomes. E os demais candidatos (―rabo da chapa‖) teriam um papel de complementar a nominata, somando votos.‖ (Carneiro, 2009, p.140-141). Para a autora, ao contrário de Albuquerque (2010), os dirigentes partidários manejariam o HGPE a partir de uma racionalidade eminentemente eleitoral.

2.3 “Lista Aberta” e Carreiras políticas no Brasil: Atributos e Perfis de

Benzer Belgeler