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BÖLÜM II YATIRIM İLE İLGİLİ BİLGİLER

BEYAN VE TAAHHÜT

No ano de 2006, os ativistas das culturas de rua em Ouro Preto fundaram o grupo A Rede – Associação Cultura de Rua. A Rede é um grupo sem constituição jurídica e sem fins lucrativos. O atual diretor do grupo é também um de seus fundadores, conhecido no cenário artístico como DJ Teko. De acordo com ele, a criação desse coletivo surgiu da necessidade de unir e integrar os diversos grupos artísticos pertencentes às periferias de Ouro Preto, objetivando a criação de espaços próprios para a realização dos eventos e das demais atividades circunscritas ao universo hip-hop nessa cidade, valorizando a cultura e a arte das comunidades locais, nas quais seus ativistas estão inseridos.

Desde a sua criação o grupo está estritamente relacionada ao Fórum da Igualdade Racial de Ouro Preto (FIROP), porém, conforme afirmamos nesta pesquisa, as manifestações culturais do movimento hip-hop em Ouro Preto são anteriores a criação do FIROP, fundado no ano de

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2005, conforme verificamos nos documentos disponibilizados pelo grupo. A decisão de articulá-los veio da necessidade de fortalecer ambos os movimentos para o desenvolvimento e a fiscalização/cobrança de políticas públicas em benefício da população negra na cidade de Ouro Preto. O grupo não é composto apenas por atores ligados à cultura hip-hop. O próprio nome do coletivo indica a conexão feita por esse grupo, como se ele fosse uma rede que conecta as diversas manifestações culturais que representam a arte e a voz das periferias de Ouro Preto, sendo formado também por grupos de funk, de pagode e por duas duplas de música sertaneja. Atualmente, o coletivo é formado por 38 grupos, articulando aproximadamente 120 jovens em torno de diversas manifestações artísticas, conforme levantamento feito por A Rede em fevereiro de 2015. O coletivo também tem por finalidade apoiar e desenvolver projetos e ações de cunho social, cultural e artístico, tendo como público alvo os moradores das periferias de Ouro Preto, independente da faixa etária deles.

Desde a sua fundação A Rede tem desenvolvido vários projetos sociais e culturais na cidade de Ouro Preto, entre eles destacamos: a Semana da Consciência Negra, O Festival Rap e as Mostras Culturais Fala Favela, que têm alcançado grande público. A Semana da Consciência Negra e o Festival RAP encontram-se em sua 9ª edição até o ano de 2013. O primeiro, geralmente, é desenvolvido em parcerias com as escolas públicas. O segundo, geralmente, é realizado com o patrocínio da prefeitura, contando também com os recursos financeiros do próprio grupo, sendo que ambos os projetos são realizados em todas as suas edições em parceria com o FIROP.

Os equipamentos musicais de que o grupo dispõe para a realização das atividades foram adquiridos por meio da disponibilização de recursos financeiros dos próprios membros, que cederam o cachê dos shows realizados por eles no “Espaço Folia – Carnaval de Ouro Preto”, no ano de 2008, para a compra de uma mesa de som, quatro microfones, dois amplificadores e quatro caixas de som.

Desde a sua fundação, o grupo não interrompeu as suas atividades. Entre elas, destacamos as reuniões de formação dos ativistas, em que os jovens tomam posse das informações ligadas aos elementos culturais do movimento, realizam pesquisas, apresentam portfólios, dedicam-se à leitura e à discussão de livros e jornais sobre questões ligadas ao movimento hip-hop, organizam mostras culturais e campanhas beneficentes, entre outras atividades, conforme verificamos nos documentos disponibilizados pelo grupo e nas nossas incursões às reuniões realizadas no decorrer do ano de 2014. O coletivo também produz fanzines intitulados “A REDE Informativo popular”, esse material contém diversificados

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gêneros textuais e, contribui para ampliar o universso dos envolvidos nos projetos, além de ser um objeto de leitura a mais circulando nos bairros.

O grupo, em parceria com o FIROP, dispõe de uma biblioteca com vários livros sobre questões raciais, os quais são emprestados aos membros, porém, nesta pesquisa, não encontramos a movimentação dos mesmos porque a biblioteca se encontra desativada por falta de sede própria do grupo. As reuniões assemelham-se às Posses presentes no movimento hip- hop das grandes cidades, em Ouro Preto elas acontecem de acordo com as demandas dos ativistas culturais e do grupo como um todo. Devido à falta de espaço próprio, os ativistas se reunem em espaços cedidos por instituições públicas. O coletivo lança mão de ofícios solicitando reservas de salões e de casas culturais da cidade de Ouro Preto, quando não conseguem reservar esses locais, realizam as reuniões em praças e demais locais públicos, conforme presenciamos nesta pesquisa.

Ainda sobre os projetos desenvolvidos pelo grupo, destacamos também a realização de um programa de rádio semanal intitulado Fala Favela, que vai ao ar pela rádio comunitária Província FM 98,7, das 14h às 16, de segunda-feira a sexta-feira. O DJ Teko é quem apresenta esse programa em parceria com os demais artistas e convidados da cidade, alcançando grande audiência por parte da comunidade de Ouro Preto e adjacências. Segundo o DJ Teko, “é a comunidade de Ouro Preto quem dá o tom do programa”, participando ativamente do mesmo por meio de cartas e telefonemas. O ativista, em entrevista realizada nesta pesquisa, destaca que a audiência do seu programa de rádio também alcança o presídio da cidade, de onde os detentos participam enviando cartas ao programa, realizando pedidos de músicas e enviando recados aos seus familiares. A conexão estabelecida entre apresentador e ouvintes propicia formas distintas destes se inserirem, via escrita, na sociedade.

Benzer Belgeler