1. GĠRĠġ
1.2 Beton Yol ve Özellikleri
1.2.1 Beton Yolun Üstün Özellikleri
1.2.1.11 Beton Yolun Enerji Tasarrufu
partir da FD(censura da mídia) e o modo pelo qual as formações discursivas estão ainda abertas a abarcar outros dizeres, pontuamos que o dizer controle social da mídia foi motivo de indagação no debate realizado pela TV Bandeirantes (TV BANDEIRANTES, 2014), em 28/08/2014, ao candidato Eduardo Jorge (PV), com comentários da candidata Dilma Rousseff (PT). Depois de uma série de momentos em que houve confrontos diretos entre os presidenciáveis, os representantes políticos responderam a perguntas colocadas pelos jornalistas, e Boris Casoy questionou-os justamente sobre o tema do controle social da mídia. Neste sentido, ele retoma o dizer na sua fala para associá-lo à censura, demonstrando traços claros da FD(censura da mídia):
(80) Jornalista arguidor Boris Casoy: Eu vou, por considerar um assunto importante e grave, que envolve a liberdade no país, voltar à questão do chamado controle social da mídia. O partido da presidente, o PT, insiste num plano de censura à imprensa, que eufemisticamente chama de
democratização da mídia . A bem da verdade: a presidente Dilma, a candidata Dilma, ah… Não
adotou, criou uma barreira. Não tem colocado em prática, apesar da insistência do partido essa ideia. Eu queria perguntar: se eleito, se o candidato Eduardo Jorge vai levar esse plano adiante.
Candidato Eduardo Jorge: Então eu sou obrigado a concordar com a presidente Dilma. Não
levarei. Ficarei com a posição dela. (Silêncio).
Jornalista mediador Ricardo Boechat: Acabou? Candidato Eduardo Jorge: Acabei. (Risos na plateia).
Em um raro acontecimento na circulação do discurso político televisivo, o candidato Eduardo Jorge não se valeu de seu tempo para comentar a questão trazida pelo jornalista, resumindo-se a dizer que estaria de acordo com a posição defendida pela presidente. É a vez,
assim, de Dilma Rousseff comentar o que foi dito, um claro tema polêmico – responsabilidade primeira de que Eduardo Jorge claramente se desfez:
(81) Candidata Dilma Rousseff: Eu…
Jornalista mediador Ricardo Boechat: Comentário da candidata Dilma Rousseff com quarenta e
cinco segundos. Pode fazer em menos tempo também.
Candidata Dilma Rousseff: Eu não quero [fazer em menos tempo]. Eu queria mais. Bom, eu
acredito que a questão da liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, a liberdade, eh, integral nos meios de comunicação é um valor básico da democracia. Eu acredito também que como qualquer setor, o setor de telefonia, os aeroportos, os portos, todos setores, eles têm de ser, de ter regulação econômica. Ou seja: não pode haver o monopólio, e não pode haver o uso indevido daquele meio, tanto seja o aeroporto, porto, linha de transmissão. Então eu sou a favor da regulação econômica. Agora, dentro da maior liberdade de expressão. Isso vale não só pro setor da mídia, mas vale também pra internet e pra todos os setores ligados à manifestação do pensamento. […]
É notável que, em sua primeira fala, Eduardo Jorge mostra ter uma posição afim àquela que até então vinha manifestando Dilma Rousseff, ainda que isso se tenha dado bastante sucintamente em ambos os casos, esquivando-se também de possíveis polêmicas – como já o fez, em repetida vezes, a candidata do PT. No entanto, tal suposta concordância entre os dois candidatos é bastante incerta, pois Dilma Rousseff em sequência realiza a defesa da necessidade de controle, aproximando-se à FD(controle da mídia). Ainda assim, ao não fazer uso dos dizeres
controle social da mídia ou democratização da mídia, em sua circulação já claramente
carregados de marcas taxativas da FD(censura da mídia) neste embate presidencial, como nos mostrou a fala de Boris Casoy, Dilma Rousseff ao evocar tal dizer não faz com que tal rebuliço da polêmica – deixado de lado de pronto por Eduardo Jorge – reemerja, sendo novamente possível uma filiação de sua parte à FD(controle da mídia).
Foi possível, assim, que a presidente em exercício e em candidatura à reeleição fosse partidária de uma forma impositiva de censura da mídia, como se mostraram haver estabilizado tais sentidos a respeito dos enunciados que tratamos anteriormente, na FSP? Certamente, as injunções do dizer não permitem que tal filiação seja marcada. No entanto, aqui, temos uma defesa da FD(controle da mídia) que não se realiza de forma tão absoluta, como pôde acontecer com os outros enunciados no corpus – ou ao menos não foi possível, ainda, tal acontecimento.
Uma vez que tal associação entre este saber emergente (representado na fala regulação
associados não são imputados à fala de Dilma Rousseff, sobretudo porque este foi um tema de breve comentário neste debate de, basicamente, três horas de duração. Certamente, tal funcionamento destas dispersões enunciativas neste debate televisivo nos é importante para compreender como os dizeres desta ordem, quando aparecem na FSP, são imediatamente objeto de refutação e comentário: na FSP, diferentemente do que se passou neste debate, o espaço dado à voz (e mesmo às “réplicas”) dos jornalistas é mais representativo, o que permite a Dilma fazer circular tais dizeres (e, logo, tal defesa) massivamente no debate, acontecimento que nem sempre se realiza neste grande meio. Afinal, grande parte dos brasileiros, que esperam o devir das eleições, estão então em frente à televisão: trata-se de uma recepção massiva que, certamente, não foi possível de ser realizada nas injunções que circunscrevem a produção de sentidos pela FSP.
Claramente, neste excerto do debate, com a questão da regulação econômica da mídia, Dilma mostra o desejo de falar sobre e defender um controle, diferente do que agora vimos acontecer com Eduardo Jorge e, sobretudo, entre meados de 2010 e o início de 2014 pela própria presidenciável na FSP. A fala do jornalista Boris Casoy, no entanto, mostra que o dizer
democratização da mídia também pôde emergir pela FD(censura da mídia): a associação à
censura é clara e o atentado é grave, sendo precisamente esta a interpretação do sujeito universal desta formação discursiva.
A emergência de dizeres como democratização da mídia, na fala de Boris Casoy já associada à censura, remete-nos a uma série de enunciados que puderam emergir na FSP, como os exemplos que seguem: democratização do acesso da sociedade aos meios de comunicação,
democratização da informação, democratização dos meios de comunicação, democratização da comunicação, regulação democrática da mídia, democratização da comunicação, [é preciso] democratizar a mídia. No entanto, tais dizeres não detiveram grande circulação e foram objetos
de massivos comentários, como é o exemplo do controle social da mídia e da regulação da
mídia.
Neste sentido, o penúltimo enunciado que pudemos encontrar e que circula substancialmente no corpus que construímos é, de fato, democratização da mídia. Saindo um pouco do âmbito do embate político-partidário, vemos que se trata inclusive de um dizer que circula hoje em manifestações populares – dado de grande serventia para a proposta, uma vez que
se afirma que se trata de um projeto de iniciativa popular, conforme podemos ver em um texto de 12/06/2013, intitulado TENDÊNCIAS/DEBATES: Uma lei para expressar a liberdade.
Nesse texto, de autoria de uma das pessoas engajadas no Fórum Nacional pela Democratização da Mídia, tal questão da participação popular aparece sobretudo permeada pelas regularidades que a FD(controle da mídia) conforma. No entanto, tal questão também pode aparecer sob a interpretação da FD(censura da mídia), conforme aponta um texto já em 2010, quando a partir desta ótica ainda era possível falar, sobretudo, da defesa do controle social da
mídia. Novamente, estamos diante de um evento em que se confrontam posições de políticos e de
enunciadores midiáticos, momentos ímpares para que se coloque em xeque tais propostas. Neste texto, ainda, tais posicionamentos a partir da FD(censura da mídia) aparecem relacionados aos casos venezuelano e argentino:
(82) Os debatedores [do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão] alertaram os brasileiros para o fato de as medidas de controle e censura da mídia em seus países terem começado sob o
pretexto da necessidade de incrementar a responsabilidade social dos veículos de comunicação. (do
texto da FSP, 02/03/2010 – Fórum critica “controle social” da mídia)
Mais especificamente, quando tal dizer é colocado como um objeto pelo qual se luta na circulação do discurso político, a memória que se resgata no enunciado toma como um efeito de evidência o gesto de que a mídia no Brasil não é democrática – sentidos anteriormente construídos da ordem de 'todos sabem que o Brasil não passou por um processo de democratização da mídia' e 'é bem sabido que é preciso democratizar o acesso à informação no Brasil', bem como, outra vez, referências a modelos internacionais de democracia que realizaram tal gesto. Novamente, tal enunciado também está sujeito a ser interpretado a partir de duas formações discursivas aparentemente antagônicas.
O posicionamento de Helio Bicudo a respeito do dizer mostra-nos, assim como a fala de Boris Casoy no debate presidencial, de que modo este dizer pode estar diretamente associado à censura:
(83) É o que se viu na ditadura Fujimori no Peru e que reaparece em países de nosso hemisfério, alguns deles claramente agindo contra a liberdade dos meios de comunicação e outros, como é o caso do Brasil, procurando, sorrateiramente, o mesmo resultado, mediante o sofisma da “democratização da mídia”. (Hélio Bicudo, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, 30/10/2010 – TENDÊNCIAS/DEBATES: A criação de conselhos de comunicação estaduais é uma
Da mesma maneira, como se mostrou recorrente na veiculação dos outros dizeres, tal emergência pode também ser realizada a partir da FD(controle da mídia), negando absolutamente a relação com domínios associados que evoquem a censura:
(84) O projeto não estabelece censura, mas a democratização do acesso da sociedade aos meios de comunicação […]. (Edmir Chedid (DEM), 08/12/2010 – PT-SP discute criar Conselho de
Comunicação, sublinhadas nossas)
Tal medida, assim, busca criar relações bastante específicas: uma vez que sentidos sobre o que é uma democracia estão agora em jogo nesta proposição e, ao mesmo tempo, na negação da necessidade de um controle, temos um novo referencial pelo qual se vai lutar, no sentido de imputar-lhe interpretações específicas e negar outras, sendo a participação popular presente:
(85) No plano interno, está colocada a urgência da reforma político-institucional e da democratização da comunicação […]. [Estas duas medidas] são importantes para superar o descrédito de amplos setores de nossa sociedade para com partidos e instituições […]. (Resolução
aprovada ontem em reunião no Diretório Nacional do PT, 20/11/2010 – PT critica tom “conservador incrustado” em mídia, sublinhadas nossas)
A fala acima, realizada a partir de injunções institucionais em que o PT se inscreve, dentro da FD(controle da mídia), mostra-nos a importância de retomar-se a participação popular como um dado que fortalece a necessidade de um controle. Sobretudo, tendo em conta a emergência de manifestações populares que clamam por políticas em torno da circulação midiática, busca-se como argumento a conformação dos contornos dos poderes midiático às necessidades do Estado.
Já a partir da FD(censura da mídia), é comum que se enuncie que já há uma democratização, realizada, sobretudo, pelo advento de novas tecnologias: tal democratização que se clama, assim, busca não uma consonância entre o que Estado e a sociedade civil demandam da mídia brasileira, senão o que neste sentido realizariam as posições do governo e, logo, do PT, uma visão bastante diferente deste mesmo acontecimento. Também, o mesmo poder midiático que é, então, tomado na FD(controle da mídia) como grande, implacável e, logo, cujos contornos devem ser controlados, é tido na FD(censura da mídia) sob outra forma, como se, novamente, estivéssemos diante de realidades distintas, como nos mostra o contraste entre as duas primeiras falas seguintes, em torno da mesma questão, bem como as duas últimas, já mais assertivas:
(86) O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar […]. (Rui Falcão, dizer realizado em evento do PT e trazido para o corpo do texto pelo órgão midiático, 05/05/2012 – Assassinato de
(87) Não estou dizendo que grandes conglomerados de mídia tenham perdido a capacidade de influenciar populações, mas seu poder tende a ser declinante […]. (Hélio Schwartsman, 10/03/2013 – Opinião:“Democratização da mídia”, sublinhadas nossas)
(88) […] é pouco provável que governos possam promover uma democratização mais efetiva do que a já imposta pela internet.
A estratégia dos dirigentes passa a fazer mais sentido se interpretarmos “democratizar” como um eufemismo para “controlar”. (Hélio Schwartsman, 10/03/2013 – Opinião: “Democratização da
mídia”, sublinhadas nossas)
(89) [Também sou ferrenho defensor da democratização, definida como a ampliação das fontes de informação a que os cidadãos podem recorrer.] Receio, porém, que essa seja uma bandeira do passado. Na verdade, é preciso ter perdido o trem da história para não se dar conta de que estamos no meio de uma revolução tecnológica, cujo efeito mais visível foi elevar exponencialmente a quantidade de informações à disposição da sociedade e diversificar suas origens. (Hélio Schwartsman, 10/03/2013 – Opinião:“Democratização da mídia”, sublinhadas nossas)
Assim, vemos que majoritariamente ou uma ou outra formação discursiva dita no gesto da formulação como deve ser interpretado tal enunciado. No excerto seguinte, por exemplo, vemos também claros traços de uma filiação à FD(censura da mídia):
(90) A democratização da mídia está, portanto, em deixá-la livre, e não em circundá-la, como quer o PT. (RUBENS BUENO é deputado federal pelo Paraná e líder do PPS na Câmara dos
Deputados, 09/09/2011 – TENDÊNCIAS/DEBATES: O PT e o controle da informação)
O mesmo ocorre se buscamos mais a fundo neste texto, o que nos leva a observar que unicamente a FD(censura da mídia) está presente quando são comentadas as propostas de controle:
(91) Na mesma toada, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, move incansável campanha contra o jornal “Clarín”, respeitado por fazer um jornalismo crítico e independente. (RUBENS
BUENO é deputado federal pelo Paraná e líder do PPS na Câmara dos Deputados, 09/09/2011 –
TENDÊNCIAS/DEBATES: O PT e o controle da informação, sublinhadas nossas)
(92) O que se vê com tudo isso é que o autoritarismo sempre encontra meios de limitar a manifestação independente de opinião. Seja à la Stálin, à la Mao, à la Fidel ou à la Chávez [...]. (RUBENS BUENO é deputado federal pelo Paraná e líder do PPS na Câmara dos Deputados, 09/09/2011 – TENDÊNCIAS/DEBATES – O PT e o controle da informação, sublinhadas nossas) (93) No Brasil, desde Lula, temos visto o ensaio do controle da mídia por meio de propostas como a criação de conselhos que garantiriam, segundo os que as concebem , a democratização da mídia.
(RUBENS BUENO é deputado federal pelo Paraná e líder do PPS na Câmara dos Deputados, 09/09/2011 – TENDÊNCIAS/DEBATES – O PT e o controle da informação, grifos nossos)
Voltando ao excerto primeiro deste texto, vemos que a emergência do dizer 'censura' e dos sentidos que este enunciado leva consigo também são de certa forma evitados, mas a FD(censura da mídia) é predominante. Ainda que Rubens Bueno não esteja defendendo um ímpeto político- partidário de controle ao qual ele se filiaria enquanto autor, nega-se a responsabilidade de
designar esse gesto, optando por circundar, o que nos faz retornar à pergunta colocada por Foucault: “como apareceu um determinado enunciado, e não outro em seu lugar?” (FOUCAULT, 2008:30):
(94) A democratização da mídia está, portanto, em deixá-la livre, e não em circundá-la, como quer o PT. (RUBENS BUENO é deputado federal pelo Paraná e líder do PPS na Câmara dos
Deputados, 09/09/2011 – TENDÊNCIAS/DEBATES – O PT e o controle da informação,
sublinhadas nossas)
Uma vez que se trata de um artigo de opinião assinado unicamente por Rubens Bueno enquanto sujeito, estamos diante, assim, de um gesto de isentar-se da autoria deste dizer: não se preenche tal posição enunciativa e não se permite que seja associada à acusação jurídica de que o PT está realizando esta prática. Ainda que em nosso corpus tenha sido frequente a afirmação de que estamos diante de uma censura velada por parte do PT, este artigo de opinião não realizou tal afirmação.
Neste sentido, temos também mais uma fala de Dilma Rousseff, já no período que compreende o fim do intervalo que tomamos para a construção de nosso corpus, que evidencia novamente sua posição, funcionando também no sentido de eximir-se de tais responsabilidades, justamente, ainda, pelo lugar que está colocado em jogo, o de presidente da república, dizer evocado pelo órgão midiático para comentar a regulação da mídia.
(95) Somos um país que convive com a liberdade de imprensa, somos um país que convive com a multiplicidade de opiniões, somos um país que convive com a crítica. (Dilma Rousseff, 13/04/2013 – PT associa 'setor da mídia' a criminosos e defende regulação)
Tal evocação imputa uma autoria à presidente, ainda que ela se negue a fazê-lo (afinal, o sujeito pragmático tem uma ânsia de logicidade neste sentido), conforme vimos em Eu não falo a
respeito do que fala o ministro, eu não faço avaliação […] (Dilma Rousseff, em resposta aos
dizeres do então ministro de Comunicação Social Franklin Martins, 12/11/2010 – MÍDIA
DIGITAL – Petista se nega a falar de controle).