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BESMAK UNİVERSAL TEST YAZILIMI:

A não extensão do adicional de 25% previsto no artigo 45 da Lei nº 8.213/91 (para aposentados por invalidez que comprovem necessitar do auxílio permanente de terceiros) às demais aposentadorias do RGPS configura grande desrespeito à isonomia, à dignidade humana, à universalidade da cobertura e do atendimento, à solidariedade, à proteção constitucional das pessoas com deficiência, à seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços, dentre outros preceitos do ordenamento jurídico.

A fundamentação na literalidade da lei, na precedência da fonte de custeio e na crise financeira por qual a previdência social passa para justificar a impossibilidade de extensão do referido adicional não deve ser considerada em sua totalidade, tendo em vista que a literalidade da lei não pode sobrepor-se às necessidades dos segurados; a exigência de prévia fonte de custeio não é feita quando da concessão para os aposentados por invalidez, não sendo coerente a exigência desse requisito para a concessão aos demais e, por fim, a crise financeira da previdência ou assistência não deve privar os mais necessitados de seus direitos.

É fato que a situação atuarial encontra-se comprometida, no entanto, em situações como essa, deve-se priorizar os mais carentes de amparo social e, sem dúvidas, as pessoas com deficiência necessitam mais desse benefício do que as pessoas que ainda têm condições de fazer suas atividades diárias sem auxílio de terceiros.

Como exposto no desenvolver do trabalho, a jurisprudência pátria tem divergido no que tange ao entendimento e aplicação da norma supracitada, embora a TNU já tenha uniformizado o entendimento de que é possível a extensão às demais modalidades de aposentadoria. Contudo, alguns Tribunais ainda emitem entendimento em sentido contrário, inclusive o STJ.

A maneira mais eficaz para solucionar os questionamentos acerca da extensão do adicional de 25% seria através de uma inovação legislativa, que inclusive, já se encontra em trâmite no Congresso Nacional.

No entanto, por fatores diversos, como o elevado tempo de espera para a aprovação de projetos de lei, bem como em virtude das atuais condições socioeconômicas brasileiras, acredito que ainda levar-se-á um certo tempo até que a

situação possa ser regularizada, o que ocasionaria prejuízos aos pretensos beneficiários.

Por se tratar de prestação garantidora do acesso à saúde e à dignidade humana, a solução mais rápida no momento seria através da unificação do entendimento jurisprudencial, pois, embora majoritariamente já se entenda ser possível a extensão do adicional às demais modalidades de aposentadoria do RGPS, ainda existem Tribunais com entendimento contrário.

Para a unificação dos entendimentos ocorrer, deve o intérprete usar a analogia teleológica para compreender a lei, pois esse método hermenêutico irá garantir uma interpretação legislativa baseada na finalidade da norma, que, como se sabe, é ofertar melhores condições de vida para as pessoas com deficiência e não unicamente para os aposentados por invalidez.

A extensão do adicional de 25% às demais modalidades de aposentadoria do RGPS é, portanto, viável, e fundamenta-se prioritariamente no princípio da dignidade humana e da isonomia, preceitos constitucionais de observância obrigatória.

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ANEXO A

APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5037917-05.2013.4.04.7100/RS

RELATOR : TAIS SCHILLING FERRAZ

APELANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS

APELADO : JOAO WIVALDO DA SILVA

ADVOGADO : RUBESVAL FELIX TREVISAN

EMENTA

PREVIDENCIÁRIO. ART. 45 DA LEI DE BENEFÍCIOS. ACRÉSCIMO DE 25% INDEPENDENTEMENTE DA ESPÉCIE DE APOSENTADORIA. NECESSIDADE DE ASSISTÊNCIA PERMANENTE DE OUTRA PESSOA. NATUREZA ASSISTENCIAL DO ADICIONAL. CARÁTER PROTETIVO DA NORMA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. PRESERVAÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. DESCOMPASSO DA LEI COM A REALIDADE SOCIAL.

1. A possibilidade de acréscimo de 25% ao valor percebido pelo segurado, em caso de este necessitar de assistência permanente de outra pessoa, é prevista regularmente para beneficiários da aposentadoria por invalidez, podendo ser estendida aos demais casos de aposentadoria em face do princípio da isonomia. 2. A doença, quando exige apoio permanente de cuidador ao aposentado, merece igual tratamento da lei a fim de conferir o mínimo de dignidade humana e sobrevivência, segundo preceitua o art. 201, inciso I, da Constituição Federal. 3. A aplicação restrita do art. 45 da Lei nº. 8.213/1991 acarreta violação ao princípio da isonomia e, por conseguinte, à dignidade da pessoa humana, por tratar iguais de maneira desigual, de modo a não garantir a determinados cidadãos as mesmas condições de prover suas necessidades básicas, em especial quando relacionadas à sobrevivência pelo auxílio de terceiros diante da situação de incapacidade física ou mental. 4. O fim jurídico-político do preceito protetivo da norma, por versar de direito social (previdenciário), deve contemplar a analogia teleológica para indicar sua finalidade objetiva e conferir a interpretação mais favorável à pessoa humana. A proteção final é a vida do idoso, independentemente da espécie de aposentadoria. 5. O acréscimo previsto na Lei de Benefícios possui natureza assistencial em razão da ausência de previsão específica de fonte de custeio e na medida em que a Previdência deve cobrir todos os eventos da doença. 6. O descompasso da lei com o contexto social exige especial apreciação do julgador como forma de aproximá-la da realidade e conferir efetividade aos direitos fundamentais. A jurisprudência funciona como antecipação à evolução legislativa. 7. A aplicação dos preceitos da Convenção Internacional sobre Direitos da Pessoa com Deficiência assegura acesso à plena saúde e assistência social, em nome da proteção à integridade física e mental da pessoa deficiente, em igualdade de condições com os demais e sem sofrer qualquer discriminação.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 5a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, dar parcial provimento à apelação e à remessa oficia, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Porto Alegre, 16 de junho de 2015.

Desembargador Federal ROGERIO FAVRETO Relator para Acórdão

DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E A PROTEÇÃO À VIDA:

Estender o adicional remuneratório para acompanhamento de terceiro à aposentadoria por tempo de contribuição, dentro de uma interpretação mais literal ou formalista, poderia indicar alcance além dos ditames legais, por não haver norma positiva autorizando a concessão do acréscimo ao aposentado por tempo de contribuição.

Todavia, entendo que além de uma análise sistêmica da norma, combinada com os preceitos basilares de proteção e finalidade do sistema previdenciário, o tema merece abordagem sob a ótica do direito que se busca proteger: o adicional de assistência de terceiro ao segurado inválido.

Nesse plano, a proteção complementar almejada pela norma é a vida, onde o norte deve ser a doença e suas decorrências, que importam na exigência do apoio de um terceiro para conferir o mínimo de dignidade humana e sobrevivência, segundo o preceito constitucional da cobertura do risco social – art. 201, inciso I, da Carta Federal. Para tanto, a lei criou um adicional financeiro no benefício previdenciário, objetivando dar cobertura econômica ao auxílio de um terceiro contratado ou familiar para apoiar o segurado nos atos diários que necessite de guarida, quando sua condição de saúde não suporte a realização de forma autônoma.

O fato de a Lei de Benefícios, no seu art. 45, associar o acréscimo de 25% no valor do benefício somente nas situações de invalidez, demonstra, por um lado, uma hipótese objetiva de cabimento, mas, de outra banda, indica que a origem da proteção foi lincar com a situação mais flagrante da necessidade de apoio suplementar pela condição de inválido. Entretanto, a melhor interpretação não

pode ser restritiva ao direito de proteção da dignidade da pessoa humana, sob

pena de estar em desconformidade com o conceito de proteção ao risco social previdenciário.

A melhor exegese da norma orienta, ainda, a interpretação sistemática

Benzer Belgeler