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4.3.8. Berrak nar sularının toplam antioksidan aktivite değerler
Um outro aspecto preponderante na espiritualidade do Pentecostalismo, que não podemos deixar de abordar, é a Teologia da Prosperidade. Entendemos esse termo da seguinte maneira: a crença em Deus faz o fiel crente e convertido prosperar e ter sucesso já nesta vida sem esperar (ter esperança) a felicidade futura e paradisíaca. Não haveria necessidade de ficar sofrendo sem razão na terra. Jesus, nesta perspectiva da mentalidade pentecostal, trouxe ao mundo a felicidade e o sucesso para o momento presente. Neste sentido, a prosperidade financeira também faz parte desse galardão, do cêntuplo prometido por Jesus. Deus, neste prisma, seria devedor para o crente das dádivas que dispensa à humanidade. É o que reflete o padre HUBERT LEPARGNEUR, no artigo
O cristianismo na pós-modernidade:
Portanto, Deus deve ao crente a felicidade, sem esperar a passagem para outro mundo após a morte. Os ministros do culto servem de mediadores, fazendo fugir os demônios e apelando para oferendas que testemunham a autenticidade da fé do postulante. Deus retribuirá sem tardar, ao cêntuplo, exigindo apenas esta confiança para aperfeiçoar nossa felicidade. Toda dificuldade de saúde, financeira, familiar ou afetiva, deve encontrar solução no uníssono da generosidade dos participantes de uma comunidade alegre e convicta, confiantes233.
Segundo PAUL FRESTON “a teologia da Prosperidade seria uma etapa avançada da
secularização da ética protestante”234. RICARDO MARIANO, pesquisador do assunto, diz que ao invés de glorificar o sofrimento, tema tradicional do cristianismo católico, enaltece-se o bem-estar do
231
LIMA, Delcio Monteiro de. Op.cit., p. 72.
232
ORO, Ari Pedro. Op. Cit, 19.
233
WILGES, Irineu, Op. Cit., p. 107.
234
FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro in: Nem anjos nem demônios:
cristão já neste mundo235. Não se exalta a pobreza, o desapego material. Segundo o pensamento neopentecostalista, Deus quer ver o homem próspero e feliz, não na pobreza e muito menos na miséria. O neopentecostalismo promete ascensão espiritual e material aqui neste mundo
como recompensa do sacrifício da doação de dinheiro para a igreja, o que supostamente afasta do diabo, fortalece a comunidade religiosa, agrada a Deus e garante a felicidade. Nesse imaginário religioso, quanto maior o sacrifico financeiro, maior a graça de ser recebida em recompensa. Esta é a receita da Teologia da Prosperidade, implementada pelas igrejas neopentecostais, cujo propalado lema é nada menos que pare de sofrer236.
A situação crítica do país e o consumismo próprio de nosso tempo vêm de encontro à satisfação prometida por essas igrejas vindas da América do Norte e posteriormente nascidas aqui no país. Testemunhos de neoconvertidos exploram, na maioria das vezes, o próprio êxodo da pobreza para a prosperidade. Pessoas que entraram para determinada igreja tiveram sua vida financeira melhorada. Na opinião DÉLCIO M. DE LIMA, dar respostas às questões mais cruciais e
angustiantes são questões para as quais os pentecostais possuem uma vasta experiência.
Vêem – isto sim, é relevante – o homem brasileiro, tanto da cidade quanto do campo, cada vez mais desorientado, perdido entre os apelos de uma sociedade essencialmente consumista, à busca de segurança, orientação e esperança, enfim, de alguma coisa que atenda às suas necessidades mais gritantes ou, quando nada, responda de maneira objetiva às suas indagações mais angustiantes. Nesta hora cumpre resgatar o naufrágio. É preciso então salvar a alma em perigo. Aí, exatamente neste momento, entra a vasta experiência dos pentecostais em lidar com a massa aflita, a reconhecida prática de oferecer as devidas respostas àquelas questões, em satisfazer ou, pelo menos, acenar com a expectativa de satisfação aos anseios espirituais e físicos da multidão sofredora. A manipulação dos que buscam uma nova perspectiva de vida, via de regra, segue padrões já testados como eficazes nos Estados Unidos e encontra sua principal arma nos meios de comunicação. A isso se convencionou chamar de evangelização eletrônica, hoje largamente utilizada, porém, com resultado discutível entre nós237.
O autor, quando se utiliza da imagem do naufrágio, parece querer comparar bem a situação desesperadora em que se encontra um náufrago, que se agarra à única tábua de salvação que
235
MARIANO, Ricardo. 1995. Os neopentecostais e a Teologia da Prosperidade. Trabalho apresentado no XIX Encontro Anual da ANPOCS, 17-21 de outubro, Caxambu, Minas Gerais, 22p.
236
MARIANO, Ricardo. 1999. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil, SP, Loyola, in: SOUZA, André Ricardo de. Igreja in Concert. Padres Cantores, Mídia e Marketing, Fapesp, 2005, p. 24.
237
encontra flutuando à sua volta, para que não afunde nas ondas que o querem afogar. Essa analogia parece ser bem apropriada para descrever a Teologia da Prosperidade.
CASTELLS é um pensador que também reflete essa questão da prosperidade que é
oferecida por essas igrejas. A prosperidade financeira e familiar é uma das características da pregação dos evangélicos na aquisição de bens já nesta vida como “recompensas terrenas que aguarda o cristão que se compromete a obedecer a esses princípios e preferir os desígnios de Deus ao seu próprio planejamento de vida, reflexo das imperfeições”238. Na vida profissional, haverá ao neoconvertido uma prosperidade e produtividade econômica, pois Deus ajudaria o homem nos negócios, sendo bom e providente, não deixando seus filhos passarem necessidades como não deixa de cuidar dos pássaros do céu e das flores dos campos239. As indulgências, outrora protestadas por Martim Lutero num confronto ao Catolicismo da Idade Média, entram agora também nas igrejas oriundas do próprio Luteranismo. O feitiço parece virar contra o feiticeiro, pois é garantida ao fiel nessas igrejas milenaristas a aquisição da salvação para quem ofertar determinados valores em dinheiro, atitude justamente outrora condenada por Lutero no Catolicismo. A prática hoje não é muito diferente daquela que deu origem a uma divisão irreversível no cristianismo. Realiza-nos nessas igrejas o que antes era com veemência criticada na Igreja Católica.
MARIANO mostra como o neopentecostalismo dota os fiéis para uma nova compreensão do
dinheiro240. O dízimo bíblico, fortemente pregado para a salvação do fiel, é dever sagrado e não pode ser negligenciado para que não falte à Casa do Senhor o sustento. O texto bíblico referencial costumeiro para a argumentação da oferta é este:
Em relação ao dízimo e a contribuição... Vós estais sob a maldição e continuais a me enganar, vós todo o povo. Trazei o dízimo integral para o Tesouro a fim de que haja alimento em minha casa. Provai-me com isto, disse Iahweh dos Exércitos, para ver se eu não abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós bênçãos em abundância241.
238
CASTELLS, 2006, apud ALIANZA, p. 24.
239
Conforme promessa de Jesus em Mateus 6,25-34.
240
MARIANO, R. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo. São Paulo: Loyola, 1999.
241