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5. BİLİŞSEL RADYO TABANLI VÜCUT ALAN AĞI

5.4. BENZETİM SONUÇLARI

Como já apresentamos anteriormente, a energia elétrica no Brasil passa a ser produzida quase que concomitantemente à da Europa e à dos Estados Unidos. As hidrelétricas, no Brasil, vão surgir em função de empreendimentos ligados ao setor mineral, sendo que o consumo residencial ocupou um papel secundário. Com a industrialização e urbanização ocorridas no Brasil, intensificou-se o consumo de energia, o que levou a uma ampliação da geração de energia elétrica, continuando a indústria, entretanto, como grande consumidora dessa energia. A produção de energia elétrica pelo sistema hidráulico foi a que mais se ampliou no país, sendo que, em 1989, era responsável por 91,34% dessa produção; os demais 8,66% eram oriundos do sistema térmico, que abrange as usinas termoelétricas e as usinas

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nucleares. As indústrias, com destaque para as eletrointensivas, eram as maiores consumidoras desta energia90 (BERMAN, 1991).

Dentro do setor industrial, há um grupo específico de indústrias consideradas eletrointensivas por consumirem grande quantidade de energia por unidade produzida e/ou pelo grande consumo referente ao volume de sua produção. Fazem parte desse grupo as indústrias ligadas à mineração, refinarias, destilação, siderurgias (aço bruto), metais não- ferrosos (alumínio, cromo, zinco metálico etc.), ferroligas (ferrocromo, ferromanganês etc), não-metálicos (cimento, vidro), papel e celulose, borracha, têxtil e química. Boa parte dessas empresas tem participação de capital internacional e a produção tem o mercado externo como pricipal destino; elas também, utilizam pouca força de trabalho humano, e são de fácil adaptação às inovações tecnológicas. Essa característica das indústrias eletrointensivas nega o discurso que as mesmas fazem sobre geração e ampliação de empregos, pois a realidade mostra o oposto: elas descartam cada vez mais mão de obra e em maior escala, se comparadas com outros setores.

Do total da energia consumida no Brasil, as indústrias eletrointensivas consumiram, no ano de 1989, 39,21%, sendo que no período de 1968 a 1989 esse consumo ficou na faixa de 30% a 40%. Bermann (1991) fez um paralelo, no referido período, entre o crescimento da oferta de energia elétrica, que se ampliou em 6,30 vezes, com a evolução do consumo desse produto pelas indústrias eletrointensivas, que ampliou 6,83, destacando que ocorreu uma correlação entre ambos, e apontando que as indústrias eletrointensivas serviram de referência para a ampliação da geração de energia elétrica.

Devido ao intenso consumo, a energia elétrica passa a ter um papel importante na definição do preço da mercadoria dessas indústrias e, consequentemente, na proporção do lucro das mesmas. Isso justifica o lobby permanente que os representantes desse setor faziam junto ao poder público, no período estatal, buscando garantir tarifas baixas e, de preferência, subsidiadas, fazendo da energia uma política pública. Também é comum o discurso que busca sensibilizar a opinião pública com argumentos que destacam o desenvolvimento e o bem-estar geral da sociedade, identificando o interesse nacional com os interesses desse grupo industrial.

Berman (1991) destaca que o Estado, ao assumir os interesses do capital eletrointensivo, colocando como universal uma demanda particular, assume a função de classe, porém com um discurso de neutralidade de classe. Buscando destacar como se dava a ação do Estado em

90

Consumo residencial 20%, consumo público e transporte 8,8%, comércio e serviços 10,7%, atividades rurais 2,9%, consumo energético (refinarias de petróleo, hidrelétricas etc.) 2,4% e consumo industrial 55,2%.

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prol desses grupos econômicos, ele nos apresenta dois exemplos: de 1982 a 1986 foram assinados contratos especiais de energia elétrica entre Eletronorte e a ALUMAR e a Eletronorte Albrás/ALUNORTE que garantiam que a tarifa não ultrapassaria 20% do preço internacional do alumínio91 e, um acordo com a Camargo Correia Metais, assegurando um limite tarifário não superior a 25% do preço internacional do silício metálico. Era o Estado agindo para garantir os interesses do capital e da manutenção de sua acumulação. Ao mesmo tempo, ele negava informações e reprimia ações que destacavam os conflitos de classe, como nas greves dos eletricitários e nas reivindicações dos atingidos por barragens. Os benefícios de alguns grupos eram pagos às custas de cobranças junto aos usuários residenciais, das pequenas e médias empresas industriais e do comércio e serviços.

A partir dos anos de 1990, com a reestruturação do setor elétrico brasileiro, as indústrias eletrointensivas mudarão sua estratégia de ação em busca de energia elétrica a preços baixos, deixando de se apossar do Estado para se apoderar das fontes de energia. A nova forma de assegurar o suprimento de energia a preços baixos ocorreu por meio da autoprodução, assegurada pelo Decreto 2003 de 1996. Essa nova estratégia fica evidente ao analisarem-se os dados que relacionam as usinas hidrelétricas licitadas e as que tiveram indústrias eletrointensivas, de forma individual ou consorciada, vencedoras dessas licitações (Tabela 5).

Considerando apenas o período em que ANEEL assumiu as licitações (1998), até o ano 2002 foram licitadas 50 hidrelétricas, sendo que, dessas, 18 tiveram participação de indústrias eletrointensivas entre as ganhadoras da licitação, perfazendo 36% do total, com capacidade de gerar 51% do potencial energético licitado (BERMAN, 2007b).

Dentre as principais indústrias eletrointensivas com capital internacional que investem na construção de hidrelétricas podemos destacar a Alcoa Alumínio (EUA), CVRD (EUA), BHP Billiton (Reino Unido), e Alcan Alumínio (Canadá). Já entre as empresas que têm capital nacional podemos destacar: Votorantin Cimento, Camargo Corrêa Metais, Camargo Corrêa Cimentos, Companhia Brasileira de Alumínio. Essas empresas têm se utilizado da estratégia de se unirem em consórcios para participar das licitações, agregando-se com outras empresas que não necessariamente estejam ligadas ao setor industrial eletrointensivo, mas que desempenham uma importante função na construção ou financiamento das barragens, na exploração de água ou do consumo da energia produzida. Dentre essas distintas empresas que se agregam às eletrointensivas podemos destacar Bancos, como o Banco Bradesco (Brasil), CITICORP (EUA); Grupo Suez/Tractbel que explora água, gás, saneamento e eletricidade

91

Berman (2007b) estimava que estes contratos especiais, que estavam previstos para finalizar no ano de 2004, causariam um prejuízo de US$ 20 milhões de dólares por ano para a Eletronorte.

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(França/Bélgica); as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht (Brasil), entre outras. De forma geral, participam desses consórcios bancos, que facilitam os financiamentos que não são cobertos pelo Estado; produtores de cimento, pois trata-se de um produto intensamente utilizado na construção de barragens; construtoras, que garantem suas atividades na construção da obra; e grandes consumidoras de energia que buscam se beneficiar utilizando- se da energia gerada. Além da exploração de energia, essas empresas buscam capturar ganhos de capital procedentes da construção do empreendimento.

Tabela 5 - Usinas Licitadas para Autoprodução (AP)/Produção Independente (PI) de propriedade de setores industriais eletrointensivos: 1995 - 2002

Empreendimento Localização Capacid. Instalada (MW) Empreendedor(es) Destino da Energia Data da Licitação

UHE Estreito Rio Tocantins

TO/MA 1.087

Alcoa Alumínio, CVRD, Camargo Correia,

BHB Billiton, Tractebel PI/AP 12/07/2002

UHE Caçu Rio Claro

GO 65 Alcan Alumínio AP 12/07/2002

UHE Barra dos Coqueiros

Rio Claro

GO 90 Alcan Alumínio AP 12/07/2002

UHE Traíra II Rio Suaçuí-Grande

MG 60 Alcan Alumínio AP 12/07/2002

UHE Santa Isabel Rio Araguaia

TO/PA 1.087

Billiton Metais; CVRD; Camargo Corrêa;

Alcoa Alumínio e Votorantim Cimentos AP 30/11/2001

UHE Pai Querê Rio Pelotas

SC/RS 292

CPFL-Geração Energia; Alcoa Alumínio; Companhia Estadual de Energia Elétrica-

CEEE; DME Energética e Votorantim Cimentos

PI/AP 30/11/2001

UHE Pedra do

Cavalo Rio Paraguaçu BA 160 Votorantim Cimentos PI/AP 30/11/2001

UHE Salto Pilão Rio Itajaí

SC 181

CPFL-Geração Energia; Alcoa Alumínio; Camargo Corrêa Cimentos; DME Energética e Votorantim Cimentos

PI/AP 30/11/2001

UHE Serra do Facão Rio São Marcos

GO 210

Alcoa Alumínio (50,4%); CBA (17%); DME Energética (10,1%) e Votorantim

Cimentos (22,5%) PI (83,03%) /AP (16,97%) 28/06/2001 UHE Foz do Chapecó Rio Uruguai RS/SC 855

CVRD (40%) e Foz do Chapecó Energia

(60%) PI/AP 28/06/2001

UHE Capim Branco I e II

Rio Araguari

MG 450

Cemig Capim Branco Energia (20%); CVRD (46%); Com. e Agrícola Paineiras (17%); Comp. Mineira de Metais (12%) e

Camargo Corrêa Cimentos (5%)

PI (37%) e AP (63%)

30/11/2000

UHE Picada Rio Peixe

MG 50

Comp. Paraibuna de Metais (99%) e Paraibuna Energia (1%)

PI (1%) e

AP (99%) 30/11/2000

UHE Barra Grande Rio Pelotas SC/RS 690

VBC Energia (44,7%); Alcoa Alumínio (31,6%); Valesul Alumínio (10,5%); DM

Energética (7,9%) e Camargo Corrêa Cimentos (5,3%)

PI(94,7%) e AP(5,3%)

12/04/2000

UHE Candonga Rio Doce

MG 140

Companhia Vale do Rio Doce (50%) e EPP

Energia Elétrica (50%) PI/AP 28/01/2000 UHE Pirajú Rio Paranapa- nema 80 Companhia Brasileira de Alumínio S.A. AP 1998

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Fonte: Bermann (2007b) www.ilunina.org.br.

Parece ficar evidente a resposta da pergunta “energia para quê e para quem?”. Uma

considerável quantidade de energia elétrica gerada no Brasil está a serviço de um pequeno grupo econômico representado pelos proprietários das indústrias eletrointensivas; estes se apossaram, inicialmente, do Estado e na atualidade buscam se apropriar de recursos naturais para garantirem maiores lucros para seus investimentos, controlando seus próprios territórios. Esse domínio sobre a energia serve para garantir menores custos aos seus produtos, que conseguem concorrer no mercado internacional, um dos mais importantes locais de negociação dos mesmos, garantindo, assim, uma lucratividade alta para seus negócios. Não

SP UHE Porto Estrela Rio Santo Antonio

MG 112 CEMIG; CVRD; COTEMINAS e NES

PI (20%)

AP(80%) 10/07/1997

UHE Campinho Rio Jucu ES 45 Cia. Paraibuna de Metais AP -

UHE Serra Quebrada

Rio Tocantins

TO/MA 1.328

Alcoa Alumínio; Billiton Metais; Eletronorte; Eletrobrás; Camargo Corrêa

Energia e CVRD

PI/AP -

UHE Irapé Rio Jequiti-nhonha

MG 360 Camargo Correa; Alcoa; CVRD; Cemig PI/AP 1998

UHE Canoas I e II Rio Paranapa-nema

- SP 155

CBA (50,3%) e

Cesp (49,7%) PI/AP 30/07/1998

UHE Itá Rio Uruguai

SC/RS 1.450

CSN; Cia. Cimento Itambé; Poliolefinas;

Cia. Industrial Propileno PI/AP 21/12/1995 UHE Guilman

Amorin

Rio Piracicaba

MG 140

Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira (50%);

Samarco Mineração (50%) AP 19/05/1998

UHE Dona Francisca

Rio Jacuí

RS 125

Alcoa (18,2%); Camargo Correa (15,7%); Cia. Cimento Votorantim (13,1%); Grupo Gerdau (13%); Celesc (15%); Inepar (25%)

PI/AP 18/08/1997

UHE Machadinho Rio Pelotas

SC/RS 1.140

Alcoa (19,7%); Eletrosul (17%); Celesc 12,1%); Camargo Corrêa (4,6%); CBA (9,3%); Ind. Votorantin (7,9%); Portland Rio Branco (7,9%), Valesul (7,3%), Inepar

, Copel (4,3%), e CEEE (4,9%)

PI/AP 15/01/1997

UHE Igarapava Rio Parnaíba

MG 210

Cemig (14,5%); Cia. Mineira de Metais (20%); CSN (6%); CVRD (35%); Eletrosilex (13%) e Mineração Morro

Velho (11,5%)

PI/AP 28/09/1995

UHE Pai Joaquim Rio Araguari

MG 23

Cimento Mauá e Cia. Minas Oeste de

Cimento AP 13/11/1996

UHE Sobragi Rio Paraibuna

MG 60 Cia. Paraibuna Metais AP 13/11/1996

UHE Funil Rio Grande

MG 180

Cemig; Andrade Gutierrez; Samarco; Ferro

Ligas Domyni PI/AP 21/10/1996

UHE Melo Rio Preto

MG 8,5 Valesul Alumínio e Billinton AP 02/08/1996

UHE Ponte Nova Rio Ipiranga

MG 170 Grupo Fiat e Alcan Alumínio AP 07/12/1995

UHE Baú Rio Piranga

MG 74 Samarco Mineração AP 30/11/1995

UHE Pilar Rio Piranga

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interessa em que situação e que impactos ambientais e sociais esses empreendimentos causam em seus locais de instalação; o importante é o lucro que esses empreendimentos obterão com a produção, mesmo que, na maioria das vezes, eles sejam verdadeiros enclaves na região de implantação. Parte considerável da energia elétrica produzida no Brasil está a serviço de um pequeno grupo de investidores, boa parte oriundos de fora do país, que produzem produtos a preços baixos; e, já que grandes quantidades serão consumidos no exterior, eles não alavancam, de forma considerável, a economia brasileira.

Este modelo energético foi reforçado no ano de 2007 pelo governo federal com a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Benzer Belgeler