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2. ALAN YAZIN

2.3. Benlik Saygısı

2.3.1. Benlik kavramı ve benlik saygısı

Os princípios e diretrizes da Política estadual de Recursos Hídricos para a regulamentação dos Comitês de Bacias do estado de São Paulo, disposto pela Lei 7.663/91, dividiram o estado em 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) com o intuito de incentivar o uso das bacias hidrográficas como unidade de planejamento ambiental por meio da participação ativa entre os municípios e sociedade civil (CUNHA, 2008).

De acordo com a divisão estabelecida, o município de São João da Boa Vista está inserido na bacia hidrográfica do Mogi-Guaçu (Figura 22), localizada na região nordeste do estado de São Paulo e que abrange 37 municípios numa área de 1306100 hectares, possuindo 7,3 por cento de vegetação remanescente em sua superfície (BIOTA/FAPESP, 2008).

Figura 22 – Localização da UGRHI Mogi-Guaçu no estado de São Paulo e localização do município de São João da Boa Vista na unidade. Fonte: SIGRH, 2009.

Em relação à hidrografia (Figura 23), o padrão de drenagem predominante é o dendrítico, caracterizado pela semelhança da distribuição dos galhos de uma árvore, geralmente ocorrendo quando a rocha dos substratos é homogênea, como os granitos.

Apesar de possuir um padrão predominante, nota-se a existência de três áreas com diferentes graus de dissecação do terreno. A nordeste, o relevo possui altitudes mais elevadas e maior dissecação, acarretando um aumento no número de drenos naturais, além da existência de um padrão secundário de drenagem paralela, desenvolvido em regiões com declividade acentuada. A sudeste, apresenta grau de dissecação do terreno em estado intermediário. A oeste, possui menor dissecação e conseqüentemente, menor numero de drenos contribuintes, por estar em uma cota inferior e plana.

O rio Jaguari-Mirim é o principal curso d´água do município, atravessando toda sua área inclusive a área urbana consolidada, com uma extensão aproximada de 72 quilômetros e uma largura média de 20 metros, contando com a contribuição de dezoito afluentes. Esse curso d´água foi classificado pelo Decreto Estadual no 10755 de 22 de novembro de 1977 como rio de classe II que, segundo a Resolução CONAMA n° 357, tem suas águas destinadas:

“,,,ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; à proteção das comunidades aquáticas; à recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho); à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e à proteção de

comunidades aquáticas em terras indígenas” (CONAMA,

2005).

As áreas de preservação permanente (APP) desse rio são estabelecidas em 50 metros pela Resolução CONAMA n° 303 de 20 de março de 2002. Ao longo do trecho urbano, existem áreas de preservação permanente do rio Jaguari-Mirim ocupadas ou próximas de usos antrópicos incompatíveis, como indústrias ou loteamentos (Figura 24). Em área rural, os conflitos estão comumente relacionados a usos de extração mineral, pastagem ou cultivo (Figura 25).

Figura 24 – Conflito de usos em área urbana no rio Jaguari-Mirim, em azul; área industrial de grande porte, em branco e loteamentos. Fonte: modificado de Quickbird, 2006.

Figura 25 – Conflito de usos em área rural no rio Jaguari-Mirim, em azul; extração mineral, em branco; culturas e pastagens. Fonte: modificado de Quickbird, 2006.

Entre os cursos d´água presentes em área urbana consolidada, destacam- se os afluentes do rio Jaguari-Mirim constituídos pelo ribeirão da Prata, ribeirão São João e córrego São João. O ribeirão da Prata e o ribeirão São João estão localizados às margens de trechos urbanizados e, em sua extensão, verifica-se o predomínio de conflitos entre as áreas de preservação permanente e usos agropecuários, como terrenos com pastagem e culturas.

O córrego São João (Figura 26) apresenta maior incidência em espaço intraurbano, com edificações em suas margens ao longo de quase todo o percurso, de modo que no seu trecho dentro da cidade, as áreas de preservação permanente estão ocupadas, não havendo superfície permeável para infiltração de águas. A proximidade deste córrego com o meio edificado apresenta situações de risco para a população, dadas as enchentes nos períodos de chuva intensa.

Figura 26 – córrego São João em área central. Fonte: o autor, 2010.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado de São Paulo desenvolveu um plano de macrodrenagem do município de São João da Boa Vista que inclui a construção de dois reservatórios de retenção em área urbana, popularmente

chamados de “piscinões”, para conter o transbordo do córrego São João e evitar novas enchentes.

Segundo o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos (2006), a implantação desse tipo de reservatório não implica uma solução definitiva para problemas relacionados a inundações, caracterizando-os como projetos financeiramente dispendiosos com implicações sociais e ambientais, como a possibilidade de assoreamento do reservatório em decorrência da deposição de sedimentos finos trazidos por chuvas intensas e a degradação do entorno urbano circundante em decorrência de odores e da carga químico-biólogica provenientes da água retida e dos materiais e sedimentos depositados nos reservatórios.

Santos (2006) afirma que, apesar de configurar uma solução tecnológica, outras práticas deveriam ser adotadas pelos cidadãos, como pequenos reservatórios pluviais domésticos para residências e médios para grandes edifícios, como supermercados, e outras soluções urbanísticas, como calçadas drenantes, praças com espelhos d´água ou lagos e, principalmente, a restauração das áreas de alagamento e das matas ciliares dos rios.

Entretanto, verifica-se a preocupação com o uso racional da disponibilidade hídrica no município, demonstrada por dados recém-publicados pelo programa “Município Verde Azul” do governo do estado de São Paulo, com ações relacionadas à recuperação de matas ciliares, aumento da área de cobertura vegetal em área rural e urbana e evolução da legislação sobre o uso da água, possibilitando a certificação do município no ano de 2009, o que não ocorreu em 2008 (SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE, 2009).

Quanto à hidrografia da área de estudo (Figura 27), nota-se a existência de cinco cursos d´água contribuintes do rio Jaguari-Mirim, o córrego da Cachoeira da Serra, com percurso aproximado de 12 quilômetros, o córrego do Sertãozinho, com percurso aproximado de 7,7 quilômetros, o córrego da Bomba, com percurso aproximado de 6,4 quilômetros, o córrego da Aliança, com percurso aproximado de 4,8 quilômetros e o ribeirão São João, com percurso aproximado de 4,6 quilômetros.

A microbacia do córrego da Cachoeira da Serra configura parte da delimitação natural do mosaico paisagístico da área de estudo, abrangendo uma área aproximada de 40 quilômetros quadrados com cabeceira situada no topo da serra da Cachoeira

Durante pesquisa em campo, constataram-se diferentes situações ocorrendo ao longo do córrego da Cachoeira da Serra e seus contribuintes; a maior parte de seu percurso sofre interferência direta de atividades antrópicas ao cruzar pastagens e represamentos, com vegetação ciliar reduzida a gramíneas e formações pioneiras (Figura 28), com exceção dos trechos situados nos fragmentos florestais remanescentes, onde se verificou vegetação arbórea mais densa (Figura 29).

Figura 29 – Curso d´água contribuinte do córrego da Cachoeira da Serra. Fonte: o autor, 2009.

Benzer Belgeler