Depois da imprensa, da rádio e da televisão, mais um meio veio alterar o paradigma
da comunicação. O surgimento da internet e posterior desenvolvimento desta
ferramenta, trouxe à comunicação social um complemento e uma nova oportunidade de expansão da informação:
“A mudança do paradigma de comunicação de
massa para uma realidade de interacções
individualizadas mostra que a sociedade reconhece a grande rede como um novo meio essencial no cotidiano e pratica inúmeras acções através dela, principalmente no que se refere a informação,
negócios e relacionamento”.
(Borba, 2008: 1)
O imediatismo da internet e a possibilidade de fazer chegar a informação a milhares de pessoas com uma só notícia, potenciou a importância de apostar neste meio o mais
cedo possível. Os media apostaram primeiro na criação de sites, depois a
disponibilização de espaços para publicidade e posteriormente a aposta nas redes sociais (principalmente o Twitter e Facebook). Mas esta facilidade de acesso à internet não se aplica apenas à comunicação social. O facto é que qualquer pessoa com acesso a um computador e ligação à internet, pode também gerar informação. Com o acesso ao online, “os indivíduos adquiriram poder de escolha: posso escolher o programa que quero ver e no medium que quero. Surgiram os produtores-utilizadores de conteúdos
mediáticos” (Torres, 2011: 14). A interatividade permanente permite a qualquer
utilizador ler/ver o que quer online, e produzir os seus próprios conteúdos com a possibilidade de partilha de informação:
“A digitalização de conteúdos e a internet
revolucionaram os processos de produção e
distribuição dos media, o que permitiu a
proliferação dos media a ponto de qualquer pessoa
poder criar em poucos minutos o seu medium
individual pela internet (o site, o blogue); criaram- se formas de distribuir e ver conteúdos
audiovisuais, nomeadamente o Youtube”.
(idem, 14)
Esta evolução trouxe novos desafios aos jornalistas a nível das suas responsabilidades: o primeiro prende-se com o tratamento da informação que chega precisamente via internet; o segundo com a imperatividade de confirmação dessa informação antes da publicação; e terceiro com a necessidade de publicação de artigos em vários meios, desde texto, fotografia, vídeo, som, hiperligação, e até partilha nas redes sociais.
Ou seja, “Os profissionais passaram a ter que lidar com práticas nunca antes
imaginadas e a agregar novos valores e conhecimentos ao já construído na pedagogia do
ofício.” (Padilha, 2008: 108)
Num mundo cada vez mais global, é natural que os media tradicionais procurem meios alternativos e de massas para fazer chegar a informação, e os meios em Portugal
têm usufruído dessas potencialidades com um “crescimento constante do
aproveitamento das potencialidades da internet pelos cibermeios portugueses” (Zamith,
2011: 163), no entanto, “aproveitam menos de um quarto das potencialidades máximas
do novo meio” (Zamith, 2008: 48).
Com a possibilidade da partilha de texto, fotografia, vídeo e som percebe-se que a
“Internet pode ser rádio, TV, jornal, revista, tudo ao mesmo tempo” (Alves, 2006: 98),
meios que também migraram para o online chegando assim a mais pessoas.
“Houve um investimento que deu frutos, feito na
Internet pelos grupos tradicionais de media, ainda que em muitos casos apenas em reformulações técnicas dos seus sites, com recurso a ferramentas de automatização, e não propriamente no reforço das respectivas redacções e na consequente
produção de conteúdos jornalísticos
diferenciadores e, esperadamente, de maior
qualidade”.
(Zamith, 2012: 29)
O ‘perfil do jornalista português’ coordenado por José Rebelo e publicado em 2011, mostra que “quase todos os profissionais que trabalham no sector dos multimédia têm formação superior ao nível do bacharelato ou licenciatura, mas na categoria “vários media” é clara a maioria de profissionais em regime livre que ultrapassa os trabalhadores por conta de outrem, tratando-se “nitidamente da clássica situação de freelance” (Rebelo, 2011: 123-124).
As novas tecnologias permitem enriquecer os conteúdos noticiosos e um bom exemplo disso é a Realidade Aumentada (RA):
“A hipótese de colocar camadas de informação
virtual sobre imagens reais captadas no momento é uma oportunidade para enriquecer as notícias com uma contextualização que pode ser continuamente
actualizada”.
(Canavilhas, 2013:2)
A atualização permanente de informação disponibilizada pelos meios de comunicação online acompanha o imediatismo a que estamos sujeitos na internet, no entanto tem as suas contrapartidas. Os media procuram ser os primeiros a dar determinada notícia sem primeiro confirmar as fontes e a veracidade da informação, ou então na impossibilidade de ser o primeiro, a divulgação é feita tendo por base uma notícia avançada por um concorrente, se tal tiver que ser. A prioridade em estar ‘em
cima do acontecimento’ potencia as falhas dos órgãos de comunicação social online levando a uma perda de confiança por parte dos leitores:
“Para ser o primeiro a ver e a fazer ver alguma
coisa, está-se disposto a quase tudo, e como se copia mutuamente visando deixar os outros para trás, a fazer antes dos outros, ou a fazer diferente dos outros, acaba-se por fazerem todos a mesma coisa, e a busca da exclusividade, que, em outros campos, produz a originalidade, a singularidade,
resulta aqui na uniformização e na banalização.”
(Bourdieu, 1997: 27)
Para tentar fugir desta banalização é, tão importante quanto a notícia em si, a capacidade de atrair o cibernauta para os seus conteúdos e não para os dos seus concorrentes.
Uma forma de o garantir, é a partilha das notícias do site nas redes sociais. Aquelas que são mais utilizadas pelos internautas são o Facebook, o Twitter e o Instagram.
Nos dias que correm, as redes sociais são cada vez mais utilizadas por usuários individuais, mas também por organizações, com ou sem fins lucrativos, e das mais variadas áreas.
Para perceber a importância das redes sociais e da quantidade de pessoas que poderão receber a informação partilhada, foquemo-nos no Facebook.
O Facebook, por exemplo, é um site que funciona como rede social. Foi lançado a 4 de fevereiro de 2004, e tornou-se a maior rede social em todo o mundo, com milhões de utilizadores em todo o mundo.
Com 10 anos de existência, a rede social liderada por Mark Zuckerberg registava números impressionantes. Segundo dados do próprio Facebook, eram já mais de 1,2 Bilhões de usuários ativos mensais.
Outros dados facultados pelo Facebook em fevereiro de 2014: - 6 Biliões de conexões, desde fevereiro de 2004;
- 1,23 Biliões de usuários ativos por mês (dados de dezembro de 2013);
- 945 Milhões de usuários ativos mensais, em produtos móveis do Facebook (em dezembro de 2013);
- Em média, mais de 6 bilhões de “Gostos” por dia (em dezembro de 2013);
- 400 Biliões de fotos compartilhadas no Facebook, desde outubro de 2005;
- 7,8 Triliões de mensagens enviadas por intermédio do Facebook, desde o início de 2012;
- Mais de 25 milhões de páginas de pequenas empresas, em novembro de 2013. O Facebook é também recordista noutro tipo de números. Esta rede social registou um resultado líquido de aproximadamente 465 Milhões de euros no primeiro trimestre de 2014, triplicando os números obtidos no mesmo período do ano passado, muito por causa do aumento do número de usuários da aplicação móvel, que em abril de 2014 eram 150 Milhões:
“Resumindo, a Internet alterou a nossa perceção
das notícias e o modo como lidamos com elas, criou um mundo de abundância onde os média disputam a nossa atenção com muitas outras
plataformas”.
3.7. JORNALISMO DESPORTIVO: AS MULHERES