PARAMETRE DEĞERLERİNİN KARŞILAŞTIRILMASI
7. AKSARAY ENERJİ İHTİSAS ENDÜSTRİ BÖLGESİ: BİRİNCİ KÖŞE TAŞI
7.2. BELİRLENEN ARAZİ VE EŞİK ANALİZİ
No livro “O que é violência contra a mulher”, Maria Amélia Teles e Mônica de Melo (2002) nos dão elementos que embasam o argumento do ciclo de violência. Segundo elas,
A violência doméstica ocorre numa relação afetiva, cuja ruptura demanda, via de regra, intervenção externa. Raramente uma mulher
consegue desvincular-se de um homem violento sem auxílio externo. Até que este ocorra, descreve uma trajetória oscilante, com
movimentos de saída da relação e de retorno a ela. Este é o chamado ciclo da violência, cuja utilidade é meramente
descritiva. Mesmo quando permanecem na relação por décadas, as
mulheres reagem à violência, variando muito as estratégias (TELES e MELO, 2002, p.79, grifos nossos).
Participei como ouvinte do curso de sensibilização promovido pelo NUDEM, para os defensores plantonistas. Para a presente discussão, destacamos a última fala do curso, que foi proferida pela então psicóloga do NUDEM, sobre a “Rede de cuidados à mulher em situação de violência doméstica e familiar – casos e encaminhamentos”. De acordo com ela, nessa
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rede, as mulheres são atendidas de uma forma diferenciada, ou seja, com uma escuta atenta e sensível à demanda e ao tempo de cada uma delas, de forma individualizada. Comenta que:
A violência contra as mulheres é entendida como uma questão cíclica e que, por vezes, as mulheres procuram ajuda na fase da “explosão”. É necessário o cuidado e atenção para o que vai ser feito a fim de romper esse ciclo.
O caminho percorrido pelas mulheres que procuram ajuda é, por vezes, nomeado de “rota crítica”. Para a psicóloga, a rede de atendimento a mulheres em situação de violência é “muito mais que um conjunto de serviços”. Assim, destaca a necessidade de alinhamento entre “serviços e servidores”. Por fim, a essas mulheres é necessário o empoderamento a partir de “ações coletivas que possibilitam a aquisição da emancipação individual”. 65
Maria Elisa Stampacchio destacou que é necessária uma escuta atenta além do respeito ao tempo de cada mulher na busca por ajuda e orientação. A autora afirmou que:
Dá-se uma atenção especial para que as mulheres decidam sobre a denúncia policial contra o agressor, avaliando-se criticamente as condições de urgência e iminência de cada situação. Na maioria delas, a violência existe há muito tempo, além disso, nem sempre as mulheres tem clareza de como pretendem sair das situações, menos pelo seu desconhecimento dos direitos e, mais pela efetiva ausência de reconhecimento dessa violência como uma forma de violação de sua condição feminina, tanto do lado do Estado como da sociedade (STAMPACCHIO, 1995, p. 92).
Ainda sobre o tempo que cada mulher leva para pedir a ajuda, enfatizou: Então, cada um tem um tempo necessário para elaborar essas coisas, e interromper esse redemoinho. Ela tem que ter um espaço para falar, para romper com o silencio, romper com o isolamento”(E). [...] Quando se está nesse processo de fato, qualquer força
isolada que a própria pessoa empreenda para sair desse círculo, funciona como um impulso contrário que a joga para o centro do movimento, acabado sendo sugada por ele. Na realidade, toda a
estrutura social parece funcionar como um redemoinho para as mulheres que permaneçam sugadas e envolvidas em suas situações de violência (STAMPACCHIO, p. 146, grifo nosso).
65 Relato do curso de sensibilização dos plantonistas dos CCMs e CRMs (Trecho do diário em 05/10/2012).
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Assim, é necessário que seja criado um espaço de escuta especializado, que seja “capaz de ouvir e entender a mulher que deseja romper com o isolamento” (STAMPACCHIO, p.146). Essa noção de “isolamento” trazida pela autora nos ajuda a pensar no que impede que as mulheres procurem auxílio para lidar com a violência. O isolamento é entendido como a condição em que muitas mulheres se encontram de não procurarem ajuda/apoio para romper com a violência, muitas vezes por não a perceberem. Nesse sentido, uma das alternativas é a busca de apoio.
É sobre esse movimento de ruptura, de procurar ajuda (institucionalizada ou não) que estamos colocando em questão o que chamamos aqui de “sair da situação de violência”. Assim, ao tratarmos do processo de saída do ciclo de violência para a tomada de decisão de buscar ajuda, sabemos que assumimos o risco de usar um termo capcioso (que pode gerar polêmicas e tensionamentos), mas o fazemos por optarmos pela manutenção da nomenclatura utilizada pelas profissionais da rede de apoio e enfrentamento à violência contra a mulher do município de São Paulo.
Seguindo essa linha de argumento, é possível fazer uma relação entre a noção de isolamento com as contribuições do Roberto Kinoshita (1996), quando trata da necessidade de inserção (dos usuários/as dos serviços circularem) em várias redes.
Entendemos que essas pessoas precisam estar envolvidas em um emaranhado de serviços disponíveis na rede, para, de algum modo, conseguir seguir com suas vidas e sair da situação de violência. Assim, a noção de autonomia trabalhada por Roberto Kinoshita (1996) nos ajuda, pois a entende enquanto:
[...] a capacidade de um indivíduo gerar normas, ordens para a sua vida, conforme as diversas situações que enfrente. Assim não se trata de confundir autonomia com auto-suficiência nem com independência. Dependentes somos todos; a questão dos usuários é antes uma questão quantitativa: dependem excessivamente de apenas poucas relações/coisas. Esta situação de dependência restrita/restritiva é que diminui a sua autonomia. Somos mais autônomos quanto mais dependentes de tantas mais coisas pudermos ser, pois isto amplia nossas possibilidades de estabelecer novas normas, novos ordenamentos para a vida (Idem, p.57).
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As reflexões do autor são feitas a partir de sua inserção na área da saúde mental e os “usuários” a que se refere são os usuários e usuárias dessa área. Contudo, acredito que podemos extrapolar essa reflexão para as pessoas envolvidas em situações de violência conjugal, tendo em vista que também elas têm uma enorme necessidade de estarem inseridas em serviços da rede (seja ela institucional ou social). A autonomia dessas pessoas não está relacionada a uma suposta independência, muito pelo contrário, são referentes a uma necessidade de inserções sociais que as possibilite criar novos ordenamentos e formas de vida.
Trabalhamos aqui com as relações conjugais66, afetivo-sexuais e, quando falamos de sair da situação de violência, referimo-nos especificamente a sair da situação de extrema violência que muitas dessas mulheres vivenciam e que as impede de viver, de desempenhar as atividades cotidianas e se entenderem enquanto sujeito de direitos, que têm direito a uma vida sem