2. HUKUK BÜROLARI VE ADLİ ARŞİVLEME SİSTEMLERİ
2.5. Fihrist ve İndeks Oluşturma
2.5.5. Belge Numarasına Göre İndeksleme
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA – foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pelo artigo 2º da Emenda Constitucional nº 27, de 28 de novembro de 1985 – EC nº 27/85 –, que adicionou o inciso III ao artigo 23 da Constituição Federal de 1967 – CF/67:
"Art. 23. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...)
III – propriedade de veículos automotores, vedada a cobrança de impostos ou taxas incidentes sobre a utilização de veículos".
A redação deste dispositivo assemelha-se àquela contida no artigo 155, inciso III, da Constituição Federal de 198834 – CF/88. Diferenciam-se, todavia, em relação à vedação da cobrança de impostos ou taxas incidentes sobre a utilização de veículos, que, ao contrário da CF/67, não é mencionada pela atual Carta Constitucional. Na essência, as regras se equivalem, na medida em que explicitam a mesma materialidade: ser proprietário de veículo automotor.
Sobre o aspecto histórico do IPVA vale destacar que, em geral, os doutrinadores que se ocuparam do tema, notadamente aqueles que examinaram a sua incidência sobre a propriedade de aeronaves e embarcações, estabeleceram uma relação de conexão entre o imposto e a Taxa Rodoviária Única – TRU – que foi instituída pelo Decreto-Lei nº 999, de 21 de outubro de 1969 – DL nº 999/69 –, por entenderem que o IPVA sucedeu a mencionada
34 Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...); III - propriedade de veículos automotores".
taxa. No entanto, tais doutrinadores não fundamentam sua posição e não apresentam as razões jurídicas que os levaram a efetuar tal afirmação35.
Este posicionamento foi, também, adotado pelo Supremo Tribunal Federal que, no Recurso Extraordinário nº 134.509–8/AM, estabeleceu relação de sucessão entre o IPVA e a TRU, que, juntamente com outros argumentos, serviu para fundamentar a decisão que afastou a incidência do IPVA sobre aeronaves e embarcações. Confira-se, por ser ilustrativo neste sentido, o seguinte trecho do voto lavrado pelo Ministro Francisco Rezek:
“Tentei saber, mediante pesquisa sobre a realidade objetiva, o que está acontecendo, qual a trajetória histórica da norma, e o que neste momento sucede sob o pálio da regra constitucional que atribui aos Estados competência para instituir imposto sobre a propriedade de veículos automotores. Verifiquei que temos neste caso um imposto que, na trajetória constitucional do Brasil, sucede à Taxa Rodoviária Única, e não me pareceu, examinados os sucessivos textos constitucionais recentes que, em qualquer momento, tenha sido intenção do constituinte brasileiro autorizar aos Estados, sob o pálio do imposto sobre propriedade de veículos automotores, a cobrança sobre a propriedade de aeronaves e de embarcações de qualquer calado.”
Esta questão nos parece merecer uma análise um pouco mais detida e rigorosa, na medida em que a suposta sucessão da TRU pelo IPVA é um dos argumentos utilizados pela parcela da doutrina e, como se viu acima, pelo próprio STF, ao sustentarem que o imposto de competência estadual não alcança a propriedade de aeronaves e embarcações.
A nosso ver, é provável que tal relação sucessória tenha sido estabelecida motivada pelo fato de ambas as espécies tributárias terem o mesmo sujeito passivo, qual seja, o proprietário de veículo automotor. Todavia, em nossa opinião, as semelhanças entre estas duas espécies tributárias terminam por aí. Isto porque, o critério material de cada uma das hipóteses de incidência são completamente diversos.
35 São neste sentido as opiniões de Marcelo Viana Salomão, Das inconstitucionalidades do IPVA sobre a
propriedade de aeronaves, Marcelo Knoepfelmacher, Aspectos da incidência do IPVA sobre a propriedade de
aeronaves e Carlos Henrique da Fonseca, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores e a
Nesse sentido, a leitura do DL nº 999/69, em especial de seu artigo 1º, parágrafo 1º36, revela, claramente, que a criação da TRU tinha como objetivo a instituição de uma única taxa que fosse uniforme em todo o território nacional, a fim de eliminar as diversas exações previstas por Estados e Municípios, as quais eram cobradas dos proprietários de veículos automotores terrestres, como forma de remuneração pela prestação de serviços públicos e pelo exercício do Poder de Polícia, relacionados ao registro anual e licenciamento de tais veículos.
Com efeito, como qualquer taxa, a TRU tinha como hipótese de incidência a atuação do Estado, por meio da prestação de um serviço público divisível, ou do exercício do Poder de Polícia, que se relacionavam com o registro e licenciamento do veículo automotor terrestre.
Vale dizer, portanto, que a TRU era a contraprestação devida pelo contribuinte, como forma de remunerar o Poder Público em face de sua atuação (registro e licenciamento de veículo automotor terrestre).
Todavia, de acordo com o quanto registrado acima, e como será melhor explorado no capítulo próprio, o critério material da hipótese de incidência do IPVA não se relaciona com a atuação estatal, mas sim, com a ação de um particular, qual seja, a de ser proprietário de veículo automotor.
Por isso, em nossa opinião, o IPVA não sucedeu a TRU, pois tais espécies tributárias possuem materialidades completamente diversas: o primeiro corresponde a uma exação que nasce de um típico comportamento de um particular – ser proprietário de veículo automotor –, enquanto a segunda caracteriza-se como a contraprestação devida pela atuação do Poder Público.
36"Art. 1º É instituída a Taxa Rodoviária Única, devida pelos proprietários de veículos automotores registrados
e licenciados em todo território nacional. § 1º A referida taxa, que será cobrada previamente ao registro do veículo ou à renovação anual da licença para circular, será o único tributo incidente sobre tal fato gerador"
Assim, do ponto de vista histórico, o IPVA não é sucessor da TRU, tratando-se, portanto, de novo tributo, da espécie imposto.