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Y. Ö.K DÖKÜMANTASYON MERKEZİ TEZ VERİ FORMU

2.7. Bekleyiş Serisi: Merdiven ve Koridor

Nessa subseção os conceitos de classe e de categoria dentro das

classificações filosóficas demostram o pensamento da autora desta tese, com base na literatura pertinente, a qual propriciou uma valiosa reflexão sobre o tema.

Embora o conceito de classe já estivesse presente no pensamento lógico medieval, esse termo só começou a ser usado no século XIX, sobretudo por obra

dos lógicos preocupados com o problema da quantificação da Lógica

(ABBAGNANO, 2003, p. 146). Nesse sentido, pode-se definir uma classe pela enumeração dos membros que a compõem (definição extensiva) ou indicando a propriedade comum a todos os seus membros (definição intensiva), como quando se fala do "gênero humano" ou dos "habitantes de Brasília". A definição intensiva é considerada fundamental porque a extensiva pode ser reduzida a ela, sem que ocorra o inverso. Sob esse ponto de vista, as classes são extensões de predicados, isto é, totalidades abertas que podem ser continuamente enriquecidas. Classe é, pois, o conceito que permite classificar, ordenar e distribuir os objetos de acordo com a sua extensão e a sua compreensão. A noção de classe confunde-se, de certo modo, com a noção de totalidade, uma vez que a classe é o todo em relação aos objetos que nele se acham incluídos e do qual fazem parte, como a vida em relação à humanidade, ou o ser em relação à vida. As classes que, sob esse ponto de vista, distinguem-se da totalidade, são conceitos abstratos e universais, embora os objetos que nelas se incluam possam ser entidades sensíveis ou particulares. Classe é um conceito consagrado que engloba ou compreende um conjunto ou coleção de objetos que apresentam, ao menos, um elemento comum. Classes são um arranjo de coisas que se percebem como relacionadas e semelhantes entre si, formando grupos separados por linhas demarcatórias nítidas. Esses grupos acham-se coordenados ou subordinados uns aos outros, formando hierarquias ou oposições. As relações que mantêm entre si permitem considerar alguns como dominantes, outros como dominados, e ainda outros, como independentes.

O termo categoria, derivado do verbo grego categorein (enunciar), expressa os diversos modos de enunciação, uma vez que sempre, de alguma maneira, enunciam o ser e os distintos modos de ser. O mesmo significado encontra-se no termo predicamento, derivado do latim praedicare (predicar, enunciar). Em Filosofia,

as categorias designam noções lógicas que refletem as propriedades essenciais, os

também conceitos superiores, gêneros supremos, divisões últimas pré- estabelecidas, conceitos fundamentais, também chamados conceitos primitivos ou conceitos-tronco, por não serem inferiores ou sub-conceitos de uma unidade mais elevada. Acima delas está unicamente o ser, ou o conjunto de sujeitos, super- categoria da qual participam as categorias como originários modos de ser, determinações primordiais do ser ou predicados do sujeito. As categorias fundamentam as diversas ordens e sempre expressam o peculiar da ordem correspondente. Ao longo da história, as categorias tiveram uma aplicação direta na classificação dos seres, mas podem igualmente se aplicar às classes na classificação dos saberes.

Assim como as definições oriundas da Filosofia são inúmeras e com divergências conceituais, as possíveis influências dos conceitos filosóficos de classe

e categoria também geram divergências conceituais na Teoria da Classificação

como as noções descritas na seção 5.

Gracia (2001) observa que Platão - ao pensar que existem algumas categorias imutáveis, independentes da história e do pensamento humano (ultrarrealismo platônico) -, Aristóteles - ao sustentar que as coisas têm naturezas, as quais estabelecem o que elas são (realismo moderado) - e Kant - que faz valer as categorias só para a coisa como fenômeno, porém não para a coisa em si, pois a realidade transcende o conhecer (idealismo transcendental) - não concebem (como Foucault) que categorias são invenções resultantes de sistemas de classificação ou, a priori, historicamente dependentes. Portanto, qualquer que seja o seu impacto - lógico-ontológico, transcendental, dialético, pragmático, fenomenológico, fenomenológico-ontológico -, as categorias tratadas como questão filosófica representam a relação do dizer e do ser, das palavras e das coisas, do real e do imaginário, do natural e do histórico, encaradas em toda a riqueza do seu sentido.

Como observado, categoria é um termo com diversos significados,

dependendo do conceito de realidade que cada doutrina filosófica assume em seu início. A explicação do termo mostra também que as categorias estão íntimamente ligadas ao juízo no qual se dá a predicação (é no juízo que se encontram abundantes modos de predicar e de ser) e foram primeiro Aristóteles e depois Kant aqueles que deram maior relevância a essa questão.

Como diversos outros termos filosóficos originariamente técnicos, o termo categoria entrou na linguagem corrente em que é frequentemente utilizado para

designar as diferentes espécies (os vários grupos resultantes da divisão de um gênero por determinada característica) do mesmo gênero (conjunto de coisas ou idéias que pode ser dividido em duas ou mais espécies), ou seja, para indicar tanto o conteúdo como o princípio de divisão. Portanto, de uma maneira não-técnica, entende-se por categorias os conceitos gerais com os quais um indivíduo (ou um grupo de indivíduos) tem o hábito de relacionar os seus pensamentos e os seus juízos, ou seja, noções gerais segundo as quais um espírito costuma julgar, raciocinar e classificar.

As diferentes acepções do termo categoria derivam do sentido e do valor que é atribuído ao termo em relação, sobretudo, ao ponto de vista sob o qual o assunto é tratado. Disso resulta que não se pode estabelecer um único âmbito categorial, mas que, ao contrário, há uma multiplicidade de grupos categoriais (determinados com base em diversos critérios) que, na história da Filosofia, vão-se desenvolvendo, tal como sistematizado nos quadro 25 e 26.

As noções de categoria propostas pela Filosofia têm sido, em geral, noções dogmáticas (opinião ou crença fundamental de uma escola filosófica). A noção utilizada pelo Empirismo Lógico, que considera as categorias “regras convencionais, que regem o uso dos conceitos” (ABBAGNANO, 2003, p. 123), é certamente a mais instrumental. Nessa concepção, Ryle (1949, p. 4) entende categoria lógica de um conceito como “o conjunto de modos nos quais, por convenção, é permitido utilizar o termo respectivo”, o que implica dizer que Ryle formula o conceito de categoria como o de um instrumento conceitual que funciona como princípio de divisão.

O resgate histórico das classificações filosóficas dos saberes e dos seres permitiu constatar que os conceitos de classe e categoria têm passado ao léxico filosófico universal, mas os seus sentidos não podem ser compreendidos a partir de uma interpretação comum dos termos, senão em conexão com doutrinas e escolas filosóficas específicas.

4 DAS CLASSIFICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Depois de longo estudo do assunto torna-se evidente que, pela própria natureza das coisas, é impossível em teoria uma classificação perfeita, e qualquer sistema só pode ser satisfatório na prática para aqueles que admitem essa dificuldade inerente e se conformam com ela por saberem que um sistema sem problemas

é impossível existir. Dewey

A classificação, em sentido lato, é o meio pelo qual a nossa mente identifica um objeto dado e distingue-o de outro, inconsciente ou conscientemente. O livro do Gênesis conta que o mundo se originou do caos, quando Deus dividiu a luz das trevas (ALA..., 1980, p. 146). Assim, a idéia de classificação, literalmente ato ou efeito de classificar, é mostrada como a origem e a essência do mundo. A preocupação de ordenar as informações ou os conhecimentos, ou seus suportes, juntando-os por grupos ou classes, que guardam certa afinidade, para localizá-los dentro de um conjunto mais amplo, na essência, significa um processo mental, pelo qual se agregam coisas pelos graus de semelhanças e separam-se de acordo com as suas diferenças.

A classificação, entendida como processo mental de agrupamento de elementos portadores de características comuns e capazes de ser reconhecidos como uma entidade ou conceito, constitui uma das fases fundamentais do pensar humano (CAMPOS, A., 1973, p. 15).

A habilidade para classificar é seguramente uma faculdade fundamental sem a qual nenhum organismo vivo pode funcionar adequadamente. Pode-se, por exemplo, distinguir coisas comestíveis daquelas impróprias para consumo ou animais que são (ou podem ser) perigosos daqueles que são mansos. Todos passam a vida fazendo constantemente distinção entre coisas similares e coisas diferentes, ao mesmo tempo em que as agrupam em grandes classes ou em subclasses menores e percebem relações entre as diferentes classes e subclasses.

Desde que o conhecimento humano passou a ser registrado em suportes duráveis, e coletado em repositórios, existe a necessidade de arranjar os documentos de tal maneira que registros com as mesmas ou similares características possam ser encontrados juntos. Consequentemente uma coleção de documentos só pode ser considerada uma biblioteca quando arranjada num padrão sistemático. Em sentido geral toda organização de documentos, seja por autor, seja por título, seja por assunto, ou seja por forma física, é embasada em alguma espécie de classificação,

mas em sentido restrito, somente ordenação sistemática de documentos (ou de suas representações) por assunto é comumente entendida como sendo o propósito da classificação bibliográfica.

É importante distinguir entre três significados diferentes, mas interrelacionados, do termo classificação na prática biblioteconômica: primeiro, é o sistema de classificação ou o esquema de classificação (chamado simplesmente de Classificação); segundo, é o ato de classificar ou de atribuir um código de classificação ao documento para indicar o seu assunto ou conteúdo; terceiro, é o arranjo físico do documento nas estantes e a representação do documento no catálogo classificado. Com relação ao primeiro significado (obviamente fundamental, em virtude do qual os outros dois existem), a Federação Internacional de Documentação (FID) afirma: por classificação é entendido qualquer método de criar relações, genéricas ou outras, entre unidades semânticas individuais, apesar do grau de hierarquia do sistema e também aqueles sistemas que aplicam métodos mecanizados de pesquisa documental em conexão com os métodos tradicionais117

(ALA…, 1980, p. 146. Tradução livre da autora).

Enquanto o processo classificatório faz parte da condição humana, a classificação bibliográfica é uma sequência de conceitos planejados para serem aplicados à organização de acervos de bibliotecas para que livros possam ser recuperados de modo eficaz e eficiente, ou seja, uma aplicação pragmática do princípio classificatório no contexto das unidades e sistemas de informação.

Grande parte da realidade está pré-classificada, por assim dizer. Entre os elementos distinguem-se, de maneira corrente, o ar, a água, a terra e o fogo; divide- se o Direito em Direito Público e Direito Privado; a Terra, em cinco continentes; os seres vivos em animais e vegetais, e assim por diante. Essas divisões devem-se tanto à convenção social como à razão, porém têm a seu favor a força do consenso. As classificações bibliográficas incorporam muito, tanto da classificação convencionada socialmente como da classificação operação lógica, que consiste em fazer uma distinção da realidade múltipla em grupos, conjuntos, classes, categorias, segundo o critério de semelhança ou diferença.

117

“by classification is meant any method creating relations, generic or other, between individual semantic units, regardless of the degree of hierarchy contained in the systems and of whether those systems will be applied in connection with traditional or more or less mechanized methods of document searching” (ALA…, 1980, p. 146).

Antecedendo o discurso acerca das classificações biblioteconômicas convém ressaltar o pensamento de um autor que acredita que as classificações do conhecimento sempre refletem a época da sua elaboração, com os seus problemas, métodos de estudo, visões de mundo, suas teorias, seus interesses: uma organização do conhecimento adaptada à têmpera filosófica dos gregos não se adaptaria às cosmologias mitológicas da Babilônia, à vida impetuosa da Renascença ou ao industrializado século XIX. Quanto mais adaptada à determinada época for uma classificação, menos adequada será para qualquer outra (VICKERY, 1975, p. 147. Tradução livre da autora)118. A essa visão acrescenta-se um extrato do pensamento de Ranganathan, que evidencia a sua visão metafísica para a epistemologia e a organização do conhecimento.

Um esquema enumerativo com uma fundação superficial pode ser favorável e mesmo econômico para um sistema fechado de conhecimento. Por exemplo, tal esquema trabalhará bem para a Grécia Antiga ou a Filosofia Indiana, porque ambos têm se tornado cristalizados e fixos há muito tempo [...]. O que distingue o universo

do conhecimento corrente é que ele é um continuum dinâmico. Ele é sempre

crescente; novos ramos podem brotar de qualquer de seus infinitos pontos a qualquer tempo; eles são desconhecidos no presente. Eles não podem portanto ser enumerados aqui e agora; não podem ser antecipados, suas filiações podem ser determinadas somente após eles aparecerem (RANGANATHAN, 1951, p. 87. Tradução livre da autora).

Para Ranganathan, o desenvolvimento do conhecimento, em vez de estar enraizado na pesquisa concreta e no trabalho especializado dos seres humanos, baseava-se na vida abstrata dos homens. Ranganathan acreditava no conhecimento intuitivo, em classificadores intuitivos e na noção de que a idéia era separada da palavra na linguagem natural e, algumas vezes, poderia não ser expressa na “linguagem natural, mas poderia ainda ser experienciada na consciência individual”. Ele escreveu sobre simbolismo indiano para assumir que “não expresso facilmente, senão inexpresso, em palavras” (RANGANATHAN, 1951, p. 27). Ranganathan possuía a visão de que a linguagem classificatória que ele tinha desenvolvido era

118

“An organisation of knowledge which fits the philosophical temper of the Greeks does not suit the mythological cosmologies of Babylon, the rushing life of the Renaissance, or the industrialised nineteenth century. Indeed, the better fitted a classification is to a given epoch, the less suitable will it be for any other epoch” (VICKERY, 1975, p. 147).

capaz de articular idéias que não poderiam ser denotadas em linguagem natural. Na Antiguidade, além das classificações dos conhecimentos, existiam também classificações bibliográficas. Segundo Shera (1957), a organização de coleções de livros teve origem nos trabalhos filosóficos de então. Contudo, classificações filosóficas e classificações bibliográficas são diferentes. Na classificação filosófica, nenhuma fronteira particular da área do conhecimento é geralmente especificada e reconhecida; ao passo que, na classificação bibliográfica, as áreas específicas do conhecimento são identificadas e reconhecidas. Hulme119 (1950 apud VICKERY, 1975, p. 164) salienta que as funções das classificações filosóficas e bibliográficas são distintas: a bibliográfica ‘mapeia a literatura e não a ciência’; a divisão e coordenação das classes na classificação bibliográfica ‘é determinada principalmente em linhas formais e não filosóficas’; nas bibliográficas, ‘o interesse não era a razão, mas fatos revelados pela garantia literária’; a bibliográfica era ‘o esboço de áreas pré-existentes na literatura’ e a sua correspondência com uma ordem filosófica não conferia consistência aos esquemas, já que não era garantia de exatidão e, finalmente, que existe um conflito entre garantia literária e classificação lógica, pois os conteúdos dos livros nem sempre se ajustam às classificações.

Interessante notar nas citações não se fala em objetivos institucionais e público-alvo, que também determinam uma lógica para a classificação.

O fato dos registros humanos refletirem um padrão de pensamento complexo semelhante aos seus processos mentais levou, segundo Shera (1957), à suposição de que a classificação filosófica seria aplicável aos livros. Esse pressuposto foi válido enquanto o volume de informação registrada era pequeno e as publicações consistiam em monografias. Com o desenvolvimento dos registros do conhecimento e a sua crescente complexidade e especialização, um sistema de classificação filosófico torna-se impróprio para uso em biblioteca. Toda essa problemática encobria a real necessidade de uma classificação de assuntos para a classificação dos livros.

Sabe-se que as bibliotecas da Babilônia, Grécia e Roma tiveram os seus acervos organizados, ainda que os vestígios dos seus sistemas de classificação sejam escassos.

119

Uma das primeiras classificações da qual se tem informação foi a realizada por Calímaco (320-240 a.C.), poeta e bibliotecário, que confeccionou o catálogo da Biblioteca de Alexandria entre os anos 260 e 240 a.C. O seu esquema classificatório organizou cerca de 500 mil volumes da Biblioteca dos Ptolomeus. A coleção contava dois índices, um de autores e outro de títulos. O índice de títulos apresentava uma distribuição temática composta das seguintes classes:

1. Filosofia (Geometria e Medicina); 2. Jurisprudência;

3. História; 4. Oratória;

5. Poética (Épica, trágica, cômica e ditirâmbica); 6. Escritos de coisas várias (SERRAI, 1977, p. 49).

A biblioteca de Alexandria foi a primeira com aspirações universais e, com a sua comunidade de estudiosos, tornou-se o protótipo das universidades da era moderna, definindo uma nova concepção a respeito do valor do conhecimento.

Na história da classificação (especialmente antes da ascensão das bibliotecas), as obras que tratam das classificações bibliográficas dizem muito pouco além da menção às suas classes principais. Mas, classificações bibliográficas são para recuperação da informação, recuperação que parece quase impossível se não há constituintes de tais sistemas de tipo mais granulado, mais subdividido do que as mencionadas classes principais.

A questão que se coloca acerca dos conceitos de classe e categoria é a seguinte: como as classes principais são subdivididas? O uso de uma coleção bibliográfica está vinculado a um plano de subordinação - quanto maior o número de categorias e sub-categorias maior a fragmentação. Assim, uma lista longa precisa ser categorizada para fornecer uma previsão a respeito do universo por ela abrangido. Uma lista menor pode até ser alfabética e capaz de ser memorizada (mnemônica). Essa evidência parece indicar que, até prova em contrário, a idéia geral de categorias, mesmo que de maneira rudimentar, é fundamental para qualquer teoria e prática de subordinação. Categorias em geral e o conceito de subordinação são condições para a introdução de uma hierarquia120.

120

O objeto desta tese é a Teoria da Classificação e as classificações bibliográficas. Não se ignora que ocorrem frequentemente adaptações a contextos e objetivos particulares, e que a decisão por uma categoria ou outra (no entendimento de Foucault) pode ser ditada por razões pragmáticas, mas nem por isto deixa de ser uma decisão de categorização.

O problema da subordinação das classes principais, segundo Perreault (1991, p. 134), pode ser resolvido de duas maneiras: a) pelo desenho de um plano de subdivisão, ou b) pela divisão das classes principais originais em classes menores. O autor supõe o plano a relativamente ad hoc (para um propósito particular, de uso exclusivo, segundo um ponto de vista): cronológico em uma classe principal, geográfico em outra etc.; enquanto o plano b significa algo consagrado, tal como a classe única “Religião”, vindo a ser dividida pela denominação das diferentes religiões, ou a classe única “Poesia”, sendo dividida por gêneros poéticos.

Dahlberg121 (1974, p. 70 apud PERREAULT, 1991, p. 139-140) lembra que Gesner utilizou padrões conceituais em que a mesma área geográfica é similarmente dividida nas classes principais de Geografia e História, mas que, de qualquer maneira, desde aquela época, esse uso da pré-combinação não é qualificado como autêntica categorização geral.

Contudo, pode-se argumentar que, se uma classificação bibliográfica foi aplicada a uma coleção de livros sem expectativa de crescimento (expansão), seria inútil estabelecer mecanismos para garantir uniformidade na reprodução dos mesmos princípios em documentos adicionais para a biblioteca. No entanto, a falta desse mecanismo não significa, segundo Perreault (1991, p. 140), que a ordem conceitual de uma classificação enumerativa não manifeste a idéia de categoria geral, apesar de rudimentar. A enumeração é uma maneira rudimentar de categorização (muito rudimentar porque o critério utilizado para categorizar está ausente).

Otlet (1934, p. 379) considera a classificação bibliográfica a ordem ininterrupta numa série linear única em que todos os termos ocupam, uns em relação aos outros, um lugar designado por um signo (termo, nome, letra, número ou qualquer símbolo), arranjado sistematicamente.

Piedade (1983, p. 60), numa concepção tradicional, afirma que “as classificações bibliográficas são sistemas destinados a servir de base à organização do conhecimento nas estantes, em catálogos, em bibliografias etc.” Dessa maneira, com a aplicação de determinado sistema de classificação pode-se reunir e agrupar os documentos segundo o assunto sobre que versam122.

121

DAHLBERG, I. Grundlagen universaler Wissensordnung. Pullach bei München: Verl. Dokumentation, 1974.

122

A complexidade crescente do meio ambiente gera uma aparente complexidade no pensamento humano, pois o cérebro opera com uma capacidade limitada de memória, e a sua habilidade faz com que processe poucos signos simultaneamente. Assim, o processo de classificação fornece um modem para compatibilizar a abordagem serial do cérebro e a complexidade do ambiente informacional (GOPINATH, 2001, p. 16).

Benzer Belgeler