O cenário deste estudo foi a Unidade de Urgência e Emergência de um hospital de grande porte da rede pública de Belo Horizonte, localizada no andar térreo do hospital, sendo composta por seis ambulatórios e três setores de apoio, denominados Setor de Emergência Clínica (SEC), Setor de Apoio ao Neurotrauma (SAN) e Suporte Avançado de Vida (SAV). Os ambulatórios são divididos em:
a) Politrauma; b) Ortopedia; c) Feminino; d) Masculino; e) Pediatria;
f) Otorrino e Endoscopia (ANEXO C).
De acordo com a Resolução – RDC 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (BRASIL, 2002), entre as
atribuições do serviço de emergência de alta complexidade estão a de prestar apoio diagnóstico e manter o paciente em observação por período de até 24 horas. Dessa forma, o SEC, o SAN e o SAV são considerados setores de internação hospitalar, pois, embora inseridos na Unidade de Urgência e Emergência, caracterizam-se como um sistema de apoio que prestam assistência ao paciente após as primeiras 24 horas.
O SEC é um setor que se destina ao atendimento de pacientes com casos clínicos graves, classificado como uma Unidade de Terapia Intensiva de nível III, devido à complexidade dos casos clínicos atendidos. O SAN consiste em uma sala de observação neurocirúrgica que funciona como ponto de apoio para os ambulatórios, permitindo que pacientes estáveis com doenças graves sejam observados de maneira meticulosa. Os critérios definidos para a admissão de pacientes no SAN são: portadores de trauma craniano agudo provenientes dos ambulatórios; traumatismo cranioencefálico isolado; escore na escala de coma de Glasgow entre 13 e 15; patologias neurocirúrgicas sem indicação cirúrgica no momento da admissão; e quando não há indicação para cirurgias imediatas ou após a liberação da neurocirurgia ou de outras clínicas no momento da admissão. O SAV atende os pacientes potenciais doadores de órgãos para transplantes, ou seja, pacientes com suspeita de morte cerebral. Os critérios para a admissão de pacientes no SAV são: pacientes em Glasgow 3, em coma e a não existência de fatores que possam agravar o quadro neurológico, como hipotermia, hipovolemia, sepsis, hipoxemia, quadros metabólicos descompensados, intoxicações e uso de drogas depressoras do sistema nervoso central ou de bloqueadores neuromusculares (COSTA; CUNHA; TRAJANO, 2003; PEREIRA, 2007).
A Unidade de Urgência e Emergência pertence a um hospital público considerado centro de referência no atendimento às urgências e emergências, oferecendo assistência ambulatorial e hospitalar, prioritariamente, aos pacientes politraumatizados, com grandes queimaduras, intoxicações graves e situações clínicas e/ou cirúrgicas com risco iminente de vida. Destina-se ao atendimento de urgências clínicas e cirúrgicas de média e de alta complexidade. É considerado como o mais importante Centro de Atendimento de Urgência e Emergência do estado de Minas Gerais. O hospital funciona exclusivamente como pronto-socorro, sendo uma das maiores instituições de urgência da América Latina (MUROFUSE, 2004). Pertence a uma fundação que mantém 23 unidades assistenciais − 8 situadas
no interior e 15 na capital − que assistem a população de Minas Gerais e de outros estados, oferecendo serviços especializados de referência, em consonância com a Política Estadual de Saúde (FHEMIG, 2006). Tem como missão prestar serviços de saúde e assistência médico-hospitalar de importância estratégica estadual e regional em níveis de complexidade secundário e terciário, por meio de hospitais organizados e integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Constitui um modelo de excelência na prestação de serviços de saúde do País, exibindo elevado padrão de qualidade e segurança, bem como a incorporação de técnicas de gestão, pesquisa e formação de recursos humanos para o sistema de saúde (FHEMIG, 2006). De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde 2.048, de 5 de novembro de 2002 (BRASIL, 2002), o hospital é classificado como uma unidade de referência em atendimento às urgências e emergências do Tipo III, significando que no plano estadual de atendimento localiza-se em um polo macroregional e executa procedimentos mais complexos da média e alta complexidade, pois está estruturado a partir da leitura ordenada das necessidades sociais de saúde e sob o imperativo de atender às necessidades humanas nas urgências.
A planta física do hospital possui 19 mil m2 de área construída, em 11 andares, apresentando-se em dois blocos, um horizontal, composto por áreas de Apoio Técnico e Unidade de Emergência, e um vertical, que agrega a área Administrativa e Unidades de Internação. De acordo com o Serviço de Arquivo Médico (SAME) do hospital, este possui 380 leitos disponíveis, em 2006 foram atendidos 144.068 pacientes, que geraram 13.400 internações e uma taxa de ocupação de 90,66% (FHEMIG, 2006). Conta com um quadro de 2.622 profissionais, entre efetivos e contratados, dos quais, de acordo com o SAME (2007), a equipe de enfermagem é composta por 1.165 profissionais, sendo 115 enfermeiros e 1.050 técnicos e auxiliares de enfermagem. De acordo com os dados do SAME (2007), na Unidade de Urgência e Emergência trabalham 292 profissionais de enfermagem, sendo 36 enfermeiros (11 do quadro efetivo e 25 contratados) e 256 técnicos e auxiliares de enfermagem, sendo 163 do quadro efetivo e 93 contratados temporariamente (FHEMIG, 2007). A justificativa quanto à escolha do campo para a coleta de dados foi definida, considerando que este é
[...] espaço físico onde o pesquisador julga serem regularmente encontradas, como sendo seu ambiente natural, as pessoas que poderão falar com autoridade sobre o tema definido em seu projeto de pesquisa e
onde poderá inter-relacionar-se com elas com o alvo de ouvir um discurso pertinente (TURATO, 2003, p. 322).
A opção pela Unidade de Urgência e Emergência se deu pelo fato de ser um setor de trabalho com maior grau de complexidade e que se destacou na concessão de licenças médicas por motivos diversos no estudo realizado por Godoy et al. (2006). A literatura reforça que este tipo de unidade hospitalar contribui para que o trabalhador manifeste maior desgaste emocional. Consideram-se, ainda, a singularidade dos trabalhadores, a natureza do trabalho desenvolvido e a forma de organização do trabalho na Unidade de Urgência e Emergência, que podem desencadear situações de sofrimento e/ou prazer no trabalho.