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Aprovado o Plano de Recuperação, e apresentada ou dispensada a apresentação das certidões negativas de débitos fiscais do devedor (art. 57 da
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Art. 45. Nas deliberações sobre o plano de recuperação judicial, todas as classes de credores referidas no art. 41 desta Lei deverão aprovar a proposta.
§ 1o Em cada uma das classes referidas nos incisos II e III do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser aprovada por credores que representem mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembléia e, cumulativamente, pela maioria simples dos credores presentes. § 2o Nas classes previstas nos incisos I e IV do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser
aprovada pela maioria simples dos credores presentes, independentemente do valor de seu crédito. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
§ 3o O credor não terá direito a voto e não será considerado para fins de verificação de quorum de deliberação se o plano de recuperação judicial não alterar o valor ou as condições originais de pagamento de seu crédito.
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Art. 58. Cumpridas as exigências desta Lei, o juiz concederá a recuperação judicial do devedor cujo plano não tenha sofrido objeção de credor nos termos do art. 55 desta Lei ou tenha sido aprovado pela assembléia-geral de credores na forma do art. 45 desta Lei.
§ 1o O juiz poderá conceder a recuperação judicial com base em plano que não obteve aprovação na forma do art. 45 desta Lei, desde que, na mesma assembléia, tenha obtido, de forma cumulativa:
I – o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes à assembléia, independentemente de classes;
II – a aprovação de 2 (duas) das classes de credores nos termos do art. 45 desta Lei ou, caso haja somente 2 (duas) classes com credores votantes, a aprovação de pelo menos 1 (uma) delas;
III – na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores, computados na forma dos §§ 1o e 2o do art. 45 desta Lei.
§ 2o A recuperação judicial somente poderá ser concedida com base no § 1o deste artigo se o plano não implicar tratamento diferenciado entre os credores da classe que o houver rejeitado.
LRE138), o Juiz concederá a recuperação judicial, cujo principal efeito é a novação
das dívidas a ela sujeitas, ante a expressa determinação do art. 59 da LRE: “O
plano de recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores ao pedido, e obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem prejuízo das garantias, observado o disposto no § 1o do art. 50 desta Lei. “
Nesse ponto, a diferença em relação ao Decreto-Lei nº 7.661/45 é salutar. O art. 148 do revogado diploma era peremptório ao afirmar que a “a concordata não produz novação, não desonera os coobrigados com o devedor, nem os fiadores dêstes e os responsáveis de regresso.”
Ao interpretar o dispositivo, Trajano De Miranda Valverde não deixava qualquer dúvida ao afirmar que “a concordata não nova a obrigação, vale dizer, o credor não adquire com a concordata um novo direito” e que “o artigo, a exemplo de outras legislações, declara que a concordata não desonera os coobrigados com o devedor, nem os fiadores destes e os responsáveis por via de regresso.”139
No mesmo sentido, Fábio Konder Comparato asseverava que:
“nenhum co-devedor com o concordatário, nem mesmo o fiador não- solidário, pode opor ao credor, à título de exceção à cobrança do crédito, as alterações de prazo ou de valor da dívida em razão da concordata.”
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Segundo Rubens Requião, a razão para tal disposição se referia à própria natureza da concordata: “Além disso, pela sua própria natureza, a concordata se limita às relações diretas entre devedor e credor. Não desonera, por isso, como declara o mesmo art. 148, os coobrigados com o devedor.”141 Ou seja, como
aquele instituto visava apenas a socorrer o devedor comerciante com a moratória, e não seus coobrigados, não se estenderiam os privilégios a estes últimos.
138 Art. 57. Após a juntada aos autos do plano aprovado pela assembléia-geral de credores ou decorrido o prazo previsto no art. 55 desta Lei sem objeção de credores, o devedor apresentará certidões negativas de débitos tributários nos termos dos arts. 151, 205, 206 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.
139 VALVERDE, Trajano de Miranda. Comentários à Lei de Falências. Vol. 2. Rio de Janeiro: Forense, 1955, p. 144/145.
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COMPARATO, Fábio Konder. Direito Empresarial, Estudos e Pareceres. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 485/490.
Essa também era a interpretação do STJ142 e do TJ/SP143.
No diploma atual, no entanto, com a concessão da recuperação, todos os credores ficarão sujeitos às formas e condições de pagamento previstas no Plano de Recuperação, em substituição as condições originalmente acordadas, observada a norma relativa à supressão ou substituição de garantia real (art. 50, § 1º da LRE).
Essa novação prevista na nova lei, como ensinam a doutrina144 e jurisprudência145, é condicional, pois, se vierem a ser descumpridas as obrigações constantes do Plano de Recuperação, a recuperação será convolada em falência, com a restituição das obrigações nas condições originais, sendo aplicada a regra do art. 61, § 2º da LRE:
“Decretada a falência, os credores terão reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito da recuperação judicial.”
Sobre o tema, Eduardo Secchi Munhoz esclarece:
“o plano de recuperação obriga o devedor e todos os credores, inclusive aqueles ausentes na assembleia geral, ou vencidos pelo voto da maioria. O plano, aprovado pela maioria, afeta as relações jurídicas havidas entre o devedor e os diversos credores, podendo modificar as condições inicialmente contratadas (v.g., dilação do prazo para pagamento) ou mesmo alterar a própria natureza dessas relações (v.g., transformação dos créditos em participação societária no devedor)”146.
O grande problema, na verdade, diz respeito ao alcance da novação promovida com a aprovação do Plano de Recuperação, para o fim de se concluir
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e.g., STJ, Resp. n.º 93126/SP, rel. Ministro Nilson Naves, j. 02.09.1996. 143
e.g., TJ/SP, 1º TAC, 8ª Câm., ap. 807.094-6, rel. Antonio Carlos Malheiros, j. 30.08.00; 1º TAC, 4ª Câm., acórdão 671, processo 000383-7/04, apelação, rel. Octavio Lobo, j. 02.03.1988; e 1º TAC, 5ª Câm, acórdão 3.858, processo 000390-0/26, apelação, rel. Scarance Fernandes, j. 22.06.1988.
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COELHO, Fábio Ulhoa. Comentário à Nova Lei de Falência e de Recuperação de Empresas. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 168; SIMIONATO, Frederico A. Monte. Tratado de Direito Falimentar. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 188; e LUCCA, Newton de; e SIMÃO FILHO, Adalberto (Coordenadores). Comentários à Nova Lei de Recuperação de Empresas e Falências. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 188.
145 e.g. TJ/RS, AI nº 70024857302, rel. Des. Artur Arnildo Ludwig, j. 23.10.08.
146 MUNHOZ, Eduardo Secchi, em Comentários à Lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.101/2005 – Artigo por artigo. Coordenação Francisco Satiro de Souza Junior, Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. – 2. Ed. Ver., atual. E ampl. – São Paulo; Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 293.
se a dívida continua sendo exigível contra o garantidor, tal como originalmente contratada, ou se ela se extingue ou se permanece sujeita à novação condicional, havendo uma espécie de “suspensão” da cobrança contra os garantidores, sempre visando a compatibilizar a LRE e o Código Civil.