4.2. ARAŞTIRMANIN ALT AMAÇLARINA İLİŞKİN BULGU VE
4.2.5. Beşinci Alt Amaca İlişkin Bulgu ve Yorumlar
Para a definição dos participantes da pesquisa, tendo em vista a composição do material de análise, tomamos medidas descritas na sequência. Solicitamos autorização para realizar a pesquisa junto ao Diretor do Centro de Artes e Letras da UFSM e, também, junto aos coordenadores de cada um dos Cursos de Letras (Espanhol e Português). Mediante os Termos de Autorização, encaminhamos o projeto ao Comitê de Ética da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em 4 de julho de 2012, a fim de que nossa proposta de pesquisa fosse avaliada.
Após a aprovação do Comitê de Ética, recebida em 16 de julho de 201233, passamos à primeira fase de constituição do material de análise, que seguiu os seguintes passos: (i) definição dos participantes, seguindo os critérios escolhidos; (ii)
formalização da participação dos professores selecionados, via assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Apêndice C); (iii) envio dos questionários por
e-mail a cada um dos 3 (três) participantes da pesquisa, mediante contato prévio; iv)
agendamento e posterior realização das entrevistas individuais com cada um dos participantes.
A escolha dos Cursos de Letras deve-se ao nosso interesse particular, enquanto docente da área das linguagens, considerando o fato de que há uma crescente ampliação na oferta de cursos de formação de professores na área de Letras na modalidade EaD. Além disso, há, por nossa parte, uma preocupação com a atividade laboral desses profissionais, pois entendemos que, mesmo estando em vertiginoso crescimento, a educação a distância carece de reflexões e estudos, não só debruçados nas relações de ensino e de aprendizagem, mas também aqueles que tenham como foco a figura desse “operário”, chamado de professor.
A partir da delimitação dos cursos de Espanhol e Português, foram definidos os seguintes critérios para a seleção dos professores participantes desta pesquisa: (i) três professores, dois vinculados ao Curso de Letras Espanhol e um ao Curso de Letras Português, (ii) os três docentes devem ocupar funções de professor pesquisador e, paralelamente, alguns deles podem ocupar, ou já ocuparam, cargos de coordenação de curso e/ou de tutoria; (iv) os professores precisam manter vínculo com as disciplinas específicas do Curso, dentre as de linguística e/ou literatura há, pelo menos, um ano; e (v) os professores devem ser efetivos, com vínculo de trabalho permanente e com DE (Dedicação Exclusiva) à Instituição há, pelo menos, um ano.
Os critérios de definição dos participantes da pesquisa foram estipulados considerando o fato de que existem profissionais externos atuantes na modalidade EaD, como convidados, de modo temporário, o que, de certa forma, poderia comprometer o estudo, uma vez que, no período da composição do material de análise, eles poderiam não estar mais atuando nos cursos.
Além disso, a escolha dos cursos foi pautada em uma opção particular, pois somos da área de Letras e entendemos que vivemos em um momento propício às reflexões que cercam o contexto de formação de professores na área de línguas, especialmente de Língua Portuguesa e Língua Estrangeira.
Desse modo, a seguir, passamos à descrição dos docentes selecionados como participantes da pesquisa e, para isso, partimos de um eixo geral, que abarca
os participantes da pesquisa e, depois, situa os movimentos que perpassam a profissão, o envolvimento com o fazer da docência e, principalmente, a mobilização dos sujeitos na busca de processos interativos e responsivos, como estratégia capaz de colaborar para o avanço da situação de trabalho.
Ratificamos nosso propósito de discutir a respeito das questões que envovlem a modalidade de ensino a distância, considerando que o papel da interação, tendo como foco os estudos do Círculo de Bakhtin e da atitude responsiva entre os interlocutores, é determinante para que o trabalho docente seja reconhecido. Além disso, entendemos que não basta ao professor apenas dominar as técnicas das interfaces de comunicação que permeiam tal prática de ensino, ele necessita utilizar mecanismos linguísticos que proporcionem o diálogo entre os envolvidos no processo na modalidade EaD.
A fim de problematizar a atividade docente da EaD, contamos com a participação de dois professores do Curso de Letras/Espanhol e um professor do Curso de Letras/Português, todos atuantes na educação a distância no ano de 2012, na UFSM. Os referidos participantes da pesquisa foram nomeados de modo fictício da seguinte forma: Ana e Carlos, docentes do Curso de Letras/Espanhol, e Paulo, docente do Curso de Letras/Português.
Os três docentes têm formação em Letras, com mestrado na área. Desse total, apenas um deles está com o doutorado em andamento, enquanto os demais estão com o curso concluído. A professora Ana possui graduação em Letras/Espanhol e respectivas Literaturas pela UFSM, mestrado e doutorado em Letras pela UCPEL e atua na EaD. Seu envolvimento com o Curso de Letras/Espanhol ocorre desde outubro de 2008, e sua atuação como docente desde o primeiro semestre de 2009. Atualmente, ela trabalha em dois cursos EaD da UFSM, ambos de espanhol: um pertencente ao projeto UAB e outro ao Regesd/Prolic II34.
Graduado em Letras Espanhol e respectivas Literaturas pela Universidade Federal de Pelotas, Mestre em Letras – Linguística Aplicada pela Universidade Católica de Pelotas, o Professor Carlos trabalha com a EaD de Letras desde 2008, tendo iniciado como pesquisador no projeto REGESD. Antes disso, atuou com pesquisas para o curso de Licenciatura em Matemática a Distância (LEMAD) da UFPEL, entre 2005 e 2007.
O docente Paulo atua no Curso de Letras – EAD desde sua criação na UFSM, ou seja, desde 2008; é Mestre e Doutor em Letras pelo PPGL da UFSM, na área de concentração de Estudos Literários, com período sanduíche na Universidade de York. Atuou como Tutor por dois anos e atua como professor há um ano.
Com relação ao material de análise, por entendermos que a abertura de espaços de dizer para o trabalhador, via pesquisa, é fundamental para a reflexão sobre a especificidade da própria prática laboral, conforme entendem Schwartz (2007) e Faïta (2002, 2005), adotamos dois instrumentos de pesquisa: o questionário e a entrevista. O questionário, composto por 15 questões abertas (Apêndice A)35, foi enviado por e-mail aos três participantes da pesquisa: um do curso de Letras Português e dois do Curso de Letras Espanhol, no dia 17 de agosto de 2012 e, entre os dias 15 e 30 de outubro, do mesmo ano, recebemos as devolutivas dos questionários respondidos, também, através de e-mail.
O objetivo do questionário, como já mencionamos em outro momento deste estudo, é analisar a viabilidade do desevolvimento do tema proposto junto aos participantes selecionados.36 As questões que compõem o referido instrumento foram elaboradas tendo em vista o objetivo inicial do estudo, o qual busca evidenciar as particularidades e a especificidade que envolve a docência em EaD. Optamos por questões abertas, pois os respondentes ficam livres para responderem com suas próprias palavras, sem ficarem limitados a escolhas pré-determinadas. Entendemos, em consonância com Mattar (1994), que esse tipo de instrumento é útil como primeira abordagem, porque deixa o respondente mais à vontade para a entrevista a ser realizada posteriormente.
Assim, além do questionário, lançamos mão da entrevista, pois desejávamos o contato direto com os participantes da pesquisa. Desse modo, entendemos que o espaço destinado a esse momento possibilita aos participantes a fala sobre suas próprias atividades. Cria-se, então, um espaço de troca sobre o trabalho docente na modalidade EaD, tendo em vista a abordagem enunciativa e dialógica. A entrevista individual (Apêndice B) possui um guia de 15 questões, desencadeador da interlocução com cada um dos três participantes.
35 A transcrição na íntegra, das entrevistas, está no Apêndice B deste estudo.
36 Inicialmente, realizamos uma pesquisa junto a quatro docentes que atendiam aos critérios de seleção para o nosso estudo. Dentre esses quatro, três foram selecionados, considerando o fato de que havíamos pontuado como critério a necessidade de esses docentes estarem com aulas na EaD no período da aplicação da entrevista, o que não ocorreu com um deles. Assim, justificamos o número de participantes (dois do Curso de Letras Espanhol e um do Curso de Letras Português).
O roteiro de questões, semelhante ao do questionário, permite que sejam observados discursos não registrados em outros espaços enunciativos, pois, ao falar sobre o seu trabalho para “outrem”, produz uma relação de sentidos distinta daquela que estabelece entre seus pares. Dessa forma, cria-se um espaço para as trocas, entre saberes e percepções acerca da atividade profissional dos docentes envolvidos e proporciona uma interlocução significativa com a proposta deste estudo, centrada na verificação das particularidades da atividade do professor no ensino a distância.
Os conceitos desenvolvidos no capítulo teórico sobre Gêneros do Discurso serão importantes neste momento para explicarmos o mote de partida para o entendimento do instrumento entrevista, pois a consideramos, seguindo as proposições de Rocha, Daher e Sant’Anna (2004), quando referem que esse gênero vai além de um instrumento de coleta de material/falas/opiniões. Estamos diante de um processo que permite criar um lugar no qual circulam vozes sociais distintas (pesquisadores e participantes da pesquisa) em que a condição exotópica37 evoca os diferentes lugares ocupados por essas vozes. Além disso, na concepção dos estudos bakhtinianos, em conformidade com Rocha, Daher e Sant’Anna (2004), a entrevista não deve ser considerada como um simples meio de investigação científica. Deve, sim, abarcar o âmbito dos múltiplos discursos provenientes do processo exotópico. (BAKHTIN, 1997/2010).
Durante os meses de agosto e dezembro de 2012, foram realizados os contatos para o agendamento das entrevistas com os três participantes da pesquisa. No entanto, em virtude da greve que afetou as instituições públicas no país, não foi possível cumprir o cronograma. Ao findar a greve, em setembro, conseguimos agendar com uma das professoras.
Desse modo, no dia 20 de março, foi realizada, na UFSM, a primeira entrevista que compõe o material de análise para esta tese. A entrevista teve duração de 80 minutos (1 hora e 20 minutos) e o registro foi feito em áudio, a partir da permissão da participante e mediante autorização prévia. As demais entrevistas foram, da mesma forma, agendadas previamente e realizadas em julho e agosto de 2013. Cada uma teve a duração entre 45 e 50 minutos. Os resultados desses encontros serão apresentados no capítulo 3.
O quadro 4 ilustra a agenda das entrevistas:
Quadro 4 – Agenda das Entrevistas
Docente Curso Data / Horário Tempo de Duração Ana Letras Espanhol 20 de março de 2013 80 minutos
Carlos Letras Espanhol 26 de julho de 2013 50 minutos Paulo Letras Português 5 de agosto de 2013 45 minutos Fonte: Elaborado pela pesquisadora (2013).
Partimos dos questionamentos e das relações estabelecidas entre pesquisador e participantes da pesquisa para buscarmos as características da atividade do professor de EaD nos cursos em foco. Desse modo, através das respostas ao questionário e às entrevistas, trazemos para discussão aspectos do trabalho docente, observados a partir do nosso olhar sobre a atividade laboral, traduzidos pelos discursos dos docentes acerca de seu próprio trabalho.
Assim, para compor o material de análise, selecionamos seis (6) questões do questionário, respondidas por cada um dos três participantes, por entendermos que, através das respostas obtidas nas questões escolhidas, teremos elementos discursivos que proporcionarão uma reflexão, considerando a problemática que envolve esta tese.
Além dessas questões, selecionamos seis (6) enunciados provenientes da entrevista realizados com cada um dos três docentes, cuja escolha foi pautada na problemática desta tese e dos seus objetivos. Entendemos que esse momento (da realização da entrevista) é singular e possibilita discussões que emergem não só das ações verbais, mas de todo o conjunto da situação que envolve a prática da entrevista desde o(a) agendamento/reagendamento/efetivação de sua prática, pois todos esses momentos fazem parte da postura ativa/responsiva e dialógica.
No quadro 5, apresentamos as questões do questionário e da entrevista que foram selecionadas para a análise.
Quadro 5 – Composição do material de análise – questionário e entrevista
QUESTÕES
QUESTIONÁRIO ENTREVISTA
3. Como é a sua relação com o Ambiente Virtual
de Ensino Aprendizagem moodle? 2. Como foi a sua seleção para docente na modalidade EaD? 4. Descreva como é o processo de elaboração de
material didático. 6. Além da função de professor, exerce alguma outra função na UFSM ou na UAB/EaD? Como é a rotina do seu trabalho?
5. De que modo a equipe multidisciplinar atua em
relação ao material didático? 9. A gestão do Curso de Letras atua de que forma na sua atividade de trabalho/no desenvolvimento da sua atividade? Como é a sua relação com a coordenação?
10. Em que consiste, segundo as normativas , o trabalho do professor na modalidade EaD
10. Há algum regulamento geral, formal ou não, que descreva, delimite os papéis e as imputações sobre a atividade de trabalho? Há orientações, indicativo de caminhos ou sugestões de como deve exercer a atividade de professor?
12. Como é a tua rotina de trabalho enquanto
professor na EaD? É possível descrevê-la? 12. Como descreve a sua relação com os alunos? 15. Acredita que há valorização do trabalho
docente na modalidade EaD? 13. Na rotina, ao desenvolver o seu trabalho, aparecem dificuldades a serem enfrentadas? Em caso afirmativo, quais são? Qual é a sua postura frete a elas?
Fonte: Elaborado pela pesquisadora (2013).
Reiteramos que as reflexões desenvolvidas no capítulo de Pressupostos Teóricos são fundamentais para que, na análise, nossas percepções sobre os discursos obtidos junto aos participantes desta pesquisa produzam sentido e possibilitem uma maior reflexão sobre a atividade de trabalho na modalidade EaD. Desse modo, os estudos propalados por Bakhtin, especialmente sobre o processo dialógico da linguagem e as questões que o envolvem, bem como as considerações desenvolvidas pela Ergologia serão retomadas, no sentido de que o cotejo entre o universo teórico e a análise dos discursos dos participantes da pesquisa produzam efeitos singulares e sentidos diversos, permitindo, aos interlocutores desse processo, uma atitude que poderá ressingularizar seu fazer laboral. A seguir, apresentamos questões norteadoras e hipóteses, que remetem aos objetivos da pesquisa, considerando os eixos temáticos advindos da própria base teórica,
desenvolvida no primeiro capítulo. Para tanto, organizamos um quadro, a fim de explicitar os eixos temáticos desenvolvidos no capítulo 3.
Quadro 6 – Eixos temáticos norteadores da análise
Questionamento Eixo temático Hipótese
i) Como se dá a interlocução do professor com a
coordenação, com os alunos, com a equipe multidisciplinar e professor tutor?
ii) Considerando o ponto de vista enunciativo-discursivo, como é possível aprender a atividade do docente na modalidade EaD, tendo em vista que o direcionamento de suas ações tem como foco: o aluno, a equipe multidisciplinar, o tutor presencial e o tutor a distância? 1. A constituição dialógica e responsiva da atividade docente no contexto da EaD
Conceitos evocados:
Alteridade (relação eu/outro) Interação verbal
Enunciado (constituição e direcionamento)
Plurilinguismo
Atitude responsiva ativa Atividade de trabalho Norma e renormalização
Na EaD, o papel da interação e da atitude responsiva entre os interlocutores é determinante para que o trabalho docente seja reconhecido. Observamos que, no contexto em análise, os discursos são constituídos de modo extremamente heterogêneo, abrigando múltiplas vozes, dentre as quais as dos evolvidos e a do próprio AVEA, com suas normativas. O direcionamento do encunciado é significativo para analisarmos como se dá a atividade docente na modalidade EaD, considerando os discursos dos docentes sobre o seu fazer, tanto no momento da aplicação do questionátrio como no momento da realização da entrevista. A interlocução só é possível via gêneros do discurso e, nesta modalidade, o uso dos gêneros é, muitas vezes,
imperceptível, mas imprescindível. O professor precisa, além de dominar as técnicas que permeiam a prática de ensino em EaD, utilizar mecanismos linguísticos adequados a cada situação. A atividade docente exige uma busca constante de interação, de mobilização de saberes e de atitude responsiva.
iii) De que modo acontece o embate entre as normas antecedentes e as renormalizações na realização da atividade docente na modalidade EaD? 2. A atividade de trabalho docente e os usos de si na EaD: entre a norma e a renormalização Conceitos evocados: Atividade de trabalho Usos de si Norma e renormalização Acentos de valor Alteridade
Atitude responsiva ativa
Na situação de trabalho no contexto EaD, como em qualquer outro cenário laboral, os professores vivem em um embate entre o que é posto como norma por “outrem” e as suas próprias normas. Criam, então, renormalizações diante das normas estabelecidas, a saber: normas pessoais, dos outros professores, do ambiente, do coordenador do curso e da universidade. Assim, é preciso que haja um espaço de compartilhamento de saberes e de reflexão, considerando que a atividade é um processo que se constitui como inacabado. O professor precisa, além de dominar as técnicas que permeiam a prática de ensino em EaD, utilizar mecanismos linguísticos adequados a cada situação. A atividade docente exige uma busca constante de interação, de mobilização de saberes e de atitude responsiva, considerando que a relação entre as partes se dá via contexto digital.
No quadro 6, consideramos as implicações entre os questionamentos que embasam nossa reflexão e a teoria dialógica. Além disso, evocamos as questões que remetem à atividade de trabalho. Assim, para responder aos questionamentos: i) Como se dá a interlocução do professor com a coordenação, com os alunos, com a equipe multidisciplinar e professor tutor? e ii) Para quem é direcionada a atividade do docente na modalidade EaD, sob o ponto de vista enunciativo-discursivo?, é necessário mobilizar os conceitos desenvolvidos no capítulo teórico sobre alteridade (relação eu/outro), interação verbal, enunciado (constituição e direcionamento) e atitude responsiva ativa. Já para promover reflexões sobre: iii) De que modo acontece o embate entre as normas antecedentes e as renormalizações na realização da atividade docente na modalidade EaD?, recuperamos as proposições dos teóricos das ciências do trabalho, caracterizando a interface teoria dialógica/ergologia. Salientamos que separamos as duas áreas por questões metodológicas, entretanto, na análise, lançamos mão das concepções de ambas as teorias para conduzir nosso trabalho.
Além disso, a fim de nortearmos a elaboração do capítulo de análise, optamos por constituir eixos temáticos, que retomamos a seguir: (1) A constituição dialógica e responsiva da atividade docente no contexto da EaD e (2) A atividade de trabalho docente e os usos de si na EaD: entre a norma e a renormalização. Para cada um dos eixos, algumas hipóteses são levantadas, no sentido de chegar às respostas que são esperadas como resultado de nossa investigação.
Assim, temos, em relação aos questionamentos i e ii, as seguintes hipóteses: Na EaD, o papel da interação, concebida como um momento em que há o embate, onde os acentos valorativos se entrecruzam e da atitude responsiva entre os interlocutores é determinante para que o trabalho docente seja reconhecido. A interlocução só é possível via gêneros do discurso e, nessa modalidade, o uso dos gêneros é, muitas vezes, imperceptível, mas imprescindível. Em relação ao questionamento iii, a hipótese norteadora é: Na situação de trabalho no contexto EaD, como em qualquer outro cenário laboral, os professores apresentam suas renormalizações diante das normas estabelecidas, a saber: normas pessoais, dos outros professores, do ambiente, do coordenador do curso e da universidade. É preciso que haja um espaço de compartilhamento de saberes e de reflexão, considerando que a atividade é um processo que se constitui como inacabado, por isso, o professor precisa, além de dominar as técnicas que permeiam a prática de
ensino em EaD, utilizar mecanismos discursivos adequados a cada situação, uma vez que o desenvolvimento de sua atividade exige uma busca constante de interação, de mobilização de saberes e de atitude responsiva.
Ao discutirmos essas questões, recuperamos os estudos de Faïta (2005), ao afirmar que emergem, no discurso, rastros significativos que proporcionam, ao estudioso da linguagem, um espaço de apreender a partir de sua área de estudo. Para contemplar o interior da prática de trabalho dos docentes que fazem parte do universo de pesquisa, é necessário, muitas vezes, desvendar o que não está aparente no discurso, aquilo que reside em meio ao iceberg que povoa as ações de sua atividade profissional.
No capítulo 3, dedicado à interlocução proveniente do embate de vozes dos participantes nos dois momentos da composição do material de análise, apresentamos os resultados da pesquisa em dois momentos: (i) Constituição