RESSOAR
No período entre 2007 a 2010, o Programa Justiça Rápida de Execução Penal obteve os seguintes resultados, apresentados no Quadro 12:
Quadro 12 – Resumo dos Resultados da Justiça Rápida de Execução Penal
2007 2008 2009 2010 Audiências 1836 2186 2883 3860 Sentenças 530 3 0 0 Progressões 513 484 591 570 Regressões 253 288 278 185 Extinção punibilidade 8 3 1 22 Outros atendimentos 674 20 608 5384 Fonte: Corregedoria-geral da Justiça (2010)
Analisando esses dados, observa-se que a quantidade de audiências apresentou aumento constante, o que quer dizer que a população carcerária de Porto Velho tem crescido continuamente. Foram realizadas mais 19,06% de
110 audiências em 2008 em relação a 2007; mais 31,88% de audiências em 2009 em relação a 2008; e mais 33,88%, em 2010 em relação a 2009.
Deduzindo que todos os apenados foram atendidos nas operações, constata- se que está ocorrendo o aumento do número de presos em índices bastante elevados. Veja-se que em quatro anos houve o aumento de mil oitocentos e trinta e seis custodiados para três mil oitocentos e sessenta, um incremento de 110% do número de atendimentos e, logicamente, de presos. Um ponto em favor da realização dessas operações é a informação do Juiz responsável que, desde 2007, não há morte violenta nos presídios de Porto Velho (vide Apresentação do programa 2010 em anexo).
Quanto aos benefícios concedidos durante esse trabalho, vê-se que há o aumento das concessões de progressões variou de quatrocentos e oitenta e quatro a quinhentos e setenta benefícios de transferências de regime fechado para o semi- aberto e deste para o regime aberto (variação de 17,80%). Contudo, o comportamento de progressão desses benefícios não tem acompanhado o aumento dos apenados.
Quanto às sentenças proferidas, observa-se que houve um erro no cômputo das sentenças no ano de 2007, o primeiro da série analisada. Veja-se que sentença em execução penal só ocorre quando há extinção da punibilidade, seja pelo cumprimento da pena, seja em caso de morte. Todas as outras manifestações judiciais com cunho decisório são consideradas decisões. Verifica-se que a Operação Justiça Rápida de Execução Penal, agora nomeada Operação Ressoar,
111 tem atingido o objetivo traçado inicialmente pela Corregedoria-Geral da Justiça, que era obter a pacificação do sistema penitenciário em Porto Velho. De fato não há mais notícias de rebeliões e de mortes como as que ocorreram no massacre de janeiro de 2002.
Ocorre que a maior parte da atuação da Justiça nessas operações não é na sua função jurisdicional. Observa-se que o Judiciário está realizando, ano após ano, um trabalho social mais intenso com os apenados e ultrapassa em muito a sua função constitucional. Chega-se a ver a substituição do Poder Executivo pelo Judiciário na administração nessas unidades prisionais.
Basta ver que em 2010 os outros atendimentos cresceram mais de 785% entre 2009 e 2010. São eles o serviço social com setecentos e oitenta e nove atendimentos; certidões de nascimento com quarenta e cinco atendimentos, expedição de CPFs com cento e trinta e seis atendimentos; expedição de CTPS, com cento e trinta e dois atendimentos; expedição de RG, com cento e noventa e seis atendimentos; atendimentos médicos em novecentos e oitenta e sete; atendimentos odontológicos em setecentos e noventa e três; atendimentos psicológico em cento e oitenta e sete; atendimento psiquiátrico em setenta e sete casos e, ainda, dois mil e quarenta e dois atendimentos da Defensoria Pública da União para tratar de auxílio reclusão no que diz respeito a orientações. Houve um total de cinco mil e oitenta e quatro reais atendimentos que não são da competência do Judiciário de Rondônia.
112 e sessenta audiências, a partir das quais foram tomadas as várias decisões que eram devidas (progressões, regressões, cálculos de pena, entrega dos cálculos, autorizações de trabalho externo, saída e outros), foram realizados cinco mil oitocentos e sessenta e sete atendimentos que não são de sua competência.
Isso demonstra que, em 2010, a atuação do Judiciário de Rondônia esteve amplamente relacionada à administração dos presídios do estado, cumprindo a função do Poder Executivo que tem se furtado à sua obrigação. Tal situação é preocupante porque de um lado sabe-se que apenas com a respeitabilidade e honestidade, que são características do Judiciário de Rondônia, se conseguiria obter o apoio de tantas pessoas para realizar esse trabalho. Afinal, para a realização dessas operações, é necessário o esforço concentrado de vários órgãos públicos, seja o Ministério Público, a Defensoria Pública do Estado e da União, a Polícia Militar, a SUPEM, a SESAU, a DRT e o Cartório de Registro Civil, além do apoio da Corregedoria-Geral e do Tribunal de Justiça que disponibiliza magistrados, servidores e todo o equipamento necessário para as operações. De outro, vê-se que o Poder Executivo, que é o responsável constitucional pela custódia e bem estar dos apenados e presos provisórios, não tem feito o que lhe compete e a atuação do Judiciário tem causado o seu acomodamento, pois é mais fácil deixar para o juiz fazer tudo.
Verifica-se que a atuação jurisdicional em si, aquela referente ao acompanhamento dos processos de cumprimento de pena, concessões de benefícios e aplicação de punições, não necessita ser feita nesse sistema de
113 mutirão. A Vara de Execuções Fiscais de Porto Velho não se encontra com atrasos de demandas e não dá azo a pedidos de mutirões. Toda a atividade de análise dos processos poderia ser feita calmamente na própria vara, sem prejuízo aos apenados. Ao se realizar um esforço concentrado, há a possibilidade de a estrutura da vara ficar subutilizada durante o restante do ano, o que deve ser analisado. O que ocorre é que o magistrado titular da vara, pela sua sensibilidade pessoal e buscando dar melhores condições para o apenado, engajou-se nesse serviço, que vai muito além das suas funções normais, com o fim de resgatar a dignidade dos presos.
As Operações Justiça Rápida de Execução Penal ou Operações Ressoar são inegavelmente produtivas, já que têm trazido paz no cárcere, pois não houve mais mortes violentas desde 2007 e não há notícias de motins e rebeliões naqueles locais. Contudo, preocupa imensamente o fato do Judiciário estar trazendo para si parte da responsabilidade do Executivo, o que pode levá-lo a lavar as mãos no restante do ano, quando essas operações não são realizadas e ser a causa de descontentamento e rebeliões.
Os dados levam à conclusão que esse tipo de operação não deve ser transformado em uma constante. Deveria ser utilizada apenas em situações graves, pontuais, para evitar perigo concreto de rebeliões. Cabe ao Judiciário cobrar do Executivo a correta execução da pena, não substituí-lo, executando o seu papel.
Ao fim, vê-se que esse programa é eficaz, mas não é eficiente, já que a estrutura normal da Vara de Execuções Penais de Porto Velho tem todas as
114 condições de realizar o serviço, sendo desnecessária na forma como está sendo feita.
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