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2.1.6 Ekonomik Kalkınma

2.1.6.1 Beşeri Sermaye ve Ekonomik Kalkınma

ponto deve ser construída uma ponte para acesso

de carros ao assentamento. (jan/2009)

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comercial bastante explorado na área do assentamento, principalmente na década de 1990.

A transformação da área da posse em assentamento proporcionou o acesso à terra a boa parte das famílias sem terra do bairro, além de garantir aos posseiros históricos o usufruto dessa área sem o perigo de sofrerem novos despejos, perdas de produção e de benfeitorias. Entretanto os colocou em um novo status: de posseiros passaram a assentados de um projeto de reforma agrária que se desenvolve coletivamente e participativamente e que está baseado nos princípios da conservação ambiental.

As diretrizes do PDS apontam para a implantação de sistemas de cultivo que aliem a produção de gêneros agrícolas com a conservação da biodiversidade da área. Como já exposto, o plano de utilização do assentamento define como estratégia para cumprir com esse objetivo a adoção de uma agricultura ecológica por meio da implantação de SAF‟s nos lotes cobertos de mata e da diminuição até a total eliminação de adubos químicos e agrotóxicos nas áreas já historicamente exploradas.

Entretanto, após quase 4 anos45 do início da implantação do assentamento no Guapiruvu, pouco se conseguiu avançar na direção da transformação efetiva dos sistemas agrícolas nas áreas abertas e praticamente nenhum sistema agroflorestal foi iniciado nas áreas fechadas.

Os assentados históricos permanecem, em sua maioria, explorando banana, pupunha e as lavouras de subsistência de forma convencional, embora com uma

45 Quatro anos foi, inclusive, o período estabelecido para a conclusão da chamada Transição

Ecológica em que haveria a substituição das técnicas convencionais pelas chamadas agroecológicas nos lotes já abertos e cultivados pelos assentados históricos.

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diminuição do uso de adubos e defensivos químicos. Apesar da proibição de novos cortes nas áreas já cultivadas, os assentados também vêm praticando derrubadas aleatórias principalmente no meio dos cultivos. Dos assentados que receberam lotes sem área aberta para cultivo, alguns (cerca de 8) fizeram o corte raso para a formação de bananal, roça de pupunha e outros gêneros para o consumo, mesmo sabendo que poderiam sofrer sanções46. Algumas dessas derrubadas aconteceram

logo que os lotes foram divididos, em 2006, antes mesmo da formação da agrovila. Havia uma expectativa de que, assegurada a terra, pudessem fazer um corte em parte da área para a formação de sua própria roça. Alguns assentados, a despeito dos tramites legais, realizaram o corte raso para a formação de bananal.

Carina: E os que estão com o lote mais fechado, o que estão fazendo?

Zé Miséra: Muitos eles não quer deixar fazer nada, e muitos que têm coragem têm feito. Porque, eu não vou citar nome, mas teve nego aqui que não tinha um lugar do tamanho desse balde aqui para plantar muda de banana, hoje tem bananal muito maior do que o meu e cacho de banana nessa altura, porque tem coragem de ir lá, roçá, plantá e derrubá. As vezes Caio [Incra] vai lá, Agnaldo [Incra] vai lá, notifica ele, ele falo pode notificar que eu tenho filho pra tratar e você não vai tratar do meus filho, senta no machado e tá trabalhando. E ninguém encheu o saco dele. (Zé Miséra, assentado, entrevista concedida em 10/01/ 2009)

O INCRA tem estimulado a diminuição do uso de fertilizantes químicos fornecendo, com recursos do crédito fomento, produtos alternativos como o esterco. Também foi realizada compra de mudas de banana de variedades mais resistentes. Mas a aplicação dos insumos e o manejo necessário das espécies florestais nas áreas de

46 O INCRA realizou algumas notificações devido à derrubada de mata sem autorização em alguns

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cultivo não vêm sendo acompanhada de orientação técnica sistemática do INCRA, ou de qualquer outro órgão parceiro ao projeto e por isso tem colaborado para o reforço da descrença desses assentados nas técnicas agroflorestais.

Na avaliação dos assentados, a queda na produtividade da banana e a limitação da produção desta espécie à sua variedade mais resistente (banana nanica) estão relacionadas à interrupção das derrubadas e à diminuição do uso de defensivos químicos. A banana prata, que tem melhor preço no mercado, tem tido dificuldades de sobreviver no assentamento, na opinião de alguns assentados, devido à proibição do uso do pacote químico necessário para sua produção. Esta variedade tem sido vítima da doença conhecida como panamá, um fungo que seca a bananeira levando-a a morte.

Carina: Mas desde que o INCRA veio, o senhor mudou alguma coisa no jeito de plantar a banana?

Zé Miséra: Mudei, mudei, é deixando árvore. Meu bananal, não tinha um pé de árvore no meio do meu bananal. Eu comecei deixar, deixar. Mas aí depois eu vi que tava se acabando com tudo, comecei a tirá. Igual, embaúba ainda tenho, pode vê, tem bastante. Se tirá tudo, é lógico que o bananal vai melhorá, mas vai gastar mais óleo. Se eu deixar embaúba ou alguma árvore, mas bem longe uma da outra, manera mais o óleo, eu gasto menos óleo, só que a produção também cai. Minha produção caiu, essa prata minha antes de adoecer, antes desses negócio de Incra, de medir aí tudo, eu cheguei a tirar 75 caixas de prata, com essa moitinha ali que eu mostrei pra vocês que adoeceu. Agora o outro ali plantou debaixo de mata com esse arvoredo aí, ó, está com 2 mil pés de banana, um mês que não tirava, foi tirar semana passada, tirou 13 cachos, não foi caixa! Eu, com tudo que adoeceu tudo ainda tirei 2 cachos, cacho bonito! (Zé Miséra, assentado, entrevista concedida em 10/01/2009)

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Seu Zé Miséra avalia que, apesar de gastar menos insumo (óleo) para o cuidado com a banana, a permanência de árvores no bananal tem sido responsável pela doença na banana prata e pela diminuição da quantidade e do tamanho dos cachos. (fotos 10 e 11) Ainda percebe que esta banana menor e aparentemente com menos qualidade tem dificuldade de inserção no mercado convencional ao qual os produtores do Guapiruvu têm acesso:

Não adianta, assim não vai pra frente. Uns pé ainda cresce, que tá mais no relento aqui. Mas olha lá pro meio, uns pezinho tudo fininho, o que é que dá aquilo? Quando dá o cacho dá um cachinho deste tamanho. E não tem conversa, você chega numa feira, você mesmo vai comprar uma fruta numa feira, você vai escolher a mais bonita. Você não vai numa frutinha deste tamainho. A Banacesar antigamente, quando começou a Banacesar comprar banana nossa aqui no Guapiruvu, se tivesse um pé de banana no meio do mato ali, se tivesse um cachinho com duas penca eles levava. [...] hoje em dia a gente corta banana aqui leva lá, metade vai jogado fora lá no barracão, a metade! Pode ir lá no dia que tiver a carga, vocês vão filmar a carga lá pra vocês vê o absurdo que é. Você corta banana aqui, 100 cacho de banana, chega lá dá 20 caixa, 15 caixa de banana, o resto vai tudo fora. Isso aí é covardia que eles estão fazendo com nóis. (Zé Miséra, assentado, entrevista concedida em 10/01/2009)

94 Foto 10 - Bananeira do lote do Seu Zé

Miséra atacada pelo “Panamá”, fungo que ataca a banana prata na região. (jan/2009)

Foto: Carina Bernini

Foto 11 - Bananal do lote de Seu Zé Miséra.

Benzer Belgeler