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3.5. Hormonal İnceleme

3.5.1. BDNF, TNF-alfa, TGF-beta, IL-12, CXCL8,CCL24

As pessoas surdas possuem uma língua própria que é a Libras – Língua Brasileira de Sinais. Esta língua foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão dos surdos em 24 de abril de 2002 pela Lei N° 10.436 (BRASIL, 2002a). Posteriormente, em 22 de dezembro de 2005, pelo Decreto Lei N° 5.626 (BRASIL, 2005) a Libras foi regulamentada.

A Libras é captada pela visão e produzida pelos movimentos do corpo, especialmente das mãos e é constituída por elementos pertinentes às línguas orais como: gramática, semântica e outros elementos da linguística (BRITO, 1997; QUADROS, 1997; QUADROS, 2004). Por ser a língua que surgiu na comunidade surda, a Libras é a que mais se adapta à expressão dos surdos, e é, portanto, uma língua natural.

24 Esse código é composto por quatro capítulos e treze parágrafos que determinam os princípios,

responsabilidades e condutas que o profissional deve assumir frente ao aluno surdo. O código de ética faz parte do Regimento Interno do Departamento Nacional de Intérprete da FENEIS (FENEIS, 2008).

Muitas pessoas supõem que a comunicação em Libras é feita pelo alfabeto manual e pelos números (ANEXO 01), desconhecendo que a Libras possui estrutura própria (CASTRO; CARVALHO, 2005; GESSER, 2009), logo não é datilologia. Outro equívoco é supor que os sinais sejam gestos (SANTANA, 2007) ou ainda mímicas25, em grande parte confundido pelo fato de que possuem o canal visual-manual como forma de transmissão. Uma sequência de gestos não constitui uma língua e suas interações são repletas de mal-entendidos.

A Libras é uma língua recente, sua escrita, o signwriting26 ainda não foi concebida (ARNOLDO JUNIOR, 2005), mas está sendo constituída e pesquisada . Acrescenta-se a isso ainda o caráter de regionalidade da Libras, ou seja, existem variações de região para região (FELIPE, 2001; FELIPE; MONTEIRO, 2001; PARANÁ, 1998), logo, podem existir inúmeros sinais da Libras para representar uma mesma palavra em Língua Portuguesa.

Os surdos quando educados na perspectiva de educação bilíngue devem utilizar sempre a Libras como meio oficial de comunicação visual-espacial e a Língua Portuguesa como modalidade escrita (QUADROS, 1997). A autora codifica as línguas como L1 e L2, respectivamente, para caracterizar as duas abordagens, e complementa:

A L1 é essencial - as crianças surdas precisam ter acesso a uma língua de sinais para garantir o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, do pensamento - e a L2 é necessária- as crianças precisam dominar a L2 para fazer valer os seus direitos diante da sociedade ouvinte (ibid, p. 85).

A Libras e a Língua Portuguesa possuem estruturas diferentes (SANTANA, 2007), que requerem formas diferentes de pensamento e não podem ser assimiladas simultaneamente. “Não é possível transliterar uma língua falada para a língua de sinais palavra por palavra ou frase por frase” (SACKS, 1999, p. 42).

Desenvolve-se primeiro a Libras, que é fornecida à criança pela sua interação com o adulto ou par surdo e posteriormente à sua alfabetização a língua oral na sua modalidade escrita, pela interação com o adulto ou par ouvinte.

O modelo inclusivo (RIO GRANDE DO SUL, 2005; UNICEF, 1990) é o trabalhado nas escolas da rede comum de ensino. Esse modelo disponibiliza para o aluno um ambiente,

25 Mímica são gestos, imitações que tem por objetivo traduzir os sentimentos, muito usada no cinema e teatro

oriental (ALCURE; CARNEIRO, 1996).

26“Escrita de Sinais”. Consiste num “sistema de escrita visual direta de sinais” (CAPOVILLA; RAPHAEL,

2001a, p. 55) criado em 1974 por Valerie Sutton. Permite através de símbolos visuais representar os parâmetros que formam os sinais em Libras (ARNOLDO JUNIOR, 2005). A Libras não pode substituir a escrita da Língua Portuguesa (BRASIL, 2002a).

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no qual a Língua Portuguesa é o meio de comunicação dominante, que será por sua vez, um ambiente artificial de aprendizagem (QUADROS, 1997) e agrava-se ainda mais, pois

[...] os ouvintes, por serem a maioria e corresponderem ao modelo a ser seguido socialmente, sufocam a manifestação cultural do surdo impedindo-o de manifestar-se através de sua língua de sinais. Tal barreira se constitui porque o surdo não consegue dominar o sentido geral da modalidade oral da língua, não sabendo formular frases, orações completas e significativas. (LOPES, 2006, p. 71).

Assim, para que o aluno surdo seja atendido em suas especificidades, o AEES pode exigir ainda adaptações curriculares27. Conforme Carvalho (2008) as adaptações

curriculares são entendidas como uma possibilidade de individualização do processo de ensino e de aprendizagem, sendo componentes do currículo: a metodologia de ensino, os conteúdos, o programa e sua temporalidade e a avaliação.

A educação de surdos conforme Quadros (2005) deve possuir currículos adaptados à perspectiva bilíngue, ou seja, de forma visual-espacial, permitindo acesso à criança surda aos conteúdos escolares em sua própria língua. “A língua passa então a ser, o instrumento que traduz todas as relações e intenções do processo que se concretiza através das interações sociais” (ibid, p. 34).

Observam-se, portanto, divergências entre os modelos que atualmente são trabalhados no Brasil: o bilinguismo nas escolas de surdos e a educação inclusiva nas escolas da rede comum.

Se, inicialmente, a educação inclusiva pregava a diferença como parâmetro e ainda, trabalhar com todos os alunos sem discriminação (CARVALHO, 2008; MANTOAN, 2006; UNICEF, 1990) e depois o AEE veio para apoiar as escolas inclusivas, de que forma surgiram as adaptações curriculares?

Facilitar tarefas, adaptar avaliações, “dar pistas” (STÜRMER, 2009, p. 92) dentre outros “procedimentos” modernos são ações que preservam os sujeitos na condição da “necessidade educativa especial” (LOPES, 2007a, p. 25). A adaptação curricular nada mais é do que outra invenção contemporânea. Os alunos ficam em estado constante de corrigibilidade em função da média escolar (ARNOLD, 2006, 2007), uma busca pela normalidade.

27 As adaptações podem ser de pequeno e grande porte (BRASIL, 2000b; BRASIL, 2006). A primeira forma são

os ajustes feitos pelo professor, que refletem a sua prática pedagógica, como adaptações nos conteúdos, no método de ensino, na organização didática e na avaliação. Já as adaptações de grande porte referem-se àquelas cujas ações dependem de decisões político-adminstrativas (BRASIL, 2000b), como as secretarias de educação e a direção das unidades escolares.

A educação inclusiva não trata sobre outras variáveis, como o domínio de conteúdo do professor, sua fluência em Libras e sua formação continuada, ou seja, exime-se da “responsabilidade” de assumir políticas públicas não preconceituosas e, assim, passa-se a “rotular” alunos (ARNOLD, 2006, 2007; SILVEIRA, 2007).

O bilinguismo mostra-se, portanto, uma filosofia favorável ao ensino de alunos surdos. Porém, essa concepção também apresenta falhas. Podem ocorrer situações em escolas de surdos, nas quais a presença de professores ouvintes bilíngues faz com que a comunicação se efetue mais por Comunicação Total do que por Libras, demonstrando a existência de um

falso bilinguismo nas escolas de surdos. Muitos professores ouvintes aprendem a Libras e

adquirem a sua fluência pela própria interação com os surdos.

Deve-se abolir, o “vale tudo” (SANTANA, 2007, p. 182). O uso da Libras não pode ser intercalado com gestos e oralidade, ou qualquer outra forma de expressão. É uma língua que possui estrutura própria e deve ser respeitada como tal.

Enfim, uma problemática que ainda gera muitas discussões. Finalizando essa abordagem, fica uma reflexão: na perspectiva de educação inclusiva, não poderiam os professores surdos lecionarem para alunos ouvintes?

Benzer Belgeler