3. METOT
3.5. Bulgular ve Yorum
3.5.3. BDE Uygulamasına Ait Bulgular
Mas quem são estas crianças?
Anita tem 10 anos, é neta do Sr. Mário da Luz, filho de Arthur Camilo. Anita vive o Congado no seu modo de falar, nas histórias que conta, no orgulho que brilha em seus olhos quando fala de sua experiência como dançante da Guarda de Congo.
A gente não é obrigada a dançar, mas dançar é muito bom. A gente inventa passinho, se diverte. Mas se eu quisesse podia só seguir a guarda. É a gente que escolhe de qual guarda vai participar. Eu amo o Congo. Adoro o rosa, as fitas, o capacete. Os saiotes são fundamentais pra balançar, pra seguir o ritmo. A gente fica na fila dançando e é só alguém começar a mexer diferente que a gente acompanha. Sai cada coisa legal e todo mundo imita. Quando estamos vestidos não podemos fazer bagunça, temos que comportar. Somos responsáveis pela festa. Se dançarmos bem todo mundo acha bonito, a festa é um
sucesso. Se chover a festa continua, se alguém morrer a festa continua. Não podemos parar nunca, em respeito a Nossa Senhora do Rosário.
FIGURA 8: Figura 8: Os dançantes da Guarda do Congo
Arquivo pessoal/out2012
Fábio tem 13 anos, é neto de D. Tetane, filha do Sr. Arthur Camilo. É um garoto especial. Sabe todas as histórias que mitificam o Congado. Fala sobre tudo com uma seriedade que impressiona. Foi logo se apresentando como batedor de caixa da Guarda de Moçambique. Ser um Arturo pra ele está no sangue e todos precisam saber disso:
Comecei a tocar bem pequenininho. Ninguém ensina, não tem aula. Fui vendo, ouvindo, e aprendendo. Pegava as latas de óleo vazias e uma colher de pau e saia pela comunidade batendo e cantando. Antes da escola, depois da escola. Não tinha hora para bater caixa.
Ninguém me deu permissão pra começar a bater as caixas grandes. Eu achei que já estava preparado, pedi pro meu tio Geraldo pra bater no lugar dele e comecei. Durante a festa, os caixeiros quando estão cansados, levantam o bastão, dando sinal pra troca. Assim, fiz a troca com tio João Batista e nunca mais parei. A gente aprende todas as histórias e regras do Congado vendo, ouvindo, não tem quem te ensina, não tem aula, nem reunião pra isso. É nas festas. Quando fico na dúvida pergunto pra vó Tetane, pro Tio Mário. Mas gosto mesmo é das histórias do Tio Antônio. Ele conta cada uma....de arrepiar.
FIGURA 9: Batedores de caixa da Guarda de Moçambique
Arquivo pessoal/out2012
Gleice tem 8 anos, é bisneta de D.Entina, filha do Arthur Camilo. É a mais novinha e mais sapeca do trio. Quer saber de tudo e fica brava se os outros não a deixam falar. É uma das mais ativas na ornamentação da festa. Cola bandeirinha, varre a igreja, limpa os santos, arruma o altar e dança sem parar.
Eu gosto mesmo é de dançar. Fui pro Congo porque minha mãe pegou a roupa pra mim. No Congo tem mais mulher e no Moçambique é mais homem. Eu gosto do sapateado do Moçambique, da batida dos pés no chão. Eles não ficam em fila e nem dançam. Batem os pés no chão. Meu avô diz que é como os escravos socando o pilão. Mas no Congo a gente dança, pula, roda, é muito legal. Sabe, na Festa fico um pouco triste. Prefiro o antes da festa. É muito mais legal. A festa é ruim porque significa que já está acabando tudo. E só vai ter mais o ano que vem.
Estas três crianças me conduziram por caminhos deliciosos. Busquei percebê-las neste estudo não como sujeitos isolados, não observadores de práticas, mas como sujeitos ativos que dialogam constantemente com o que vêem, cheiram, ouvem em seu cotidiano, produzindo constantes transformações neste cotidiano. Assim sendo, os pequenos Arturos foram por mim compreendidos, sob uma ótica de análise que toma a criança como sujeito social, produtor de sua história, ser ativo de seu processo de aprendizagem.
Além destas três crianças duas mulheres Arturos também fizeram parte mais ativa da pesquisa:
Juliana Rafaela Melo da Luz, 18 anos, neta do Sr. Mario Braz da Luz, filho do Sr. Arthur Camilo participou da oficina de fotografia que organizei como estratégia metodológica17.
- Sou do Congado até mesmo antes de nascer. Minha mãe faz parte do Reinado, ela é Rainha das Mercês. Seu reinado passará automaticamente para mim. É assim que funciona. Somente se eu não quiser, há uma nova escolha realizada pelos mais velhos. Mas eu não negarei minhas origens. Hoje faço parte da Guarda do Congo. A gente que escolhe pra qual guarda que vai. Há a pressão dos pais, o querer acompanhá-
17
los, mas quando a gente cresce, sente que o toque do tambor é que chama e segue essa batida.
Ana Paula Francisca da Silva, 32 anos, neta do Sr. Geraldo Artur, filho de Artur Camilo, também participou da oficina de fotografia. Seus olhos brilham apenas por começar a falar do Seu Congo.
- Comecei com 7 anos. Meu pai achava perigoso sair antes. Com 7 anos eu chorava querendo ir, e minha tia pediu pro meu pai e meu pai deixou. Desde pequena eu sabia que era do Congo. Você escuta a caixa batendo e sente que ali é seu lugar. Adoro meu reinado. Reis e Rainhas pra mim são fundamentais. Tem que ter o trono coroado. Sem eles não tem Congado. O respeito se mantém mesmo sem a coroa. No cotidiano são pra eles que pedimos conselho, ajuda. O reinado se desfaz, mas, o respeito aos Reis e Rainhas é o mesmo. Meu Congo, amo de paixão, das meninas, do grupo mirim, todos temos uma ligação de parentesco. A maioria é primo, tio, parente. Eu sou um Arturo. Sou importante. Faço parte dessa história. E não é só na Festa. Esse orgulho transborda no meu dia a dia, no trabalho, nos passeios. Sou Arturo e algumas pessoas na cidade já me reconhecem e me respeitam por isso. É muito bom.
Estas cinco pessoas foram minha referência de pesquisa, mas foram tantas as falas, gestos, cantos, sorrisos anônimos que, ao final, constituíram meu grupo de